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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

I N D I G N O S

Perder para o pior time do campeonato por duas vezes eu até admitiria, desde que com dignidade.
 
O que eu não admito é estar vencendo essa mesma equipe, com a partida sob controle, adversário pressionado pela torcida e pela posição na tabela e, simplesmente, por displicência, incompetência, seja lá o que for, dar-lhe de presente a vitória.
 
Foi isso o que o Fluminense fez: entregou três pontos ao Vitória.
 
Eu presenciei uma equipe entregue, moribunda, descompromissada e um treinador que não está à altura da gloriosa história tricolor, um treinador que, precisando vencer, reforça o sistema defensivo, que não sabe mudar o panorama de uma partida em andamento e que, como uma mentira, tem pernas curtas.
 
Cristóvão é um engodo. Enganou por algum tempo, não engana o tempo todo. 
Seu time é um bando onde cada um faz o que quer. Andarilhos, literalmente, sem destino, sem comando e sem vontade.
 
Vejo equipes menos qualificadas, como o próprio Vitória, correrem, darem a alma e algo mais em campo, vejo até jogadores de clubes falidos se desdobrarem para honrar as camisas que vestem, mas no Fluminense não vejo nada, nem vontade, nem desejo, nem gana, nada...
 
 Jogo sim, jogo não, tem sido deprimente assistir ao Fluminense; aliás, não foi a primeira e talvez não seja a ultima, até porque o ano ainda não terminou e desse bando não podemos esperar mais nada além de sucessivas desonras à camisa e à torcida tricolor.
 
São indignos que merecem muito mais do que moedas no lombo, merecem ser escorraçados do Fluminense. E que alguém tenha peito para isso, porque já basta de humilhação.
 
Eu quero um 2015 diferente. Não quero craques, só quero comprometimento, tudo o que faltou nesses dois últimos anos.
 
Avante, Fluminense! ST
 

domingo, 4 de maio de 2014

Frustrante

É a primeira vez que, após uma partida do Fluminense, fogem-me as palavras para tentar explicar o que aconteceu dentro de campo.

O que melhor me ocorre, agora, quase três horas depois do término do jogo, é que o Flu não jogou tão bem que merecesse vencer, nem tão mal que devesse perder.

Minha primeira impressão, logo em seguida ao apito final, foi a de que a derrota foi uma terrível injustiça. Meditando, porém, durante o percurso de quase duas horas, por uma estrada semideserta, até a cidade de Petrópolis, percebi que não há máxima mais verdadeira do que aquela que diz que não há injustiça no futebol.

Exceto quando fatores extracampo interferem no resultado da partida, ou quando a arbitragem comete erro crasso, a justiça é o resultado de campo, em que pesem scouts favoráveis como posse de bola, chutes em gol etc.

Basicamente foi o que ocorreu. O Flu dominou o adversário praticamente o jogo inteiro, aplicou a estratégia utilizada desde a assunção de Cristóvão, qual seja, forte marcação e compactação e foi ofensivo, bastante ofensivo.

Se uma das chances perdidas no primeiro tempo tivesse resultado em gol, não tenho dúvidas de que estaria aqui comentando uma vitória tricolor, apesar da forte retranca baiana.

O gol não veio, mas veio o segundo tempo e um Vitória ainda mais fechado e com a nítida proposta de explorar os contra-ataques. 

Depois do gol adversário, o jogo tornou-se um ataque contra defesa, mas um ataque desordenado que propiciou espaços ao time baiano para ser perigoso o suficiente e marcar o segundo tento e quase o terceiro.

Por isso não posso falar em injustiça. O Vitória jogou com inteligência, marcou com eficiência e apostou nos contra-ataques. Deu certo.

O Flu, apesar da mesma disposição das últimas partidas, contou com alguns jogadores abaixo do que poderiam render, como Carlinhos e Fred. Aliás, a centralização do jogo no artilheiro contribuiu, de certa forma, para que o ataque tricolor fosse mais facilmente anulado pela defesa adversária. Um erro antigo, recorrente e que precisa ser corrigido.

O desafio, agora, é saber como esse time se portará diante do Flamengo. Se o ritmo de jogo imposto até aqui for mantido, a derrota de ontem não significará nada além do que um acidente percurso num campeonato que os propicia com razoável frequência.

Eu ainda continuo a acreditar que, com Cristóvão, o Flu está no caminho certo. Apesar dos três pontos fundamentais perdidos, vale a pena acreditar que se trata de um risco calculado, o risco que corre um time que tem sido ofensivo demais.

Nada que não possa ser corrigido por um treinador que já mostrou que entende mais de futebol do que alguns outros que passaram pelo Flu recentemente.

Ao fim da partida, mais de cinquenta mil tricolores deixaram o estádio frustados, mas a julgar pela miscelânea entre vaias e aplausos, é possível reconhecer que, pelo menos parte da torcida, viu em campo um time guerreiro, brioso e aguerrido e que a derrota, por mais dolorosa que tenha sido, não passou de uma fatalidade típica de um esporte em que nem sempre o melhor sai vencedor.

Avante Fluminense! ST

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Xô Superstição, Todos ao Maraca!


Superstição é uma crença infundada em certos atos, presságios ou sinais, originados de acontecimentos casuais ou coincidências, e que dariam sorte ou azar (parafraseado de HOUAISS).

O povo brasileiro é, em sua essência, supersticioso. Quase todos temos a nossa superstição, simples ou complexa, comum ou extraordinária. Ver gatos pretos ou passar sob escadas pode ser sinal de azar, assim como carregar consigo um amuleto ou mesmo usar uma certa gravata numa entrevista de emprego pode significar sorte.

E assim é para milhões de brasileiros que cultivam suas próprias supertições diariamente, nas mais diversas situações de suas vidas.

Quando a superstição se alia à paixão, aí é que ela recrudesce.

E o futebol é um campo fértil para a proliferação das mais esquisitas, se podemos dizer assim, crendices. Que o digam os botafoguenses, conhecidos por serem, dos supersticiosos, os mais radicais.

Mas todos nós torcedores temos as nossas manias. Alguns preferem usar a camisa da sorte, outros sentar em certo lugar no estádio; alguns, ainda, trazem uma bandeira daquele título de vinte anos atrás, ou a imagem de um santo protetor na carteira.

Eu tenho as minhas, não fujo à regra, e a principal delas é temer pelo desempenho do meu Fluminense quando, às vésperas da partida, a torcida está empolgada. Torcida tricolor quando enche estádio é um mau presságio, pois sempre acreditei que foi diante dos menores públicos, ou quando o time está em baixa perante o adversário, é que temos as nossas melhores apresentações.

É claro que, até para a minha própria crença, há muitas exceções; mas, superstição não se explica e não se extingue, fica ali adormecida, e, vez por outra, ressurge com todas as forças.

Agora, às vésperas do jogo contra o Vitória, ela reapareceu avassaladora. A empolgadíssima torcida tricolor promete encher o estádio, talvez mais de cinquenta mil esfuziantes tricolores, alguns vindos até de outros estados.

Nada contra. Eu mesmo faço campanha pelo comparecimento maciço, afinal de contas, a torcida tricolor estava carente de boas apresentações e, depois de um 2013 desastroso, merece assistir a uma atuação de gala no palco dos palcos.

Lá no fundo, contudo, tive medo. Medo de que cinquenta mil almas saiam do estádio decepcionadas.

Não temo mais.

Pura superstição. Como disse lá no início, mera crença infundada. Repensei o meu receio, analisei a atual situação do Fluminense e empurrei para baixo do tapete meus temores, afinal de contas estamos diante de um novo time, renovado em espírito, e sob o comando de quem entende de futebol.

E toda essa empolgação da torcida não poderia contagiar a equipe, servindo de veneno ao invés de antídoto? Também não acredito. Cristõvão, além de bom treinador é humilde. Todo aquele entusiasmo do torcedor não transpõe os muros das Laranjeiras, paredes foram erguidas e, ao que parece, a soberba de algum tempo atrás deu lugar ao estilo simplório e eficiente do nosso novo treinador, rapidamente incorporado pelo grupo.

Assim, não receio mais nada. Mandei minha superstição às favas e no sábado serei testemunha ocular de uma apresentação de gala do Tricolor. E a torcida tem todo o direito de estar empolgada, e que despeje sua energia positiva sobre os jogadores para que se sintam ainda mais motivados a brindá-la com uma grande vitória.

De qualquer forma, por via das dúvidas, irei com a minha camisa tricolor, aquela mesma que, quando visto, o time não perde.

Avante, Fluminense! ST