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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cuidado com o 19 de julho

Torcedor tricolor, cuidado com o 19 de julho. Nessa data, o Fluminense enfrentará o Vasco pelo campeonato brasileiro no Maracanã. A advertência, que seria desnecessária se estivéssemos tratando apenas de futebol, faz-se prudente quando, do lado de lá, dita as regras um mafioso travestido de dirigente de futebol chamado Eurico Miranda.

Eurico, ou Pança, como é conhecido, é um homem inteligente. Perverso, porém inteligente. Ele sabe, assim como todos sabemos, que o antigo Estádio Jornalista Mário Filho não existe mais, que a nova arena construída em seu lugar herdou apenas o apelido, Maracanã e a sua localização geográfica. A arena foi concedida pelo Estado à iniciativa privada, que iniciou uma nova gestão, rompendo-se todos os vínculos jurídicos ou consuetudinários anteriores.

Eurico é advogado e sabe que os contratos devem ser respeitados. Tem plena ciência de que o Novo Maracanã firmou contrato com o Fluminense e, dentre tantas outras cláusulas, estipulou-se que a torcida tricolor teria um local fixo no estádio à direita das cabines de rádio. Assim, não importa o suposto direito alegado pelo Vasco de que desde 1950 à sua torcida foi garantido o posicionamento no mesmo local. Tal direito, mesmo que decorrente de um costume, está enterrado junto aos escombros do antigo estádio.

O dirigente vascaíno, contudo, não abre mão de lutar por essa mentira, à revelia do direito – com quem, por sinal, nunca se entendeu tanto na sua vida política, quanto pessoal ou mesmo como dirigente de clube – decorrente de estipulação contratual válida e que deveria ser respeitada por todos. Evidentemente, através de seu ufanismo exacerbado e leviano, tenta passar ao torcedor vascaíno que é o maior defensor de seus interesses, embora a história tenha mostrado que sempre pensou em si próprio. Aqui vale lembrar o episódio do sumiço da renda que transportou consigo para casa depois de um jogo do Vasco e a final da Copa Havelange contra o São Caetano, quando impediu o socorro de torcedores vascaínos dentro de campo após a queda do alambrado do estádio.

Esse poder que tem sobre uma incauta parte da torcida é com que devemos nos preocupar. As suas bravatas comumente servem de incentivo às hordas mais radicais para o cometimento de atos de violência. Quando Eurico afirma que “não abrirá mão” de que a torcida do Vasco se posicione do lado direito das cabines de rádio e outras insanidades do gênero, ele não apenas avaliza, mas também incentiva atos hostis por parte de sua torcida.

Foi assim quando Flu e Vasco se enfrentaram no Engenhão pelo campeonato carioca. Dezenas de tricolores foram presos porque se defenderam de ataques vascaínos insuflados pelas falácias do vetusto dirigente. Foram acusados, inclusive, de formação de quadrilha. De forma alguma a violência deve ser defendida, mas se as autoridades tivessem apurado a fundo, saberiam que os conflitos que precederam aquela partida decorreram única e exclusivamente das declarações inoportunas e irracionais do senhor Eurico Miranda que transformaram o Fluminense e a sua torcida em usurpadores do legítimo direito do vascaíno de sentar-se no lado direito do estádio.

Torna, agora, à mesma ladainha, às vésperas de novo confronto e, mais uma vez, induzindo seus seguidores à violência.

Uma autoridade pública isenta, diante de um novo quadro de agressões, deveria responsabilizar, além dos contendores, o malfeitor cruzmaltino. A sua conduta, além de temerária, é uma verdadeira declaração de coautoria de corresponsabilização, de incitação explícita à violência.

Não me apraz passar tanto tempo falando de um sujeito que mereceria, por tudo que fez de mal ao futebol e à coisa pública, estar atrás das grades, - sobretudo quando vivenciamos uma semana em que comemoramos os vinte anos do épico Fla-Flu de 1995 e disso poderia tratar -, mas diante do que ocorreu no último embate, mister se faz a advertência. Não me agradaria em nada saber de atos de violência que vitimem torcedores dos dois clubes, ou mesmo de prisões por obra de alguém que estará fumando tranquilamente o seu charuto enquanto o “circo pega fogo”.

Oxalá possamos, após a partida, tratar apenas do que ocorreu dentro de campo, porque a prática de crime é caso de polícia. O meu “sexto sentido”, todavia, me diz que Eurico não se calará e agirá o quanto for preciso para alcançar seu objetivo e, se não o alcançar, tratará de tumultuar o quanto puder a realização do jogo, tentando encobrir o malogro de sua equipe dentro de campo com as bravatas fora dele.

Atenção, portanto, às autoridades. Cuidado, torcedor tricolor. Vá ao jogo ver o seu time do coração e apenas torça. Deixe que a Polícia cumpra o seu papel institucional e impeça atos de violência que, se houver, devem ser apurados com rigor e isenção, inclusive quanto à participação do malfeitor da Colina e a sua devida responsabilização.


E se ele determinar que o seu time não enfrente o Fluminense, nada há que se lamentar, ou que se estranhar. Afinal de contas, em W.O. o Vasco é expert.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Vale a pena prosseguir?

Seria a melhor alternativa, diante da calhordice que assoma à FERJ, o Fluminense não se esforçar para vencer o Madureira e, com isso, deixar de avançar à fase semifinal do campeonato carioca?

Alguns entendem que sim, que diante da perseguição escancarada contra o Fluminense promovida pela máfia que comanda a federação, a opção mais sensata seria boicotar esse arremedo de competição de cartas marcadas, o que, de certa forma, funcionaria como um protesto tricolor contra as arbitrárias decisões do senhor Rubens Lopes, dos visíveis prejuízos que vem sofrendo por interferência da arbitragem e pelo favorecimento evidente do clube presidido pelo presidente de fato da FERJ, Eurico Miranda.

Não acho que seja a melhor opção, porque é exatamente por isso que Rubens Lopes e Eurico Miranda vêm lutando desde o início da competição. Dar a eles de mão beijada essa desclassificação seria apenas uma forma de facilitar as suas nefastas pretensões. Evidentemente, o Fluminense não é bem-vindo nas finais do carioca, menos por suas críticas à administração do futebol no Rio de Janeiro do que pelo imbróglio referente à posição das torcidas no Maracanã quando o adversário for o Vasco da Gama.

Certamente, um eventual confronto com o Vasco acarretaria um impasse intransponível por conta da intransigência do dirigente vascaíno em reconhecer um legítimo direito do Fluminense, estabelecido contratualmente com o Consórcio Maracanã.

Por essa “pirraça”, digamos assim, de um dirigente vetusto que não sabe ouvir um “não”, vivenciamos uma das maiores aberrações desportivas dos últimos tempos, sobretudo porque é ele quem, de fato, comanda a Federação do Estado do Rio, dirigida, por direito, pelo seu títere Rubens Lopes.

A essa calhordice explícita, deveria mostrar o Fluminense que não se submeterá. Basta de arbitrariedade, de manipulações, da prevalência dos interesses escusos. O Tricolor deve fazer a sua parte, tentar a classificação com dignidade e mostrar não só aos cariocas, mas ao Brasil, que, contra as práticas espúrias estará a honradez de um clube glorioso e centenário que defenderá seu direito de disputar a competição em igualdade de condições com os demais filiados.

As manipulações que porventura ocorram caso o Flu avance poderão até mesmo alijá-lo do campeonato, mas mostrarão a todo o país que o Tricolor fez a sua parte em nome da grandeza do espírito da competição, e que os vilões dessa história estarão com seus dias contados, assim como o desinteressado, deficitário e manipulado campeonato que tentam nos impor como se fosse uma disputa legítima e equânime.


Vamos até o fim em 2015 e, para 2016, lutemos pela criação de uma liga independente e isenta. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

A FERJ e o abuso de direito

(Publicado no site Panorama Tricolor no dia 22.03.2015)

O campeonato carioca, não de hoje, é uma competição deficitária e desinteressante para os grandes clubes do Rio de Janeiro, exceto para a Federação de Futebol do Rio. Eduardo Vianna e Rubens Lopes, este desde 2006, trataram de destruir o pouco que sobrava de romantismo e credibilidade da disputa que, outrora, já teve valor imensamente maior, inclusive no cenário nacional. Muito embora claudicante, marcado por erros crassos de arbitragens e repleto de estádios vazios e gramados mal cuidados, a sua má condução era atribuída principalmente à péssima administração de seus gestores.

Em 2015, porém, a má gestão deu lugar à má-fé, sobretudo no que diz respeito à relação entre a Federação e um dos seus principais filiados, o Fluminense. Sob uma dissimulada aparência de legitimidade, uma vez que as decisões do conselho arbitral da FERJ nada mais são do que reuniões fictícias para homologar a vontade do seu presidente, dando-lhe, assim, aspecto de legais, Rubens Lopes utilizou todo o arsenal de perversidades ao seu alcance para bombardear o Tricolor: primeiro determinou a fixação de preços promocionais de ingressos para toda a competição sem considerar as relações de clubes como Fluminense e Flamengo com seus sócios-torcedores; logo em seguida, reeditando no âmbito da Federação prática vetusta dos tempos ditatoriais, criou a chamada Lei da Mordaça, fixando multa a pessoa ou clube que a criticasse publicamente – a Justiça, acertadamente, suspendeu a vigência do artigo do regulamento das competições, art. 133, que previa a odiosa determinação; não satisfeito, imiscuiu-se na relação contratual entre o Fluminense e o Consórcio Maracanã referente ao posicionamento da torcida tricolor dentro do estádio em confrontos com o Vasco – o que acarretou a realização do clássico num estádio pela metade, ainda em obras, bem como o acirramento dos ânimos entre torcedores; recentemente, ainda, estipulou um preço fixo para o custo operacional do Maracanã, o que traria ao Flu despesas para utilizar um estádio que, por contrato, não lhe acarreta custo algum.

Agora, a Federação cobra uma suposta dívida do Fluminense e não tardará a cobrar algo mais, ou determinará outra medida contrária aos interesses do clube. O estoque de maldades de Rubens Lopes parece não ter fim.

A pergunta que se deve fazer, então, é o que mudou em 2015? Por que a Federação, leia-se Rubens Lopes, deixou de ser apenas desorganizada e inepta para ser, também, um instrumento de agressões gratuitas contra o Fluminense?

A resposta, e todos já devem sabê-la, atende pelo nome de Eurico Miranda, o Pança. Essa nefasta figura, responsável por incontáveis mazelas do futebol nacional, inclusive contra o seu próprio torcedor – quem não se lembra quando impediu o socorro a torcedores vascaínos feridos após a queda de alambrado no estádio de São Januário por ocasião da final da Copa João Havelange contra o São Caetano em 2001? – ressurgiu de um ostracismo compulsório imposto pelo próprio torcedor do Vasco ao preteri-lo em favor de Roberto Dinamite na presidência do Vasco.

Mas, o mal está de volta e encontrou acolhida na FERJ. Eurico não somente foi acolhido, como destituiu o seu presidente do comando, assumiu o controle da Federação e transformou Rubens Lopes em mero títere. Na prática, quem manda é o dirigente vascaíno que, não satisfeito em gerir os rumos de seu Vasco – chafurdado em dívidas; o TCU que o diga – preocupa-se em usar a Federação como instrumento de vingança pessoal contra o Fluminense e sua relação com o Consórcio Maracanã. Inveja e recalque, certamente.

Alinhado aos pequenos e ao subserviente Rubens Lopes, Eurico, presidente de fato, e seu cupincha reeditam práticas arbitrárias que não se coadunam com a modernidade e a democracia, visando claramente a prejudicar os interesses do Fluminense na competição, causando-lhe inegáveis prejuízos financeiros. O Tricolor, em contrapartida, publica notas oficiais que, se afagam o âmago de parte da torcida, não resolvem, efetivamente, a questão dos danos que vem sofrendo.

A Federação, não custa lembrar, quando interfere indevidamente na relação contratual do Fluminense com o Consórcio Maracanã, o que por via de consequência também afeta os direitos do sócio-torcedor tricolor, pratica abuso de direito, uma das formas dos atos ilícitos, com previsão no artigo 187, do Código Civil. Evidentemente, quando extrapola de suas atribuições regulamentares e legais, prejudicando terceiro, no caso o Fluminense, a FERJ está sujeita à reparação moral e material por eventuais prejuízos causados.

Não há dúvida de que o Tricolor teve diversos direitos violados, sobretudo no que concerne à sua relação com o Consórcio Maracanã, oportunidade em que dispositivos contratuais que devem ser respeitados estão sendo claramente violados pela Federação de Rubinho e Eurico. Os prejuízos já são irreversíveis e podem se tornar ainda maiores, uma vez que a sanha persecutória da FERJ parece não ter limites. Assim, é hora de deixar de lado as notas-oficiais e adotar medidas práticas de enfrentamento a essa covardia desenfreada protagonizada por uma entidade que não representa o futebol carioca, mas apenas interesses pessoais obscuros e se torna, a cada dia, mais um instrumento de vingança pessoal do que de realização de benfeitorias em prol dos clubes de futebol do Rio de Janeiro.

E a medida prática de enfrentamento é, num primeiro momento, a busca do Judiciário para impedir a continuidade dos atos ilícitos da Federação e a reparação dos prejuízos materiais e morais sofridos – neste ponto, fazer valer a força do contrato assinado; num segundo momento, o estudo da viabilidade e criação de estratégias para o surgimento de uma liga independente de futebol.

O Fluminense tem a faca e o queijo nas mãos para por abaixo anos de desmando no futebol carioca, eliminando do cenário desportivo os malefícios de uma administração futebolística destrutiva e tendenciosa, bem como entregar à Justiça os destinos dos malfeitores Rubens Lopes e Eurico Miranda.

A luta é justa, o direito é bom, só falta agir.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Pança

Quando algum torcedor, indignado com a administração de seu clube, afirma que gostaria que o mesmo fosse gerido por Eurico Miranda, provavelmente não conhece a sua história. Pelo menos não totalmente. O lendário Eurico, aquele que apregoa que os interesses do Vasco da Gama estão acima de tudo, não existe. Trata-se de folclore criado por sua mente brilhante para justificar a sua presença, durante décadas, no comando do clube cruzmaltino, e dele se locupletar.

Tudo o que Eurico Miranda fez pelo Vasco, e que se possa entender por louvável, foi principalmente por interesse próprio. Enriqueceu às custas do clube.

Filho de portugueses que vieram para o Brasil fugindo da ditadura de Salazar, Eurico estudou em bons colégios da Zona Sul carioca. Ajudava seu pai na padaria da família e, antes de se decidir pelo Direito, foi aprovado nas faculdades de Medicina e Fisioterapia.

Sua carreira jurídica, porém, nunca prosperou. Vislumbrou desde muito cedo a possibilidade de crescer dentro do clube da colônia portuguesa. E foi nisso que investiu. Suas primeiras falcatruas, já como vice-presidente de patrimônio do clube datam de 1969 – no famoso episódio da “mão de Eurico” – quando tentou impedir a votação pela cassação de um ex-presidente vascaíno desligando a energia da sede náutica do Vasco.

O “Pança” não parou por aí. Construiu sua imagem política dentro do clube bajulando figuras importantes da cartolagem e colaborando na destruição de seus adversários. Logo tonou-se, traindo e bajulando, vice-presidente com poderes absolutos. A partir de então seus problemas financeiros, como o pagamento de prestações de um imóvel na Zona Sul carioca terminaram. Os anos 1990 foram pródigos para Eurico e para o Vasco. O clube foi um dos maiores vencedores da década e o dirigente, além de conseguir pagar seu imóvel, adquiriu uma mansão em Angra e comprou uma casa em Miami.

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, o Pança passou a ter importante influência na federação de futebol do Rio e na própria CBF. A partir daí, coincidentemente ou não, o Vasco viveu os melhores anos de sua história. Cansou de subverter regras, invadir campo de jogo, burlar exames anti-dopings – caso Willian em 1994 foi emblemático – a fim de beneficiar o seu clube, sempre acobertado pelas federações de futebol.

Eleito deputado federal em 1994 e reeleito em 1998, sempre afirmou que seu mandato não era do povo, e sim do Vasco. Foi um dos representantes da cartolagem na Câmara e foi cassado após o escândalo do desvio de verbas do Nations Bank, depois Bank of America, que investiu milhões de dólares no futebol e no esporte amador vascaínos. Aremitas José de Lima, um simplório funcionário do clube, foi o seu “laranja” e milhões de dólares do patrocínio foram desviados por Eurico para contas em paraísos fiscais.

Eurico, então, criara uma cortina de fumaça – suas bravatas e sua suposta defesa incondicional do Vasco – para roubar o próprio clube. E não foi somente com o desvio de milhões do Bank of America, foi também com o sumiço de parte da renda que cabia ao Vasco – 62.000 reais – de um jogo contra o Flamengo, que levou para casa no próprio bolso para depois noticiar o suposto roubo da quantia na porta de seu prédio. O Pança também sempre esteve envolvido em negociações de jogadores cruzmaltinos e suas relações com Reinaldo Pitta nunca foram explicadas, muito menos o fato de a lancha ancorada na casa do dirigente em Angra pertencer ao empresário.

Mas o que se esperar de alguém que, desde cedo, conduziu sua vida pelos caminhos do crime. Na década de 1970 foi surpreendido desviando dinheiro do prédio em que era síndico. Anos depois, como gerente de consórcios da Besouro Veículos, de um benemérito vascaíno, foi demitido por lesar mais de 280 consorciados que pagaram integralmente as suas cotas, mas não receberam seus carros.

E a torcida vascaína, que diz tanto amar, também já foi diretamente a sua vítima. Na decisão da Copa João Havelange de 2001, contra o São Caetano, o alambrado do estádio de São Januário ruiu ante a superlotação, deixando 168 feridos que foram socorridos dentro de campo. Preocupado com a continuidade da partida, Eurico foi inclemente com quem procurava socorrer os feridos, tentando esvaziar o campo e os torcedores o mais rapidamente possível para que a partida recomeçasse. Toda a sua desumanidade foi exposta nesse lamentável episódio.

Responde ainda a diversos inquéritos e ações judiciais e foi, inclusive, impedido pelo Tribunal Eleitoral de disputar as eleições para vereador no Rio de Janeiro em 2008, por absoluta falta de idoneidade moral.

Estes são apenas alguns exemplos da folha corrida do dirigente vascaíno.

Suas práticas nefastas pareciam fazer parte do passado, uma vez que, quando perdeu as eleições para Roberto Dinamite, anunciou o encerramento de sua vida política no Vasco para se dedicar à família. Ledo engano. A péssima administração Dinamite retirou Eurico do ostracismo e deu nova vida ao inimigo número um do futebol brasileiro.

Ressuscitado, aliou-se a seu antigo cupincha, Rubens Lopes, o presidente da FERJ, para transformar o futebol do Rio novamente num feudo de interesses escusos e práticas sorrateiras, que já se imaginavam enterradas há anos. Primeiro, planejaram, em conluio, a violação contratual entre o Consórcio Maracanã e o Fluminense – leia sobre o assunto em http://avanteflu.blogspot.com.br/2014/12/pacta-sunt-servanda.html - para que a torcida vascaína, ao arrepio do direito posto, voltasse a ocupar o lado direito das cabines de rádio nas partidas contra o Flu. Ante a irredutibilidade do lado de cá, a FERJ determinou a transferência do jogo em que o Tricolor detém o mando de campo contra o Vasco para o Engenhão. Agora, o imbróglio é atinente ao preço dos ingressos, cujos valores foram fixados pela Federação, com apoio integral do Pança, em detrimento de Flamengo e Fluminense, que possuem contrato com o Maracanã e projetos concretos de sócio-torcedores e, para os quais, a imposição dos valores dos ingressos acarretaria imenso prejuízo.

Não é este o estilo de dirigente que desejo para o meu clube. E não há que se confundir pulso forte, voz ativa, influência de bastidores e defesa intransigente dos interesses da instituição clubística com a figura abjeta de Eurico Miranda. Se é isto que desejamos, são virtudes que não estão no famigerado cartola, uma vez que todo esse seu lado ufanista nada mais é do que uma criação para encobrir a sua verdadeira intenção: angariar os frutos das conquistas vascaínas, seja a que preço for. O gerente de uma concessionária de veículos é, hoje, um homem milionário, graças ao que retirou do Vasco. E nem mesmo os títulos que conquistou, com bastante ajuda de sua influência nos bastidores do futebol nacional, são suficientes para apagar os males que fez ao clube cruzmaltino, à sua torcida e ao esporte no Brasil.

Todo torcedor de bem, todo aquele que preza a honradez e a lisura no futebol, deve se unir para impedir esse retrocesso e lutar pela prevalência do direito e da moralidade. A nossa luta, assim, deve ser pela dignidade dos homens que o comandam e, nessa seara, não há lugar para gente como Eurico Miranda.

Fonte:

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-19/vultos-do-futebol/eurico-

http://balipodo.com.br/?p=1911


http://veja.abril.com.br/100101/p_042.html


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pacta sunt servanda

Pacta sunt servanda é um brocado latino que exprime a ideia de que os contratos devem ser respeitados. Pode parecer um assunto de somenos importância a localização dos torcedores de Fluminense e Vasco no Maracanã, mas tudo o que envolve o futebol compreende, de certa forma, paixão; e aí qualquer discussão que abarque dois clubes rivais ganha especial relevância.

É notório que o Fluminense contratou com o consórico Novo Maracanã a utilização do estádio pelo prazo de trinta e cinco anos. Uma das cláusulas do acordo determina que a torcida do Fluminense ocupará o setor sul, ou seja, aquele que fica à direita das cabines de rádio.

Os vascaínos, antigos usuários do espaço no antigo estádio, acreditam que têm o direito eterno de continuarem se posicionando no local nos confrontos contra o Fluminense. Não discuto aqui a legitimidade do direito vascaíno no velho Maracanã, e o Fluminense jamais o questionou, acatando os posicionamentos fixos das torcidas do Flamengo e do Vasco, à esquerda e à direita das cabines respectivamente.

Nenhum direito, todavia, deve ser considerado absoluto, sobretudo quando enterrado juntamente com um estádio que não existe mais. A relação jurídica entre o Vasco e a Municipalidade, então administradora do estádio, findou. Agora há uma nova, entre o Consórcio, novo administrador, e o Fluminense.

Ao imbróglio, acrescentou-se, porém, um novo ingrediente: um malfeitor travestido de dirigente de futebol, que, a pretexto de defender um suposto direito do seu clube, pretende revivescer práticas vetustas que não se coadunam com o futebol.

Esse dirigente reuniu-se durante a semana com o Presidente do Fluminense e o vice-presidente do Consórcio do Novo Maracanã e ouviu destes que o posicionamento da torcida tricolor decorre de um contrato e este deve ser cumprido. Nada pessoal, apenas a preservação de um acordo legítimo e praticado sob o pálio da Lei.

Não satisfeito, porque a legalidade sempre lhe foi um estorvo, procurou seu cupincha na Federação do Estado do Rio de Janeiro, outro vezeiro em práticas obscuras, para fazer valer a sua vontade. (Leia em: http://www.lancenet.com.br/fluminense/Reuniao-Ferj-escolher-Maraca-Estadual_0_1261074053.html).

A FERJ, então, mancomunada com seu comparsa de longa data, determinou, não se sabe com que fundamento, que durante o campeonato carioca será ela, pasmem, a própria FERJ, quem determinará o posicionamento das torcidas nos estádios. E não precisamos ser videntes para sabermos que nos jogos contra o Vasco o senhor Rubinho dará aos cruzmaltinos o que tanto anseiam.

Do lado de cá, porém, temos um presidente que, se pecou por omissão n’outras oportunidades, desta vez foi ágil e certeiro na resposta: O Fluminense lutará por seus direitos até o fim!

E isso quer dizer, trocando em miúdos, que a bravata proposta por Eurico Miranda e Rubens Lopes, assim como a mentira, tem pernas curtas. Primeiro, porque a Federação de Futebol do Rio não tem atribuição para imiscuir-se no posicionamento das torcidas dentro de um estádio de futebol; segundo, porque nenhuma portaria, regulamento, seja lá o que for, que pretenda o contrário, não pode se sobrepor aos termos de um contrato em vigor, realizado sob a égide das determinações legais estampadas no Código Civil e na Constituição da República.

A falácia do senhor Eurico, assim, não vai longe, até porque o direito está ao lado do Fluminense. O meu temor é a sua presença nefasta novamente no ambiente do futebol e, daí, a suspeita concreta de que sempre estará planejando tirar proveito de suas relações escusas para favorecer o seu clube e prejudicar o Fluminense. Isso já aconteceu antes e, pelo bem do futebol, não pode ocorrer novamente.


A luta do Presidente Peter, a partir de agora, é também a luta da torcida tricolor. Não se trata mais da disputa por um lugar no estádio. A contenda é bem maior, é pela prevalência do direito, da honradez e da boa-fé. É pela própria lisura do futebol e pela dignidade dos homens que o comandam. É a luta contra homens como Eurico Miranda.