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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Depois da tempestade não vem a bonança

Menos de 24h após a demissão de Ricardo Drubscky, o Fluminense apresenta a sua nova pérola: Enderson Moreira.

Depois das desastrosas contratações de Cristóvão Borges e do estrategista de futebol de botão, Drubscky, quando se esperava que a sequência de erros apontasse para uma decisão pensada, determinada por critérios de experiência e competência, eis que o nome de Enderson surge como novo comandante tricolor.

Quando os gestores do Flu priorizaram as renovações de contrato de jogadores como Jean, Wagner, Fred e Cavalieri, deveriam ter planejado, prioritariamente, um nome para treinador da equipe, e não qualquer nome. Afinal, se houve condições de se planejar as renovações de alguns medalhões, a mesma importância deveria ter sido dada ao nome do técnico, função relevantíssima dentro da equipe.

Mas não foi assim. Coincidência ou não, Francis Melo, assessor de imprensa de Fred, tem estreitas ligações com Enderson e seu antecessor, Drubscky.

Se a desculpa fosse a nova realidade financeira do Flu, há outros nomes com menos rejeição que poderiam ter sido sondados, como Dorival Junior, por exemplo. Nada me tira da cabeça, porém, que nem cogitaram a contratação de um treinador do nível que o Fluminense merece – e poderiam ter tentado – porque não interessava a alguns dos inimigos internos do Flu.

A incompetência no atual Fluminense parece não ter limites, ou será apenas incompetência? Não quero acreditar que exista má-fé a serviço de interesses escusos nas Laranjeiras, mas, diante das reiteradas e desastrosas ações da gestão tricolor, chego a pensar que a incompetência é apenas uma faceta de algo muito mais podre e sórdido e que corrói o Fluminense dia a dia, num processo autofágico que, se não eliminado, poderá levar a prejuízos incalculáveis.

O alívio pela demissão do estrategista de futebol de botão durou muito pouco. No Fluminense, depois da tempestade não vem a bonança.


E a pergunta que fica é: até quando Enderson Moreira? Não tenho dúvidas de que será mais um aposentado às custas do Fluminense e não demorará muito a vestir seu pijama, infelizmente.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Somos todos Fluminense?

Alguns torcedores se mobilizaram para realizar uma grande festa, a fim de receber o time na partida inaugural do campeonato brasileiro contra o Joinville.

Foi uma manifestação espontânea de torcedores apaixonados que entenderam que a situação atual do clube é difícil, política e financeiramente, e que somente com o apoio integral da torcida, o Fluminense pode almejar algo melhor nesta competição.

Também foi uma espécie de desagravo por tudo o que impuseram ao Tricolor no finado campeonato carioca, com o propósito de demonstrar à equipe que as atrocidades praticadas contra o Flu em virtude da sua posição de contrariedade aos desmandos da FERJ já faz parte do passado e que agora se inicia uma nova competição, sem – espera-se – a interferência nefasta de dirigentes inescrupulosos.

Os abnegados organizadores gastaram preciosos tempo e dinheiro para promover o evento, tudo por amor ao Fluminense e sem esperar nada dele.

Passada a rodada inicial, porém, a festa deve continuar. O movimento se ampliou, outros torcedores encamparam a ideia e agora se organizam para que os jogos do Fluminense em casa sejam sempre um grande evento, com o objetivo de que a torcida compareça e, além de ser o décimo segundo jogador da equipe, encha os combalidos cofres do clube do dinheiro que anda tão escasso por estes tempos.

O propósito é louvável e não poderia partir de outra torcida que não a tricolor.

Ocorre que o sucesso do evento depende do cumprimento de alguns pressupostos. O primeiro deles diz respeito ao torcedor, pois sem ele não há festa e o clube deixa de arrecadar.

A torcida tricolor precisa imbuir-se de que ela é a força motriz do Fluminense, pois é o seu canto que faz vibrar o jogador e é o seu maciço comparecimento o maior incentivo ao atleta dentro de campo. A presença do torcedor é sempre importante, mas em tempos de vacas magras, ela é fundamental.

Por isso, é preciso abandonar a tradição vetusta de que o torcedor somente apoia o time quando este está num bom momento. Hoje o tricolor vai ao estádio quando a equipe está bem, mas é preciso que ele entenda que deve ir para o time jogar bem. Além da contribuição financeira, a presença da torcida influencia no fator psicológico do jogador, incentivando-o a desempenhar um melhor futebol e a buscar a vitória com motivação redobrada.

O sucesso da empreitada também depende da ajuda do principal interessado, o Fluminense.

Como eu disse, foram abnegados torcedores que planejaram e organizaram a mobilização para a primeira partida do campeonato e que, agora, pretendem dar continuidade ao movimento de aproximar clube e torcida durante todo o restante da competição.

Não soube de qualquer interferência do clube no assunto, quando este deveria ter sido o principal interessado em trazer o torcedor para perto de si, colhendo os resultados financeiros desse apoio.

Mas o que esperar de um departamento de marketing inepto que, deitado em berço esplêndido, observa o árduo trabalho de torcedores que trabalham pelo Flu apenas por amor ao seu clube de coração. Por que não cria, por que não pensa e, sabedor de que a mobilização se articula no seio da torcida, por que não ajuda? A resposta é simples: porque não tem compromisso com o Fluminense, apesar de seus membros serem remunerados – e bem – pela instituição.

Eu imagino que o esforço do torcedor em atrair público para o Maracanã poderia atingir seu fim de uma forma bastante efetiva se o Fluminense, através de seu departamento de marketing, contribuísse para o sucesso da empreitada. Afinal, o interesse maior é o do clube, em dinheiro e motivação, para que o time alcance boas posições na tabela, o que, invariavelmente, também se reverte em lucros futuros.

As campanhas disseminadas pela internet teriam maior alcance se veiculadas pelos canais oficiais do Fluminense, e até mesmo pela grande mídia esportiva; além disso, promoções poderiam ser criadas para ajudar a levar o torcedor ao estádio, como o sorteio de prêmios atrativos.

Não seria nada irrazoável pensar em prêmios como automóveis e viagens pelo Brasil e exterior. Retira-se da parte da renda que cabe ao clube – inflada pela presença maciça da torcida – trinta ou quarenta mil reais, o que não é um absurdo e pode, inclusive, ser subsidiado pela empresa fornecedora do produto através da sua visibilidade, e se garante ao torcedor a possibilidade de voltar para casa duplamente feliz: por ter assistido ao seu time do coração e ganhado um excelente presente.

Infelizmente, contudo, a torcida age por si só, movida apenas pelo sentimento de amor, enquanto quem é pago para pensar e produzir para o clube permanece inerte, sob a complacência inexplicável de seus administradores.

Portanto, é bastante provável que o voluntarioso torcedor continue a sua luta inglória de tentar convencer a torcida a comparecer ao Maracanã durante o restante do campeonato, enquanto o Fluminense assiste a tudo de braços cruzados.

Não sei se é vaidade, ou simplesmente pura incompetência. O fato é, porém, que clube e torcida devem trilhar o mesmo rumo, sobretudo quando esse caminho leva a um único objetivo que é o engrandecimento do Fluminense.

A cúpula Tricolor precisa se livrar das travas que impedem o Fluminense de crescer, expurgar seus inimigos internos e atuar sem vaidades sempre em prol da Instituição. A torcida é a alma do Fluminense e sempre será a sua mais fiel parceira. E é esse mutualismo que deve nortear as ações institucionais entre torcedor e clube, porque sem a torcida ele será apenas um corpo sem espírito, um número de cadastro de pessoa jurídica ou um nome sem história.

Somos todos Fluminense? Parece que, infelizmente, essa regra tem exceção na Álvaro Chaves, 41.



terça-feira, 12 de maio de 2015

O Fluminense é enorme

Euclides da Cunha, em seu épico livro “Os sertões”, relata minuciosamente a saga de Antônio Conselheiro, seus fiéis seguidores e a ascensão e queda do arraial de Canudos no sertão da Bahia, no fim do século XIX. Jagunços, mulheres, idosos, crianças, ex-escravos e toda a sorte de estropiados sertanejos vítimas da fome, da exclusão social e da seca na região aglutinaram-se em torno da figura mítica do Beato Conselheiro em busca da salvação espiritual na localidade da antiga Fazenda Canudos, onde construíram o arraial de mesmo nome.

Latifundiários e outros poderosos da região, incomodados com o nascimento do novo Arraial e com a influência de Antônio Conselheiro sobre o povo pobre do sertão, passaram a reclamar a presença do Governo Federal a fim de que aquele movimento a que se chamou por parte da imprensa da época de uma tentativa de se restabelecer a Monarquia no Brasil – o que nunca se provou ser verdade – fosse debelado. Foram enviadas, então, três expedições de tropas regulares do Exército para destruir Conselheiro e seu Arraial, tarefa que parecia simples, ante a desproporção de forças, treinamento militar e armamento.

Os sertanejos, contudo, armados de enxadas, foices, alguns bacamartes velhos e muita fé – a partir da segunda investida passariam a utilizar as armas confiscadas dos soldados mortos -, rechaçaram as três primeiras expedições militares do Governo Federal, tendo sucumbido apenas na última, a quarta, quando o Exército conseguiu esmagar o Arraial após receber reforços de milhares de soldados, embora tenham encontrado feroz resistência dos seguidores de Conselheiro, que lutaram, literalmente, até o último homem.

O Fluminense não é uma tropa de decrépitos. Longe disso. Se não tem o glamour – nem sempre, porém, sinônimo de eficiência – de outros tempos, ainda se pode dizer que possui um elenco respeitável se comparado às demais forças do futebol nacional.

E se não há a fé que moveu milhares de almas desesperadas à morte em busca da salvação, há a tradição, a glória e a história que impregnam a camisa tricolor e que obrigam, quem a enverga, a almejar sempre a vitória.

Aliás, diversos “timinhos” tricolores de outrora, desacreditados a princípio, foram responsáveis por importantes conquistas na história do Fluminense. Por isso, causa estranheza que o nosso treinador Ricardo Drubscky tenha dito isto sobre as pretensões do Flu no campeonato:

“Não faço essa projeção de título. Temos oito, nove ou dez bons candidatos para conquistar o Campeonato Brasileiro. É diferente do que qualquer país no mundo. Sem dúvida nenhuma, o Fluminense arranca em 2015 sem pleitear a conquista de título e sem ser favorito por questões das mais diversas. Está mudando a sua realidade administrativa, refazendo o seu norte. Mas, sem dúvida, é um clube que nunca vai deixar de estar entre os grandes. O Fluminense sai com essa vantagem, eu diria, de ser descartado como favorito ao título”. (R.D)

Ele, provavelmente, pretendeu dizer que o Fluminense, em 2015, será um “azarão”. Pode ter sido essa a sua intenção, mas não foi isso o que disse. Ele declarou, literalmente, que não projeta o título. E é essa a mensagem que fica.

Eu mesmo acredito que o Fluminense deste ano “corre por fora” na disputa pela conquista da competição; realmente não é o favorito como já fora em outros tempos, e talvez isso nem seja ruim, pois os holofotes mudam seu foco e a pressão diminui. Imagino que as chances existem se formos aplicados, contarmos com sorte e com a incompetência dos adversários. E se não der, quem sabe uma vaga na Libertadores...

Mas, voltando a Drubscky, ele afirmou que não projeta o título, ou seja, o título não faz parte dos seus planos, para ser mais claro. Talvez em decorrência de sua origem humilde no futebol, acostumado a dirigir clubes de menor expressão e de repetir essa mesma ladainha em todo começo de competição, Drubscky tenha sido traído pela “força do hábito”. De qualquer forma foi uma infeliz declaração.

O Fluminense - e Drubscky deve se acostumar com isso - é um clube enorme. De uma grandeza tal que ofusca, quase cega, aqueles que travam contato com a sua história de glórias pela primeira vez. É provável que Drubscky tenha tido a sua visão ofuscada ante o brilho fulgurante que emana do centenário clube de Álvaro Chaves. Não o condeno, pois essa cegueira sói acontecer com bastante frequência.

Portanto, você está perdoado, Drubscky. Mas é bom que saiba que o Fluminense disputa qualquer competição para vencer, não importa se o time é tecnicamente fraco, se o momento é de crise, ou se o mundo está acabando. O Fluminense, em respeito à sua história de glórias e à sua torcida, sempre lutará pelo lugar mais alto do pódio.

No entanto, li um e outro tricolor afirmarem que a declaração do nosso treinador foi sensata, pois ele não poderia – com o elenco que tem à disposição – iludir a torcida quanto à pretensão de título. Discordo desse posicionamento. A torcida tricolor é calejada demais para se iludir com verborragias de quem quer que seja. Ela sente o seu time, o  seu momento e o que pode advir dele, afinal de contas, apenas quem é tricolor tem a sensibilidade aguçada o suficiente para perceber se o time pode ter sucesso ou não numa competição. Nem sempre acerta o seu prognóstico, mas não se engana com bravatas de quem quer que seja.

As palavras de Drubscky só causaram na torcida o sentimento da revolta ante o desconhecimento do comandante sobre a tradição do clube. Não serviram para dar um choque de realidade em ninguém. Esse choque, nós, os mais experientes, já experimentamos há muitos anos.

Drubscky não precisa ser um otimista contumaz, mas como comandante da tropa, precisa passar confiança, inspirar pelo exemplo e, sobretudo, criar estratégias eficientes para que a equipe possa ser equilibrada no campo de batalha. Atacar e defender com eficácia e ser ousada, jamais acovardar-se.

O campeonato brasileiro se inicia, os sonhos renascem e a esperança pela conquista do quinto título brasileiro deve ser a última a morrer. Se não der, pelo menos tentou-se. O que não se pode é abdicar da luta antes mesmo de iniciá-la. É desestimulante para a torcida e, principalmente, para o elenco que se acomodará diante das parcas pretensões de seu líder.

E se não vier o título – lutemos por ele – quem sabe não nos sobra uma vaga na Libertadores no ano que vem? Precisamos, mais do que nunca, repetir 2008, agora, com um final feliz.

O Fluminense não é muito melhor nem muito pior do que qualquer outro clube que disputará o campeonato nacional. O Fluminense é apenas o Fluminense e isso basta para que almeje sempre a vitória final. Ah, e basta também que Drubscky entenda isso.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sonho tricolor

Informo ao leitor, de antemão, que este não é um estudo de viabilidade técnico-financeira ou qualquer esboço de projeto. Não tenho conhecimento profissional para isso. É apenas – e peço permissão a você – um sonho em forma de desabafo que desejo compartilhar. 

Nos últimos anos, grandes clubes do futebol nacional têm se mobilizado para reformar ou construir modernos estádios. Um desejo inerente a todo torcedor, certamente, é ter uma casa moderna, que possa chamar de sua.

Internacional, Grêmio, Palmeiras, Corínthians, Atlético Paranaense modernizaram seus estádios ou construíram novas arenas. Não entrarei no mérito das eventuais facilidades obtidas do poder público, como por exemplo no caso da construção do Itaquerão, arena do Corinthians.

Prefiro citar o exemplo do Palmeiras que, através de uma parceria empresarial aparentemente legal, construiu a sua moderníssima arena – ao custo de 630 milhões - sobre os escombros do seu antigo estádio Palestra Itália. Trata-se de uma arena multiuso, uma tendência mundial, com capacidade para 43.600 torcedores – espectadores de futebol, para shows o público aumenta - onde o clube recebe integralmente a receita de seus jogos e a empreendedora assume todas as despesas correntes para funcionamento do estádio e aufere seus lucros da exploração da publicidade, shows, camarotes, cadeiras especiais, lanchonetes, restaurantes, lojas etc.

Gradativamente, o clube palestrino passará a receber participação também nas demais atividades geridas pela empreendedora até a integralização de todo o custo para a construção, acordo, cujo prazo final foi fixado em 30 anos; ao fim do contrato, a parceria com a empresa será encerrada e a arena definitivamente incorporada ao patrimônio do clube.

Não é preciso dizer que uma arena própria alavancaria qualquer projeto de sócio-torcedor, como se viu exatamente com o torcedor palmeirense que saltou diversas posições no ranking de associação após a construção do estádio. Além disso, o retorno financeiro é colossal. De todos os clubes das séries A, B e C do futebol nacional, o Palmeiras é o segundo no ranking de público pagante com uma média de 28.913 torcedores por jogo – perde apenas para o Corinthians, com 31.844 pagantes -, com o bilhete de entrada a uma preço médio de R$80,00, gerando uma renda bruta de R$23.325.941,00.

Em quatro meses – campeonato paulista e fase inicial da Copa do Brasil -, o Palmeiras “enriqueceu” quase 24 milhões de reais, sem contar a renda oriunda do projeto de associação. Uma previsão minimalista impõe reconhecer ganhos muito maiores durante as demais competições nacionais que, em regra, atraem muito mais público.

O torcedor sente-se estimulado a ir ao estádio, gastar em produtos do clube e associar-se, além é claro, do fator psicológico, pois jogar em sua própria casa, com a torcida praticamente inteira a favor, é sempre um obstáculo a mais para o adversário transpor.

Evidentemente, um contrato de parceria dessa envergadura precisa ser muito bem estudado a fim de que não haja conflitos, principalmente quanto às datas dos eventos comercializados pela empreendedora e as partidas de futebol, ou mesmo quanto à forma de comercialização de camarotes e cadeiras especiais.

Como eu disse, estou aqui sonhando. Já ficaria bastante satisfeito se o nosso lendário Estádio das Laranjeiras pudesse ser transformado em algo como um Craven Cottage, o também centenário e simpático estádio do Fulham F.C., de Londres, com capacidade atual para cerca de 25 mil torcedores confortavelmente instalados, após recente reforma.

Um clube da grandeza do Fluminense não pode caminhar na contramão da modernidade. Se eu fosse seu presidente, e isso é apenas elucubração, não tenho qualquer pretensão política, trataria o assunto como uma das suas prioridades e criaria um departamento exclusivo, composto de profissionais experimentados e comprometidos para alcançar uma solução viável para a construção de uma estrutura completa de futebol: centro de treinamento e um novo estádio.

O Fluminense merece um estádio moderno à altura de sua grandeza, onde exerça a sua “soberania” e não se submeta a desmandos de terceiros ou a incompatibilidades para atuar num ou noutro campo; e o seu torcedor uma casa que possa chamar de sua.


Como eu disse, trata-se apenas de um desabafo, um desejo incontido de poder um dia levar minhas filhas ao novo estádio do Fluminense e dizer: esta aqui é nossa casa, onde continuaremos a escrever uma história gloriosa, sintam-se à vontade.

Imagem: Google

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Em defesa do Fluminense

Esta entressafra forçada, logo após a eliminação precoce na competição regional, é absolutamente tediosa, sobretudo porque ocorre fora de estação.

Naquela entre o fim do campeonato brasileiro e o início da temporada seguinte ainda se vive alguma excitação, porque é o momento das especulações e contratações. Nesta, há apenas a lamúria decorrente da desclassificação tramada pela máfia que comanda a federação de futebol carioca e a expectativa pelo desempenho do clube na principal competição nacional.

É o momento, contudo, que tem a alta administração do futebol Tricolor, para não deixar esmaecer o combate contra as atrocidades perpetradas contra o Fluminense, e por que não contra o próprio futebol, pelas figuras abjetas que, direta ou indiretamente, administram o esporte bretão no Rio de Janeiro.

Aquelas “notas-oficiais”, que cansamos de ler durante a malfadada competição local, devem tornar-se efetivas através de medidas práticas que visem ao ressarcimento material sofrido pelo Fluminense diante de todo o abuso de direito praticado pelo presidente da federação, bem como de um planejamento realista acerca da organização de uma liga independente no futebol do Rio para a temporada 2016.

Com essas medidas, a cúpula Tricolor demonstrará que as referidas notas não foram meras palavras vazias. É preciso combater os inimigos do Fluminense em todas as instâncias, dando-lhes cada vez menos oportunidades de nos fazer mal. Uma ação bem fundamentada contra o senhor Rubens Lopes em razão de todas as arbitrariedades cometidas servirá a dois propósitos: responsabilizá-lo judicialmente por atos típicos de abuso de direito, e portanto ilícitos – que não podem ser salvaguardados pela autonomia  constitucional da entidade jurídica FERJ – e fazer com que outros inimigos do Fluminense repensem suas atitudes antes de praticarem qualquer conduta deliberadamente prejudicial ao clube.

Desta forma o Fluminense estará combatendo alguns de seus inimigos externos, pelo menos os mais recentes.

Mas é o tempo, também, para se combater os internos, os quinta-colunas a que fiz referência no último texto publicado aqui no Panorama.

N’outras épocas, o Fluminense era pouquíssimo tolerante com quem infringisse normas morais de conduta. Atletas e funcionários deveriam pautar-se pela ética e boa-fé no trato interpessoal dentro e fora do clube.

Parece, porém, que a modernidade, nesse ponto, foi prejudicial ao Fluminense e a tolerância a condutas graves praticadas por seus funcionários alargou-se de forma incompreensível.

A ação judicial proposta por um empregado do clube contra o escritor Paulo Roberto Andel, que já é, por certo, de conhecimento de todos os que frequentam esta casa, é uma aberração jurídica que expõe a ganância, a má-fé e a insensibilidade do seu autor. Um verdadeiro crime de lesa-Fluminense, uma vez que é um atentado contra a sua história, além de ser uma ofensa ao direito constitucional da liberdade de expressão.

O autor da ação, que nem tricolor é, ao pedir o recolhimento e a destruição da obra de Paulo Andel, não apenas o constrange e vitimiza, mas ataca diretamente a instituição Fluminense Football Club, a sua história e a sua torcida. Para ele – o autor da ação -, trata-se apenas de um livro, de uma reprodução supostamente não autorizada de uma fotografia sua e de dinheiro, muito dinheiro. Para Andel e para todos nós, tricolores, trata-se de uma questão muito maior, de respeito à honra de um homem íntegro e da preservação da dignidade da instituição Fluminense.

A honra tricolor foi vilipendiada por um prestador de serviços do Clube e a reputação de um escritor, que dedica a sua vida a engrandecer nosso amor pelo Tricolor, foi maculada por uma ação temerária e fulcrada no interesse espúrio e na má-fé.

E o que o Fluminense tem com isso? Tudo.

É dever da administração Tricolor, leia-se Presidente Peter Siemsen, agir para proteger os seus interesses -  a história e a honra do Fluminense e a reputação de um escritor que vive a sua vida para defender e enaltecer o clube, sob pena de a sua inação torná-lo verdadeiro coautor da injusta ação perpetrada pelo fotógrafo.

O mínimo que se espera é o encerramento do vínculo contratual desse profissional, além de uma nota de repúdio à sua conduta e de desagravo ao escritor, vítima do mais grave e injusto constrangimento por parte de um funcionário do Fluminense.

O comando Tricolor, assim, precisa posicionar-se contra essa agressão, defender a instituição e, mais do que isso, expurgar de seus quadros seus inimigos internos, dentre eles o autor dessa estapafúrdia ação judicial, a fim de que não se inicie ou não se dê continuidade a um processo autofágico que poderá lhe trazer severas consequências futuramente.


Seguir adiante é preciso, não sem antes, porém, ajustar as contas com os fantasmas que nos atormentam no presente.

(Felipe Fleury)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fred e a verdade que incomoda.

O atacante Fred, logo após a sua expulsão no último Fla-Flu, em entrevista ainda à beira do campo e, em tom de desabafo, fez severas críticas ao atual modelo do campeonato carioca e à arbitragem.

Pudera, afinal de contas foi expulso após ter sido advertido com dois cartões amarelos, o primeiro quando disputava espaço na área com um zagueiro adversário que, na mesma condição, não foi advertido; o segundo, após falta sofrida que, inclusive, poderia ensejar cartão ao seu autor, e que o árbitro fez questão de não enxergar, preferindo “entender” que Fred teria simulado a infração, o que lhe acarretou nova advertência e a injusta expulsão.

O procurador do TJD, André Valentim, atento às declarações de Fred, denunciou o jogador – que será julgado na próxima quarta-feira – por duas infrações ao artigo 258, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, pelas seguintes críticas à arbitragem:

“Só queria saber quem é que mandou isso aí.”

“Só falta quarta-feira (jogo contra o Madureira) colocarem o Índio (Luiz Antônio Silva Santos) para apitar. Aí fica tudo em casa.”

Fred não foi denunciado pelas críticas ao campeonato, apenas pelas referências à arbitragem. Segue o dispositivo legal:

Art. 258. Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código. (NR).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade. (AC).

§ 2º Constituem exemplos de atitudes contrárias à disciplina ou à ética desportiva, para os fins deste artigo, sem prejuízo de outros:

I — desistir de disputar partida, depois de iniciada, por abandono, simulação de contusão, ou tentar impedir, por qualquer meio, o seu prosseguimento; (AC).

II — desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões.

Uma análise do artigo em epígrafe, ainda que sucinta, permite concluir que o atacante tricolor pode ser suspenso de uma a seis partidas, mas se a infração for considerada de pequena gravidade, pode ser substituída pela advertência. Considerando as suas condições pessoais, seu histórico infracional favorável, bem como o fato de as declarações terem sido prestadas sob emoção, logo após a sua expulsão, existe a possibilidade de Fred ser apenado com apenas um jogo – já cumprido contra o Madureira. Se o Tribunal, porém, entender que a pena deva ser de um jogo de suspensão para cada infração – foram, em tese, duas – a outra poderia ser substituída por advertência, na forma do parágrafo primeiro do supracitado artigo.

Há ainda a possibilidade de ser oferecida a transação disciplinar, na forma do artigo 80-A, II, do CBJD, oportunidade em que o  atacante poderia ser punido – diante de suas condições favoráveis – com uma pena de multa (art. 170, II, do CBJD).

As chances de absolvição me parecem muito pequenas diante da contundência do atacante ao expor o seu sentimento de revolta ante os descalabros que envolvem as atitudes da FERJ.

Essas situações habilitariam Fred a participar do segundo jogo contra o Botafogo.

Qualquer outra decisão que imponha pena superior a uma partida de suspensão e, que não reconheça a sua substituição pela advertência ou pela multa (transação desportiva), inabilitará o artilheiro para a disputa da segunda partida das semifinais contra o Botafogo.

Faço esta brevíssima exposição, porque a situação está posta, ou seja, Fred foi denunciado, a audiência está marcada e, inexoravelmente, será julgado.

A denúncia oferecida pelo citado procurador, contudo, é um tapa na cara de todos nós torcedores de bem e, sobretudo, uma ofensa à moralidade, ao espírito do futebol, ao desporto de forma geral e aos atletas e clubes vítimas das manipulações espúrias praticadas por esta federação de futebol que aí está. Aliás, o próprio CBJD impõe o atendimento ao princípio da moralidade na aplicação de seus dispositivos – art. 2º, VIII, do Código – princípio este que, como se vê, parece desrespeitado.

Fred foi injustamente punido ao ter sido expulso; foi novamente punido quando desfalcou a equipe pelo tempo restante da partida contra o Flamengo e ao cumprir a suspensão automática contra o Madureira e, provavelmente, receberá nova sanção quando for julgado.

O artilheiro tricolor já foi punido demais por simplesmente dizer a verdade, uma verdade que o torcedor consciente, diante de tudo que se tem visto nesta competição, talvez dissesse de uma forma menos polida, mas igualmente sincera.

O campeonato é um jogo de cartas marcadas manipuladas pelos presidentes de fato e de direito da Federação e a arbitragem, pelo menos parte dela, se presta ao papel abjeto de interferir nos resultados das partidas de acordo com a conveniência de seus patrões.

Ou se pratica a moralidade ou, realmente, como disse Fred, o campeonato tem que acabar. O que não pode acontecer é um Tribunal Desportivo, que deveria zelar pela moralidade da disputa, punir quem diz a verdade e fazer “vista grossa” aos graves fatos que ocorrem dentro e fora dos gramados desta competição.


A verdade só incomoda a quem por ela não se pauta. Nos demais casos, ela liberta.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os novos planos de associação e o dever de informação

Eu tive a oportunidade de escrever, aqui mesmo no Panorama Tricolor, um texto nominado “Cem mil maníacos pelo Fluminense”, em que defendi a tese de que cem mil sócios torcedores dariam a sonhada autossuficiência ao Tricolor. Para tanto, sugeri algumas ideias a fim de fidelizar o torcedor ao projeto, evitando-se um dos maiores problemas da sobredita associação que é a volubilidade do sócio, normalmente atrelada à situação da equipe dentro de campo.

Assim, após meses de estagnação no que concerne ao aporte de novos associados e à inação do departamento de marketing tricolor, a esperança ao que parece se renova. Foram apresentados esta semana novos planos de associação que serão geridos pelo Fluminense e operacionalizados pela empresa Golden Goal Sports Ventures Gestão Esportiva Ltda – leia-se Chime Sports Marketing (CSM), grupo de marketing inglês (dono das marcas Icon, Fast Track, Iluka e Essencialy) que adquiriu 60% da Golden Goal Sports Ventures para entrar no mercado nacional de marketing desportivo.

À primeira vista, a CSM é uma empresa expert no assunto, responsável, inclusive, pelo marketing nas ruas de Londres por ocasião das Olimpíadas naquela cidade. E a Golden Goal Sports, vamos chamá-la assim, também atua gerindo os negócios do A. C. Milan no Brasil, operacionaliza o projeto cidadão rubro-negro e gere os camarotes do Engenhão, dentre outros projetos menores, informações estas obtidas no site da empresa.

O Fluminense, assim, descentralizou a operacionalização do seu projeto de sócio-torcedor e os resultados mais próximos estão aí: cinco novos planos de associação, o que, para um clube que não possui um estádio moderno, onde sejam vinculados aos planos a utilização de camarotes e lugares cativos, está de bom tamanho.

Se o projeto vai deslanchar, isso é outra história.

Para o presidente Peter, conforme anunciou no dia do lançamento dos novos planos, o sucesso da empreitada dependerá do engajamento do torcedor. Neste ponto, eu ouso discordar do nosso mandatário, uma vez que se dependesse apenas de engajamento, nenhuma das contrapartidas anunciadas nos recentes modelos de sócios seriam necessárias, bastaria o velho programa, que nunca ultrapassou o patamar dos vinte e cinco mil sócios-torcedores.

O engajamento é necessário, contudo é preciso mais.

As novas vantagens, evidentemente, incentivarão o torcedor a aderir ao programa ou a migrar para outro plano que lhe pareça mais interessante, mas o que efetivamente motiva o torcedor verdadeiramente engajado é o seu amor pelo clube. Este fica. Aquele que se associa apenas pelos benefícios de que poderá usufruir deriva à mercê da maré e poderá, como sói acontecer, cancelar seu título ante eventuais sequências de resultados ruins ou resultados acachapantes. Não deveria ser assim, mas, infelizmente, a volatilidade da torcida é algo com que se deva lidar.

Talvez antevendo situações como essas, a empresa fez constar do novo contrato – leiam, por favor, no novo portal do sócio torcedor em https://www.sociofutebol.com/conteudo/14 - uma cláusula que prevê multa ao associado que desistir do plano contratado – a multa não incidirá se o sócio não renovar o contrato ao seu término, o que deverá ser expressamente manifestado na forma do disposto no item 5.10.1.

À evidência, é um direito da empresa resguardar-se, mas não acredito que essa seja a forma adequada de tratamento a quem aderiu ao projeto espontaneamente, por amor ao seu clube, em razão do que seria plausível que lhe dessem o direito de também sair sem qualquer ônus, principalmente porque não estará indenizando a empresa por serviços usufruídos, mas pagando verdadeira multa contratual. Talvez isso seja um obstáculo que se contraponha aos novos benefícios, fazendo com que vantagens e desvantagens se compensem, o que poderá inviabilizar a adesão da quantidade de novos sócios pretendida.

Essa fidelização à fórceps é comum nos contratos de telefonia celular, TVs a cabo etc, mas não me parece que caia bem numa relação entre o torcedor e o seu clube, onde a liberdade de ir e vir, apesar de gerar insegurança para o destinatário das verbas, deveria ser respeitada. No mínimo, informada com ampla divulgação.

Aí está a cláusula do contrato que impõe a multa:

13.1.1. Caso o torcedor não tenha interesse em manter o plano contratado com o Programa, deverá avisar à EMPRESA RESPONSÁVEL através da Central de Atendimento no número (21) 3385-9930 disponível no site, informando sobre a sua intenção. Nesta hipótese, o usuário deverá pagar, a título de multa pelo cancelamento antecipado, 50% (cinquenta por cento) do restante do valor que ainda seria devido pelo usuário em razão do plano contratado e do período restante de contrato.

De toda a sorte, mesmo que se entenda que a cobrança da multa é justa – note-se, vale repetir, que o sócio desistente indenizará a empresa por benefícios de que não usufruiu – seria prudente que o Clube, principal beneficiário da renda de seu associado, fosse claro ao prestar as informações ao torcedor que pretende aderir ao projeto, sob pena deste sentir-se lesado futuramente. Essa informação eu descobri ao ler o contrato e não foi divulgada pelo Fluminense através de seus canais oficiais e nem consta do novo site do portal do sócio em sua página principal ou na chamada para os planos de associação.

E não foi apenas isso o que descobri. Como sócio-torcedor, recebi um email informando que eu deveria atualizar a minha senha de acesso ao portal. Como determinado, fui direcionado a uma nova página do programa sócio-torcedor – não aquela que se acessa através do site oficial do clube – onde criei uma nova senha e conheci o novo ambiente virtual. Vasculhando o local, no campo referente à assinatura, verifiquei que lá constava que a minha forma de pagamento seria boleto bancário, o que me causou estranheza, pois sempre realizei a minha contribuição por débito em cartão de crédito. Fiz a mudança para débito em cartão, mas imaginei que tal fato deveria ter sido explicado, uma vez que outros dados do meu perfil pessoal não estavam atualizados, como o meu endereço. Ou seja, se não tivesse percebido a alteração na forma de pagamento, como receberia o boleto bancário para quitação se nem mesmo o meu endereço residencial constava dos arquivos do portal? Tal fato, por certo, poderá causar problemas a muitos tricolores desavisados.

Entendi, então, que ao atualizar a minha senha, aderi automaticamente à renovação de meu programa sócio-torcedor, agora gerido pela empresa Golden Goal Sports - cuja data do pedido consta como sendo o dia 30 de março de 2015, primeira cobrança, e a última cobrança está indicada como sendo em 10 de janeiro de 2016 - inclusive acatando um contrato cuja leitura e aquiescência não foram pré-requisitos para a adesão e que não existia no programa anterior.

A empresa, em que pese -  não duvido disso – suas melhores intenções na operacionalização do projeto de associação ao Fluminense, faltou com o seu dever de informar com a mesma amplitude vantagens e desvantagens do novo projeto.

Assim, mais do que benefícios e outras contrapartidas, o que realmente fidelizará o torcedor, seja ele engajado ou não, é o dever de informação, corolário da transparência e da boa-fé que devem nortear as relações entre o clube e o seu sócio, além da prestação de contas dos valores auferidos, a fim de que se verifique, como também prometeu o presidente Peter em entrevista ao globoesporte.com, se os mesmos serão utilizados na formação da base em Xerém e na contratação de um grande elenco.

São atitudes simples, mas que indicam que essa parceria pode ser duradoura se houver confiança recíproca de ambas as partes. Para o torcedor engajado, a confiança num projeto sério e transparente é o seu maior incentivo para fidelizar-se como sócio do Fluminense.

Frise-se, por fim, que independentemente da justiça da cobrança – cujo mérito não discuto aqui – a Golden Goal Sports e o Fluminense, pois ciente do contrato de adesão, falharam ao não dar a devida publicidade às novas regras, sobretudo no que concerne à contrapartida do sócio em pagar multa em caso de desistência do plano durante a sua vigência, o que constitui, sem sombra de dúvida, falha no dever de informação, uma vez que tal previsão não incidia sobre os contratos de associação firmados antes de 31 de março de 2015.

Transformar uma relação que se baseava, preponderantemente, na espontaneidade e solidariedade do torcedor numa relação precipuamente consumerista, pode parecer profissional e até ser financeiramente mais proveitosa para o clube e a Golden Goal, mas se assim pretendem agir, que não se esqueçam de cumprir as determinações legais que protegem os consumidores, mormente aquela que já se descumpriu e consta do artigo 8º. do Código de Defesa do Consumidor.

Vale lembrar aos gestores do Clube que o torcedor sempre será o seu maior e mais fiel parceiro e assim merece ser tratado. Advertência oportuna que se faz para que a relação torcedor-Fluminense-Golden Goal seja longa e proveitosa para todos.


Foto: FFC



terça-feira, 24 de março de 2015

Quem é Drubscky?

Quem é Drubscky?

Eu não sei. Chegou ao Fluminense sob uma pressão enorme, rejeição explícita nas redes sociais ao seu nome, ao seu currículo...Mas quem é Drubscky? Continuo sem saber.

Sabe aquele que não come de certa comida porque sua aparência não é boa? Pois é. Para saber se é bom tem que provar do prato.

Ainda não provamos do prato chamado Drubscky. Pode ser que nos dê uma tremenda indigestão. Sinceramente, penso até que a tendência seja essa, até porque a sua contratação atendeu apenas ao critério financeiro.

Não adianta a diretoria dizer que foi contratado porque é um estudioso. A grande verdade é que o Flu foi atrás, novamente, do bom, bonito e barato, como houvera feito com Cristóvão Borges. Este não deu certo e talvez Drubscky também não dê, mas não serei leviano de prejulgá-lo.

Vamos deixar que mostre a que veio, retirar essa carga enorme que já foi colocada sobre os seus ombros logo na sua apresentação. Quem sabe ele não nos surpreenderá?

E se ele for, de fato, o que a maioria de nós imagina que seja, cobremos, antes de tudo, da diretoria e não do pobre Drubscky, que é um profissional que apenas tenta mostrar, dignamente, o seu trabalho. ST

segunda-feira, 16 de março de 2015

Projeto Gerson

(Publicado no site Panorama Tricolor em 15.3.2015)

Quando um jogador da base de um grande clube surge como promessa de se tornar um craque, é muito comum ouvir a advertência feita por torcedores mais precavidos de que é preciso tomar cuidado para não se “queimar” o menino. Não deixa de ser um conselho sensato, porque, num meio movido à paixão como o do futebol, grandes atuações elevam, prematuramente, a jovem promessa ao patamar de jogador pronto para, logo depois, ante qualquer – e natural - oscilação para baixo retorná-lo ao nível de promessa que não deu certo.

Aos dezessete ou dezoito anos essas oscilações são perfeitamente normais no desempenho do atleta dentro de campo, como na sua vida fora dele, adolescente que é. Em fase de formação física e psicológica, o atleta inexoravelmente estará sujeito a mudanças em sua vida pessoal e profissional.

A culpa, claro, é nossa. Torcedores que somos, ufanistas clubísticos que, às vezes, enxergamos mais do que realmente vemos. Não é de hoje que jogadores que se mostraram com excelente potencial transformaram-se, na velocidade com que foram galgados ao topo, em atletas menos do que comuns. Esse “endeusamento” é perigoso, porque pode criar falsas expectativas no torcedor e, sobretudo, destruir a carreira de bons jogadores que, se fossem somente assim considerados, teriam pelo menos a chance de sobreviver do futebol.

Exemplo emblemático, no que pertine ao Fluminense, foi o de Toró, mais conhecido por seu epíteto, referência à “chuva de gols” de um moleque que, desde a mais tenra idade era visto dentro do clube como uma das maiores revelações da base Tricolor de todos os tempos. Não preciso dizer aqui como isso terminou.

Por que digo tudo isso? Porque por mais que eu acredite que a prudência seja necessária, não consigo conter a euforia só de imaginar a pérola chamada Gerson, de apenas dezessete anos de idade, tornar-se um craque a serviço do Fluminense. Não consigo esconder o sentimento que tive – nem falo aqui de suas excelentes atuações pela seleção sub-20, ou de outras tantas pela base do Flu – ao ver esse garoto vestir a camisa tricolor  profissionalmente com tamanho desembaraço. Em dois jogos não percebi um erro de passe sequer, deu assistências qualificadas e ainda fez dois gols dignos de quem sabe exatamente o que faz com a bola nos pés.

Ah, mas em dois jogos não dá para tirar uma conclusão, podem dizer alguns. Eu digo, entretanto, que eu tirei as minhas. Cito, para ilustrar, um programa a que assisto chamado “The Voice USA”, um talent show americano em que, nas apresentações às escuras, os jurados, sentados em quatro cadeiras, postam-se de costas para o cantor que se apresenta. Avança à proxima fase aquele que, através da sua qualidade, incentiva pelo menos um dos jurados a apertar um botão que faz a sua cadeira virar, reconhecendo, assim, o valor de sua apresentação. Num desses dias, um dos jurados apertou o tal botão ao ouvir não mais do que pouquíssimos segundos de uma apresentação. O cantor abriu a boca e dela emanou voz tão bela que a cadeira prontamente virou. Descobriu-se um talento sem que se esperasse o fim da música, porque ele se mostrou logo aos primeiros acordes.

Assim foi com Gerson. Sua habilidade e inteligência não parecem obra do acaso. Seu toque refinado indicia a qualidade que possui e que se mostrou, como no talent show, de plano. Para quem vive o futebol há décadas, a diferença entre um “cabeça-de-bagre” e um Gerson se mostra, por vezes, apenas na forma como se toca na bola.

Evidentemente, não é apenas a sua qualidade técnica que o fará ser o top de linha que esperamos que ele seja. Outros fatores concorrerão para que atinja futuramente o sucesso profissional que almeja como uma boa formação familiar, apoio do clube – inclusive psicológico -, inteligência e, principalmente, juízo.

Se esses fatores convergirem, provavelmente Gerson será o craque que hoje se esboça.

E aí também cabe à torcida certa dose de tolerância com eventuais altos e baixos, oscilações normais que acometem qualquer jogador, mormente quando se trata de um menino de apenas dezessete anos de idade, com enorme potencial, mas que não pode receber toda a carga da responsabilidade pelos desempenhos futuros do Fluminense. Afinal, não custa repetir, ele só tem 17 anos!

Eventuais más partidas não significarão que seja um mau jogador, até porque, quanto mais exposto, mais será alvo da marcação – e da truculência - dos adversários. Caberá, aí, a orientação do treinador e de companheiros mais experientes, como Fred, que já assumiu, ao que parece, a sua tutoria dentro do clube.

Gerson é uma joia que precisa ser cuidada para que não se vá antes da hora e para que não se perca pelos maus caminhos, pois renderá enormes frutos ao Fluminense, cujo esforço por mantê-lo e protegê-lo, ante o assédio que certamente ocorrerá – de clubes do exterior e das más companhias -, será recompensado.

E parece que os que cuidam de sua vida já se imbuíram da necessidade de proteger a jovem promessa. O seu pai, Marcão, criou, há quatro anos, o “Projeto Gerson” visando a dar toda a assistência necessária ao filho para que pudesse apenas se concentrar em desenvolver seu talento no futebol – recebia a ajuda de familiares para dar o mínimo necessário ao filho a fim de que o mesmo não fosse compelido a ajudar em casa com trabalho, ou mesmo que se perdesse com amizades suspeitas. O próprio Fluminense, de sua parte, estabeleceu vínculo contratual com o atleta até 2019 – com salários de cerca de R$50.000,00 mensais - e já se manifestou contrariamente à suposta proposta de dez milhões de euros da Juventus veiculada pela imprensa italiana.

É cedo demais para Gerson deixar o Brasil, apesar de esse não ser o desejo de seus pretendentes de fora – sua página na Wikipédia está redigida em italiano. Ao amadurecer seu futebol, será útil ao Fluminense e ainda valorizará sobremaneira o seu valor de mercado. 

O clube e a torcida, através de um novo “Projeto Gerson”, devem incentivar, cuidar e até mesmo blindar a revelação, dando o carinho e o apoio de que necessita. No mais, é preciso esperar o seu talento crescer e frutificar, porque, como ensinou o poeta renascentista francês Clément Marot, “para quem sabe esperar, tudo vem a tempo” e a paciência da torcida permitirá ao jovem atleta tricolor desenvolver livremente o seu melhor futebol e mostrar que não se enganaram ou se precipitaram aqueles que hoje, com apenas dois jogos oficiais pelo Flu no profissional, o tem como futuro craque.


domingo, 15 de março de 2015

A gangorra tricolor

É certo que os desfalques, principalmente de Giovanni, Kennedy e Fred fizeram falta, mas não justificam a postura apática do time do Fluminense na partida contra a equipe de Macaé. O primeiro tempo foi todo da equipe do Norte fluminense, pois o Tricolor, passivo, aceitou a imposição da vontade adversária.

O Flu voltou para a segunda etapa aparentemente mais disposto, marcando mais a saída de bola do Macaé, o que não aconteceu no primeiro tempo, mas a pseudo-pressão não durou muito e logo o equilíbrio foi restaurado.

Confesso que assisti ao jogo com um olho no Flu e outro em Gerson. Se não repetiu as atuações anteriores, porque severamente marcado e posicionado inexplicavelmente mais recuado, ainda era a esperança de algo diferente, de uma jogada especial, uma assistência eficaz, quem sabe um gol...Não era o pior em campo, longe disso, ainda era o pouco de lucidez que havia na equipe, mas Cristóvão, não se sabe por que cargas d’água, resolveu sacá-lo da equipe.

Aí, os homens designados para marcá-lo tornaram-se livres. Sem qualquer outra preocupação, o Macaé passou a dominar o meio de campo e, numa falta bem cobrada, fez o gol da vitória, merecida por sinal.

Além de não saber o que se passa na cabeça do nosso treinador, me intriga o motivo pelo qual o Fluminense, diante de um Bonsucesso, decide o jogo em quinze minutos, pressionando-o de forma avassaladora e, na rodada seguinte, se entrega solenemente ao estilo de jogo do oponente.

As razões devem estar na cabeça de Cristóvão.

De volta à mesmice da irregularidade, algumas constatações devem ser feitas: apesar de os substitutos não estarem à altura dos titulares, o que determinou a derrota do Flu foi a sua postura dentro de campo: frouxo na marcação, espaços nas costas dos laterais sem a devida cobertura e um ataque de risos com Walter, a quem já elogiei em outros tempos. Hoje, porém, além de desinteressado, parece também mal intencionado; Gerson é meia-atacante, não é segundo volante. Gerson deve jogar à frente, municiando o ataque e chegando, ele mesmo, para concluir. Gerson só deve sair de campo por lesão ou expulsão.


Com a palavra, sr. Cristóvão, que vai do acerto ao erro com uma facilidade impressionante. Parece que um padrão de jogo será algo difícil de vermos nesse Fluminense, aliás algo que não se vê há tempos.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Joia rara

A impetuosidade Tricolor durou exatos 30 minutos, tempo suficiente para garantir a fácil vitória por três a zero sobre o fragílimo Bonsucesso. Gérson, com um belo gol de fora da área, Kennedy e Edson fizeram os tentos tricolores. A força ofensiva do Fluminense foi tão evidente que, durante quase cinco minutos, até o primeiro gol, o Flu manteve a posse de bola.

Logo depois da parada técnica, porém, talvez por orientação de Cristóvão, o Tricolor diminiu o ritmo, tocando a bola para esperar um Bonsucesso que não veio. E como o Flu não foi, o jogo tornou-se chato. Sob controle, mas chato.

Na segunda etapa, o panorama não foi muito diferente. O Fluminense dominava as ações, mas não se arriscava, parecendo satisfeito com o resultado. Pareceu bem clara a estratégia de Cristóvão de garantir a vitória e só sair na boa. Num campeonato em que uma vaga pode ser decidida no saldo de gols, não me pareceu, contudo, a melhor opção. Talvez, quem sabe, forçar um pouco mais, fazer cinco ou seis e, aí, sim, sentar-se sobre o resultado. Estava fácil, bastava continuar a pressão inicial por mais quinze ou vinte minutos.

Quem vai entender a cabeça de Cristóvão!?

De toda a sorte, o Flu mostrou naqueles quinze minutos iniciais o mesmo padrão do jogo anterior, o que já é um avanço e um indicativo de que a formação ideal parece ter sido encontrada.

Quanto aos setenta e cinco minutos restantes vale falar sobre um jogador que, aos dezessete anos, pode vir a ser uma das maiores revelações recentes do nosso futebol. Seus passes qualificados, sua visão de jogo e sua propensão a marcar gols indicam que é um atleta habilidoso e inteligente e que, para um dia tornar-se um craque, basta ter a cabeça no lugar.

Não quero me precipitar – em que pese ser esse um pecado permitido ao torcedor -  mas essa jovem promessa tricolor, como já antecipou o Fred, vestirá brevememte as cores da seleção principal. Por isso, uma vez que já chama a atenção da mídia, deverá ser especialmente cuidado, sobretudo quanto ao seu vínculo contratual com o Tricolor para que não seja mais um a partir das Laranjeiras por qualquer trocado.

Vale esforçar-se por mantê-lo ao custo que for necessário. Uma joia como essa não se encontra por aí facilmente e, bem trabalhada, poderá dar frutos muito maiores ao Flu futuramente.


Eu iria até falar da arbitragem tendenciosa que amarelou o Fluminense quase inteiro, mas não vale a pena ofuscar o brilho da nossa joia com a lama desse pau mandado dos energúmenos da Federação, cujos nomes também não citarei em homenagem ao talento de Gerson.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Mais gentileza, menos intolerância

Hoje falarei sobre algo que me atormenta, principalmente porque participo ativamente da vida nas comunidades virtuais relacionadas ao Fluminense e acabei me interessando por essa relação à distância entre pessoas que, por vezes, nem mesmo se conhecem fisicamente, mas que podem se agredir por muito pouco e com a rapidez de poucos “cliques” em seus teclados.

O que me assusta nesse cenário é a falta de gentileza, a intolerância, o tratamento desrespeitoso que se vê amiúde nas redes sociais, quando discussões que deveriam ser apenas calorosas - quando muito - ultrapassam a fronteira da argumentação - quando há - e se transformam em enfrentamentos graves, com ofensas mais graves ainda.

Evidentemente, grande parte desse destempero não seria externado se as discussões fossem presenciais, mas o escudo protetor da distância transforma tímidos em desinibidos e covardes em corajosos. E a gravidade das ofensas, não raro, é inversamente proporcional ao tema posto em debate. Briga-se, ofende-se por qualquer motivo, bastando, para tanto, que opiniões seja contrariadas.

A verdade não é propriedade de ninguém, cada um tem a sua e deve expô-la com educação e respeito. Nada é mais poderoso num debate de ideias que a força do argumento e, tanto quanto ele, o respeito à opinião alheia. Dar ao seu interlocutor a oportunidade de manifestar o seu pensamento livremente para depois contraditá-lo com seus fundamentos, apenas com eles, é enriquecer o valor da contenda, é fortalecer o direito à liberdade de expressão.

Na política, na religião, no futebol, ou em qualquer outro assunto posto em discussão, o que se tem visto com espantadora frequência é a intolerância e a ofensa gratuitas. Incapazes de aceitar a opinião alheia, muitos partem prontamente para a agressão virtual – cuidado, pois também pode configurar crime – pregando o ódio contra um interlocutor que nem mesmo conhece. Essa raiva enrustida e descarregada em desabafos odiosos nas redes sociais serve apenas a um propósito: promover conflitos.

Todos somos brasileiros e queremos o melhor para o país, mas a intolerância cria barreiras instransponíveis entre dogmas criados para opor gente que só deseja viver feliz. Todos somos brasileiros e devemos respeitar o Estado laico em que vivemos, mas a prepotência faz crer que apenas a nossa religião conduz à salvação. Todos somos tricolores e devemos lutar por um Fluminense forte, mas o orgulho e a vaidade embaciam nossos pensamentos e nos tornam pretensos donos da verdade, atacando companheiros de paixão clubística. Somos todos arautos de uma verdade que é apenas relativa – porque somente nossa -, mas que desejamos impor a todos como se absoluta fosse.

Outro dia, por exemplo, desejei parabéns ao Rio de Janeiro por seus 450 anos. Alguém respondeu à minha postagem com um “Parabéns é o c...Rio cheio de bandidos, cidade de m...”. Está aí um típico exemplo de ignorância que conduz à intolerância, de ódio arraigado despejado gratuitamente. Qual seria a culpa do Rio de Janeiro pelos malfeitos de seus governantes? O autor da frase simplesmente descarregou ali a sua fúria, sem mais nem menos, sem argumentos, apenas com raiva.

É uma tese utópica, claro, mas não custa tentá-la. Assim, ao evitar transpor seus conflitos pessoais para o outro lado da tela de um computador, você estará ajudando a criar um mundo menos intolerante. Experimente, qualquer que seja o assunto discutido, discordar com educação, seja nas suas relações virtuais ou reais. Por mais veemente que seja a defesa do seu argumento e, por mais intransigente que possa parecer o seu interlocutor, ele pensará duas vezes antes de retrucar com uma ofensa. Pode funcionar, afinal de contas, como dizia José Datrino, o Profeta Gentileza, “Gentileza gera gentileza”. Não custa experimentar.

Respeite para ser respeitado, seja gentil e educado nas suas relações interpessoais. Se você acha que o mundo não ficará menos conflituoso apesar disso, pelo menos o tornará um ser humano melhor. Voltaire, na sua célebre frase Je hais vos idées, mais je me ferai tuer pour que vous ayez le droit de les exprimer, já reconhecia um dos fundamentos mais importantes da liberdade de expressão, que é o direito de expor livremente as ideias. Acrescento ao seu discurso, se isso me for permitido, que essa liberdade deve ser praticada com respeito, sob pena de transmudar-se de direito em abuso.

Refute a ideia de seu interlocutor com educação, garantindo-lhe sempre o direito de dizer o que pensa e, sobretudo, seja gentil, afinal de contas a gentileza, antes de ser uma regra de conduta social, é uma regra de civilidade.