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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Em defesa do Fluminense

Esta entressafra forçada, logo após a eliminação precoce na competição regional, é absolutamente tediosa, sobretudo porque ocorre fora de estação.

Naquela entre o fim do campeonato brasileiro e o início da temporada seguinte ainda se vive alguma excitação, porque é o momento das especulações e contratações. Nesta, há apenas a lamúria decorrente da desclassificação tramada pela máfia que comanda a federação de futebol carioca e a expectativa pelo desempenho do clube na principal competição nacional.

É o momento, contudo, que tem a alta administração do futebol Tricolor, para não deixar esmaecer o combate contra as atrocidades perpetradas contra o Fluminense, e por que não contra o próprio futebol, pelas figuras abjetas que, direta ou indiretamente, administram o esporte bretão no Rio de Janeiro.

Aquelas “notas-oficiais”, que cansamos de ler durante a malfadada competição local, devem tornar-se efetivas através de medidas práticas que visem ao ressarcimento material sofrido pelo Fluminense diante de todo o abuso de direito praticado pelo presidente da federação, bem como de um planejamento realista acerca da organização de uma liga independente no futebol do Rio para a temporada 2016.

Com essas medidas, a cúpula Tricolor demonstrará que as referidas notas não foram meras palavras vazias. É preciso combater os inimigos do Fluminense em todas as instâncias, dando-lhes cada vez menos oportunidades de nos fazer mal. Uma ação bem fundamentada contra o senhor Rubens Lopes em razão de todas as arbitrariedades cometidas servirá a dois propósitos: responsabilizá-lo judicialmente por atos típicos de abuso de direito, e portanto ilícitos – que não podem ser salvaguardados pela autonomia  constitucional da entidade jurídica FERJ – e fazer com que outros inimigos do Fluminense repensem suas atitudes antes de praticarem qualquer conduta deliberadamente prejudicial ao clube.

Desta forma o Fluminense estará combatendo alguns de seus inimigos externos, pelo menos os mais recentes.

Mas é o tempo, também, para se combater os internos, os quinta-colunas a que fiz referência no último texto publicado aqui no Panorama.

N’outras épocas, o Fluminense era pouquíssimo tolerante com quem infringisse normas morais de conduta. Atletas e funcionários deveriam pautar-se pela ética e boa-fé no trato interpessoal dentro e fora do clube.

Parece, porém, que a modernidade, nesse ponto, foi prejudicial ao Fluminense e a tolerância a condutas graves praticadas por seus funcionários alargou-se de forma incompreensível.

A ação judicial proposta por um empregado do clube contra o escritor Paulo Roberto Andel, que já é, por certo, de conhecimento de todos os que frequentam esta casa, é uma aberração jurídica que expõe a ganância, a má-fé e a insensibilidade do seu autor. Um verdadeiro crime de lesa-Fluminense, uma vez que é um atentado contra a sua história, além de ser uma ofensa ao direito constitucional da liberdade de expressão.

O autor da ação, que nem tricolor é, ao pedir o recolhimento e a destruição da obra de Paulo Andel, não apenas o constrange e vitimiza, mas ataca diretamente a instituição Fluminense Football Club, a sua história e a sua torcida. Para ele – o autor da ação -, trata-se apenas de um livro, de uma reprodução supostamente não autorizada de uma fotografia sua e de dinheiro, muito dinheiro. Para Andel e para todos nós, tricolores, trata-se de uma questão muito maior, de respeito à honra de um homem íntegro e da preservação da dignidade da instituição Fluminense.

A honra tricolor foi vilipendiada por um prestador de serviços do Clube e a reputação de um escritor, que dedica a sua vida a engrandecer nosso amor pelo Tricolor, foi maculada por uma ação temerária e fulcrada no interesse espúrio e na má-fé.

E o que o Fluminense tem com isso? Tudo.

É dever da administração Tricolor, leia-se Presidente Peter Siemsen, agir para proteger os seus interesses -  a história e a honra do Fluminense e a reputação de um escritor que vive a sua vida para defender e enaltecer o clube, sob pena de a sua inação torná-lo verdadeiro coautor da injusta ação perpetrada pelo fotógrafo.

O mínimo que se espera é o encerramento do vínculo contratual desse profissional, além de uma nota de repúdio à sua conduta e de desagravo ao escritor, vítima do mais grave e injusto constrangimento por parte de um funcionário do Fluminense.

O comando Tricolor, assim, precisa posicionar-se contra essa agressão, defender a instituição e, mais do que isso, expurgar de seus quadros seus inimigos internos, dentre eles o autor dessa estapafúrdia ação judicial, a fim de que não se inicie ou não se dê continuidade a um processo autofágico que poderá lhe trazer severas consequências futuramente.


Seguir adiante é preciso, não sem antes, porém, ajustar as contas com os fantasmas que nos atormentam no presente.

(Felipe Fleury)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fred e a verdade que incomoda.

O atacante Fred, logo após a sua expulsão no último Fla-Flu, em entrevista ainda à beira do campo e, em tom de desabafo, fez severas críticas ao atual modelo do campeonato carioca e à arbitragem.

Pudera, afinal de contas foi expulso após ter sido advertido com dois cartões amarelos, o primeiro quando disputava espaço na área com um zagueiro adversário que, na mesma condição, não foi advertido; o segundo, após falta sofrida que, inclusive, poderia ensejar cartão ao seu autor, e que o árbitro fez questão de não enxergar, preferindo “entender” que Fred teria simulado a infração, o que lhe acarretou nova advertência e a injusta expulsão.

O procurador do TJD, André Valentim, atento às declarações de Fred, denunciou o jogador – que será julgado na próxima quarta-feira – por duas infrações ao artigo 258, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, pelas seguintes críticas à arbitragem:

“Só queria saber quem é que mandou isso aí.”

“Só falta quarta-feira (jogo contra o Madureira) colocarem o Índio (Luiz Antônio Silva Santos) para apitar. Aí fica tudo em casa.”

Fred não foi denunciado pelas críticas ao campeonato, apenas pelas referências à arbitragem. Segue o dispositivo legal:

Art. 258. Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código. (NR).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade. (AC).

§ 2º Constituem exemplos de atitudes contrárias à disciplina ou à ética desportiva, para os fins deste artigo, sem prejuízo de outros:

I — desistir de disputar partida, depois de iniciada, por abandono, simulação de contusão, ou tentar impedir, por qualquer meio, o seu prosseguimento; (AC).

II — desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões.

Uma análise do artigo em epígrafe, ainda que sucinta, permite concluir que o atacante tricolor pode ser suspenso de uma a seis partidas, mas se a infração for considerada de pequena gravidade, pode ser substituída pela advertência. Considerando as suas condições pessoais, seu histórico infracional favorável, bem como o fato de as declarações terem sido prestadas sob emoção, logo após a sua expulsão, existe a possibilidade de Fred ser apenado com apenas um jogo – já cumprido contra o Madureira. Se o Tribunal, porém, entender que a pena deva ser de um jogo de suspensão para cada infração – foram, em tese, duas – a outra poderia ser substituída por advertência, na forma do parágrafo primeiro do supracitado artigo.

Há ainda a possibilidade de ser oferecida a transação disciplinar, na forma do artigo 80-A, II, do CBJD, oportunidade em que o  atacante poderia ser punido – diante de suas condições favoráveis – com uma pena de multa (art. 170, II, do CBJD).

As chances de absolvição me parecem muito pequenas diante da contundência do atacante ao expor o seu sentimento de revolta ante os descalabros que envolvem as atitudes da FERJ.

Essas situações habilitariam Fred a participar do segundo jogo contra o Botafogo.

Qualquer outra decisão que imponha pena superior a uma partida de suspensão e, que não reconheça a sua substituição pela advertência ou pela multa (transação desportiva), inabilitará o artilheiro para a disputa da segunda partida das semifinais contra o Botafogo.

Faço esta brevíssima exposição, porque a situação está posta, ou seja, Fred foi denunciado, a audiência está marcada e, inexoravelmente, será julgado.

A denúncia oferecida pelo citado procurador, contudo, é um tapa na cara de todos nós torcedores de bem e, sobretudo, uma ofensa à moralidade, ao espírito do futebol, ao desporto de forma geral e aos atletas e clubes vítimas das manipulações espúrias praticadas por esta federação de futebol que aí está. Aliás, o próprio CBJD impõe o atendimento ao princípio da moralidade na aplicação de seus dispositivos – art. 2º, VIII, do Código – princípio este que, como se vê, parece desrespeitado.

Fred foi injustamente punido ao ter sido expulso; foi novamente punido quando desfalcou a equipe pelo tempo restante da partida contra o Flamengo e ao cumprir a suspensão automática contra o Madureira e, provavelmente, receberá nova sanção quando for julgado.

O artilheiro tricolor já foi punido demais por simplesmente dizer a verdade, uma verdade que o torcedor consciente, diante de tudo que se tem visto nesta competição, talvez dissesse de uma forma menos polida, mas igualmente sincera.

O campeonato é um jogo de cartas marcadas manipuladas pelos presidentes de fato e de direito da Federação e a arbitragem, pelo menos parte dela, se presta ao papel abjeto de interferir nos resultados das partidas de acordo com a conveniência de seus patrões.

Ou se pratica a moralidade ou, realmente, como disse Fred, o campeonato tem que acabar. O que não pode acontecer é um Tribunal Desportivo, que deveria zelar pela moralidade da disputa, punir quem diz a verdade e fazer “vista grossa” aos graves fatos que ocorrem dentro e fora dos gramados desta competição.


A verdade só incomoda a quem por ela não se pauta. Nos demais casos, ela liberta.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Vale a pena prosseguir?

Seria a melhor alternativa, diante da calhordice que assoma à FERJ, o Fluminense não se esforçar para vencer o Madureira e, com isso, deixar de avançar à fase semifinal do campeonato carioca?

Alguns entendem que sim, que diante da perseguição escancarada contra o Fluminense promovida pela máfia que comanda a federação, a opção mais sensata seria boicotar esse arremedo de competição de cartas marcadas, o que, de certa forma, funcionaria como um protesto tricolor contra as arbitrárias decisões do senhor Rubens Lopes, dos visíveis prejuízos que vem sofrendo por interferência da arbitragem e pelo favorecimento evidente do clube presidido pelo presidente de fato da FERJ, Eurico Miranda.

Não acho que seja a melhor opção, porque é exatamente por isso que Rubens Lopes e Eurico Miranda vêm lutando desde o início da competição. Dar a eles de mão beijada essa desclassificação seria apenas uma forma de facilitar as suas nefastas pretensões. Evidentemente, o Fluminense não é bem-vindo nas finais do carioca, menos por suas críticas à administração do futebol no Rio de Janeiro do que pelo imbróglio referente à posição das torcidas no Maracanã quando o adversário for o Vasco da Gama.

Certamente, um eventual confronto com o Vasco acarretaria um impasse intransponível por conta da intransigência do dirigente vascaíno em reconhecer um legítimo direito do Fluminense, estabelecido contratualmente com o Consórcio Maracanã.

Por essa “pirraça”, digamos assim, de um dirigente vetusto que não sabe ouvir um “não”, vivenciamos uma das maiores aberrações desportivas dos últimos tempos, sobretudo porque é ele quem, de fato, comanda a Federação do Estado do Rio, dirigida, por direito, pelo seu títere Rubens Lopes.

A essa calhordice explícita, deveria mostrar o Fluminense que não se submeterá. Basta de arbitrariedade, de manipulações, da prevalência dos interesses escusos. O Tricolor deve fazer a sua parte, tentar a classificação com dignidade e mostrar não só aos cariocas, mas ao Brasil, que, contra as práticas espúrias estará a honradez de um clube glorioso e centenário que defenderá seu direito de disputar a competição em igualdade de condições com os demais filiados.

As manipulações que porventura ocorram caso o Flu avance poderão até mesmo alijá-lo do campeonato, mas mostrarão a todo o país que o Tricolor fez a sua parte em nome da grandeza do espírito da competição, e que os vilões dessa história estarão com seus dias contados, assim como o desinteressado, deficitário e manipulado campeonato que tentam nos impor como se fosse uma disputa legítima e equânime.


Vamos até o fim em 2015 e, para 2016, lutemos pela criação de uma liga independente e isenta. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

A FERJ e o abuso de direito

(Publicado no site Panorama Tricolor no dia 22.03.2015)

O campeonato carioca, não de hoje, é uma competição deficitária e desinteressante para os grandes clubes do Rio de Janeiro, exceto para a Federação de Futebol do Rio. Eduardo Vianna e Rubens Lopes, este desde 2006, trataram de destruir o pouco que sobrava de romantismo e credibilidade da disputa que, outrora, já teve valor imensamente maior, inclusive no cenário nacional. Muito embora claudicante, marcado por erros crassos de arbitragens e repleto de estádios vazios e gramados mal cuidados, a sua má condução era atribuída principalmente à péssima administração de seus gestores.

Em 2015, porém, a má gestão deu lugar à má-fé, sobretudo no que diz respeito à relação entre a Federação e um dos seus principais filiados, o Fluminense. Sob uma dissimulada aparência de legitimidade, uma vez que as decisões do conselho arbitral da FERJ nada mais são do que reuniões fictícias para homologar a vontade do seu presidente, dando-lhe, assim, aspecto de legais, Rubens Lopes utilizou todo o arsenal de perversidades ao seu alcance para bombardear o Tricolor: primeiro determinou a fixação de preços promocionais de ingressos para toda a competição sem considerar as relações de clubes como Fluminense e Flamengo com seus sócios-torcedores; logo em seguida, reeditando no âmbito da Federação prática vetusta dos tempos ditatoriais, criou a chamada Lei da Mordaça, fixando multa a pessoa ou clube que a criticasse publicamente – a Justiça, acertadamente, suspendeu a vigência do artigo do regulamento das competições, art. 133, que previa a odiosa determinação; não satisfeito, imiscuiu-se na relação contratual entre o Fluminense e o Consórcio Maracanã referente ao posicionamento da torcida tricolor dentro do estádio em confrontos com o Vasco – o que acarretou a realização do clássico num estádio pela metade, ainda em obras, bem como o acirramento dos ânimos entre torcedores; recentemente, ainda, estipulou um preço fixo para o custo operacional do Maracanã, o que traria ao Flu despesas para utilizar um estádio que, por contrato, não lhe acarreta custo algum.

Agora, a Federação cobra uma suposta dívida do Fluminense e não tardará a cobrar algo mais, ou determinará outra medida contrária aos interesses do clube. O estoque de maldades de Rubens Lopes parece não ter fim.

A pergunta que se deve fazer, então, é o que mudou em 2015? Por que a Federação, leia-se Rubens Lopes, deixou de ser apenas desorganizada e inepta para ser, também, um instrumento de agressões gratuitas contra o Fluminense?

A resposta, e todos já devem sabê-la, atende pelo nome de Eurico Miranda, o Pança. Essa nefasta figura, responsável por incontáveis mazelas do futebol nacional, inclusive contra o seu próprio torcedor – quem não se lembra quando impediu o socorro a torcedores vascaínos feridos após a queda de alambrado no estádio de São Januário por ocasião da final da Copa João Havelange contra o São Caetano em 2001? – ressurgiu de um ostracismo compulsório imposto pelo próprio torcedor do Vasco ao preteri-lo em favor de Roberto Dinamite na presidência do Vasco.

Mas, o mal está de volta e encontrou acolhida na FERJ. Eurico não somente foi acolhido, como destituiu o seu presidente do comando, assumiu o controle da Federação e transformou Rubens Lopes em mero títere. Na prática, quem manda é o dirigente vascaíno que, não satisfeito em gerir os rumos de seu Vasco – chafurdado em dívidas; o TCU que o diga – preocupa-se em usar a Federação como instrumento de vingança pessoal contra o Fluminense e sua relação com o Consórcio Maracanã. Inveja e recalque, certamente.

Alinhado aos pequenos e ao subserviente Rubens Lopes, Eurico, presidente de fato, e seu cupincha reeditam práticas arbitrárias que não se coadunam com a modernidade e a democracia, visando claramente a prejudicar os interesses do Fluminense na competição, causando-lhe inegáveis prejuízos financeiros. O Tricolor, em contrapartida, publica notas oficiais que, se afagam o âmago de parte da torcida, não resolvem, efetivamente, a questão dos danos que vem sofrendo.

A Federação, não custa lembrar, quando interfere indevidamente na relação contratual do Fluminense com o Consórcio Maracanã, o que por via de consequência também afeta os direitos do sócio-torcedor tricolor, pratica abuso de direito, uma das formas dos atos ilícitos, com previsão no artigo 187, do Código Civil. Evidentemente, quando extrapola de suas atribuições regulamentares e legais, prejudicando terceiro, no caso o Fluminense, a FERJ está sujeita à reparação moral e material por eventuais prejuízos causados.

Não há dúvida de que o Tricolor teve diversos direitos violados, sobretudo no que concerne à sua relação com o Consórcio Maracanã, oportunidade em que dispositivos contratuais que devem ser respeitados estão sendo claramente violados pela Federação de Rubinho e Eurico. Os prejuízos já são irreversíveis e podem se tornar ainda maiores, uma vez que a sanha persecutória da FERJ parece não ter limites. Assim, é hora de deixar de lado as notas-oficiais e adotar medidas práticas de enfrentamento a essa covardia desenfreada protagonizada por uma entidade que não representa o futebol carioca, mas apenas interesses pessoais obscuros e se torna, a cada dia, mais um instrumento de vingança pessoal do que de realização de benfeitorias em prol dos clubes de futebol do Rio de Janeiro.

E a medida prática de enfrentamento é, num primeiro momento, a busca do Judiciário para impedir a continuidade dos atos ilícitos da Federação e a reparação dos prejuízos materiais e morais sofridos – neste ponto, fazer valer a força do contrato assinado; num segundo momento, o estudo da viabilidade e criação de estratégias para o surgimento de uma liga independente de futebol.

O Fluminense tem a faca e o queijo nas mãos para por abaixo anos de desmando no futebol carioca, eliminando do cenário desportivo os malefícios de uma administração futebolística destrutiva e tendenciosa, bem como entregar à Justiça os destinos dos malfeitores Rubens Lopes e Eurico Miranda.

A luta é justa, o direito é bom, só falta agir.



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Unidos ou reunidos?

Segundo a coluna Panorama Esportiva deste sábado no jornal O Globo, Fluminense e Flamengo se reuniram durante a semana a fim de organizar um luta política conjunta por reformas na Federação de Futebol do Rio.

Pretendem mudar o modelo de gestão na entidade, criar uma liga municipal, dar transparência às taxas cobradas nos borderôs, dentre outras ações. 

Nunca vi, desde que Flu e Fla se levantaram contra os abusos perpetrados pela Federação através de notas oficiais assinadas conjuntamente e tarjas de luto nos uniformes de jogo, nenhuma relação que denote intimidade a ponto de ensejar preocupação de parte da torcida tricolor. 

Parece claro que as duas instituições apenas defendem interesses comuns, e justos, contra arbitrariedades praticadas por um dirigente vetusto que comanda a sua entidade sem transparência e à revelia dos bons rumos do futebol. 

Do lado de cá da trincheira, tricolores e rubro-negros tentam modificar uma cultura de quase trinta anos de desmandos, sem que, para tanto, isso signifique que o Tricolor ponha de lado as divergências históricas que o separam de seu rival. Por isso, pode-se dizer que, nessa louvável luta, Fluminense e Flamengo estão mais reunidos do que unidos.

@FFleury 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Pança

Quando algum torcedor, indignado com a administração de seu clube, afirma que gostaria que o mesmo fosse gerido por Eurico Miranda, provavelmente não conhece a sua história. Pelo menos não totalmente. O lendário Eurico, aquele que apregoa que os interesses do Vasco da Gama estão acima de tudo, não existe. Trata-se de folclore criado por sua mente brilhante para justificar a sua presença, durante décadas, no comando do clube cruzmaltino, e dele se locupletar.

Tudo o que Eurico Miranda fez pelo Vasco, e que se possa entender por louvável, foi principalmente por interesse próprio. Enriqueceu às custas do clube.

Filho de portugueses que vieram para o Brasil fugindo da ditadura de Salazar, Eurico estudou em bons colégios da Zona Sul carioca. Ajudava seu pai na padaria da família e, antes de se decidir pelo Direito, foi aprovado nas faculdades de Medicina e Fisioterapia.

Sua carreira jurídica, porém, nunca prosperou. Vislumbrou desde muito cedo a possibilidade de crescer dentro do clube da colônia portuguesa. E foi nisso que investiu. Suas primeiras falcatruas, já como vice-presidente de patrimônio do clube datam de 1969 – no famoso episódio da “mão de Eurico” – quando tentou impedir a votação pela cassação de um ex-presidente vascaíno desligando a energia da sede náutica do Vasco.

O “Pança” não parou por aí. Construiu sua imagem política dentro do clube bajulando figuras importantes da cartolagem e colaborando na destruição de seus adversários. Logo tonou-se, traindo e bajulando, vice-presidente com poderes absolutos. A partir de então seus problemas financeiros, como o pagamento de prestações de um imóvel na Zona Sul carioca terminaram. Os anos 1990 foram pródigos para Eurico e para o Vasco. O clube foi um dos maiores vencedores da década e o dirigente, além de conseguir pagar seu imóvel, adquiriu uma mansão em Angra e comprou uma casa em Miami.

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, o Pança passou a ter importante influência na federação de futebol do Rio e na própria CBF. A partir daí, coincidentemente ou não, o Vasco viveu os melhores anos de sua história. Cansou de subverter regras, invadir campo de jogo, burlar exames anti-dopings – caso Willian em 1994 foi emblemático – a fim de beneficiar o seu clube, sempre acobertado pelas federações de futebol.

Eleito deputado federal em 1994 e reeleito em 1998, sempre afirmou que seu mandato não era do povo, e sim do Vasco. Foi um dos representantes da cartolagem na Câmara e foi cassado após o escândalo do desvio de verbas do Nations Bank, depois Bank of America, que investiu milhões de dólares no futebol e no esporte amador vascaínos. Aremitas José de Lima, um simplório funcionário do clube, foi o seu “laranja” e milhões de dólares do patrocínio foram desviados por Eurico para contas em paraísos fiscais.

Eurico, então, criara uma cortina de fumaça – suas bravatas e sua suposta defesa incondicional do Vasco – para roubar o próprio clube. E não foi somente com o desvio de milhões do Bank of America, foi também com o sumiço de parte da renda que cabia ao Vasco – 62.000 reais – de um jogo contra o Flamengo, que levou para casa no próprio bolso para depois noticiar o suposto roubo da quantia na porta de seu prédio. O Pança também sempre esteve envolvido em negociações de jogadores cruzmaltinos e suas relações com Reinaldo Pitta nunca foram explicadas, muito menos o fato de a lancha ancorada na casa do dirigente em Angra pertencer ao empresário.

Mas o que se esperar de alguém que, desde cedo, conduziu sua vida pelos caminhos do crime. Na década de 1970 foi surpreendido desviando dinheiro do prédio em que era síndico. Anos depois, como gerente de consórcios da Besouro Veículos, de um benemérito vascaíno, foi demitido por lesar mais de 280 consorciados que pagaram integralmente as suas cotas, mas não receberam seus carros.

E a torcida vascaína, que diz tanto amar, também já foi diretamente a sua vítima. Na decisão da Copa João Havelange de 2001, contra o São Caetano, o alambrado do estádio de São Januário ruiu ante a superlotação, deixando 168 feridos que foram socorridos dentro de campo. Preocupado com a continuidade da partida, Eurico foi inclemente com quem procurava socorrer os feridos, tentando esvaziar o campo e os torcedores o mais rapidamente possível para que a partida recomeçasse. Toda a sua desumanidade foi exposta nesse lamentável episódio.

Responde ainda a diversos inquéritos e ações judiciais e foi, inclusive, impedido pelo Tribunal Eleitoral de disputar as eleições para vereador no Rio de Janeiro em 2008, por absoluta falta de idoneidade moral.

Estes são apenas alguns exemplos da folha corrida do dirigente vascaíno.

Suas práticas nefastas pareciam fazer parte do passado, uma vez que, quando perdeu as eleições para Roberto Dinamite, anunciou o encerramento de sua vida política no Vasco para se dedicar à família. Ledo engano. A péssima administração Dinamite retirou Eurico do ostracismo e deu nova vida ao inimigo número um do futebol brasileiro.

Ressuscitado, aliou-se a seu antigo cupincha, Rubens Lopes, o presidente da FERJ, para transformar o futebol do Rio novamente num feudo de interesses escusos e práticas sorrateiras, que já se imaginavam enterradas há anos. Primeiro, planejaram, em conluio, a violação contratual entre o Consórcio Maracanã e o Fluminense – leia sobre o assunto em http://avanteflu.blogspot.com.br/2014/12/pacta-sunt-servanda.html - para que a torcida vascaína, ao arrepio do direito posto, voltasse a ocupar o lado direito das cabines de rádio nas partidas contra o Flu. Ante a irredutibilidade do lado de cá, a FERJ determinou a transferência do jogo em que o Tricolor detém o mando de campo contra o Vasco para o Engenhão. Agora, o imbróglio é atinente ao preço dos ingressos, cujos valores foram fixados pela Federação, com apoio integral do Pança, em detrimento de Flamengo e Fluminense, que possuem contrato com o Maracanã e projetos concretos de sócio-torcedores e, para os quais, a imposição dos valores dos ingressos acarretaria imenso prejuízo.

Não é este o estilo de dirigente que desejo para o meu clube. E não há que se confundir pulso forte, voz ativa, influência de bastidores e defesa intransigente dos interesses da instituição clubística com a figura abjeta de Eurico Miranda. Se é isto que desejamos, são virtudes que não estão no famigerado cartola, uma vez que todo esse seu lado ufanista nada mais é do que uma criação para encobrir a sua verdadeira intenção: angariar os frutos das conquistas vascaínas, seja a que preço for. O gerente de uma concessionária de veículos é, hoje, um homem milionário, graças ao que retirou do Vasco. E nem mesmo os títulos que conquistou, com bastante ajuda de sua influência nos bastidores do futebol nacional, são suficientes para apagar os males que fez ao clube cruzmaltino, à sua torcida e ao esporte no Brasil.

Todo torcedor de bem, todo aquele que preza a honradez e a lisura no futebol, deve se unir para impedir esse retrocesso e lutar pela prevalência do direito e da moralidade. A nossa luta, assim, deve ser pela dignidade dos homens que o comandam e, nessa seara, não há lugar para gente como Eurico Miranda.

Fonte:

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-19/vultos-do-futebol/eurico-

http://balipodo.com.br/?p=1911


http://veja.abril.com.br/100101/p_042.html