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segunda-feira, 2 de março de 2015

O impostor

(Publicado no site Panorama Tricolor em 01.03.2015)

O assunto pode parecer repetitivo, maçante, mas é necessário que seja rediscutido.

Em que pese a amiga e cronista aqui do Panorama Tricolor, Crys Bruno, com o brilhantismo que lhe é peculiar, ter traçado com absoluta propriedade o perfil do treinador Cristóvão Borges na sua crônica “O perdido e o passivo”, de 25 de fevereiro, não posso me abster de, também, tecer algumas considerações sobre o nosso comandante.

Cristóvão já deveria ter sido demitido após o fim da temporada de 2014. Manteve-se no cargo após, inicialmente, ter dobrado a sua pedida salarial – de duzentos para quatrocentos mil reais mensais – e, posteriormente, ter recuado, ante a perspectiva negativa de dificuldades financeiras que se avizinhava com a notícia do rompimento unilateral do então patrocinador-master do Fluminense, a Unimed.

Talvez as novas diretrizes impostas pela necessária redução das despesas tenha dado à torcida tricolor alguma tolerância em relação à sua permanência para 2015, uma vez que, pelo menos, era um nome que já conhecia o grupo e poderia começar um trabalho desde o início da pré-temporada, circunstância que lhe daria a oportunidade de escolher nomes para compor o elenco e interagir com o grupo desde a sua formação. Além disso, aceitara manter seu salário, enquadrando-se na nova política de gastos do Fluminense.

Confesso que, diante daquele quadro sombrio, eu mesmo entendi que Cristóvão era a opção mais viável para comandar o Fluminense. Fiz vista grossa ao seu passado recente como treinador do Flu, aos vexames monumentais a que fomos submetidos na temporada passada, e aceitei passivamente a sua escolha, dando-lhe novo crédito de confiança.

O início desta temporada, porém, indicia que as suas crônicas deficiências persistirão. Embora tenha tido tempo suficiente para treinar e avaliar os recém-chegados e a vantagem de já conhecer a espinha dorsal da equipe, Cristóvão ainda não conseguiu dar ao time um padrão tático. Algumas vitórias sobre adversários fraquíssimos encobriram a sua debilidade profissional, descortinada por ocasião das duas últimas partidas, quando enfrentou a melhor equipe dentre as consideradas de menor investimento e o primeiro clássico, sucumbindo em ambas as oportunidades com um futebol abaixo da crítica.

Cristóvão é treinador de uma nota só, criador de uma estratégia defasada e previsível – bolas ao Fred -, que não foi capaz de se reinventar, de recursos escassos e que raramente consegue desconstruir a estratégia de um adversário que possua um sistema defensivo sólido ou, mesmo, alterar um panorama adverso dentro de uma partida.

O Fluminense não precisa de mais um enganador, precisa de um profissional que explore o potencial de uma equipe tecnicamente qualificada – mesmo após a saída de importantes jogadores - que não produz como poderia e deveria e que esteja à altura da sua grandeza. E esse é um problema de quem decidiu trazê-lo e mantê-lo ao privilegiar a política do “bom, bonito e barato”, política que, ao menos quanto à escolha do comandante, se mostrou equivocada e incompatível com a história grandiosa do Clube.

Aí está a chamada economia porca. Esforços foram envidados para que jogadores como Cavalieri, Gum Jean, Fred e Wagner renovassem seus contratos, mas o principal, por onde tudo começa, foi esquecido. A garantia de um Fluminense minimamente competitivo em 2015 passará, necessariamente, pela escolha de um novo treinador, qualificado o suficiente para dar ao tricolor um rumo diferente deste que vem tomando.

Neste ponto, não se prega qualquer loucura, afinal de contas, no fantasioso e inflacionado mercado do futebol, nem sempre o mais caro é o melhor. Mas, quando um Doriva, com todo o respeito ao Doriva, consegue dar a um time medíocre como o do Vasco, uma organização tática e uma disposição que não se viu nos comandados de Cristóvão, é possível acreditar que bons treinadores – e nem tão caros assim – estejam em algum lugar deste imenso país à espera de uma oportunidade para mostrar o seu valor num clube como o Fluminense.

Um bom técnico é investimento, não é despesa. Um profissional arguto, experiente, estrategista poderá aproveitar melhor o potencial de que dispomos e dar à equipe um sentido coletivo de organização dentro de campo, algo que não se vê há longo tempo.

Enquanto insistirem com Cristóvão, qualquer avaliação que se faça sobre os novos jogadores contratados poderá ser precoce e precipitada. Em boas mãos, alguns desses que hoje são questionados, podem se revelar muito mais úteis à equipe. E aí está uma das principais diferenças entre um treinador de verdade e um impostor.

Faço coro, portanto, à sua demissão como forma de dar ao Fluminense, no mínimo, esperança de uma temporada competitiva. A sua permanência nos relegará a um patamar inferior, distante daquilo que deve pretender um clube vitorioso em qualquer competição que dispute. Por outro lado, não creio que o recrudescimento do nome de Abelão, abertamente veiculado nas redes sociais após a derrota para o Vasco, seja a solução ideal. Seu estilo “paizão” e protecionista não se coaduna com a formação de uma nova equipe, em que somente ascendam à titularidade aqueles que tiverem mérito para tanto.


Imagino sangue novo. Alguém que possa dar ao Flu uma cara diferente daquela que se viu nos últimos anos. Por isso, é bom que já se pense num substituto, uma vez que este combalido campeonato carioca, se não predestina ninguém ao sucesso no restante da temporada, ante a notória fragilidade dos adversários, serve, contudo, para mostrar deficiências explícitas que, não corrigidas, poderão acarretar ônus elevados futuramente.

sábado, 11 de outubro de 2014

Antes que Seja Tarde Demais


Cristóvão Borges parece conformado com a sua incapacidade de fazer o time do Fluminense produzir mais. Já anunciou algumas vezes que a equipe tem empatado demais e que é preciso uma sequência de vitórias; seus apelos, no entanto, desacompanhados de medidas efetivas que produzam o resultado almejado, têm sido inócuos.
 
Suas últimas entrevistas demonstram que atingiu seu limite técnico e motivacional. Cristóvão não sabe mais o que fazer para o Flu voltar a vencer com regularidade, circunstância necessária para alcançar uma vaga no grupo daqueles que se classificam à Libertadores da América. Sua expressão combalida e sua postura de inválido esmorecido refletem as últimas atuações do Tricolor, sem contar, é claro, a exuberante vitória sobre o São Paulo, que parece ter sido a exceção a confirmar a regra de que toda regra tem exceção. 

A torcida já percebeu que Cristóvão é treinador de uma nota apenas, que inventa, mas não reinventa, de recursos restritos e que raramente consegue desconstruir um adversário que possua um sistema defensivo sólido ou alterar um panorama adverso dentro de uma partida. E Cristóvão também já percebeu que a torcida descobriu o quanto é frágil e o quão distante está de ser um treinador à altura da grandeza do Fluminense. 

Essa situação visivelmente o incomoda, mas ainda não foi suficiente para repetir o gesto de demissão voluntária praticado no Vasco em 10 de setembro de 2012. Naquela oportunidade, após uma acachapante derrota para o Bahia em São Januário, e com apenas uma vitória em oito partidas disputadas, Cristóvão deixou o comando técnico do clube cruzmaltino. Reproduzo abaixo excerto da reportagem publicada no site globoesporte.com de 12/09/2012 a fim de que se perceba a similitude entre as duas situações:
 

Pressionado pela torcida frequentemente - e ainda mais por causa dos últimos resultados -, Cristóvão deixa o clube pouco depois de completar um ano no cargo. Assumiu o comando da equipe em 28 de agosto de 2011, quando Ricardo Gomes sofreu um AVC durante o clássico contra o Flamengo. Desde então, saltou do posto de auxiliar para o de técnico titular. De acordo com o técnico, a possibilidade já vinha sendo amadurecida em outros momentos, mas foi decidida a partir da noite de domingo. Nos últimos oito jogos, o time conquistou apenas uma vitória. Ele revelou que chegou a telefonar para Gomes, que não aprovou a atitude, assim como sua família. Mas foi irredutível em sua posição. (globoesporte.com -10.09.2012).

 
Com duas vitórias na dez últimas rodadas e com um time melhor do que aquele que comandava no Vasco, a condição de Cristõvão hoje é pior do que aquela que o levou a pedir para sair em 2012. Pressão da torcida já existe, maus resultados também e se Cristóvão está esperando apenas uma derrota acachapante dentro de casa (como aconteceu em São Januário) para pedir as contas, é melhor que poupe a torcida de um novo vexame – pois de vexames a torcida está saturada - e saia já. Se não tiver coragem para isso, como teve outrora, que a alta Administração tricolor entenda que o melhor caminho para que o Flu volte a progredir no campeonato é a sua demissão.
A torcida não precisa de mais um enganador, a torcida precisa de alguém que explore o potencial de uma equipe tecnicamente qualificada que não produz como poderia e deveria e que esteja à altura do Fluminense. E esse é um problema de quem decidiu trazê-lo ao privilegiar a política do “bom, bonito e barato”, política que, ao menos quanto à escolha do comandante, se mostrou equivocada e incompatível com a história grandiosa do Fluminense. 

Um bom treinador faz a diferença e é por ele que se deve começar o planejamento para 2015, porque retardar a demissão de Cristóvão inevitavelmente causará dois sérios problemas ao clube: o primeiro é a perda da vaga na Libertadores; o segundo, o atraso no planejamento para a próxima temporada, que deve se iniciar desde já, de preferência sob a orientação do novo comando técnico da equipe.

A sinalização da renovação do contrato com a Unimed, mesmo que em patamares menores, dá lastro suficiente para que a contratação de um bom treinador seja prioridade, até porque alguns contratos não serão renovados e uma boa economia salarial poderá ser praticada. Portanto, dinheiro não será o maior problema, problema mesmo é a contumaz incapacidade da gestão tricolor em agir com presteza e eficiência, sobretudo quando o assunto é futebol.
 
Avante, Fluminense! ST
 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Previsível, Inepto, Sonolento...


Se Cristóvão é um estudioso do futebol, deve estar até agora estudando uma forma de o Fluminense vencer o Atlético. Somente tamanha lerdeza de pensamento e atitude, e alguma dose de incompetência, podem justificar o fato de o nosso treinador, via de regra, não apresentar soluções para os dilemas que os adversários oferecem dentro de campo.
 
Daí, talvez, a inconstância da equipe, inclusive dentro da partida. Quando começa mal o jogo, dificilmente Cristóvão encontra uma forma de alterar o panorama da partida. Quando começa bem, como hoje, em que fez um primeiro tempo melhor do que o do galo, parece “travar” quando o treinador adversário acerta a sua equipe.  

Foi o que eu vi no empate contra o Atlético. 

Depois de um primeiro tempo que não foi espetacular, mas foi promissor na medida em que duas boas testadas, uma de Fred, outra de Cícero na trave, fizeram o torcedor acreditar que na segunda etapa o Flu voltaria avassalador, a frustração foi absoluta com o desenrolar do segundo tempo de jogo. 

A proposta atleticana sempre foi clara: marcar forte, jogar recuado e sair rapidamente nos contra-ataques e no erro Tricolor. Critóvão sabia disso, mas não conseguiu dar ao Flu opções ofensivas quando o Atlético acertou a marcação e bloqueou nossos ataques. Sem alternativas, o que se viu foi um festival de bolas laterais e a velha jogada “letal” de atirá-la de qualquer forma em direção ao Fred. Nada mais inócuo. 

Atônito à beira do campo, Cristóvão deveria estar pensando: “O que eu faço agora? Tiro o Conca de novo? E o Fred? Não, se eu fizer isso a torcida me crucifica...”. Primeiro fez o óbvio ao tirar Fernando, mal em campo, e por Chiquinho, nada que significasse uma alternativa ofensiva ou uma surpresa ao adversário. E, por mais de trinta minutos, Cristóvão elucubrou sobre como modificar aquela situação adversa. Aí, sacou Edson e pôs Kennedy que, na primeira boa jogada de que participou recebeu livre, poderia ter concluído em gol, mas preferiu servir Fred. Kennedy é um garoto que, à sombra de Fred, dificilmente terá ousadia para tentar algo diferente do que servi-lo. Se já é assim com a maioria dos jogadores, com o garoto da base tricolor isso é muito mais visível. 

De qualquer forma, Kennedy foi uma opção, a destempo, mas uma opção. 

Cristõvão, mesmo diante de uma equipe que jogava integralmente recuada, manteve seu esquema inepto por mais de setenta e cinco minutos e, quando, enfim se decidiu, já era tarde demais.  

Durante a semana, e até antes dela, nosso treinador repetia o fato de que o Fluminense vinha empatando demais e era preciso engrenar uma sequência de vitórias. Seu desejo, porém, não encontra qualquer respaldo nas suas atitudes dentro de campo: ora peca por omissão, ora peca por ação, mas tem pecado sempre. 

Cristóvão, o ex-São Cristóvão, tem se tornado um pecador contumaz. 

Até quando? Parece que hoje a paciência da torcida chegou ao limite. Na verdade, esse limite já foi atingido anteriormente, mas a torcida, ainda fiel à esperança de dias melhores, tem sido tolerante com o treinador tricolor. Hoje, no entanto, diante de um adversário direto, numa partida que valia “6” pontos, a cota de equívocos transbordou, e Cristóvão ouviu poucas e boas. E com razão.

O Fluminense patina há várias rodadas, faz que vai e não vai, e a sonhada vaga na Libertadores, prêmio de consolação para uma equipe que, vergonhosamente, foi eliminada da Copa do Brasil e da Sulamericana, está a cada dia está mais distante.
 
E se ela não for alcançada – e parece que não será – parte dessa culpa será de Cristóvão. A outra parte, já disse amiúde, se deve ao mau planejamento, a uma administração pusilânime e ao descompromisso de alguns jogadores que, durante a temporada, estiveram mais preocupados com questões financeiras do que com o exercício de suas funções dentro do gramado. 

Mas hoje, e também contra o Bahia, e em algumas outras oportunidades, foi a vez de Cristóvão demonstrar toda a sua fragilidade, fragilidade que não combina com a grandeza do Fluminense.
 
Avante, Fluminense! ST
 
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A Nova Cara do Fluminense

Cristóvão está há menos de um mês como treinador do Tricolor.
 
Parece pouco, mas as mudanças implantadas são tão profundas que já é possível vislumbrar que hoje temos um novo Fluminense.
 
O treinador, a quem eu reputava ser apenas mediano, contratado por ser "bom, bonito e barato", está se mostrando um grande estrategista e um ótimo motivador. Conhece como poucos um jogador de futebol e, no Fluminense, tem tirado de cada um o que há de melhor, transformando um time de qualidade também em competitivo.
 
Além de tudo é simples. O Tricolor precisava de um treinador e de humildade; com Cristóvão, resolveu os dois problemas de uma só vez.
 
Era o que faltava. Dá gosto de ver o novo Fluminense!
 
 Avante, Fluminense! ST
 

domingo, 20 de abril de 2014

A Ressurreição Tricolor

Cada um de nós possui a sua própria verdade, uma representação única e peculiar sobre a realidade fática que se apresenta aos nossos sentidos.

Assim é que um mesmo fato pode parecer a mais de uma pessoa de uma forma tão diferente que chegue a ser paradoxal, sem deixar, contudo, de ser objetivamente a mesma coisa.

E nenhuma análise é tão precariamente unânime quanto uma partida de futebol. Se há unanimidade no futebol, e não deveria haver, pois toda ela, segundo nosso mestre Nelson Rodrigues, é burra, resume-se a instantes de um todo que dura noventa minutos.

E é assim porque, durante o decurso do jogo, erra-se e acerta-se com a frequência que justifica o bordão de que nem tudo é perfeito.

Eu eu digo isso para poder afirmar que, para tudo na vida, e especialmente para o futebol, cuja análise ora se faz, há os pessimistas, os otimistas e os indiferentes. Os primeiros, conforme seus critérios, põem os erros e acertos numa balança mental e sempre a verão pender segundo uma percepção negativa. Já os otimistas, nessa mesma balança, sempre estarão aptos a enxergar a prevalência dos aspectos positivos.

Os indiferentes são apenas indiferentes, mas no futebol, movido pela paixão humana, sobra-lhes pouco espaço.

Portanto, quem assistiu ao Fluminense, pela segunda vez sob o comando de Cristóvão, sobrepujar a equipe do Figueirense pelo placar de três tentos a zero, provavelmente já fez a sua análise sobre o que observou, seja ela pessimista ou otimista.

Para alguns, a vitória representou apenas o dever de impor à equipe mais fraca a sua superioridade. Para outros, porém, foi bem mais do que uma vitória, foi o ressurgimento de um espírito adormecido, de um novo Fluminense, cujas primeiras impressões sob o comando do novo treinador dão indícios de que, feitos determinados ajustes, teremos um ano bem diferente do tenebroso 2013.

Prefiro, mesmo sob o risco de despencar do penhasco que eu mesmo criei, deixar a parcimônia de lado e filiar-me aos entusiastas. Afinal de contas, não há qualquer demérito, quando se trata de futebol, enganar-se com a percepção da realidade que se nos apresenta, o que, aliás, é fato corriqueiro.

E, se todos somos livres para expormos nossas convicções, peço licença para expor os motivos da minha empolgação.

Eu vi o Fluminense realizar a sua melhor partida no ano. Vi um time organizado, ofensivo e aguerrido. Vi também estratégia e posicionamento, vontade e ânimo renovado.

Talvez este meu entusiasmo seja apenas o reflexo de uma comparação entre o Flu que entrou em campo ontem e aquele que se apresentou como uma equipe sem estratégia, gana e paixão durante mais de um ano. Talvez seja pura carência de futebol.

Não há dúvida, porém, de que o novo técnico possui papel preponderante nessa mudança. Senti que o time clamava por alguém que lhe pusesse ordem, e a ordem foi instalada.

Parece que funções foram delegadas, e que agora cada um sabe o que fazer dentro de campo. A equipe, com seus homens de frente, inclusive Fred, marcou a saída de bola adversária com uma dedicação que até então não havia visto. O time sufocou, provocou o erro, recompôs rápido e saiu em contra-ataque. A receita perfeita do futebol moderno, onde todos contribuem no ataque e na defesa.

Os laterais avançaram como devem avançar, até a última linha do campo, e a linha de frente ajudou a proteger o meio o que, por sua vez, deu mais segurança à defesa.

Conca, o maestro, teve Wagner como importante coadjuvante na criação das jogadas ofensivas e até mesmo na marcação. Jean e Diguinho cumpriram bem a missão de guarnecer a defesa e ainda saíram com qualidade para o ataque quando foi necessário.

Carlinhos e Bruno estiveram bem, alternando jogadas que sempre levaram perigo aos adversários.

Até a zaga, que deverá ser reforçada em breve, saiu-se bem, ressalvados dois ou três perigosos contra-ataques da equipe catarinense o que, por si só, não comprometeu a boa atuação defensiva da equipe.

Fred, visivelmente motivado, também foi bem diferente daquele jogador lento e previsível das últimas partidas. Participou ativamente do jogo, tanto no ataque quanto na marcação. Ajeitou a bola para o gol de Sóbis, cobrou, enfim, um pênalti com perfeição e movimentou-se intensamente em campo.

E Sóbis, o guerreiro Sóbis, retribuiu a sua permanência no Flu com uma atuação de gala. Fez um golaço, como poucos teriam qualidade para fazer, criou a jogada do terceiro gol e lutou como um leão dentro de campo.

Se a primeira impressão é a que fica, Cristóvão já deu duas claras demonstrações de que o ano será melhor para o Fluminense. E não foi apenas com o que se viu dentro de campo, mas, principalmente, fora dele: humildade.

Pode ser que, semana que vem, tudo isto não seja mais verdade, mas quem disse que verdades são absolutas?

O que valeu foi ver um novo Fluminense em estratégia e atitude, um Fluminense ressurgido. E que seja sempre assim.

Avante, Fluminense! ST
 
Foto: Lancenet.

 






quinta-feira, 10 de abril de 2014

Vitória e Paz

Em condições normais, o placar de cinco a zero guarda exatamente a distância que separa o Fluminense do modesto Horizonte.
 
Justamente por isso, a minha maior preocupação em relação ao Flu hoje era saber se a eliminação para o Vasco nas semifinais do Campeonato Carioca, o imbróglio Celso Barros-Unimed-Peter-Fluminense e as declarações de Fred em seu perfil no Facebook, haviam, de alguma forma, alterado o estado psicológico da equipe.
 
Em condições normais eu não temia uma desclassificação contra o Horizonte. E foi o que ocorreu, pelo menos após o primeiro gol tricolor, porque até ele o time mostrou-se afobado, atabalhoado e nervoso, o que, diante das circunstâncias, não era nada anormal.
 
Depois do gol de Conca a equipe tranquilizou-se e impôs sua soberania técnica e territorial com jogadas pelas laterais que abriram a defesa horizontina. Apesar da incessante e reiterada busca por Fred, foram Gum e Sóbis quem marcaram os dois outros gols tricolores na primeira etapa.
 
Apesar do placar que lhe convinha, o Flu não deixou de continuar sendo ofensivo, alternando jogadas pelas laterais com Carlinhos e Bruno e, quando ia pelo meio, Conca se destacava na armação.
 
Wagner fez um mau jogo, aparecendo um pouco mais nos minutos finais, quando, inclusive, fez um golaço. Diguinho e Jean foram apenas protetores da zaga, Gum e Elivelton não comprometeram, exceto, este último, pela falta atabalhoada que lhe rendeu a expulsão e Cavalieri pouco foi notado ante a inoperância ofensiva adversária que só deu o ar da graça quando a derrota e a desclassificação já eram certas.
 
Sóbis fez um belo gol e lutou, Conca e Carlinhos foram os melhores, Walter é o talento, apesar da queda de rendimento quando joga muito afastado da área e Fred, que continua o mesmo, lento, propenso à marcação adversária, mas que tem se acostumado, novamente, a marcar seus gols.
 
Cristóvão estreou com o pé direito e, espera-se, arrumará a equipe com o tempo e com alguns reforços.
 
Além da importância da classificação para a próxima fase da Copa do Brasil, a vitória serviu para dar um pouco de paz à conturbada fase que o clube vive. A hora é de aproveitar a calmaria, avançar na competição e apaziguar os conflitos entre Celso e Peter, Fred e organizadas e entre os torcedores entre si.
 
O Flu é maior do que tudo isso e, este é o momento de o clube se reerguer e focar apenas num ambiente de paz que propicie as conquistas que tanto almejamos.
 
Avante, Fluminense! ST