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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Viver e vencer

Peço a permissão dos amigos para dividir a minha coluna de hoje em duas partes, uma delas em nada, mas em nada mesmo relacionada ao futebol. Infelizmente.

Escrevo esta coluna antes da partida do Fluminense contra a Chapecoense, apenas para que o texto, quando lido, seja inserido no contexto temporal adequado.

Perder propositalmente jogos contra equipes que disputam uma vaga fora do Z4 com o Vasco, apenas para prejudicar o rival carioca e decretar o seu descenso, não me passa pela cabeça.

Agir dessa forma seria atirar no lixo a própria dignidade, rebaixando-se ao mais vil dos comportamentos. Se já não há, no mundo que nos cerca, muitos exemplos de altivez de condutas, não seremos a colaborar para que a má-fé e a indignidade prevaleçam no futebol.

O jogo deve ser jogado dentro de campo, sem prévios acordos, sem manipulações. Fazer “corpo-mole”, assim, não deixa de ser uma forma de manipular o resultado de uma partida.

E o Fluminense, pela sua grandeza, pela sua história, deverá sempre buscar a vitória, mesmo que essa possa, de alguma forma, auxiliar o seu maior rival. É da natureza do clube, algo que não pode ser modificado.

Como salientado, porém, o Fluminense fará isso por ele mesmo e por sua rica e valorosa história. Não fará porque deveria “favores” ao Vasco. Bravata pura de dirigentes à beira do abismo que, desconhecendo a fidalguia tricolor, imaginam que o time poderia entrar para não vencer jogos que são fundamentais à sua permanência (dele Vasco) na primeira divisão.

São incautos, por certo. Ganhariam mais se tivessem permanecido em silêncio, pois, em primeiro lugar, o Fluminense nada deve a ninguém – Pagar o quê? está aí para ser lido e compartilhado – e, em segundo lugar, o Tricolor não se coaduna com negociatas escusas e outras parvoíces típicas de quem não nasceu em berço esplêndido.

Fluminense é sinônimo de boa-fé e dignidade, caso contrário não é Fluminense.

Assim, aos desavisados vascaínos que procuraram cobrar a inexistente dívida do Tricolor, que fique bem claro que o Fluminense pode não vencer Chapecoense e Avaí, afinal de contas, já passou por péssimos bocados neste campeonato, mas não faltará vontade de superá-los.

As bravatas de São Januário, portanto, não nos atingem. Trata-se de mera tentativa de transferência de responsabilidade por um ano pífio – e aí a prova de que o campeonato carioca foi arranjado – algo típico de vetustas figuras que já deveriam ter abandonado o futebol há tempos.

Façamos a nossa parte e que o Vasco faça a dele.

Agora a parte estranha ao futebol, mas que precisa ser lembrada, que precisa ser tocada como uma ferida dolorosa, para que a dor lancinante não deixe esquecer que a vida é um direito supremo, está acima das leis dos homens, e deve ser respeitada sempre.

Já me manifestei em mais de uma oportunidade aqui no Panorama Tricolor sobre aspectos criminais dessas condutas, por isso hoje falarei apenas sobre seu aspecto humano, ou melhor, desumano.

Não faço pré-julgamentos, nunca os fiz. Por isso, sem provas contundentes, não farei qualquer digressão sobre a atribuição de responsabilidades sobre o nefasto evento que vitimou de morte o torcedor vascaíno antes da partida entre Flu e Vasco no último domingo.

A culpa, na verdade, é da humanidade, que se definha, se diminui, se destrói a olhos vistos, e que nos dá sinal disso diariamente, desde as redes sociais até os noticiários internacionais.

O que difere um indivíduo que dá uma paulada na cabeça de um rival clubístico daquele que corta a cabeça de um descrente na sua religião? Os seus propósitos? Não. Na verdade, penso que nada os distingue. Ambos estão contaminados pelo vírus da desumanidade, do desamor, são ausentes de tudo. Guiam-se por sinais e grunhidos, protegem-se em bandos e atacam sem ter fome. Matam por matar.

A polícia mata, o bandido mata, o religioso radical mata, o marido traído mata, os inimigos se matam. Banalizou-se a morte. A vida não vale mais nada. Tornou-se um saco vazio esperando ser novamente enchido de amor, respeito e solidariedade, mas que de tão frágil é levado por qualquer lufada de vento. E talvez não se encha jamais.

Que Deus tenha piedade de nossas almas e proteja os nossos filhos.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O ano ainda não acabou

O ano ainda não terminou para o Fluminense. Ainda que se diga que as chances de rebaixamento são remotas – e são – vale aquela máxima do futebol para o atual momento tricolor no campeonato brasileiro: “o jogo só termina quando acaba”.

Uma vitória, que diante das circunstâncias, seria obrigatória contra o Atlético/PR, não veio. A equipe fez um excelente primeiro tempo, perdeu diversos gols – muitos em razão da interveniência direta do excelente goleiro adversário – mas se perdeu no segundo tempo, após sofrer o gol em falha da defesa – mais uma – e mexidas equivocadas do nosso atual treinador. Mas isso já são águas passadas.

Faço alusão a essa derrota apenas para justificar o assertiva de que o ano ainda não acabou para o Fluminense, pois diante de um retrospecto absolutamente negativo, será improvável que consigamos pontos nas partidas que nos restam fora de casa. E se perdemos para o Atlético, todo o cuidado será pouco para não sofrermos reveses também contra os dois adversários que enfrentaremos no Rio, Chapecoense e Avaí, e de quem, por obrigação – e para nossa salvação – deveremos conquistar os seis pontos que livrarão definitivamente o Fluminense do rebaixamento.

Mas, desses seis confrontos que restam, talvez o deste domingo seja o mais importante. Procrastinar a conquista dos pontos para tentar “resolver” contra Avaí e Chapecoense pode ser perigoso. Para um time que não inspira confiança, o melhor é que esses pontos venham o mais rapidamente possível, em que pese o retrospecto não seja favorável ao Fluminense nos confrontos contra o Vasco.

Deixando de lado as confusões protagonizadas pelo senhor Eurico Miranda, a maior motivação para se vencer o rival deve vir da própria tradição do clássico, que o Fluminense não vence há dez confrontos ou quase três anos! Uma vitória logo mais será um alento para o torcedor que pouco ou nada teve para comemorar desde 2013.

O Fluminense, em jogos oficiais contra o Vasco, tem 115 vitórias, contra 140 do rival, com 102 empates. São 25 vitórias a mais cruzmaltinas, número forjado sobretudo a partir da década de 1990. De lá para cá, foram 44 vitórias vascaínas contra 22 tricolores, ou seja, o dobro.

É um quadro que precisa ser revertido e não há momento melhor do que este. Desclassificado da Copa do Brasil, em duas partidas em que a arbitragem teve influência preponderante, o Flu precisa mostrar-se “mordido” e disputar a partida como se fosse uma final de campeonato, pois para os cruzmaltinos será uma verdadeira decisão de campeonato. A final que não conseguiu alcançar contra o Santos, deve ser agora disputada contra o Vasco: vale a possibilidade concreta de afastar-se definitivamente do risco de rebaixamento, a chance de romper a sina de derrotas recentes e diminuir a péssima estatística frente ao rival e, por fim, de empurrar mais um pouquinho o adversário em direção ao rebaixamento.

Se o torcedor não teve motivos para comemorar 2015, que também não tenha motivos para lamentá-lo ante um improvável, mas ainda real, risco de rebaixamento. O tricolor não merece tamanha afronta.

E é bom que se pense logo numa total reformulação do departamento de futebol para 2016, a começar pelo vice-presidente, passando pelo treinador e chegando ao elenco.

Muito precisa ser modificado, mas para que o Flu possa retomar o caminho das glórias é preciso que a limpeza comece de cima, que o seu departamento de futebol seja composto de profissionais do ramo, que o seu treinador esteja à altura da grandeza do clube e que os seus jogadores estejam aptos a envergarem a gloriosa camisa tricolor.

Se não houver mudanças substanciais, não teremos um 2016 muito diferente do que vivenciamos nos últimos anos, e aí, definitivamente, teremos que esperar que o voto do torcedor mude esse quadro fantasmagórico que se instalou no futebol do Fluminense desde 2013.


Vamos, então, dar o primeiro passo rumo a um bom 2016 vencendo o Vasco. Depois, urgirá arrumar a casa.

sábado, 26 de setembro de 2015

Ufa!

Eduardo Baptista chegou ao Fluminense com o firme propósito de não desapontar os seus principais medalhões: Fred e Ronaldinho Gaúcho. As suas primeiras entrevistas, já como treinador do Flu, deixaram bem claro que Fred seria (a única) referência na frente e, mais cauteloso em relação a R10, afirmou que o gaúcho seria escalado de acordo com o seu merecimento, ante a sua inegável qualidade técnica. Vale lembrar que esse “merecimento” veio após a sua terceira partida no comando técnico da equipe – hoje -, quando Ronaldinho havia participado das duas anteriores de forma – para não dizer o menos – bastante discreta.

Outro dos cartões de visita do nosso novo treinador foi, diante de um elenco em ebulição, tentar conter a surreal série de derrotas tricolores no campeonato brasileiro. Contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, isso ficou bem claro: um time que se acertou razoavelmente defensivamente – pelo menos não sofreu gol -, mas que foi absolutamente inofensivo na frente, onde a única opção ofensivo era o Fred, sem qualquer apoio de um meio de campo que estava com as atenções totalmente voltadas para guarnecer a defesa. Veja-se, por exemplo, Cícero postado atrás da linha de meio de campo, raramente indo à frente auxiliar o ataque.

Foi com essa estratégia que o Flu iniciou a partida contra o Goiás, exceção feita ao retorno de R10 como titular no lugar do voluntarioso Marcos Junio.

Diferentemente da partida anterior contra o Grêmio, contudo, o tricolor, nos primeiros vinte minutos, conseguiu finalizar três vezes – ainda que “petelecos” – demonstrando que, se o empate contra os gaúchos foi um bom resultado – na concepção de Eduardo Baptista – não o seria, porém, contra o esmeraldino.

Mas no primeiro tempo o Flu continuou sendo um time atordoado, sem qualquer estratégia ofensiva, preocupado demais em não sofrer gols, em que pese Marlon ter sido displicente em pelo menos quatro oportunidades, situações que, por muito pouco, não resultaram em gol do Goiás. E ainda errou passes demais, sobretudo pelo lado esquerdo – lado mais acionado – com Léo e Scarpa. Cícero, apesar de importante função defensiva, arriscou alguns passes mais longos, acertando uns e errando outros. Eu o prefiro mais adiantadao, onde costuma proporcionar boas jogadas ofensivas e até aparecer como elemento surpresa para marcar gols.

R10 foi o mesmo R10. Abaixo da crítica. Começou como titular para não ser desagradado. Apenas isso.

E o gol? O Flu fez o gol de sua vitória parcial graças à “malandragem” de Ronaldinho. Nisso ele é bom, talvez porque sua vida desregrada, nesse quesito, o ajude. Cobrou rapidamente uma falta para Léo, que cruzou para Fred se antecipar aos zagueiros e fazer o tento tricolor. Fred, aliás, o melhor da primeira etapa. Como a bola chegava pouco, recuou para armar jogadas e as melhores surgiram justamente de seus pés.

Fred, se não foi brilhante, foi brioso.

E assim terminou o primeiro tempo, não sem antes algum sufoco do adversário e uma defesa espetacular de Cavalieri, salvando o Flu do empate no final.

O segundo tempo já se iniciou sem R10. Alteração acertada de Eduardo Baptista, uma vez que nem o nome, nem o currículo do jogador poderiam mantê-lo em campo ante tamanha inércia, sofreguidão e desinteresse.

Marcos Junio, seu substituto, deu mais movimentação à equipe e, antes dos cinco minutos, a mudança deu resultado. Fred deu um passe inteligente, verdadeira assistência, que deixou Scarpa livre para dar uma belo “lençol” no zagueiro e marcar um golaço, de bate-pronto. O Flu ampliou em ótimo momento, quando o Goiás ainda se arrumava em campo, resultado que lhe dava certa tranquilidade.

Logo após o gol, o Flu teve uma grande chance com Marcos Junio e passou, a partir daí, a admininstrar o resultado, esperando o Goiás para matar o jogo num contra-ataque.

A defesa se acertou, vacilando menos e o time foi mais incisivo, talvez pela necessidade de o Goiás avançar para tentar pelo menos um empate, mas de qualquer maneira, foi um segundo tempo muito melhor do que o primeiro, o melhor período, por certo, sob o comando de Eduardo Baptista.

Embora o Goiás passasse a ter mais posse de bola, o Tricolor administrava bem o jogo. Oswaldo ainda entrou para puxar os contra-ataques e Welington Paulista para poupar Scarpa que já estava amarelado. Cavalieri fez outra defesa sensacional em chute de Zé Love, consequência de um Flu mais recuado, propositalmente, à espera de um lance derradeiro para definir a partida.  Logo em seguida, fez outra boa defesa em cobrança de falta e, em outro tiro, o Flu foi salvo pelo travessão.

O terceiro gol não saiu, mas veio a primeira vitória no returno. Importantíssima, fundamental, principalmente porque o próximo jogo será contra o Santos.

Vá lá que o Goiás não tenha sido um adversário a impor muitas dificuldades ao Fluminense, mas depois de uma sequência tão negativa, os três pontos foram essenciais, sobretudo para recuperar o moral do grupo para afastar qualquer risco de rebaixamento no campeonato brasileiro e avançar na Copa do Brasil.

E se eu tivesse que resumir a partida de hoje em uma única palavra, esta seria: ufa!


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mais três!

Mais um passo foi dado na caminhada tricolor rumo ao grupo dos quatro melhores da competição. Menos pela qualidade da apresentação do que pelos três pontos, a vitória foi importantíssima para as pretensões tricolores no campeonato.

O primeiro tempo, porém, mostrou um Fluminense que controlava a partida, mas sem muitas opções ofensivas. Esbarrava na forte marcação adversária e na sua própria lentidão, tanto é que o lance mais empolgante da primeira etapa foi justamente o gol, que se originou de um erro grotesco da zaga coxa-branca muito bem aproveitado por Fred, que deixou Vinícius de frente para a meta para concluir com maestria.

O segundo tempo foi melhor, porque o Coritiba veio mais avançado. Com mais espaços, o Tricolor criou boas oportunidades e Vinícius, com muita categoria, comandava o meio de campo do Flu. A defesa tricolor sofreu poucos sustos – aliás, a postura defensiva da equipe tem se mostrado mais eficiente a cada jogo sob o comando de Enderson – e o ataque passou a incomodar mais o Coritiba. Fred poderia ter feito um golaço, Vinícius quase marcou de peixinho e Wagner não ampliou por um milagre do goleiro alviverde.

Esgotado, Vinícius deixou o campo para a entrada de Magnata, depois Gerson saiu substituído por Marcos Junior e Wagner foi trocado por Pierre. O Flu continuou melhor, como foi durante todo o jogo, mas o placar era enxuto demais para se dar ao luxo de tentar segurá-lo até o fim da partida.

Então, Edson, um dos grandes nomes do jogo, tabelou com Breno Lopes – que começou inseguro, mas se firmou aos poucos – para colocar a bola na cabeça de Marcos Junio que entrava livre para marcar de cabeça o segundo e definitivo gol tricolor.

Vitória garantida, três pontos na conta e duas constatações imediatas: Vinícius é o grande nome do meio de campo tricolor. De seus pés nascem as melhores jogadas do Fluminense, sempre construídas com muita inteligência e categoria. A segunda é que, depois de três partidas sob o comando de Enderson Moreira, pode-se constatar como um treinador é importante para uma equipe de futebol. O mesmo time que foi impiedosamente goleado pelo Atlético, apresentando-se de forma risível, passou do dia para a noite a ser competitivo, mostrou organização tática e espírito do luta. O resultado está aí.


Talvez isso não queira dizer muita coisa. Enderson não era o nome que a imensa maioria da torcida tricolor desejava, mas mostrou, em pouco tempo de clube, que é aquilo que o seu antecessor não foi: treinador de futebol.

domingo, 31 de maio de 2015

Na raça!

O Flamengo recebeu a ajuda de praxe -  a expulsão de Giovani foi absurda, de tão injustificável – mas por noventa minutos, pelo menos por noventa minutos, o time de guerreiros, ressuscitado, esteve em campo.

O time com Vinícius e Gerson ganha em qualidade no meio de campo. Ambos foram os responsáveis pelas melhores jogadas do Flu enquanto estiveram na partida. Por azar, Gerson sentiu uma lesão e Vinícius foi sacrificado por substituição decorrente da expulsão de Giovani.

O time tricolor, com o primeiro gol marcado no início do jogo – após pênalti bem assinalado pela arbitragem – deu campo ao Flamengo, que teve a soberania na posse de bola, mas era muito pouco eficiente na frente. O Flu, apesar da posse diminuta, criava as melhores chances. O segundo e merecido gol originou-se de outro lance iniciado por Gerson, que serviu Renato para cruzar bola que chegaria aos pés de Fred para marcar, mas o lateral rubro-negro se antecipou e fez contra.

O Flu foi mais organizado, mais eficiente e errou menos no primeiro tempo, porém, numa falha de marcação, numa verdadeira desatenção defensiva, o Flamengo chegou ao seu gol. Gol que renovou os ânimos rubro-negros para a segunda etapa.

Mas o Fluminense jogava com qualidade e, logo no início do segundo tempo, Vinícius fez ótimo lançamento para Gerson que, não sendo egoísta, fez belo lance, poderia concluir, mas serviu Fred em melhores condições para fazer o terceiro gol.

Senhor do jogo, o tricolor administrava e poderia impor ao rival uma goleada histórica. Nesse momento, porém, a arbitragem resolveu dar a injeção de ânimo que o Flamengo queria e precisava. Uma expulsão sem pé nem cabeça do jogador tricolor Giovanni. A partir daí – Gerson já havia saído lesionado e Vinícius foi sacado – passou a ser um jogo de ataque contra defesa.

Mesmo sem qualquer saída de jogo, absolutamente recuado e sujeito a intensa pressão do adversário, poucas bolas foram chutadas em direção ao gol tricolor. Com Wagner morto em campo e Fred isolado na frente, Enderson poderia ter substituído o primeiro por um jogador mais inteiro e que puxasse contra-ataques, como Lucas Gomes, por exemplo. Preferiu a entrada de Wellington Silva que, realmente, deu alguma opção de saída pelo lado esquerdo.

Ainda assim, sob forte pressão do Fla, o tricolor mantinha-se firme em suas fileiras defensivas até que num lance de lateral cobrado rapidamente, o Flamengo chegou ao segundo gol.

Foi um lance fortuito, tanto é que o Fluminense, bravamente, continuava se defendendo bem e o fez até o final da partida, garantindo um resultado importantíssimo para as suas pretensões e pela moral que ganha para as partidas vindouras.


A vitória que deveria ter vindo contra o Corinthians apareceu hoje. Merecidíssima, por sinal. Prova de que, mais importante do que um treinador conhecer uma equipe recém-treinada, é essa mesma equipe conhecer bem o treinador adversário. Cristóvão foi apenas Cristóvão, o Flamengo continuou sendo Flamengo e o Fluminense renasceu para ser um novo Fluminense. Que assim seja!


domingo, 24 de maio de 2015

Competitividade é a palavra mágica

Nenhum treinador consegue mudar a natureza de um jogador. Ele é o que ele é. O que pode ser feito, e foi o que Enderson fez hoje, é mudar a postura da equipe dentro de campo.

O Fluminense foi mais organizado do que se tem visto nos últimos tempos. Avançado na marcação e disciplinado taticamente, o Tricolor começou o jogo não dando oportunidades ao adversário. Por outro lado, não foi eficiente no ataque, perdendo a sua melhor chance no primeiro tempo após um bom chute de Jean de fora da área que foi complementado por Vinícius, que acertou a trave.

De qualquer forma, no primeiro tempo, o Flu foi melhor que o Corínthians e nenhum sufoco sofre defensivamente.

No segundo tempo, o Tricolor voltou melhor e não esperou quarenta minutos para criar boas chances. Elas apareceram logo no início da segunda etapa com um bom chute de Gerson muito bem defendido pelo goleiro corinthiano. No rebote, Fred perdeu na cara do arqueiro que fez outra excelente defesa.

Dava a impressão, pelo menos foi a que tive, que o gol tricolor era questão de tempo. Afora uma bela defesa de Cavalieri num chute de fora da área, o Corínthians continuava praticamente inofensivo no ataque e o Flu passara a ir melhor na frente.

Até então o Flu vinha organizado e disciplinado, com os dois meias – Gerson e Vinicius – atuando bem pelo setor. Este último se enrolou algumas vezes na frente, quando teve a oportunidade de pensar mais rápido e definir uma jogada mais eficaz. Gerson, que começou aberto pela direita, passou a atuar pelo meio, preenchendo o setor e dando opções ofensivas.

A partir, porém, da saída de Vinícius, e logo de pois de Gerson, o Fluminense caiu de rendimento sensivelmente. Perdeu o meio de campo, pois os substitutos – Lucas Gomes e Magno Alves – não têm qualquer cacoete para atuar por aquele local e não estiveram à altura dos substituídos.

Nesse ponto, penso que Enderson errou e tirou o ímpeto ofensivo tricolor, sacrificando o seu meio de campo que tocava a bola com alguma qualidade; Até então, foram raros os “chutões” para o Fred, o que voltou a ocorrer após a saída dos dois jogadores de campo. Que se preservasse pelo menos um dos dois, ou sacasse Wagner, que pouco apareceu na segunda parte do jogo.

Mesmo assim, a melhor oportunidade alvinegra decorreu de uma falha de Gum, que contou com a colaboração do jogador que lhe deu o passe na fogueira. A defesa, aliás, portou-se bem, exceto por esse lance.

O Flu foi melhor do vinha sendo, mas ainda distante do que esperamos dele.

Como costumo dizer, o Fluminense não é muito melhor nem muito pior do que qualquer time do campeonato, mas com organização e disciplina tática ele pode ser, pelo menos, competitivo.


E é da competitividade, da entrega dentro de campo que nenhum torcedor abre mão.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O Fluminense é enorme

Euclides da Cunha, em seu épico livro “Os sertões”, relata minuciosamente a saga de Antônio Conselheiro, seus fiéis seguidores e a ascensão e queda do arraial de Canudos no sertão da Bahia, no fim do século XIX. Jagunços, mulheres, idosos, crianças, ex-escravos e toda a sorte de estropiados sertanejos vítimas da fome, da exclusão social e da seca na região aglutinaram-se em torno da figura mítica do Beato Conselheiro em busca da salvação espiritual na localidade da antiga Fazenda Canudos, onde construíram o arraial de mesmo nome.

Latifundiários e outros poderosos da região, incomodados com o nascimento do novo Arraial e com a influência de Antônio Conselheiro sobre o povo pobre do sertão, passaram a reclamar a presença do Governo Federal a fim de que aquele movimento a que se chamou por parte da imprensa da época de uma tentativa de se restabelecer a Monarquia no Brasil – o que nunca se provou ser verdade – fosse debelado. Foram enviadas, então, três expedições de tropas regulares do Exército para destruir Conselheiro e seu Arraial, tarefa que parecia simples, ante a desproporção de forças, treinamento militar e armamento.

Os sertanejos, contudo, armados de enxadas, foices, alguns bacamartes velhos e muita fé – a partir da segunda investida passariam a utilizar as armas confiscadas dos soldados mortos -, rechaçaram as três primeiras expedições militares do Governo Federal, tendo sucumbido apenas na última, a quarta, quando o Exército conseguiu esmagar o Arraial após receber reforços de milhares de soldados, embora tenham encontrado feroz resistência dos seguidores de Conselheiro, que lutaram, literalmente, até o último homem.

O Fluminense não é uma tropa de decrépitos. Longe disso. Se não tem o glamour – nem sempre, porém, sinônimo de eficiência – de outros tempos, ainda se pode dizer que possui um elenco respeitável se comparado às demais forças do futebol nacional.

E se não há a fé que moveu milhares de almas desesperadas à morte em busca da salvação, há a tradição, a glória e a história que impregnam a camisa tricolor e que obrigam, quem a enverga, a almejar sempre a vitória.

Aliás, diversos “timinhos” tricolores de outrora, desacreditados a princípio, foram responsáveis por importantes conquistas na história do Fluminense. Por isso, causa estranheza que o nosso treinador Ricardo Drubscky tenha dito isto sobre as pretensões do Flu no campeonato:

“Não faço essa projeção de título. Temos oito, nove ou dez bons candidatos para conquistar o Campeonato Brasileiro. É diferente do que qualquer país no mundo. Sem dúvida nenhuma, o Fluminense arranca em 2015 sem pleitear a conquista de título e sem ser favorito por questões das mais diversas. Está mudando a sua realidade administrativa, refazendo o seu norte. Mas, sem dúvida, é um clube que nunca vai deixar de estar entre os grandes. O Fluminense sai com essa vantagem, eu diria, de ser descartado como favorito ao título”. (R.D)

Ele, provavelmente, pretendeu dizer que o Fluminense, em 2015, será um “azarão”. Pode ter sido essa a sua intenção, mas não foi isso o que disse. Ele declarou, literalmente, que não projeta o título. E é essa a mensagem que fica.

Eu mesmo acredito que o Fluminense deste ano “corre por fora” na disputa pela conquista da competição; realmente não é o favorito como já fora em outros tempos, e talvez isso nem seja ruim, pois os holofotes mudam seu foco e a pressão diminui. Imagino que as chances existem se formos aplicados, contarmos com sorte e com a incompetência dos adversários. E se não der, quem sabe uma vaga na Libertadores...

Mas, voltando a Drubscky, ele afirmou que não projeta o título, ou seja, o título não faz parte dos seus planos, para ser mais claro. Talvez em decorrência de sua origem humilde no futebol, acostumado a dirigir clubes de menor expressão e de repetir essa mesma ladainha em todo começo de competição, Drubscky tenha sido traído pela “força do hábito”. De qualquer forma foi uma infeliz declaração.

O Fluminense - e Drubscky deve se acostumar com isso - é um clube enorme. De uma grandeza tal que ofusca, quase cega, aqueles que travam contato com a sua história de glórias pela primeira vez. É provável que Drubscky tenha tido a sua visão ofuscada ante o brilho fulgurante que emana do centenário clube de Álvaro Chaves. Não o condeno, pois essa cegueira sói acontecer com bastante frequência.

Portanto, você está perdoado, Drubscky. Mas é bom que saiba que o Fluminense disputa qualquer competição para vencer, não importa se o time é tecnicamente fraco, se o momento é de crise, ou se o mundo está acabando. O Fluminense, em respeito à sua história de glórias e à sua torcida, sempre lutará pelo lugar mais alto do pódio.

No entanto, li um e outro tricolor afirmarem que a declaração do nosso treinador foi sensata, pois ele não poderia – com o elenco que tem à disposição – iludir a torcida quanto à pretensão de título. Discordo desse posicionamento. A torcida tricolor é calejada demais para se iludir com verborragias de quem quer que seja. Ela sente o seu time, o  seu momento e o que pode advir dele, afinal de contas, apenas quem é tricolor tem a sensibilidade aguçada o suficiente para perceber se o time pode ter sucesso ou não numa competição. Nem sempre acerta o seu prognóstico, mas não se engana com bravatas de quem quer que seja.

As palavras de Drubscky só causaram na torcida o sentimento da revolta ante o desconhecimento do comandante sobre a tradição do clube. Não serviram para dar um choque de realidade em ninguém. Esse choque, nós, os mais experientes, já experimentamos há muitos anos.

Drubscky não precisa ser um otimista contumaz, mas como comandante da tropa, precisa passar confiança, inspirar pelo exemplo e, sobretudo, criar estratégias eficientes para que a equipe possa ser equilibrada no campo de batalha. Atacar e defender com eficácia e ser ousada, jamais acovardar-se.

O campeonato brasileiro se inicia, os sonhos renascem e a esperança pela conquista do quinto título brasileiro deve ser a última a morrer. Se não der, pelo menos tentou-se. O que não se pode é abdicar da luta antes mesmo de iniciá-la. É desestimulante para a torcida e, principalmente, para o elenco que se acomodará diante das parcas pretensões de seu líder.

E se não vier o título – lutemos por ele – quem sabe não nos sobra uma vaga na Libertadores no ano que vem? Precisamos, mais do que nunca, repetir 2008, agora, com um final feliz.

O Fluminense não é muito melhor nem muito pior do que qualquer outro clube que disputará o campeonato nacional. O Fluminense é apenas o Fluminense e isso basta para que almeje sempre a vitória final. Ah, e basta também que Drubscky entenda isso.