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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Acima de tudo Fluminense

Ricardo Drubscky já é passado, mas não há como deixar de tocar em seu nome quando se pretende qualificar a atual gestão do futebol tricolor: catastrófica. Drubscky foi o mais emblemático exemplo da atual falta de planejamento e descaso com as coisas do Fluminense.

Durou uma desclassificação no fraco campeonato carioca e dois jogos no brasileiro, de tão ruim que é. Nada pessoal contra o homem. Despediu-se elegantemente do clube, parece ser uma pessoa de bem, mas não está e nunca esteve à altura de dirigir o Fluminense. A sua demissão em tempo quase recorde somente serviu para corroborar o enorme equívoco que foi a sua contratação, fruto de uma gestão temerária que pouco se importa com os destinos do Flu.

Qualquer tricolor com um átimo de discernimento vaticinou que a sua saída seria questão de tempo. Na média do que vi por aí, o seu prazo de validade seria entre cinco e dez rodadas de duração. Foram duas. Quando comentei a sua contratação, publiquei aqui no panorama um texto intitulado: “Um tiro no escuro”.

Evitei a crítica contundente sobre um treinador que se apresentava ao Flu com um currículo bastante humilde, para não dizer menos. Fui benevolente a ponto de lhe dar a chance de queimar a minha e quase todas as línguas tricolores com a possibilidade de que, por um acaso, desse certo. A mesma possibilidade de se acertar um alvo com um tiro às escuras.

Não pretendo aqui me vangloriar do anunciado fracasso de Drubscky. Na verdade, desejei que tivesse êxito no comando do Fluminense, mas as chances disso acontecer eram tão ínfimas que qualquer tricolor fora de Álvaro Chaves certamente já sabia o resultado de sua desastrosa contratação.

Pois bem. A sua rápida demissão foi um alento para a torcida tricolor, um alento que durou menos de 24h.

Enquanto muitos sonhavam com Cuca, Dorival, Abel e até o velho RG, a cúpula tricolor apresenta o substituto de Drubscky: Enderson Moreira.

Da mesma forma que não fui leviano com o ex-treinador, não serei com Enderson. Não criticarei o seu trabalho antes mesmo de ter se iniciado. O que eu posso dizer, contudo, é que se Drubscky foi um tiro no escuro, Enderson é um tiro à luz opaca, aquela bem tênue, crepuscular. Com um currículo ligeiramente melhor, o novo treinador tem a chance de ter um desempenho superior ao de seu antecessor, o que não significa dizer que seja um profissional à altura do Fluminense.

Soube que cogitaram primeiramente Dorival, mas a sua pedida, de cerca de quinhentos mil mensais, foi rechaçada. A Enderson Moreira o Flu deverá pagar metade disso. Parece, então, que tudo se resume a quem cobra menos. Não há planejamento, nem o sentido de importância que tem um treinador para uma equipe.

Quando foram renovados os contratos de Jean, Wagner, Cavalieri e Fred, a cúpula tricolor deveria ter conferido a mesma relevância à contratação de um novo treinador, alguém experiente e notoriamente competente. Poderia não funcionar no comando do Flu, mas ninguém pecaria por omissão.

Drubscky cai, quase simultaneamente grassa nas redes sociais a informação de que Cuca fora demitido do seu empregador chinês. A esperança da torcida, assim, recai sobre uma eventual proposta tricolor ao melhor técnico brasileiro em atividade. Ledo engano. Dorival não seria de todo ruim, mas preferiram, novamente, como se desejassem testar a paciência da torcida, a opção pela incerteza, pela pequenez.

Enderson, assim como Drubscky, é um profissional sério. Diante, porém, do desempenho do Tricolor nos últimos anos, o Fluminense precisa de algo mais. Precisa voltar ao cenário dos líderes, precisa disputar títulos, voltar à Libertadores.

Não se trata de mera cornetagem. Trata-se da constatação de que os assuntos mais importantes estão sendo relegados a segundo plano, o que se demonstra pela contratação de técnicos de segunda categoria como Cristóvão, Drubscky e, agora, Enderson.

Assim como desejei queimar a língua com Drubscky, também desejo estar errado quanto a Enderson. Torcerei como nunca para que seja no Fluminense o que ainda não foi em outros clubes que dirigiu, porque acima de tudo sou tricolor.

Por fim, faço um apelo ao torcedor. Não importam os malfeitos praticados contra o clube por quem deveria cuidar dele, não importam os resultados negativos ou um elenco aquém daquele que deveria envergar o manto tricolor, não importam os Cristóvãos, Drubsckys ou Endersons; os Peters, Marios e Fernandos. A única coisa que verdadeiramente importa é o Fluminense.

Não desista dele jamais. Seja sócio independentemente do momento vivido pelo clube para poder, com a sua ajuda, torná-lo um dia autossuficiente, e, para com o seu voto, interferir diretamente no seu destino.


Boa sorte Enderson Moreira. Boa sorte para todos nós.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Depois da tempestade não vem a bonança

Menos de 24h após a demissão de Ricardo Drubscky, o Fluminense apresenta a sua nova pérola: Enderson Moreira.

Depois das desastrosas contratações de Cristóvão Borges e do estrategista de futebol de botão, Drubscky, quando se esperava que a sequência de erros apontasse para uma decisão pensada, determinada por critérios de experiência e competência, eis que o nome de Enderson surge como novo comandante tricolor.

Quando os gestores do Flu priorizaram as renovações de contrato de jogadores como Jean, Wagner, Fred e Cavalieri, deveriam ter planejado, prioritariamente, um nome para treinador da equipe, e não qualquer nome. Afinal, se houve condições de se planejar as renovações de alguns medalhões, a mesma importância deveria ter sido dada ao nome do técnico, função relevantíssima dentro da equipe.

Mas não foi assim. Coincidência ou não, Francis Melo, assessor de imprensa de Fred, tem estreitas ligações com Enderson e seu antecessor, Drubscky.

Se a desculpa fosse a nova realidade financeira do Flu, há outros nomes com menos rejeição que poderiam ter sido sondados, como Dorival Junior, por exemplo. Nada me tira da cabeça, porém, que nem cogitaram a contratação de um treinador do nível que o Fluminense merece – e poderiam ter tentado – porque não interessava a alguns dos inimigos internos do Flu.

A incompetência no atual Fluminense parece não ter limites, ou será apenas incompetência? Não quero acreditar que exista má-fé a serviço de interesses escusos nas Laranjeiras, mas, diante das reiteradas e desastrosas ações da gestão tricolor, chego a pensar que a incompetência é apenas uma faceta de algo muito mais podre e sórdido e que corrói o Fluminense dia a dia, num processo autofágico que, se não eliminado, poderá levar a prejuízos incalculáveis.

O alívio pela demissão do estrategista de futebol de botão durou muito pouco. No Fluminense, depois da tempestade não vem a bonança.


E a pergunta que fica é: até quando Enderson Moreira? Não tenho dúvidas de que será mais um aposentado às custas do Fluminense e não demorará muito a vestir seu pijama, infelizmente.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O Fluminense é enorme

Euclides da Cunha, em seu épico livro “Os sertões”, relata minuciosamente a saga de Antônio Conselheiro, seus fiéis seguidores e a ascensão e queda do arraial de Canudos no sertão da Bahia, no fim do século XIX. Jagunços, mulheres, idosos, crianças, ex-escravos e toda a sorte de estropiados sertanejos vítimas da fome, da exclusão social e da seca na região aglutinaram-se em torno da figura mítica do Beato Conselheiro em busca da salvação espiritual na localidade da antiga Fazenda Canudos, onde construíram o arraial de mesmo nome.

Latifundiários e outros poderosos da região, incomodados com o nascimento do novo Arraial e com a influência de Antônio Conselheiro sobre o povo pobre do sertão, passaram a reclamar a presença do Governo Federal a fim de que aquele movimento a que se chamou por parte da imprensa da época de uma tentativa de se restabelecer a Monarquia no Brasil – o que nunca se provou ser verdade – fosse debelado. Foram enviadas, então, três expedições de tropas regulares do Exército para destruir Conselheiro e seu Arraial, tarefa que parecia simples, ante a desproporção de forças, treinamento militar e armamento.

Os sertanejos, contudo, armados de enxadas, foices, alguns bacamartes velhos e muita fé – a partir da segunda investida passariam a utilizar as armas confiscadas dos soldados mortos -, rechaçaram as três primeiras expedições militares do Governo Federal, tendo sucumbido apenas na última, a quarta, quando o Exército conseguiu esmagar o Arraial após receber reforços de milhares de soldados, embora tenham encontrado feroz resistência dos seguidores de Conselheiro, que lutaram, literalmente, até o último homem.

O Fluminense não é uma tropa de decrépitos. Longe disso. Se não tem o glamour – nem sempre, porém, sinônimo de eficiência – de outros tempos, ainda se pode dizer que possui um elenco respeitável se comparado às demais forças do futebol nacional.

E se não há a fé que moveu milhares de almas desesperadas à morte em busca da salvação, há a tradição, a glória e a história que impregnam a camisa tricolor e que obrigam, quem a enverga, a almejar sempre a vitória.

Aliás, diversos “timinhos” tricolores de outrora, desacreditados a princípio, foram responsáveis por importantes conquistas na história do Fluminense. Por isso, causa estranheza que o nosso treinador Ricardo Drubscky tenha dito isto sobre as pretensões do Flu no campeonato:

“Não faço essa projeção de título. Temos oito, nove ou dez bons candidatos para conquistar o Campeonato Brasileiro. É diferente do que qualquer país no mundo. Sem dúvida nenhuma, o Fluminense arranca em 2015 sem pleitear a conquista de título e sem ser favorito por questões das mais diversas. Está mudando a sua realidade administrativa, refazendo o seu norte. Mas, sem dúvida, é um clube que nunca vai deixar de estar entre os grandes. O Fluminense sai com essa vantagem, eu diria, de ser descartado como favorito ao título”. (R.D)

Ele, provavelmente, pretendeu dizer que o Fluminense, em 2015, será um “azarão”. Pode ter sido essa a sua intenção, mas não foi isso o que disse. Ele declarou, literalmente, que não projeta o título. E é essa a mensagem que fica.

Eu mesmo acredito que o Fluminense deste ano “corre por fora” na disputa pela conquista da competição; realmente não é o favorito como já fora em outros tempos, e talvez isso nem seja ruim, pois os holofotes mudam seu foco e a pressão diminui. Imagino que as chances existem se formos aplicados, contarmos com sorte e com a incompetência dos adversários. E se não der, quem sabe uma vaga na Libertadores...

Mas, voltando a Drubscky, ele afirmou que não projeta o título, ou seja, o título não faz parte dos seus planos, para ser mais claro. Talvez em decorrência de sua origem humilde no futebol, acostumado a dirigir clubes de menor expressão e de repetir essa mesma ladainha em todo começo de competição, Drubscky tenha sido traído pela “força do hábito”. De qualquer forma foi uma infeliz declaração.

O Fluminense - e Drubscky deve se acostumar com isso - é um clube enorme. De uma grandeza tal que ofusca, quase cega, aqueles que travam contato com a sua história de glórias pela primeira vez. É provável que Drubscky tenha tido a sua visão ofuscada ante o brilho fulgurante que emana do centenário clube de Álvaro Chaves. Não o condeno, pois essa cegueira sói acontecer com bastante frequência.

Portanto, você está perdoado, Drubscky. Mas é bom que saiba que o Fluminense disputa qualquer competição para vencer, não importa se o time é tecnicamente fraco, se o momento é de crise, ou se o mundo está acabando. O Fluminense, em respeito à sua história de glórias e à sua torcida, sempre lutará pelo lugar mais alto do pódio.

No entanto, li um e outro tricolor afirmarem que a declaração do nosso treinador foi sensata, pois ele não poderia – com o elenco que tem à disposição – iludir a torcida quanto à pretensão de título. Discordo desse posicionamento. A torcida tricolor é calejada demais para se iludir com verborragias de quem quer que seja. Ela sente o seu time, o  seu momento e o que pode advir dele, afinal de contas, apenas quem é tricolor tem a sensibilidade aguçada o suficiente para perceber se o time pode ter sucesso ou não numa competição. Nem sempre acerta o seu prognóstico, mas não se engana com bravatas de quem quer que seja.

As palavras de Drubscky só causaram na torcida o sentimento da revolta ante o desconhecimento do comandante sobre a tradição do clube. Não serviram para dar um choque de realidade em ninguém. Esse choque, nós, os mais experientes, já experimentamos há muitos anos.

Drubscky não precisa ser um otimista contumaz, mas como comandante da tropa, precisa passar confiança, inspirar pelo exemplo e, sobretudo, criar estratégias eficientes para que a equipe possa ser equilibrada no campo de batalha. Atacar e defender com eficácia e ser ousada, jamais acovardar-se.

O campeonato brasileiro se inicia, os sonhos renascem e a esperança pela conquista do quinto título brasileiro deve ser a última a morrer. Se não der, pelo menos tentou-se. O que não se pode é abdicar da luta antes mesmo de iniciá-la. É desestimulante para a torcida e, principalmente, para o elenco que se acomodará diante das parcas pretensões de seu líder.

E se não vier o título – lutemos por ele – quem sabe não nos sobra uma vaga na Libertadores no ano que vem? Precisamos, mais do que nunca, repetir 2008, agora, com um final feliz.

O Fluminense não é muito melhor nem muito pior do que qualquer outro clube que disputará o campeonato nacional. O Fluminense é apenas o Fluminense e isso basta para que almeje sempre a vitória final. Ah, e basta também que Drubscky entenda isso.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sonho tricolor

Informo ao leitor, de antemão, que este não é um estudo de viabilidade técnico-financeira ou qualquer esboço de projeto. Não tenho conhecimento profissional para isso. É apenas – e peço permissão a você – um sonho em forma de desabafo que desejo compartilhar. 

Nos últimos anos, grandes clubes do futebol nacional têm se mobilizado para reformar ou construir modernos estádios. Um desejo inerente a todo torcedor, certamente, é ter uma casa moderna, que possa chamar de sua.

Internacional, Grêmio, Palmeiras, Corínthians, Atlético Paranaense modernizaram seus estádios ou construíram novas arenas. Não entrarei no mérito das eventuais facilidades obtidas do poder público, como por exemplo no caso da construção do Itaquerão, arena do Corinthians.

Prefiro citar o exemplo do Palmeiras que, através de uma parceria empresarial aparentemente legal, construiu a sua moderníssima arena – ao custo de 630 milhões - sobre os escombros do seu antigo estádio Palestra Itália. Trata-se de uma arena multiuso, uma tendência mundial, com capacidade para 43.600 torcedores – espectadores de futebol, para shows o público aumenta - onde o clube recebe integralmente a receita de seus jogos e a empreendedora assume todas as despesas correntes para funcionamento do estádio e aufere seus lucros da exploração da publicidade, shows, camarotes, cadeiras especiais, lanchonetes, restaurantes, lojas etc.

Gradativamente, o clube palestrino passará a receber participação também nas demais atividades geridas pela empreendedora até a integralização de todo o custo para a construção, acordo, cujo prazo final foi fixado em 30 anos; ao fim do contrato, a parceria com a empresa será encerrada e a arena definitivamente incorporada ao patrimônio do clube.

Não é preciso dizer que uma arena própria alavancaria qualquer projeto de sócio-torcedor, como se viu exatamente com o torcedor palmeirense que saltou diversas posições no ranking de associação após a construção do estádio. Além disso, o retorno financeiro é colossal. De todos os clubes das séries A, B e C do futebol nacional, o Palmeiras é o segundo no ranking de público pagante com uma média de 28.913 torcedores por jogo – perde apenas para o Corinthians, com 31.844 pagantes -, com o bilhete de entrada a uma preço médio de R$80,00, gerando uma renda bruta de R$23.325.941,00.

Em quatro meses – campeonato paulista e fase inicial da Copa do Brasil -, o Palmeiras “enriqueceu” quase 24 milhões de reais, sem contar a renda oriunda do projeto de associação. Uma previsão minimalista impõe reconhecer ganhos muito maiores durante as demais competições nacionais que, em regra, atraem muito mais público.

O torcedor sente-se estimulado a ir ao estádio, gastar em produtos do clube e associar-se, além é claro, do fator psicológico, pois jogar em sua própria casa, com a torcida praticamente inteira a favor, é sempre um obstáculo a mais para o adversário transpor.

Evidentemente, um contrato de parceria dessa envergadura precisa ser muito bem estudado a fim de que não haja conflitos, principalmente quanto às datas dos eventos comercializados pela empreendedora e as partidas de futebol, ou mesmo quanto à forma de comercialização de camarotes e cadeiras especiais.

Como eu disse, estou aqui sonhando. Já ficaria bastante satisfeito se o nosso lendário Estádio das Laranjeiras pudesse ser transformado em algo como um Craven Cottage, o também centenário e simpático estádio do Fulham F.C., de Londres, com capacidade atual para cerca de 25 mil torcedores confortavelmente instalados, após recente reforma.

Um clube da grandeza do Fluminense não pode caminhar na contramão da modernidade. Se eu fosse seu presidente, e isso é apenas elucubração, não tenho qualquer pretensão política, trataria o assunto como uma das suas prioridades e criaria um departamento exclusivo, composto de profissionais experimentados e comprometidos para alcançar uma solução viável para a construção de uma estrutura completa de futebol: centro de treinamento e um novo estádio.

O Fluminense merece um estádio moderno à altura de sua grandeza, onde exerça a sua “soberania” e não se submeta a desmandos de terceiros ou a incompatibilidades para atuar num ou noutro campo; e o seu torcedor uma casa que possa chamar de sua.


Como eu disse, trata-se apenas de um desabafo, um desejo incontido de poder um dia levar minhas filhas ao novo estádio do Fluminense e dizer: esta aqui é nossa casa, onde continuaremos a escrever uma história gloriosa, sintam-se à vontade.

Imagem: Google

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fred e a verdade que incomoda.

O atacante Fred, logo após a sua expulsão no último Fla-Flu, em entrevista ainda à beira do campo e, em tom de desabafo, fez severas críticas ao atual modelo do campeonato carioca e à arbitragem.

Pudera, afinal de contas foi expulso após ter sido advertido com dois cartões amarelos, o primeiro quando disputava espaço na área com um zagueiro adversário que, na mesma condição, não foi advertido; o segundo, após falta sofrida que, inclusive, poderia ensejar cartão ao seu autor, e que o árbitro fez questão de não enxergar, preferindo “entender” que Fred teria simulado a infração, o que lhe acarretou nova advertência e a injusta expulsão.

O procurador do TJD, André Valentim, atento às declarações de Fred, denunciou o jogador – que será julgado na próxima quarta-feira – por duas infrações ao artigo 258, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, pelas seguintes críticas à arbitragem:

“Só queria saber quem é que mandou isso aí.”

“Só falta quarta-feira (jogo contra o Madureira) colocarem o Índio (Luiz Antônio Silva Santos) para apitar. Aí fica tudo em casa.”

Fred não foi denunciado pelas críticas ao campeonato, apenas pelas referências à arbitragem. Segue o dispositivo legal:

Art. 258. Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código. (NR).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade. (AC).

§ 2º Constituem exemplos de atitudes contrárias à disciplina ou à ética desportiva, para os fins deste artigo, sem prejuízo de outros:

I — desistir de disputar partida, depois de iniciada, por abandono, simulação de contusão, ou tentar impedir, por qualquer meio, o seu prosseguimento; (AC).

II — desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões.

Uma análise do artigo em epígrafe, ainda que sucinta, permite concluir que o atacante tricolor pode ser suspenso de uma a seis partidas, mas se a infração for considerada de pequena gravidade, pode ser substituída pela advertência. Considerando as suas condições pessoais, seu histórico infracional favorável, bem como o fato de as declarações terem sido prestadas sob emoção, logo após a sua expulsão, existe a possibilidade de Fred ser apenado com apenas um jogo – já cumprido contra o Madureira. Se o Tribunal, porém, entender que a pena deva ser de um jogo de suspensão para cada infração – foram, em tese, duas – a outra poderia ser substituída por advertência, na forma do parágrafo primeiro do supracitado artigo.

Há ainda a possibilidade de ser oferecida a transação disciplinar, na forma do artigo 80-A, II, do CBJD, oportunidade em que o  atacante poderia ser punido – diante de suas condições favoráveis – com uma pena de multa (art. 170, II, do CBJD).

As chances de absolvição me parecem muito pequenas diante da contundência do atacante ao expor o seu sentimento de revolta ante os descalabros que envolvem as atitudes da FERJ.

Essas situações habilitariam Fred a participar do segundo jogo contra o Botafogo.

Qualquer outra decisão que imponha pena superior a uma partida de suspensão e, que não reconheça a sua substituição pela advertência ou pela multa (transação desportiva), inabilitará o artilheiro para a disputa da segunda partida das semifinais contra o Botafogo.

Faço esta brevíssima exposição, porque a situação está posta, ou seja, Fred foi denunciado, a audiência está marcada e, inexoravelmente, será julgado.

A denúncia oferecida pelo citado procurador, contudo, é um tapa na cara de todos nós torcedores de bem e, sobretudo, uma ofensa à moralidade, ao espírito do futebol, ao desporto de forma geral e aos atletas e clubes vítimas das manipulações espúrias praticadas por esta federação de futebol que aí está. Aliás, o próprio CBJD impõe o atendimento ao princípio da moralidade na aplicação de seus dispositivos – art. 2º, VIII, do Código – princípio este que, como se vê, parece desrespeitado.

Fred foi injustamente punido ao ter sido expulso; foi novamente punido quando desfalcou a equipe pelo tempo restante da partida contra o Flamengo e ao cumprir a suspensão automática contra o Madureira e, provavelmente, receberá nova sanção quando for julgado.

O artilheiro tricolor já foi punido demais por simplesmente dizer a verdade, uma verdade que o torcedor consciente, diante de tudo que se tem visto nesta competição, talvez dissesse de uma forma menos polida, mas igualmente sincera.

O campeonato é um jogo de cartas marcadas manipuladas pelos presidentes de fato e de direito da Federação e a arbitragem, pelo menos parte dela, se presta ao papel abjeto de interferir nos resultados das partidas de acordo com a conveniência de seus patrões.

Ou se pratica a moralidade ou, realmente, como disse Fred, o campeonato tem que acabar. O que não pode acontecer é um Tribunal Desportivo, que deveria zelar pela moralidade da disputa, punir quem diz a verdade e fazer “vista grossa” aos graves fatos que ocorrem dentro e fora dos gramados desta competição.


A verdade só incomoda a quem por ela não se pauta. Nos demais casos, ela liberta.


segunda-feira, 23 de março de 2015

A FERJ e o abuso de direito

(Publicado no site Panorama Tricolor no dia 22.03.2015)

O campeonato carioca, não de hoje, é uma competição deficitária e desinteressante para os grandes clubes do Rio de Janeiro, exceto para a Federação de Futebol do Rio. Eduardo Vianna e Rubens Lopes, este desde 2006, trataram de destruir o pouco que sobrava de romantismo e credibilidade da disputa que, outrora, já teve valor imensamente maior, inclusive no cenário nacional. Muito embora claudicante, marcado por erros crassos de arbitragens e repleto de estádios vazios e gramados mal cuidados, a sua má condução era atribuída principalmente à péssima administração de seus gestores.

Em 2015, porém, a má gestão deu lugar à má-fé, sobretudo no que diz respeito à relação entre a Federação e um dos seus principais filiados, o Fluminense. Sob uma dissimulada aparência de legitimidade, uma vez que as decisões do conselho arbitral da FERJ nada mais são do que reuniões fictícias para homologar a vontade do seu presidente, dando-lhe, assim, aspecto de legais, Rubens Lopes utilizou todo o arsenal de perversidades ao seu alcance para bombardear o Tricolor: primeiro determinou a fixação de preços promocionais de ingressos para toda a competição sem considerar as relações de clubes como Fluminense e Flamengo com seus sócios-torcedores; logo em seguida, reeditando no âmbito da Federação prática vetusta dos tempos ditatoriais, criou a chamada Lei da Mordaça, fixando multa a pessoa ou clube que a criticasse publicamente – a Justiça, acertadamente, suspendeu a vigência do artigo do regulamento das competições, art. 133, que previa a odiosa determinação; não satisfeito, imiscuiu-se na relação contratual entre o Fluminense e o Consórcio Maracanã referente ao posicionamento da torcida tricolor dentro do estádio em confrontos com o Vasco – o que acarretou a realização do clássico num estádio pela metade, ainda em obras, bem como o acirramento dos ânimos entre torcedores; recentemente, ainda, estipulou um preço fixo para o custo operacional do Maracanã, o que traria ao Flu despesas para utilizar um estádio que, por contrato, não lhe acarreta custo algum.

Agora, a Federação cobra uma suposta dívida do Fluminense e não tardará a cobrar algo mais, ou determinará outra medida contrária aos interesses do clube. O estoque de maldades de Rubens Lopes parece não ter fim.

A pergunta que se deve fazer, então, é o que mudou em 2015? Por que a Federação, leia-se Rubens Lopes, deixou de ser apenas desorganizada e inepta para ser, também, um instrumento de agressões gratuitas contra o Fluminense?

A resposta, e todos já devem sabê-la, atende pelo nome de Eurico Miranda, o Pança. Essa nefasta figura, responsável por incontáveis mazelas do futebol nacional, inclusive contra o seu próprio torcedor – quem não se lembra quando impediu o socorro a torcedores vascaínos feridos após a queda de alambrado no estádio de São Januário por ocasião da final da Copa João Havelange contra o São Caetano em 2001? – ressurgiu de um ostracismo compulsório imposto pelo próprio torcedor do Vasco ao preteri-lo em favor de Roberto Dinamite na presidência do Vasco.

Mas, o mal está de volta e encontrou acolhida na FERJ. Eurico não somente foi acolhido, como destituiu o seu presidente do comando, assumiu o controle da Federação e transformou Rubens Lopes em mero títere. Na prática, quem manda é o dirigente vascaíno que, não satisfeito em gerir os rumos de seu Vasco – chafurdado em dívidas; o TCU que o diga – preocupa-se em usar a Federação como instrumento de vingança pessoal contra o Fluminense e sua relação com o Consórcio Maracanã. Inveja e recalque, certamente.

Alinhado aos pequenos e ao subserviente Rubens Lopes, Eurico, presidente de fato, e seu cupincha reeditam práticas arbitrárias que não se coadunam com a modernidade e a democracia, visando claramente a prejudicar os interesses do Fluminense na competição, causando-lhe inegáveis prejuízos financeiros. O Tricolor, em contrapartida, publica notas oficiais que, se afagam o âmago de parte da torcida, não resolvem, efetivamente, a questão dos danos que vem sofrendo.

A Federação, não custa lembrar, quando interfere indevidamente na relação contratual do Fluminense com o Consórcio Maracanã, o que por via de consequência também afeta os direitos do sócio-torcedor tricolor, pratica abuso de direito, uma das formas dos atos ilícitos, com previsão no artigo 187, do Código Civil. Evidentemente, quando extrapola de suas atribuições regulamentares e legais, prejudicando terceiro, no caso o Fluminense, a FERJ está sujeita à reparação moral e material por eventuais prejuízos causados.

Não há dúvida de que o Tricolor teve diversos direitos violados, sobretudo no que concerne à sua relação com o Consórcio Maracanã, oportunidade em que dispositivos contratuais que devem ser respeitados estão sendo claramente violados pela Federação de Rubinho e Eurico. Os prejuízos já são irreversíveis e podem se tornar ainda maiores, uma vez que a sanha persecutória da FERJ parece não ter limites. Assim, é hora de deixar de lado as notas-oficiais e adotar medidas práticas de enfrentamento a essa covardia desenfreada protagonizada por uma entidade que não representa o futebol carioca, mas apenas interesses pessoais obscuros e se torna, a cada dia, mais um instrumento de vingança pessoal do que de realização de benfeitorias em prol dos clubes de futebol do Rio de Janeiro.

E a medida prática de enfrentamento é, num primeiro momento, a busca do Judiciário para impedir a continuidade dos atos ilícitos da Federação e a reparação dos prejuízos materiais e morais sofridos – neste ponto, fazer valer a força do contrato assinado; num segundo momento, o estudo da viabilidade e criação de estratégias para o surgimento de uma liga independente de futebol.

O Fluminense tem a faca e o queijo nas mãos para por abaixo anos de desmando no futebol carioca, eliminando do cenário desportivo os malefícios de uma administração futebolística destrutiva e tendenciosa, bem como entregar à Justiça os destinos dos malfeitores Rubens Lopes e Eurico Miranda.

A luta é justa, o direito é bom, só falta agir.