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domingo, 23 de novembro de 2014

Sobrevida

O gol de Fred, nos acréscimos, manteve a esperança, remotíssima, de que o Fluminense ainda almeje uma vaga na Libertadores 2015. O empate em dois gols foi até justo, mas o Tricolor poderia ter saído vencedor do embate não fossem o imprestável zagueiro Fabrício, cujo erro – infantil – deu causa ao primeiro gol da equipe pernambucana e a omissão no combate ao jogador adversário – o cartão amarelo não era impeditivo para que, no mínimo, combatesse – permitiu o cruzamento certeiro para o segundo gol; e o arremedo de treinador chamado Cristóvão.

Parece-me que, quando não foram as questões salariais, contratuais e outras de cunho financeiro, foi o treinador tricolor o principal responsável pelas piores apresentações do tricolor no campeonato. Omisso, passivo, incapaz, não implantou qualquer estratégia eficiente para vencer fortes marcações, insistiu numa única jogada ofensiva – bolas alçadas ao Fred – engessando a equipe, improvisou demais, treinou de menos. Cristóvão, já havia dito isso antes, é um treinador de terceira linha e não está à altura do Fluminense. Surpreendeu em alguns momentos, mas a sua previsibilidade e a ausência de alternativas deu aos treinadores adversários munição suficiente para impedir que o Tricolor pudesse ser regular no campeonato.

Conca, no seu esquema, é sacrificado. Diversas vezes é visto marcando nas laterais e na defesa em detrimento de sua função principal, que é a criação no meio de campo. Sóbis, idem. Hoje, por exemplo, até de volante jogou, como fizera contra a Chapecoense após a entrada de Walter em campo. Fred, isolado, não produz como deveria. Fez um golaço, mas quantas jogadas ofensivas foram desperdiçadas na sua busca incessante durante o jogo?

O tricolor respira com a ajuda de aparelhos, quando poderia, há algum tempo, ter deixado o Hospital. Padece em virtude de seus próprios erros, de um planejamento equivocado e escolhas mal feitas.

Se a torcida espera um 2015 melhor, é crucial que a diretoria já esteja se planejando quanto aos reforços, as dispensas - que devem ser muitas - e, principalmente, treinador. Cristóvão e a sua passividade, definitivamente, não combinam com um Fluminense vencedor.

Avante, Fluminense! ST


sábado, 15 de novembro de 2014

Obrigado, Edson

Sempre digo, antes das partidas contra o Botafogo, que para vencê-lo é preciso superá-lo em disposição. Com espantosa frequência a equipe alvinegra, mesmo quando em condições técnicas inferiores, se sobressai contra o Fluminense. Sempre enxerguei uma pitada de recalque nessa exagerada disposição, mas, seja como for, hoje o tricolor foi determinado em busca da vitória.

Foi um jogo muito disputado, com forte marcação de ambas as partes. Equilibraram-se em vontade, mas optaram por estratégias bem distintas. Enquanto o Fluminense procurou o jogo o tempo inteiro, apesar de abusar do jogo aéreo para um bem marcado Fred, o Botafogo explorava os erros do Flu e saía, por vezes, bem nos contra-ataques. Levou perigo em algumas oportunidades – na melhor chance, Carlos Alberto foi displicente e perdeu o gol na frente de Cavalieri, graças à providencial intervenção de Marlon – mas não o suficiente para merecer a vitória.

O Flu, por sua vez, mostrou-se mais uma vez engessado, sem opções de jogadas à tradicional bola lançada para Fred. Foram diversas e nenhuma deu resultado. Quando Cristóvão substituiu Sóbis por Walter, Dom Fredon, finalmente, ganhou um companheiro livre na área. Edson, que foi um gigante em campo, apareceu como elemento surpresa e aproveitou mais uma bola alçada para subir e cabecear sem chances para Jefferson.

Depois do gol, aconteceu o que eu esperava. O Botafogo se descontrolou, se abriu e o Flu foi soberano, administrando o jogo, principalmente com a habilidade de Walter, até o seu final.

Importantíssima vitória, não apenas em razão da luta pela vaga na Libertadores, mas também porque se impôs ao Botafogo, um adversário que estava engasgado desde 2012.

Por fim, não vou espezinhar o Botafogo. Seria muita crueldade com um time que joga sem salário há meses. Cairão para a segunda divisão, mas sob o meu silêncio.

A luta continua.


Avante, Fluminense! ST

Foto: Lancenet

sábado, 8 de novembro de 2014

FLU NÃO REPETE BOAS ATUAÇÕES E É DERROTADO EM CURITIBA

Carlinhos já deveria ter se despedido do Fluminense. Pena que os seus bons momentos serão ofuscados pelo que tem feito. Displicente, desanimado, mostrou que vai embora sem deixar saudades.

A derrota foi justa porque o Fluminense foi praticamente nulo pelas laterais e sem criatividade no meio de campo, em que pese a fraquíssima arbitragem do senhor apitador.

O Coritiba dominou inteiramente o jogo até os dezenove minutos da primeira etapa. Com Walter – lento em campo encharcado – e Fred na frente, o Flu perdia o meio de campo e era frágil na marcação da saída de bola adversária. Além disso, Elivélton – que depois se soube estar com dores no pubis – estava em noite infeliz, errando praticamente tudo o que tentava. Cristóvão percebeu o equívoco na escalação inicial e corrigiu sua estratégia ao substituir Walter por Cícero.

A mudança surtiu logo efeito, uma vez que o Tricolor equilibrou a posse de bola e o jogo; e ainda teve duas perigosas situações de gol a seu favor, em bons chutes de Wagner e Carlinhos. Elivélton deixou o campo machucado, já no final do primeiro tempo e Fabrício ocupou seu lugar. Depois de um bom tempo sem ameaçar, o Coxa aproveitou uma subida de Carlinhos e, sem a cobertura correta, avançou pela direita com facilidade. Joel recebeu pelo meio, pressionado por Mattis, e, mesmo assim, conseguiu fazer o gol.

Um a zero para o Coritiba, aos 46min do primeiro tempo; péssimo momento para sofrer o tento, principalmente porque Fred, momentos antes, preferiu lamentar a acertada opção de Carlinhos ao lançar uma bola para Wagner e não para ele, e, desatento ao jogo, não percebeu que bola que imaginara ter ido pela linha de fundo, foi salva por Conca e direcionada a ele. Longe da partida, demorou para perceber e desperdiçou o que poderia ter sido o gol tricolor.

No segundo tempo o jogo foi equilibrado por baixo. O Coritiba se acertou defensivamente, recuando seu time e segurando seus laterais. O Flu não encontrou mais espaços e, sem criatividade, ficou refém de bolas longas, uma vez que Bruno e, principalmente, Carlinhos, pelas laterais, estavam abaixo da crítica.

Fred, quando refém dessas bolas lançadas de longa distância, não funciona. Diguinho errou demais e está, tecnicamente, abaixo de Valência. Kennedy entrou com disposição e procurou fazer o que Carlinhos não fez durante toda a partida, exceto pela passe para Wagner ainda no primeiro tempo. Mattis foi inseguro em alguns momentos e Fabrício entrou bem.

O Fluminense não mereceu melhor sorte. Jogou mal. O campo prejudicou e o time não ajudou. Cristóvão, prejudicado pelas substituições precoces, não pode fazer muito para mudar o panorama da partida.

Destaque negativo para o árbitro que encheu o time tricolor de cartões amarelos e foi condescendente com a equipe coxa branca, principalmente com a entrada criminosa em Bruno que deve ter lhe ocasionado grave lesão. Lance para cartão vermelho omitido pela fraco apitador.

Agora, com dois jogos em casa, é vencer ou vencer!

Avante, Fluminense! ST


sábado, 1 de novembro de 2014

VITÓRIA DE QUEM QUER MAIS

Quando o Fluminense vence um jogo complicado como o de hoje, jogando com autoridade no campo do adversário, fica difícil de acreditar  que esse mesmo time realizou partidas melancólicas e vexaminosas contra times tecnicamente inferiores ao Goiás. Mas o momento é de vitórias consecutivas, de uma nova fase, e o passado, por ora, deve ser deixado em seu devido lugar.

A esplêndida vitória Tricolor deixou na torcida o sentimento de que a vaga na Libertadores é um objetivo possível, e que não fosse por tropeços impensáveis, estaríamos disputando o título. Mas como eu disse, que o passado seja apenas passado, pois é hora de celebrar este momento mágico e torcer para que ele se perpetue até o fim do campeonato.

Foi uma partida difícil.

O Fluminense começou o jogo com uma forte marcação, impedindo que o Goiás tomasse a iniciativa da partida. Conca e Chiquinho, pela esquerda, tramavam boas jogadas. Apesar de ameçar pouco, o Tricolor se impunha e mantinha a sua defesa segura, exceto por um erro de posicionamento em que Chiquinho deu condições  a três esmeraldinos, oportunidade em que Cavalieri fechou o canto e impediu o gol do Goiás.

Numa boa trama pela direita Fred fez o gol tricolor e o seu centésimo nos campeonatos brasileiros de pontos corridos, marca histórica para o artilheiro. Após o gol, porém, a equipe recuou a marcação e passou sofrer maior pressão adversária, que teve pelo menos três ótimas oportunidades para marcar aproveitando-se de erros de posicionamento de uma defesa que joga, perigosamente, em linha. Em duas delas Cavalieri foi o Cavalieri dos bons tempos e n’outra Guilherme Mattis salvou milagrosamente o gol de empate esmeraldino.

Logo no início do segundo tempo Cristóvão substituiu Walter por Sóbis. E fez bem. O Gordinho pareceu acomodado em campo, tendo prometido, inclusive, não comemorar gol, se o fizesse, em consideração ao seu ex-clube. Na segunda parte o Flu foi um time mais compacto, sofreu menos pressão e administrava bem a vitória parcial até o momento em que Conca, o nome do jogo, iniciasse uma jogada de contra-ataque que ele mesmo concluiu para o gol aos 44 minutos. Quando o gol da vitória não sai nos acréscimos, o alívio vem na parte final da partida para amainar as tensões dos sofridos tricolores.

A lamentar, apenas, as ausências de Chiquinho e Edson na próxima partida contra o Coritiba.

E foi uma vitória retumbante, de um time que se comprometeu a conquistar seu objetivo, e que, após a quarta vitória consecutiva,  vai em busca dele com todas as suas forças. Um time que teve a cara do Chiquinho, que apesar de limitado tecnicamente, é voluntarioso ao extremo, tendo desabado em campo, arfante, após o apito final, momento em que demonstrou toda a sua dedicação dentro de campo. Não é de hoje que Chiquinho tem sido decisivo com seus cruzamentos para os gols do Tricolor, e hoje não foi diferente.

Parabéns, Fluminense. Parabéns, Cristóvão, que hoje substituiu corretamente e armou a equipe com inteligência, impedindo uma pressão incontrolável do Goiás e tornando o Flu uma equipe compacta e equilibrada durante quase todo o jogo, contra um adversário sempre difícil em seus domínios. E ainda houve tempo para um “olé” inteligente, no campo adversário, afastando de vez qualquer surpresa desagradável nos acréscimos da partida.

Quando o Flu vence o Goiás no Serra Dourada é sinal de que boas coisas acontecem.


Avante, Fluminense! ST

Foto: Lancenet

sábado, 25 de outubro de 2014

G A R B O

A vitória de hoje sobre o Atlético PR mostrou ao torcedor tricolor duas coisas: a primeira é que a equipe está – novamente – unida, comprometida com o objetivo que é o da conquista da vaga para a Libertadores; a segunda foi ter deixado num canto escuro da memória os piores momentos do Flu no ano. Apesar de não ter sido brilhante, longe disso, o Tricolor venceu com a autoridade de quem quer mais, de quem se imbuiu de gana na busca por seu objetivo e, principalmente, fez renascer no âmago da torcida um sentimento adormecido de emoção proporcionado pelo gol da virada e da vitória já nos acréscimos de uma partida difícil.

Cristóvão não inventou. Agiu de acordo com o adágio que prega que em time que está ganhando não se mexe e foi a campo com Jean pela direita e Chiquinho pela esquerda. Exceto pelo retorno de Fred no comando do ataque, o time foi o mesmo que venceu o Santos durante a semana. E o Flu foi bem superior no primeiro tempo. Impôs a sua condição de dono da casa e tomou a iniciativa da partida. Quase marcou o seu gol em pelo menos cinco oportunidades, duas com Fred, uma com Guilherme, outra com Edson e a última com Conca. Defensivamente, porém, o Tricolor dava espaços pelo seu lado esquerdo, pois Chiquinho avançava sem proteção e por ali o clube do Paraná encontrava suas melhores oportunidades, sendo certo que, em pelo menos duas delas, Cavalieri fez defesas espetaculares.

E se Cristóvão acertou ao escalar Chiquinho, também agiu corretamente ao substitui-lo por Carlinhos. Os espaços pelo lado esquerdo diminuíram e, aí está o dedo do treinador, foi de seu primeiro cruzamento, realizado com perfeição na cabeça de Wagner, que saiu o primeiro gol tricolor, logo no início da segunda etapa. O placar, porém, não fez bem ao Flu. Recuou em demasia, permitindo ao Atlético PR chegar com perigo por diversas vezes. E o time ficou ainda mais vulnerável após a saída de Valência.

Guilherme Mattis e Elivélton, este último entrou no lugar de Marlon, contundido ainda no primeiro tempo, tiveram trabalho e Mattis, que ainda não me pareceu à vontade na posição, por vezes mostrando insegurança, falhou ao dominar uma bola próximo à área gerando pânico no torcedor.

Dom Fredon, percebendo o recuo excessivo da equipe, alertou, aos brados, que se o time continuasse atrás sofreria o gol. E sofreu. De cabeça, numa falha de marcação defensiva, já 45 minutos do segundo tempo.

Logo em seguida, contudo, Dom Fredon recebe na área entre os zagueiros, domina e arremata como gosta. Gol do Flu! Gol da vitória aos 47 do segundo tempo! Gol que libertou o grito de esperança dos pulmões de todos os tricolores.

Vitória daquelas que podem ser consideradas “santas” para embalar de vez o Fluminense no caminho do G4. Vitória do coração, da emoção e da paixão. Vitória do empenho e da dedicação de um grupo que foi guerreiro e cujo representante máximo da sua vontade, no dia de hoje, foi Wagner. Merecidamente aplaudido e aclamado pela torcida, Wagner foi exatamente aquilo que se espera de todos os jogadores do Fluminense: jogou com raça, marcou gol, correu por todo o campo, ajudou no ataque, no meio e na defesa com extrema dedicação. E se Wagner foi, muitas vezes criticado, hoje deve ser reverenciado pela partida que fez, impecável, briosa, apaixonada.

E os elogios devem ser estendidos a Dom Fredom, que mais uma vez decidiu para o Flu. E foi mais líder do que nunca dentro de campo.

E que esse espírito vitorioso, esse garbo, essa vontade de vencer estejam sobre nossos jogadores daqui até o fim do campeonato.


Avante, Fluminense!

Foto: Lancenet

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A 3 Pontos do G4

O Fluminense conseguiu deter o veloz Santos e está a 3 pontos do G4. Méritos, desta vez, para o criticado Cristóvão e para uma equipe que, antes de tudo, demonstrou vontade de vencer.

O Santos, apesar de ter menos a posse da bola, foi melhor no primeiro tempo. Aproveitou a defesa alinhada Tricolor e criou três ótimas oportunidades para marcar, além de uma falta muito bem defendida por Cavalieri. O time da Baixada Santista foi mais incisivo, porque, rápido nos contra-ataques, ou aproveitando erros de saída de bola do Flu, chegou sempre com mais perigo ao ataque. Mas isso não quer dizer que o Fluminense tenha jogado um mau primeiro tempo, apenas não foi perigoso como o Santos, mas teve o mérito de manter a posse de bola no ataque e não deixar em momento algum o Santos aproveitar-se da vantagem de jogar em casa. Criou boas jogadas tanto pela esquerda, com Wagner, Walter, Conca e Chiquinho, como pela direita, aproveitando algumas subidas de Jean, contudo finalizou pouco, e quando finalizou foram tiros sem direção praticados de fora da área.

O Tricolor voltou melhor para o segundo tempo. Cristóvão corrigiu o posicionamento defensivo da equipe e o Flu passou a fazer o que o Santos fez na primeira etapa, além de manter a posse de bola no setor ofensivo. Valência, que errou no primeiro minuto de jogo, foi muito eficiente na marcação, auxiliado por Edson. Os dois deram uma segurança defensiva ao Flu que há algum tempo não se via. Wagner e Walter foram melhores no primeito tempo que no segundo. Conca dedicou-se também à marcação, contribuindo para que o Flu fosse um time solidário em campo.

Solidariedade não faltou, nem vontade. E os símbolos dessa gana foram dois jogadores que raramente são destaques: Chiquinho e Edson. O primeiro, dedicado ao extremo; o segundo, incansável na marcação, e, nas horas extras, goleador. E assim, quando tudo se encaminhava para mais um empate, não daqueles insossos, mas um empate, aos 45 minutos do segundo tempo, Chiquinho faz excelente cruzamento para a área, Edson, como um foguete, surge entre os zagueiros e se apresenta livre para marcar o gol da merecida vitória tricolor.

Vitória importante pelos três pontos e pela dedicação mostrada pelo time. Quando questionamentos chegavam às portas das Laranjeiras sobre o ânimo dessa equipe, a apresentação de hoje resolve as dúvidas que muitos de nós tínhamos acerca do que pretende o Flu no campeonato. Se em algum momento faltou vontade, esse momento parece que ficou para trás. É o que se espera, porque é assim, independentemente do resultado, que a torcida quer ver o Fluminense jogar.

Sonhar, agora mais do que nunca, não custa nada e também não custa nada, torcida tricolor, mostrar novamente a sua força no sábado contra o Atlético PR. Jogo para casa cheia e para mais uma vitória tricolor.


Avante, Fluminense! ST 

Foto Lancenet

sábado, 18 de outubro de 2014

Missão Cumprida

Hoje o Fluminense afastou, ao menos provisoriamente, a pecha de que é o time que perde pontos para aqueles das últimas posições da tabela. Perdeu pontos, por exemplo, para Vitória, Bahia, Botafogo, Coritiba e para o próprio Criciúma no turno inicial.

Apesar de um primeiro tempo claudicante e da nítida impressão de que a sina continuaria - o Criciúma teve um gol mal anulado e fez outro já na parte derradeira da etapa - o Tricolor teve forças para marcar um importante gol de empate logo em seguida, nos acréscimos, e voltar do intervalo renovado em busca da vitória.

Um parêntese: no gol do Criciúma havia três jogadores catarinenses livres de marcação. O zagueiro deles subiu e marcou o tento. Logo em seguida, Walter cruzou, o goleiro adversário ainda resvalou na bola que sobrou livre para Wagner empurrar para o fundo das redes. Esse gol foi importantíssimo para a virada tricolor no segundo tempo.

E o Fluminense voltou mais disposto, encurralando o Criciúma, com Walter e Wagner bastante participativos. E foi Walter, mesmo um peso pesado dentro de campo, que pôs toda a sua qualidade e visão de jogo a serviço do Flu para participar de mais dois gols do Tricolor. No segundo gol, recebeu ótimo passe de Guilherme Mattis, escorou com perfeição para Fred, que deixou para Wagner fuzilar a rede adversária. No terceiro, bateu com a habitual categoria, o goleiro não segurou e Conca completou para meta catarinense.

Com três a um no placar, eu, que assistia ao jogo pela TV, ouvi, de forma bastante nítida, Cristóvão se esgoelando para o time “segurar” e “tocar a bola”. A estratégia de Cristóvão deu certo – para o Criciúma. A equipe sulista foi para cima e conseguiu diminuir o marcador. Assustado, Cristóvão mexeu na equipe pela segunda vez (antes havia tirado Wagner e colocado Carlinhos), substituindo Chiquinho, que havia sido deslocado para o meio, por Rafinha.

O Flu saiu do sufoco e marcou o gol derradeiro, através de pênalti sofrido e muito bem cobrado por Fred.

Foi uma apresentação pela metade. Um bom segundo tempo que saneou os erros cometidos no primeiro.

O zagueiro estreante me pareceu desentrosado, ainda sem ritmo de jogo, preocupado em não errar. E não comprometeu. E ainda deu belo passe para Walter na jogada do segundo gol tricolor.

E Walter deve ter lugar na equipe. Sua qualidade compensa sua falta de velocidade, e, nesse quesito, sobra dentro do grupo.

Wagner fez dois gols, Conca fez um e Walter participou dos três, o que valeu a sua escalação e mostrou que Cristóvão, querendo ou não, acertou ao optar pelo “gorducho”.

O mais importante, agora, é buscar a tão almejada sequência de vitórias, o que não seria uma tarefa complicada - os próximos compromissos são contra o Santos, fora e Atlético PR, em casa – se não fosse a imprevisibilidade que insiste em acompanhar os passos do Fluminense neste campeonato. A dificuldade, assim, decorre menos da qualidade dos adversários do que da própria inconstância tricolor.

De qualquer forma só resta ao torcedor torcer. Torcer e sonhar.

Avante, Fluminense! St

Foto: Lancenet

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Previsível, Inepto, Sonolento...


Se Cristóvão é um estudioso do futebol, deve estar até agora estudando uma forma de o Fluminense vencer o Atlético. Somente tamanha lerdeza de pensamento e atitude, e alguma dose de incompetência, podem justificar o fato de o nosso treinador, via de regra, não apresentar soluções para os dilemas que os adversários oferecem dentro de campo.
 
Daí, talvez, a inconstância da equipe, inclusive dentro da partida. Quando começa mal o jogo, dificilmente Cristóvão encontra uma forma de alterar o panorama da partida. Quando começa bem, como hoje, em que fez um primeiro tempo melhor do que o do galo, parece “travar” quando o treinador adversário acerta a sua equipe.  

Foi o que eu vi no empate contra o Atlético. 

Depois de um primeiro tempo que não foi espetacular, mas foi promissor na medida em que duas boas testadas, uma de Fred, outra de Cícero na trave, fizeram o torcedor acreditar que na segunda etapa o Flu voltaria avassalador, a frustração foi absoluta com o desenrolar do segundo tempo de jogo. 

A proposta atleticana sempre foi clara: marcar forte, jogar recuado e sair rapidamente nos contra-ataques e no erro Tricolor. Critóvão sabia disso, mas não conseguiu dar ao Flu opções ofensivas quando o Atlético acertou a marcação e bloqueou nossos ataques. Sem alternativas, o que se viu foi um festival de bolas laterais e a velha jogada “letal” de atirá-la de qualquer forma em direção ao Fred. Nada mais inócuo. 

Atônito à beira do campo, Cristóvão deveria estar pensando: “O que eu faço agora? Tiro o Conca de novo? E o Fred? Não, se eu fizer isso a torcida me crucifica...”. Primeiro fez o óbvio ao tirar Fernando, mal em campo, e por Chiquinho, nada que significasse uma alternativa ofensiva ou uma surpresa ao adversário. E, por mais de trinta minutos, Cristóvão elucubrou sobre como modificar aquela situação adversa. Aí, sacou Edson e pôs Kennedy que, na primeira boa jogada de que participou recebeu livre, poderia ter concluído em gol, mas preferiu servir Fred. Kennedy é um garoto que, à sombra de Fred, dificilmente terá ousadia para tentar algo diferente do que servi-lo. Se já é assim com a maioria dos jogadores, com o garoto da base tricolor isso é muito mais visível. 

De qualquer forma, Kennedy foi uma opção, a destempo, mas uma opção. 

Cristõvão, mesmo diante de uma equipe que jogava integralmente recuada, manteve seu esquema inepto por mais de setenta e cinco minutos e, quando, enfim se decidiu, já era tarde demais.  

Durante a semana, e até antes dela, nosso treinador repetia o fato de que o Fluminense vinha empatando demais e era preciso engrenar uma sequência de vitórias. Seu desejo, porém, não encontra qualquer respaldo nas suas atitudes dentro de campo: ora peca por omissão, ora peca por ação, mas tem pecado sempre. 

Cristóvão, o ex-São Cristóvão, tem se tornado um pecador contumaz. 

Até quando? Parece que hoje a paciência da torcida chegou ao limite. Na verdade, esse limite já foi atingido anteriormente, mas a torcida, ainda fiel à esperança de dias melhores, tem sido tolerante com o treinador tricolor. Hoje, no entanto, diante de um adversário direto, numa partida que valia “6” pontos, a cota de equívocos transbordou, e Cristóvão ouviu poucas e boas. E com razão.

O Fluminense patina há várias rodadas, faz que vai e não vai, e a sonhada vaga na Libertadores, prêmio de consolação para uma equipe que, vergonhosamente, foi eliminada da Copa do Brasil e da Sulamericana, está a cada dia está mais distante.
 
E se ela não for alcançada – e parece que não será – parte dessa culpa será de Cristóvão. A outra parte, já disse amiúde, se deve ao mau planejamento, a uma administração pusilânime e ao descompromisso de alguns jogadores que, durante a temporada, estiveram mais preocupados com questões financeiras do que com o exercício de suas funções dentro do gramado. 

Mas hoje, e também contra o Bahia, e em algumas outras oportunidades, foi a vez de Cristóvão demonstrar toda a sua fragilidade, fragilidade que não combina com a grandeza do Fluminense.
 
Avante, Fluminense! ST
 
 

sábado, 4 de outubro de 2014

Responsabilidades que Precisam ser Divididas


O Fluminense parece aquele carro possante, com mais de 200 cavalos de potência, mas que não pode desenvolver toda a sua potência e atingir a velocidade que dele se espera, porque está amarrado a diversos pilares por inquebrantáveis grilhões. Num desses pilares estão depositadas a incompetência e a inabilidade de alguns de seus jogadores; n’outro, a desídia, a preguiça e o descompromisso e o último representa o seu próprio treinador.

Hoje, apesar da disposição demonstrada dentro de campo e do domínio das ações na maior parte do jogo, o Fluminense foi “seguro” por dois desses pilares: o primeiro consistente na quantidade inaceitável de gols perdidos; foram pelo menos três claríssimas (com Fred, Sóbis e Wagner) antes do gol de empate baiano. O segundo representado pela incompetência do treinador que, talvez insatisfeito com a vitória e com a superioridade tricolor dentro de campo, resolveu dar mais emoção à partida sacando Conca da equipe.

Foram esses os dois fatores preponderantes para que o Fluminense abdicasse de uma vitória praticamente certa e que garantiria um passo importante rumo a uma vaga no G4.

Conca, mesmo nos seus piores dias, se não for por uma causa extrema e justificável, não pode ser substituído, nunca! Cristóvão cometeu um ato de heresia. Errou gravemente ao retirar a segunda cabeça pensante da equipe, a primeira havia sido Cícero, e deixando a equipe retraída, impotente e submetida ao Bahia, que até então pouco ameaçara.

E continuou ameaçando pouco. O problema é que encontraram um gol e aí ficou complicado demais buscar a vitória. Edson é bom jogador, mas não é Conca. Conca não tem substituto, é ele quem se mata dentro de campo, que acredita até o último minuto e a chance de reação estancou no momento em que ele não estava mais dentro de campo. Talvez até não houvesse tempo para uma reação, mas a sua ausência deu mais confiança ao Bahia que, a partir de sua saída, despreocupou-se mais com a marcação e partiu para cima do Flu, mesmo, como se disse, sem obter grandes chances.

Mas o erro crasso de Cristóvão foi mitigado pelos erros ofensivos do Flu. Fred e Sóbis perderam gols sem goleiro à frente. Wagner perdeu outro ao demorar a fazer um passe para Fred, livre, na cara do gol. Neste lance do Wagner, tive a impressão de que foi empurrado pelo marcador, o que o teria desequilibrado dentro da área. Mesmo a suposta irregularidade não afasta a absoluta “irresponsabilidade” dos atacantes do Flu em concluir em gol.

Outra vez ficou bastante claro que o Fluminense podia mais e alcançou menos. E talvez seja este o tom até o fim do campeonato, a de um time que podia muito e conquistou pouco, talvez nada. O medo não combina com o Tricolor e o pavor de Cristõvão diante da possibilidade de não conquistar os três pontos deu ao Bahia a chance que esperava para marcar seu gol e segurar o empate até o final.

Vale lembrar, até para que Cristóvão não seja crucificado sozinho pelo equívoco que cometeu, que a responsabilidade pela perda de dois pontos importantíssimas deve ser repartida com quem teve a chance de fazer gols e não fez.

O Fluminense, para alçar voos mais altos, precisa se libertar dos grilhões que o amarram. De dentro ou de fora de campo, é preciso ter força para rompê-los, sob pena de Clube e torcida amargarem outra dolorosa decepção.

Avante, Fluminense! St
 

Fluminense e Bahia, Vencer é Preciso

Tarefa complexa é fazer qualquer prognóstico sobre como o Fluminense atuará diante de seu próximo adversário, seja ele das piores equipes do campeonato ou do topo da tabela. E, assim, fica difícil tentar criar um panorama para o jogo de logo mais diante do Bahia, em Brasília/DF.
 
Uma coisa, porém, é certa: não será uma partida fácil. Menos pela qualidade do adversário, que ocupa a décima quarta posição na tabela, do que pela própria inconstância do Tricolor, capaz de realizar partidas memoráveis e outras vexatórias dentro da competição, alternando bons e maus momento, às vezes, dentro da própria partida. Em questão de minutos, o Fluminense seguro pode transformar-se numa presa fácil até para o mais fraco dos adversários.
 
E é essa inconstância que precisa ser superada para que o objetivo da vaga na Libertadores seja alcançado.
 
O Fluminense precisa repetir boas atuações e, por via de consequência, acumular vitórias. A ótima apresentação diante do São Paulo, na rodada passada, e que empolgou a torcida tricolor, será facilmente esquecida se, hoje, diante do Bahia, o Flu novamente sucumbir ao mau futebol. Mais do que isso, uma derrota hoje apenas confirmará a hipótese de que o limite da equipe já foi alcançado e que nada mais se espera desse grupo do que a permanência na série A do Brasileirão.
 
Mas do Fluminense se espera sempre mais. Acomodar-se em confortável posição livre dos riscos do rebaixamento é para time pequeno. A enormidade do Tricolor não se coaduna com a mediocridade, pois dele se almeja sempre, no mínimo, a luta ferrenha pelos maiores objetivos da competição.
 
E é nesse sentido que a vitória hoje representará, além da garantia de que o Flu estará novamente engajado na luta por uma vaga na Libertadores, a derrota daquele Flu desidioso e inconstante e o retorno do equilíbrio necessário para que possa trilhar o melhor caminho até o seu objetivo final.
 
Avante, Fluminense! ST
 

sábado, 27 de setembro de 2014

A Torcida quer Bis!


Sinceramente, eu esperava menos do Flu. E tinha motivos para isso, uma vez que os últimos retrospectos não indicavam que o Tricolor tivesse mais energia para almejar algo no campeonato que não fosse a tranquilidade de uma zona intermediária, equidistante da zona do rebaixamento e do grupo daqueles que se classificam para a Libertadores.

Mas o Fluminense surpreende, para o bem ou para o mal; e hoje, depois de uma longa entressafra de boas apresentações, surpreendeu para o bem.

Depois de um primeiro tempo equilibrado e seguro, sem ser, contudo, perigoso ofensivamente, mas também sem permitir grandes oportunidades ao adversário – a mais perigosa decorreu de uma saída de bola equivocada que engrenou rápido contra-ataque são paulino contido por duas excelentes intervenções de Cavalieri – o Flu retornou para o segundo tempo disposto a ser diferente do que vinha sendo, no jogo e no campeonato.

A lesão de Bruno forçou a entrada de Edson que deu maior consistência ao meio de campo, evitando as perigosas trocas de passes do quarteto mágico paulista. Chiquinho, também lesionado, deixou o campo para a entrada de Carlinhos que, parece, entendeu que é empregado do Fluminense e deve cumprir sua obrigação dentro de campo da melhor forma possível. E esta é a melhor maneira de continuar no Flu, se esse for realmente o seu desejo.

E o Tricolor melhorou sensivelmente. A força no meio de campo, com Edson, tornou a chegada ao ataque mais efetiva e a defesa mais segura, tanto é que nem se percebeu o atabalhoado Elivélton protagonizar lances temerários. E não houve, porque com a defesa bem protegida, Elivélton e o bom Marlon puderam ter tranquilidade para bem defender.

Numa chegada rápida pelo lado direito de ataque, a bola foi cruzada na área e Dom Fredon esticou-se todo para tocar para o fundo das redes e marcar o primeiro gol do Fluminense. Placar merecido pelo bom segundo tempo tricolor. Logo em seguida, porém, o São Paulo avança pelo lado direito de seu ataque e Kardec, impedido, cruza para o centro da área para o seu atacante, livre, marcar o gol de empate.

Nesse momento, o mais importante foi que o Flu não se abateu. Manteve o futebol sério e solidário que vinha jogando até então, solidariedade explicitada pelo lance em que Fred saiu da área para fazer excelente passe para Wagner limpar o marcador e chutar sem chances para Ceni. Mesmo após o segundo gol, o Tricolor continuou mantendo a posse de bola e, de forma inteligente, segurando-a no ataque, sem sofrer grandes sustos.

Já no fim, a cereja no bolo; o gol da tranquilidade. Cícero, cercado por quatro adversários, fez jogada inteligente e sofreu falta na entrada da área. Conca, aquele que se entrega em campo do primeiro ao último minuto, cobrou com perfeição e finalizou o marcador.

Em pleno Morumbi, o único quarteto mágico que se viu foi o do Fluminense: Fred, Wagner, Conca e Cícero ofuscaram o similar paulista.

Três a um Fluminense, ou oito a três no agregado do ano. Placar que não deixa qualquer margem de dúvida sobre quem foi o melhor nos dois embates no campeonato. E vencer duas vezes o São Paulo é tão bom, quanto, ruim, é perder duas vezes para o Vitória. E é essa inconstância que, se for transformada em equilíbiro, pode reconduzir o Fluminense de volta a um caminho seguro rumo à classificação para a Libertadores de 2015, sua meta real.
 
A torcida, agora, quer bis!

Avante, Fluminense! ST
 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Ver e o Sentir

Eu vi um jogo em que o mandante, no primeiro tempo, esteve acuado, inteiramente submisso à intensa pressão do Grêmio durante quase todo o período. Apático, letárgico, irreconhecível, o Fluminense teve apenas uma boa chance de gol, que nasceu de um belo chute de Cícero, de fora da área. No mais, teve sorte por não ter sofrido um ou mais gols da equipe gaúcha. Carlinhos, nos seus piores dias, e Elivélton, temerário como sempre, foram os destaques negativos de uma equipe que também tinha alguns de seus bons valores bem aquém do que se esperava, como o próprio Cícero, Wagner e Sóbis.
 
Carlinhos, escancaradamente, demonstrava não estar nem um pouco satisfeito em vestir a camisa do Fluminense. Apesar de possuir contrato com o clube e receber elevado salário em dia, andava em campo, errava passes simples e corria para não chegar a lugar algum. Isso estava tão visível que Cristóvão mandou aquecer Chiquinho, por volta dos 25 minutos de jogo, talvez com a intenção de alertar o lateral esquerdo titular.
 
Apesar de ter aquecido desde o primeiro tempo, Cristóvão efetuou a substituição esperada no intervalo da partida, provavelmente para poupar Carlinhos das vaias da torcida. Agiu bem. O time, mais pela saída do lateral do que pela entrada de seu substituto, pareceu ganhar novo fôlego na segunda etapa. Veio mais disposto, marcando a saída de bola adversária e saindo em velocidade nos contra-ataques, principalmente puxados por Jean, seja pela direita, seja pelo meio, ou por Chiquinho, pela esquerda.
 
O jogo ficou aberto. O Flu perdeu boas chances com Fred e o Grêmio, então, passou a jogar como visitante, explorando os contra-ataques. Barcos perdeu ótimas chances, sendo uma desperdiçada no travessão, após bela cabeçada, e outra, em virtude de excelente defesa de Cavalieri. O Tricolor carioca, porém, não se intimidou. Cristóvão acertou novamente ao trocar Sóbis por Kennedy, que deu muito mais movimentação à frente, apesar de sua imaturidade. Num lance em que fez fila, desperdiçou ótima chance ao arriscar o chute pressionado, quando Fred, livre, esperava o passe para concluir para o gol com melhor ângulo.
 
Vi, portanto, um Flu muito melhor no segundo tempo do que no primeiro, mas com um zagueiro fraco, Elivélton, que não pode assumir a condição de titular do Fluminense e um lateral, Carlinhos, que, em virtude de problemas contratuais, está visivelmente desgostoso em vestir a camisa tricolor. Vi também um Fred participativo que, quando deixou a área, armou boas jogadas, porque além do faro de gol, tem qualidade no passe.
 
Apesar de o resultado ter sido ruim, o que tem sido uma constante ultimamente, foi justo e manteve o Flu ainda mais longe da sonhada vaga para a Libertadores.
 
O que eu senti, contudo, foi uma equipe sem ambição, que parece estar satisfeita se conseguir alcançar pontos suficientes para evitar qualquer risco de rebaixamento. Sentimento envolve outros valores, como a análise do contexto, a percepção e até mesmo intuição. E o que sinto, infelizmente, é que os desmandos da diretoria que repercurtem dentro do elenco, a carência de jogadores e a falta de vontade e de qualidade técnica de alguns deles são obstáculos para que o Fluminense almeje algo melhor este ano.
 
Apesar da possibilidade matemática de se conseguir a vaga no grupo dos quatro, o tricolor parece não ter forças para ir mais longe. Não se trata de fase ruim. Fases ruins todos têm. O Fluminense parece que atingiu seu limite e nada indica que esses jogadores estão motivados o suficiente, quando deveriam estar, para ir adiante. Ecos, talvez, de equívocos no planejamento, principalmente quando parte desse elenco deveria ter sido reciclado e o departamento de futebol deveria ter sido mais atuante e firme na imposição das determinações do Clube e não se submeter, como se submete, a interesses menores e grupelhos de jogadores insatisfeitos com pagamentos de premiações e outros problemas contratuais.
 
Avante, Fluminense! ST

domingo, 21 de setembro de 2014

Mais Distante do G4


Foi um jogo sem riscos, pelo menos riscos planejados, até porque de temerária já basta a zaga tricolor, suficiente, por si só, para deixar apavorado qualquer tricolor. Os dois times não ousaram, utilizaram a estratégia da cautela, por mais que o empate não fosse um bom resultado para ambos. O flamengo pretendeu jogar no erro Tricolor e fez isso com eficiência na primeira etapa. E o Flu não tinha muita estratégia, eram toques para o lado e para trás, pouquíssimo aproveitamento das laterais e algumas bolas alçadas à área.
 
E os excessivos erros de passes do time do Flu no primeiro tempo foram responsáveis pelas maiores chances ofensivas rubro-negras, dentre elas o gol, decorrente , também, de sucessivos equívocos do sistema defensivo: Henrique, Valência e, por fim, Elivélton.
 
O flamengo foi melhor no primeiro tempo, porque foi rápido e organizado. O Flu foi novamente um arremedo de time, porque foi lento e desorgnizado. Além da preguiça, os passes errados oriundos principalmente da dificuldade em encontrar um parceiro livre para receber a bola, deram origem às principais chances do adversário.

Ainda que mal, o Flu aproveitou bem uma falta cobrada por Conca que Fred, bem ao seu estilo, desviou para dentro empatando o jogo.

O Tricolor voltou para o segundo tempo mais arrumado e minimamente mais aplicado, o que foi suficiente para equilibrar as ações e tornar o Flu melhor que o fla nos minutos iniciais, momento em que Fred obrigou Paulo Vítor a realizar espetacular defesa. Houve mais uma boa chance perdida logo após e só. Pelo menos um alento: Cristóvão conseguiu, no intervalo, melhorar e não piorar o time.

Cristõvão, manietado pelas substituições que fez por conta das contusões (Henrique e Valência) pouco pôde fazer para mudar o panorama da partida, que se desenrolou, a partir dos quinze minutos da segunda etapa, como um jogo que agradava a ambas as equipes, afinal de contas, com o empate o fla se distanciava ainda mais da zona do rebaixamento e o Flu, em que pese o empate ter sido terrível para as pretensões de retorno ao G4, amainava um pouco o vexame de Salvador. Além disso, como um empate num clássico é sempre um resultado que pode ser considerado normal, a pressão sobre Cristóvão também dever arrefecer, pelo menos até a próxima partida.

Está claro que o Flu precisa de um homem de velocidade que faça a rápida ligação da defesa ao ataque. Isso é óbvio. Acontece, porém, que nos melhores dias de Cristóvão no Flu, essa carência era suprida por um toque de bola rápido e envolvente, e por uma marcação forte à saída de bola adversária. Havia um time compacto que, se não era rápido, era eficiente sem possuir um jogador com a característica da velocidade.

Então a ausência do “elo de ligação veloz” explica, mas não justifica os recentes malogros do Tricolor. A zaga, sim, essa justifica bem mais algumas derrotas. Elivélton é temerário, para dizer o menos. Henrique tem técnica, mas é lento e, ao que parece, tem jogado no sacrifício por conta de lesões que, oxalá, não sejam crônicas.

Conca, cujo sacrifício dentro de campo sempre é capaz de apagar seus erros, está mal. E não é de hoje. Tem feito muita falta a sua contribuição efetiva na criação, principalmente quando Cícero é posicionado, como hoje, mais à frente, quase como um segundo atacante. Wagner, embora cumpra função tática importante, nunca foi e nunca será o parceiro ideal do argentino na criação.

Fred tem se esforçado; isso é visível. Fez um gol e poderia ter feito outro. Seu mérito é estar buscando jogo a jogo voltar à forma física e técnica dos tempos da Copa das Confederações. Não sei se isso um dia será possível, mas é preciso dar-lhe um voto de confiança, crédito que ele merece.

O resultado acabou sendo justo, mas o Flu, se forçasse um pouco mais poderia ter saído com a vitória. De qualquer forma, a se lamentar apenas a terrível derrota para o lanterna da competição, não o empate de hoje, resultado normal para um clássico desse porte e suficiente para evitar mais uma crise, daquelas que têm assolado o Tricolor nos últimos tempos.

Avante, Fluminense! ST
 
Foto: Lancenet.
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

I N D I G N O S

Perder para o pior time do campeonato por duas vezes eu até admitiria, desde que com dignidade.
 
O que eu não admito é estar vencendo essa mesma equipe, com a partida sob controle, adversário pressionado pela torcida e pela posição na tabela e, simplesmente, por displicência, incompetência, seja lá o que for, dar-lhe de presente a vitória.
 
Foi isso o que o Fluminense fez: entregou três pontos ao Vitória.
 
Eu presenciei uma equipe entregue, moribunda, descompromissada e um treinador que não está à altura da gloriosa história tricolor, um treinador que, precisando vencer, reforça o sistema defensivo, que não sabe mudar o panorama de uma partida em andamento e que, como uma mentira, tem pernas curtas.
 
Cristóvão é um engodo. Enganou por algum tempo, não engana o tempo todo. 
Seu time é um bando onde cada um faz o que quer. Andarilhos, literalmente, sem destino, sem comando e sem vontade.
 
Vejo equipes menos qualificadas, como o próprio Vitória, correrem, darem a alma e algo mais em campo, vejo até jogadores de clubes falidos se desdobrarem para honrar as camisas que vestem, mas no Fluminense não vejo nada, nem vontade, nem desejo, nem gana, nada...
 
 Jogo sim, jogo não, tem sido deprimente assistir ao Fluminense; aliás, não foi a primeira e talvez não seja a ultima, até porque o ano ainda não terminou e desse bando não podemos esperar mais nada além de sucessivas desonras à camisa e à torcida tricolor.
 
São indignos que merecem muito mais do que moedas no lombo, merecem ser escorraçados do Fluminense. E que alguém tenha peito para isso, porque já basta de humilhação.
 
Eu quero um 2015 diferente. Não quero craques, só quero comprometimento, tudo o que faltou nesses dois últimos anos.
 
Avante, Fluminense! ST
 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sonho Possível


O Fluminense foi espetacular? Não, longe disso. Depois de três empates seguidos, porém, a vitória era quase uma imposição.

E ela veio contra um adversário fragilizado tanto na tabela quanto em campo, repleto de desfalques. Nada, porém, que diminua o mérito tricolor, que, como disse, se não foi brilhante, teve determinação e aproveitou bem as poucas oportunidades criadas na partida.

O Palmeiras lutou, dentro de suas limitações, vendeu cara a derrota.

E o Fluminense teve altos e baixos no jogo, como tem sido no próprio campeonato, mas teve a competência, aliada à sorte, de fazer o primeiro gol antes dos 10 minutos iniciais em jogada de Chiquinho, pelo lado esquerdo do ataque, para a conclusão de Fred, já caído. Depois veio o segundo de pênalti, bem cobrado por Fred, que, aos poucos, vem procurando ser o atacante de outrora, desfazendo a imagem negativa pós-Copa.
 
A vitória parcial relaxou o tricolor e trouxe o porco para cima.

Bem fechado, o time alviverde, forçava o Fluminense a tocar bolas laterais e para trás, tornando-o praticamente sem opções ofensivas.

No segundo tempo a partida tornou-se mais franca. O Flu recuou após a troca de Sóbis por Valência e o Palmeiras perdeu boas oportunidades para empatar, a primeira logo no ínicio da segunda etapa. Com a saída de Chiquinho, machucado, a torcida pôde observar o jovem Fernando, grata surpresa e revelação da base tricolor (mais uma), que jogou com desenvoltura pelo ado esquerdo do campo.

De tanto atacar, Fernando deixou alguns espaços atrás proporcionando ao Palmeiras certa facilidade à defesa tricolor (nada que uma boa cobertura não resolva). Neste ponto vale ressaltar que a zaga e os laterais eram reservas, Fernando, inclusive, o segundo reserva, circunstância que serve para amainar os erros defensivos do Flu.

Conca deu números finais ao jogo em cobrança de falta, bem ao estilo do que já havia feito anteriormente contra o Sport.

Vitória importantíssima, principalmente porque o Flu não jogou com o seu sistema defensivo titular, mas foi eficiente quando chamdo a decidir.

Fred, Conca, Marlon e Wagner foram os destaques de um time que mereceu a vitória porque jogou sério, com determinação e foi bem superior ao adversário. Fernando foi uma boa surpresa e Chiquinho, enquanto em campo, era uma boa opção ofensiva pela esquerda. Carlinhos que se cuide. Cavalieri, curado da gastroenterite, retornou bem à meta tricolor.

Para quem acha que vamos lutar apenas contra o rebaixamento a tarefa ficou mais fácil, pois faltam apenas 12 ou 13 pontos; para quem ainda acredita em vaga na Libertadores, ficou a esperança de que ela é um sonho palpável.

Avante, Fluminense! ST

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Uma Inconstância Constante


Com as ausências de Fred e Sóbis, e ainda de Walter, no banco, Cristóvão perdeu uma grande oportunidade de ressuscitar aquele esquema que deu certo e que foi abortado com o retorno de Fred após a Copa do Mundo, o 4-5-1.
 

Ou, talvez, Cristóvão não tenha querido trazê-lo novamente à baila pela simples razão de que seria mais uma vez desconsiderado, porque com a volta de Fred, titular absoluto, o esquema necessariamente deve ser outro, o da inconstância.

 
Digo isso porque seria simples, até para um leigo, posicionar o único atacante em campo na área, seu devido lugar. Kennedy é jovem, movimenta-se bem, e ainda ajudaria na marcação, algo que Sóbis, naquele esquecido 4-5-1, fazia bem.
 

Dessa forma, não perderia o talento de Cícero, cuja visão de jogo e habilidade poderiam ser fundamentais para tornar o time mais ofensivo e com mais alternativas de ataque. Um Cícero avançado que, juntamente com Conca, dividiria a tarefa de armar o Flu.
 

Mas Cristóvão optou por Cícero no ataque e Kennedy fora dele. E o Flu até foi melhor no primeiro tempo, superior, mas não supremo. Teve duas boas chances, uma com o próprio Cícero e outra com seu parceiro Conca, que lançou a bola no travessão adversário.

 
Mas se o ataque era uma inovação, a defesa era a desolação; principalmente em razão da insegurança visível de Elivélton. Mal na partida, foi facilmente driblado pelo atacante catarinense que chutou por baixo de suas pernas e também das pernas de Cavalieri, para marcar o gol do Figueira.
 

Uma vitória injusta até então.

 
No segundo tempo o Flu persistia melhor, sem muita objetividade, porém melhor. E ainda poderia correr riscos atrás, pois Elivélton, por pior que seja, atua como zagueiro, e, após sofrer uma pancada na cabeça, não retornou para a etapa complementar.
 

Cristóvão o substituiu por Biro Biro e deslocou Diguinho para a zaga. Para nossa sorte, o adversário não deu muita atenção ao fato de que o Tricolor jogava improvisado na defesa e pouco incomodou, principalmente depois que ficaram com déficit de um jogador em campo.
 

Aí foi ataque contra defesa, mas um ataque desordenado, insubsistente, viciado em lançamentos para a área, como se Fred lá estivesse à espera da bola. Foi assim, improdutividade pura, por cerca de dezoito minutos, até que Bruno resolveu equilibrar as coisas e também foi expulso.

 
A expulsão foi exagerada em razão da jogada, típica de cartão amarelo, mas foi justa na medida em que retirou de campo um jogador que pouco ou nenhum compromisso teve durante a partida. E o lance que ensejou o cartão vermelho diz tudo. Futebol é coisa séria, envolve dinheiro, emoção e paixão e Bruno quis apenas para si os holofotes ao tentar enfeitar uma jogada que parecia simples.
 

De qualquer forma, mesmo em quantidade igual, o Figueirense insistiu em manter-se defensivo demais e sofreu o justo gol de empate tricolor. Kennedy chutou de fora da área. Deu sorte, a bola desviou em alguém, subiu, foi no travessão e voltou na cabeça do “atacante” Cícero que marcou o gol da justiça e que dava a igualdade ao Fluminense.

 
Era jogo para três pontos, muito em função de o adversário estar repleto de desfalques e, porque, faltou ao Flu maior poder ofensivo e inteligência para vencer quando teve vantagem numérica dentro de campo.
 

De toda a sorte, para um olhar otimista como o meu, ficou a certeza de que o título que o tricolor almeja será no máximo uma vaga na Libertadores de 2015. Essa inconstância constante não o levará mais longe e, se a conquistarmos, o ano estará ganho.

 
Avante, Fluminense! ST
 
Foto: Lancenet