domingo, 27 de março de 2016

O Fluminense e Cruyff

O mundo deu adeus a Johan Cruyff, um dos maiores jogadores do futebol mundial, ícone do carrossel holandês de 1974 e ídolo como atleta e treinador no Ajax e no Barcelona. Sem dúvida, um dos maiores pensadores do futebol moderno.

Com a morte de Cruyff, morre também um pouco do futebol, daquele futebol romântico que já vem morrendo aos poucos ao longo dos últimos anos.

Mas o que tem Johan Cruyff com o Fluminense?

Segundo o blog de Mário Magalhães, no UOL, o craque holandês, que era comentarista esportivo durante a Copa de 1982, entrevistou Telê Santana, oportunidade em que o mestre tricolor ouviu do holandês queixas sobre o exercício da profissão de treinador em seu país, que exigia diplomas e certificados. Era desejo de Cruyff, após pendurar as chuteiras, exercer a profissão de treinador.

Telê, que sempre teve em seu coração o Fluminense, diante daquela pérola em busca de emprego, tratou de providenciar que o craque iniciasse no Clube das Laranjeiras a nova profissão.

Algumas tratativas foram feitas com os cartolas tricolores de então, mas não houve acordo quanto às bases salariais, inferiores ao que pretendia Cruyff. Soube-se, posteriormente, que por detalhes o acordo não foi fechado, mas e se tivesse sido?

Imagino o quanto poderia ter sido importante para o futebol brasileiro – e nesse momento é preciso pensar mais do que no próprio Fluminense – se o holandês tivesse aportado em terras brasileiras para comandar o escrete tricolor.

Provavelmente seu conceito tático de jogo ofensivo, incisivo, vistoso e eficiente, que pregava a polivalência dos jogadores dentro de campo, posse de bola e domínio avassalador sobre os adversários e que mais tarde foi aplicado com sucesso no Barcelona, pudesse ter revolucionado o futebol brasileiro.

Talvez o 7 a 1 pudesse ter sido evitado, talvez seus conceitos influenciassem gerações de treinadores, talvez não tivéssemos que conviver com Drubscks, Endersons, Baptistas, Cristóvãos e muitos outros impostores.

Infelizmente Cruyff não veio. Foi ser treinador do Ajax em 1986 e depois no Barcelona de 1988 a 1986, criou a filosofia que nos encanta até hoje e que tornou o time catalão um dos mais vitoriosos do mundo.

O Fluminense não foi o laboratório da sua arte por pouco. Perdemos todos os brasileiros amantes do futebol.

Mas a vida por aqui seguiu sem o holandês e o sonho da laranja mecânica tupiniquim morreu naquela já distante década de 1980. De lá para cá temos assistido de camarote ao futebol europeu sobrepujar o nosso, preço que se paga pela acomodação de quem um dia já teve o status de melhor futebol do mundo, mas jamais buscou a evolução.

O futebol brasileiro estagnou-se no tempo e perdeu-se na vaidade, orgulho e corrupção de seus dirigentes.

O Fluminense não formou seu carrossel, mas sobreviveu às intempéries do futebol, inclusive com cinco títulos nacionais, e à sua própria incompetência que, em certos momentos, quase o levou à ruína.

Águas passadas, porém, não movem moinhos.

Hoje temos Levir, a quem minimamente devemos um sentido de organização numa equipe vilipendiada por tanto tempo de descaso e a classificação para a disputa da final da primeira liga Rio-Sul-Minas. Muito ainda será feito. O caos leva tempo para ser corrigido e Levir, paulatinamente, encontrará um padrão para o Flu.


Uma nova história precisa ser contada e o ano, que parecia fadado ao insucesso, nos concede a esperança de sonhar com dias melhores. Então sonhemos.

domingo, 20 de março de 2016

Pondo ordem na casa

Levir Culpi chegou ao Flu para ser a esperança por dias melhores depois de sucessivos equívocos praticados pelo Departamento de Futebol Tricolor. Foram tantos equívocos nas escolhas de seus antecessores, e tão graves, que o próprio Levir, há doze dias no comando do Fluminense, admitiu que ainda levará tempo para encontrar uma identidade para a equipe.

Quando Levir diz que levará tempo para encontrar uma identidade para o time, utiliza-se de um eufemismo para dizer que encontrou uma verdadeira bagunça e precisará reorganizar a casa.

Essa avaliação do nosso treinador revela que todo o planejamento do ano foi desperdiçado com a equivocada manutenção de Eduardo Baptista para a temporada de 2016. Foi ele quem participou da pré-temporada e auxiliou na escolha de nomes para compor o elenco tricolor. A sua saída, que já era esperada em virtude da sua inaptidão para a função que exercia, corrigiu, ainda que tardiamente o equívoco, mas trouxe um enorme prejuízo para o ano tricolor.

E o prejuízo se nota bem claramente agora, quando Levir, na segunda quinzena de março, reconhece que precisará de mais tempo para reorganizar o time, dando-lhe a sua própria identidade. Praticamente nada do que foi feito pelo antigo treinador poderá ser aproveitado, senão seus muitos erros que devem servir para que Levir siga por outros caminhos.

Esse atraso, ou melhor, retrocesso, só teve uma consequência prática: impedir que o Fluminense largasse para a temporada em condições de igualdade com as demais equipes do futebol brasileiro.

Hoje, no Fla x Flu, Levir fará a sua terceira partida à frente do Tricolor e terá a oportunidade de sentir a equipe com a presença de Fred. Ele já sinalizou que há carências e que fará mudanças, algumas já percebidas hoje, mas a principal será dar ao Fluminense alternativas ofensivas fugindo das monossilábicas estratégias de seus antecessores, que tinham em Fred a opção única e inalterável de ataque.

O novo treinador, que de bobo não tem nada, sabe que os passes longos e os chuveirinhos para Fred podem funcionar em algumas oportunidades, mas não funcionam sempre, sobretudo quando a equipe é marcada sob pressão e o artilheiro sofre vigilância individual. Criar alternativas a essa estratégia frágil passa então a ser uma necessidade, mesmo e principalmente com a presença de Fred em campo.

Surpreender o adversário com o avanço dos meias e retirar do Flu aquela pecha de previsibilidade não será uma tarefa das mais fáceis, pois a equipe está acostumada a jogar para Fred, que é, há muito tempo, a única referência na frente.

Se não houver entraves, creio que Levir encontrará a melhor solução. Mas é preciso de tempo para por ordem na casa e em todos os setores da equipe, porque uma estrutura que foi relegada a segundo plano nesses últimos dois anos não será reorganizada em poucos dias. Este será o seu terceiro teste (o segundo com a equipe principal) para encontrar um padrão tático definido e reconstruir o Fluminense como equipe, reagrupando peças, formulando novas estratégias e injetando moral no grupo.


E eu acredito que este Fla X Flu na terra da garoa será o marco inicial para que o Fluminense torne a ter novamente a cara de um time vencedor. Temos um treinador, temos um time, falta voltar a vencer um clássico e, principalmente, mostrar ao torcedor que a equipe pode se renovar em espírito sob o comando de Levir Culpi. Se vencer o Flamengo hoje, e com bom futebol, o Fluminense dará um importante passo para recuperar sua autoestima e realinhar-se na busca de melhores dias, sendo protagonista e não mero coadjuvante das principais competições nacionais.

domingo, 13 de março de 2016

Fla-Flu na pauliceia

Aleluia! Depois de tanta insensatez, a nossa vetusta FERJ agiu com bom-senso. O Fla-Flu na terra da garoa é uma bola dentro.

Sem estádios próprios para disputar jogos oficiais, sem o Maracanã e o Engenhão, sobram as alternativas de sempre para que a dupla mande seus jogos: Moacyrzão, Estádio da Cidadania, Giulite Coutinho. Nenhum desses, porém, apto a suportar a grandeza do clássico.

Fora do Rio, as opções de Juiz de Fora e Vitória seriam viáveis. Mas, São Paulo é São Paulo. Um Fla-Flu na Terra da Garoa seria uma atração e tanto para o povo paulistano, para os tricolores e rubro-negros que moram por lá e para os turistas. Nesse combalido campeonato carioca, talvez seja o jogo mais interessante de se assistir, justamente por ser sediado na capital paulista.

O Pacaembu é um estádio tradicional, bem localizado e seu gramado é um tapete. Imagino o paulistano que deseje um programa diferente após aquela bela macarronada de domingo. Nada melhor do que assistir ao clássico mais tradicional do Brasil em sua própria casa. Assim, quem sabe, não angariamos alguns simpatizantes por lá.

O Santos já fez muito disso aqui no Rio na década de 1960. O Corinthians já mandou jogos no Maracanã mais recentemente. Essa interação, independentemente da rixa futebolística entre paulistas e cariocas, é salutar para o futebol brasileiro. O meu saudoso pai, tricolor de quatro costados, tinha o Santos como o seu segundo time e me contava que o Maraca lotava para assistir ao escrete da Vila Belmiro de Pelé e cia.

São outros tempos, sem o glamour de outrora, mas parece de bom alvitre que, vez por outra, essa conexão possa ser realizada entre as cidades irmãs.

Sem estádios, porque com o Maracanã nunca se sabe quando se poderá contar, o Pacaembu poderá ser mais uma opção de mando de campo de tricolores e rubro-negros futuramente.

São Paulo fica a um pulo daqui na ponte-aérea, o que significa menos desgaste para os jogadores do que se a partida fosse disputada em Volta Redonda ou Macaé, por exemplo.

Há a questão da torcida. Mas qual a diferença entre a quantidade de público que vai aos jogos do Flu nesta malfadada competição e a que irá em São Paulo? E, num clássico como esse, as famílias se ausentam temendo a violência, sobretudo quando o jogo não é no Maracanã. Além disso, tem muito tricolor que trabalha por lá que poderá antecipar o seu retorno no domingo para prestigiar o Fluminense.

São Paulo, por sua importância e grandiosidade, merece receber o maior clássico brasileiro pela segunda vez na história – a primeira foi em 1942, quando ocorreu um empate sem gols.

São Paulo merece sentir o cheiro de um Fla-Flu, viver um pouco dessa história, embriagar-se dessas cores. Certamente, o domingo, 20 de março de 2016, acrescentará a todas as virtudes paulistanas mais uma: a honra de sediar o mais importante clássico do futebol nacional.


A pauliceia desvairada de Mario de Andrade merece, e o poeta, maior amante de São Paulo, de onde estiver, sorrirá.

domingo, 6 de março de 2016

Vida nova

Acabaram as especulações. Temos um treinador: Levir Culpi. Não digo “novo” treinador, porque os seus últimos antecessores no cargo eram aprendizes, estudiosos, amadores, curiosos, qualquer coisa menos treinador de futebol. Depois de um longo e tenebroso inverno, poderemos olhar para o banco de reservas e ver alguém que tenha minimamente a capacidade de comandar a equipe. Aliás, mais do que minimamente, porque se Levir não era o sonho de consumo da torcida – e nem o meu – pelo menos tem história no futebol.
                   
Não que seja uma história de grandes conquistas, mas é incontestável que entende do que faz. O seu currículo, embora restrito a conquistas regionais, duas copas do Brasil, duas Recopas e dois campeonatos brasileiros da série B, é um currículo:

Inter de Limeira - Campeonato Brasileiro - Série B1988;
São Paulo - Campeonato Paulista2000;

E se é para apostar, que se aposte com um Levir, não com um Drubscky.

Não quero especular como será a sua relação com Fred. Para ter autonomia e desenvolver o seu trabalho, inexoravelmente, em algum momento, eles entrarão em rota de colisão. Se quiser dar à equipe uma nova forma, precisará criar alternativas ao artilheiro, mesmo quando ele estiver dentro de campo, e isso poderá desagradar o artilheiro, que tinha sobre Cristóvão, Drubscky, Enderson e Eduardo controle absoluto. Esse será um dos seus maiores problemas. O outro será acertar essa defesa.

Provavelmente indicará algum nome para o elenco, tentará inicialmente mexer pouco na equipe, mas com o tempo será necessário implementar o seu próprio estilo, o que esperamos, seja suficiente para dar ao Fluminense uma cara nova, diferente daquela cara que nunca foi a do verdadeiro Fluminense.

O tempo já foi perdido. Quando o  Fluminense optou por contratar amadores, agiu ele próprio com amadorismo. Um comandante tem que ser o líder, o estrategista e nunca deveria ter sido relegado a segundo plano. Foi um erro crasso que foi corrigido com a contratação de Levir. Se vai dar certo ou não, são outros quinhentos. Pelo menos tem nome e história para ser um treinador de uma equipe da grandeza do Tricolor.

E se temos treinador, temos também novo uniforme – enquanto escrevo esta coluna a festa de lançamento ocorre e, por isso, não posso opinar sobre o manto tricolor. A DryWorld apostou no Fluminense e o Fluminense na empresa canadense. Depois de quase vinte anos com a Adidas, o Tricolor espera ser mais valorizado. E já está sendo, pois o contrato é mais vantajoso financeiramente para o Flu. Mas também é preciso atender o varejista com presteza e quantidade suficiente para a demanda. E o principal: a a qualidade do material. É uma parceria que tem tudo para dar certo.

As esperanças renascem nos tricolores. Um treinador de verdade, novo uniforme e a expectativa de que o Fluminense torne a ser o time guerreiro de outrora. O torcedor tem saudades do time brioso e competitivo que se apresentou pela última vez já no distante ano de 2012. Levir terá a missão de resgatar o espírito daquela conquista e precisará de paz para trabalhar. Sejamos pacientes, portanto. O Fluminense agradece.





[1] Fonte: Wikipédia.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Quem paga a conta?

Mário Bittencourt, Fernando de Simone e Eduardo Baptista já são parte do passado. Após a queda de todo o departamento de futebol do Fluminense, é preciso, porém, apontar algumas responsabilidades.

Qualquer tricolor afeito às coisas do futebol sabia que Eduardo Baptista era um treinador com prazo de validade. Não apenas ele, mas Cristóvão, Drubscky e Enderson também. Alguns lhe davam um prazo mais dilatado, outros menos. Eu, por exemplo, imaginava que fosse demitido ao fim do campeonato brasileiro de 2015. Estava claro que Eduardo Baptista era uma aposta, mais uma daquelas que não deu certo, e que não havia a mínima condição técnica para se manter no comando de um clube da grandeza do Fluminense.

Eduardo Baptista foi, enfim, demitido, mas a sua demissão, embora constitua um alento, mostra também o último dos equívocos de um departamento de futebol inepto. Vale lembrar que foi ele quem participou da pré-temporada e da escolha de alguns dos nomes do atual elenco tricolor. Mantê-lo, portanto, para a temporada de 2016, além de um grave erro técnico foi também uma terrível falha de planejamento, o que pode por em risco o trabalho de um ano inteiro.

E assim também foi com os outros três citados, equívocos crassos, gastos desnecessários, planejamentos desfeitos, três anos jogados no lixo.

Contratações caras e equivocadas de jogadores também fizeram parte do rol de malfeitos ao clube. Muito dinheiro desperdiçado de forma inconsequente que ajudaram a esvaziar ainda mais os já combalidos cofres tricolores.

E de quem é a responsabilidade?

O próprio presidente Peter justificou a saída de Mario Bittencourt da vice-presidência de futebol, aduzindo que o seu projeto pessoal não poderia ser maior do que o do Fluminense. O presidente reconheceu, assim, que tudo o que Mario Bittencourt fez desde que assumiu o futebol do clube foi pensando nele, na sua candidatura a presidência e não no Fluminense. Parece que a megalomania do ex-vice de futebol teve o seu ápice no episódio Ronaldinho Gaúcho e o festival de incompetência deu ao Fluminense, nesses últimos anos, ares de uma verdadeira “casa da mãe Joana”.

R10, certamente, foi o mais emblemático dos caríssimos equívocos. Houve outros: Breno Lopes, W. Paulista, Magno Alves, Jonathan etc, etc e etc...

Dinheiro do clube que custeou o seu projeto pessoal de se candidatar com chances de vencer as eleições para presidente do Flu. Não contava, contudo, com a sua própria incompetência nos assuntos do futebol. Tanta incompetência que resolveu dar às suas estrelas treinadores de quinta categoria, porque o que importava, na sua concepção primária de conhecedor de futebol, era que dentro de campo Fred comandasse a festa rodeado de medalhões aposentados e outras barangas que trouxe para o Fluminense.

Mas a incompetência tem limite. E o limite foi a sucessão de vexames, desmandos, equívocos a que foi submetido o futebol do clube. Ultrajes e acintes à torcida em nome de um projeto pessoal.

Mas Mario já está fora e é bom lembrar também que o presidente que hoje lava as mãos foi quem encampou esse “projeto pessoal”, durante todo esse período cinzento da história tricolor. Aliás, Mário era também um projeto de Peter para a sucessão do Fluminense. Foi assim pelo menos no início, quando deu ao advogado o cargo de vice de futebol do clube, contribuindo, assim, para tudo o que de ruim foi feito desde então.

A insustentabilidade da situação nos gramados, a pressão da Flu Sócio e da torcida certamente influíram no ânimo do presidente Peter que, apesar da sua enorme parcela de responsabilidade e, embora tardiamente, agiu.

E quem paga a conta desses despropósitos? Peter, Mario? Certamente, não. Quem paga a conta como sempre, somos nós, os que sofrem pelos achincalhes a que o nosso Fluminense tem sido submetido há anos. Quem paga também são os cofres do clube pela malversação do dinheiro tricolor.

Seria de bom alvitre que os dirigentes se responsabilizassem efetivamente pelos seus malfeitos administrativos. A lei que os pune, por enquanto, é letra morta, apesar de estar em vigor desde agosto de 2015 (Lei 13155/2015, Capítulo III, que trata da gestão temerária) e a moralização do futebol ainda está longe de ser alcançada.

Não é justo que esse legado seja absorvido pelo clube. Também não é justo que seja o torcedor sempre o destinatário das consequências das irresponsabilidades dos dirigentes de seus clubes e de suas gestões temerárias. É preciso moralizar o futebol a partir de uma administração clubística eficiente, responsável e comprometida com os estatutos sociais e com os anseios do torcedor. Vale dizer: é preciso profissionalismo para se remunerar bem os melhores, os que atinjam os objetivos e cobrar daqueles que, por incompetência ou má fé proporcionem prejuízos.

O presidente Peter, pressionado, corrigiu um erro que deveria ter evitado. Poderia – após duas vitórias consagradoras nas urnas e com o apoio maciço do conselho - ter sido um dos maiores presidentes da história do Fluminense, mas terminará seu mandato melancolicamente, como um administrador que embora tenha contribuído para a solução de diversos problemas financeiros do clube e reinventado Xerém, mostrou-se pusilânime na condução dos assuntos relacionados ao futebol delegando-o a pessoas de seu círculo de amizades, muitas delas sem a capacidade profissional necessária para dar um bom rumo ao mais importante departamento do Fluminense.

Mario Bittencourt, por vaidade, levará a cabo o seu projeto de ser presidente do clube, mas sem a máquina administrativa de que se serviu até ser exonerado e com um histórico de incompetência no comando do futebol tricolor. Receberá a pronta resposta do torcedor nas urnas.

Enquanto isso, livre provisoriamente da vaidade e inépcia do seu departamento de futebol, sobrevive o Fluminense à espera de novos tempos, como aqueles que se encerraram naquela tarde quente de dezembro de 2012.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Emmanuel Coelho Netto, um herói tricolor

Emmanuel Coelho Netto, o “Mano”, morreu em 1922. O Brasil alcançava o período do modernismo cultural, quando “Mano”, ponta direita do Fluminense, entrava em campo contra o São Cristóvão e recebia uma forte pancada no abdome. Foi retirado de campo e massageado, mas como naquela época ainda não havia as substituições, mesmo sem condições físicas, tornou ao campo de jogo, agravando seu quadro, apenas para não prejudicar o seu clube do coração, permanecendo até o final da partida. Morreria 48 horas depois, no dia 30 de setembro de 1922, de infecção generalizada em decorrência do golpe sofrido. [1]

O “Mano” era o irmão mais velho  - de um total de doze – de João Coelho Netto, o “Preguinho”. Este, justamente aclamado como um dos maiores ídolos da história do Fluminense Football Club, multiatleta, campeão em oito modalidades esportivas e que, em 1925, após sagrar-se campeão de natação ajudou o seu clube a conquistar uma vitória no futebol, um verdadeiro campeão de terra e mar.

Mas a história de “Preguinho”, morto em 1979, após mais de seis décadas dedicadas ao seu clube do coração, é bem mais conhecida e reverenciada pelos torcedores, um mito que será lembrado pela eternidade como um dos maiores, senão o maior nome que já envergou a camisa tricolor em todos os tempos.

Por isso faço aqui uma exceção para falar de “Mano”, cujo sangue dos Coelho Netto honrou com galhardia, desfilando seu talento pela equipe amadora do Fluminense desde o ano de 1915 até a sua morte sete anos depois. Praticamente um desconhecido por grande parte da torcida, embora seu gesto de sacrifício supremo tenha o condão de elevá-lo ao patamar dos maiores ídolos tricolores, “Mano” é um herói que o Fluminense não pode esquecer.

Emmanuel Coelho Netto foi um desportista tricolor que honrou a camisa de seu clube e, literalmente, morreu por ele. Era outra época, por certo, uma época romântica, onde o amadorismo era a fiel expressão de que os atletas competiam por amor aos seus clubes.

Impensável hoje em dia, afinal de contas o profissionalismo, que tanto impulso deu ao futebol, também foi o responsável pelo sepultamento do “amor à camisa”. Apesar de saudosista, não prego um retorno do futebol àquela época. São outros tempos e o profissionalismo, para o bem ou para o mal, está fincado em raízes tão profundas que jamais poderia ser arrancadas.

Quando penso em “Mano”, porém, assim como quando penso em “Preguinho”, Castilho, Telê, por exemplo, penso em heróis. Heróis de carne e osso, gente que deu o suor, deu o sangue, deu a vida pelo Fluminense sem esperar nada em troca, senão a vitória dentro de campo. Penso no exemplo desses homens para as gerações futuras, penso que suas histórias deveriam ser transmitidas de pai para filho, penso que o clube deveria fomentar a divulgação desses belos exemplos de amor incondicional ao clube do coração entre seus atletas.

O exemplo arrasta, já se disse. E, conquanto os grandes ídolos tricolores já não estejam mais entre nós para contar suas histórias de amor ao Fluminense, seus exemplos permanecem vivos, como o do dedo amputado de Castilho, do contrato de “um tostão” firmado por “Preguinho” para se profissionalizar – profissionalismo que se negou a aceitar por toda a sua vida como  jogador do Fluminense, porque para ele era impensável receber para defender as cores do clube amado – e, sobretudo, o da própria existência de “Mano”, sacrificada por seu desejo incontido de defender o Fluminense, mesmo após grave lesão sofrida em campo de jogo.

São os exemplos desses heróis que devem ser contados todos os dias. Há muitos dentro do Fluminense que precisam conhecê-los. Gente que se locupleta do clube, que pratica malfeitos e de outros, ainda, que se arvoram maiores do que a instituição.

Voltar no tempo é uma quimera, mas trazer os bons exemplos de volta é uma medida que pode não curar os males do Fluminense atual, mas fará aqueles que ainda têm um pingo de consciência repensarem suas atitudes: funcionários, dirigentes e jogadores, além de dar ao torcedor um paradigma a seguir a fim de que possa reconhecer quem serve ao clube e quem se serve dele.

“Mano”, por ocasião dos cinquenta anos de sua passagem, em 1972, teve uma placa de bronze oferecida pelo clube em sua homenagem. A placa eternizou o herói. Que o eternizemos, também, não deixando que o seu exemplo morra em nossas lembranças e corações.



[1] BARBOSA JR. WALDIR, Preguinho – Confissões de um Gigante – Depoimentos do atleta João Coelho Netto ao Jornalista Waldir Barbosa, Edição do autor, Rio de Janeiro, 2013.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Treinadores ou fantoches?

O comando do departamento de futebol do Fluminense, leiam-se Mario Bittencourt e Fernando Simone, mantém, reiteradamente, a estratégia de investir em treinadores de baixo custo para o clube e qualidade pra lá de duvidosa.

No começo, a desculpa foi a saída da Unimed, a perda do poder econômico e a aposta no “bom, bonito e barato”.

Para ser sincero, nunca acreditei nesse pretexto. As milionárias renovações dos contratos de Fred, Wagner, Jean e Cavalieri, por exemplo, não permitiram. Havia dinheiro, certamente não oriundo de uma torneira que o despejava de forma tão profusa nas Laranjeiras, mas ele existia.

E ainda houve a contratação estapafúrdia de Ronaldinho Gaúcho, outro desbarato da atual administração.

Para a atual temporada, nomes como Diego Souza e Henrique, cujos salários atingem somas elevadas, além de outros tantos que, mesmo imerecedores das vultosas quantias que recebem, continuam onerando os cofres do clube e oferecendo muito pouco ou nenhum retorno, são a prova cabal de que o Fluminense, em regra, gasta muito e gasta mal nas suas contratações.

Não questiono, evidentemente, as acertadas renovações de contrato ao fim da parceria com a Unimed, as quais deram fôlego suficiente para que o Fluminense suportasse o complicado ano que se avizinhava.

Nem é meu propósito avaliar o acerto e desacerto de cada contratação posterior. Via de regra, foram apostas que, diante da nova realidade financeira do clube, deveriam ter sido feitas.

A questão que se põe é: se havia dinheiro para contratar jogadores, por que não se considerou a hipótese de trazer um nome experimentado e vitorioso para treinador da equipe? Um técnico à altura do Fluminense não seria garantia de que desse certo. Muitos não deram, aqui e em outros clubes, mas daria ao torcedor a certeza de que haveria independência no comando técnico da equipe.

Talvez seja essa a palavra chave: independência. Cristóvão, Drubscky, Enderson e Eduardo Baptista são treinadores pouco experimentados, sem currículo e que têm, no comando do Flu, a oportunidade de ouro de suas vidas. Garantir seus empregos, portanto, deve ter sido a primeira meta que traçaram ao aceitarem trabalhar no Tricolor.

Devo imaginar, porém, que na mente desses desprestigiados treinadores, a garantia de emprego passa invariavelmente pela subserviência.

Talvez tenha sido essa subserviência, essa dependência, que os trouxe e os manteve no Fluminense, mesmo após pífios resultados. Talvez tenha sido esse critério reiteradamente repetido, num equívoco atrás do outro, desde Cristóvão até Eduardo, não se sabendo se essa cadeia irá mais longe.

Diante da cúpula do futebol tricolor, o acatamento irrestrito às suas ordens, mesmo inúmeras vezes equivocadas, além, é claro, do respeito às ponderações do líder da equipe, Fred, tenha sido preponderante para se criar um perfil adequado de treinador para o Fluminense atual.

Um perfil adequado à diretoria e ultrajante a todos nós torcedores.

Um clube da grandeza do Fluminense não pode se submeter a títeres travestidos de treinadores que aceitam a interferência de terceiros nas suas funções. Não há outra explicação, senão a de se ter no cargo um manipulável, as contratações dos nomes anteriormente citados.

Todos têm exatamente o mesmo perfil: pouca experiência, pouco currículo e bastante docilidade.

Eduardo Baptista é o fantoche atual. O Fluminense, sob o seu comando, tem um desempenho risível de mais de vinte jogos e apenas seis vitórias, sendo uma na atual temporada. Um desempenho que não se coaduna nem mesmo com treinador de Bacaxás da vida.

Mesmo assim, contudo, continua firme a forte à frente do time, garantido pela soberba daquele para quem o ano de 2015 foi positivo.

Já disse em outros momentos que o senhor Eduardo Baptista não deveria nem mesmo ter pisado nas Laranjeiras para a temporada 2016. Foi um erro crasso de planejamento, um erro que ainda não foi corrigido porque a vaidade e a soberba de quem manda no clube não permitem, porque “dar o braço a torcer” seria o reconhecimento da incapacidade profissional desses gestores.

Será demitido em breve, logo após o próximo vexame que, espero, não ocorra contra o arquirrival em 21 de fevereiro. Que vá antes e nos poupe da galhofa e que vão também, se ainda houver hombridade, os administradores que tantos malfeitos causaram ao Fluminense nos últimos anos.

Assim, ainda poderemos sonhar com um departamento técnico profissional, eficiente e dedicado ao Fluminense, que contrate um treinador à altura do clube e não mais um fantoche. Dessa forma, quem sabe, o ano que se vislumbra sombrio possa ser iluminado pelas mentes e corações de verdadeiros tricolores, proporcionando a todos nós a esperança em dias melhores.


É preciso recuperar a dignidade perdida em algum lugar desses últimos três anos, medida que passa pela reformulação imediata e integral do departamento de futebol, antes que seja tarde demais.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Basta de incompetência!

Todas as vezes que um clube da grandeza do Fluminense perde, da forma como perdeu, para outro do tamanho de um Volta Redonda, a sua história mancha-se indelevelmente da marca vergonha.

Infelizmente, o Fluminense que se viu hoje é fruto única e exclusivamente de um departamento de futebol inepto. Não bastaram, canso de me repetir, as apostas equivocadas em técnicos de segunda ou terceira linhas – Cristóvão, Drubscky e Enderson – para que o Tricolor mudasse a sua tendência recente de contratar treinadores quase amadores para comandar a equipe, o que quase nos custou um rebaixamento.

Não bastassem os três erros anteriores, parece que ninguém aprendeu a lição nas Laranjeiras.

Eduardo foi o quarto equívoco. Erro que deveria ter sido corrigido já ao término do campeonato brasileiro de 2015, quando o Flu salvou-se do rebaixamento aos trancos e barrancos, com a pior campanha do segundo turno da competição.

Mas, ao contrário, a inaptidão da comissão de futebol do Fluminense foi ainda mais além. Procrastinaram a sua permanência para que participasse da pré-temporada e interferisse diretamente nos rumos do Tricolor para a temporada de 2016.

Agora, que nem mesmo a estupidez desse departamento de futebol poderá evitar a demissão desse pseudo-treinador, todo o planejamento do ano já terá ido para o brejo.

Prejuízo duplo: a má escolha e o tempo perdido.

O senhor Eduardo Baptista não é treinador de futebol. Ainda é um aprendiz que está no Fluminense às custas de seus cofres e da paciência da torcida, que não merece aturar tamanha incompetência.

Fora Eduardo Baptista! Fora Mário Bittencourt!

Felipe Fleury

Treinador pela metade

Os números de Eduardo Baptista à frente do Fluminense são de uma insuficiência atroz. Em qualquer empresa minimamente comprometida com a eficiência de seus funcionários, já teria sido demitido.

Não, não é cedo para criticar o seu trabalho. São vinte jogos e apenas cinco vitórias.

Foi contratado pelo seu desempenho como técnico do Sport, um time que galgou as primeiras posições do campeonato brasileiro de 2015, porque empatava a maior parte de seus jogos fora de casa e vencia outros em seus domínios, ou seja, uma equipe que perdia pouco. Quando veio para o Fluminense, porém, o clube pernambucano já apresentava desempenho pior do que o próprio tricolor, ambos em franco declínio na competição.

Portanto, já houve tempo mais do que suficiente para se avaliar a sua produção no comando técnico do Fluminense. Além disso, não dá para por a culpa da ineficiência do time no início de temporada, porque os jogadores não demonstraram falta de preparo físico ou desentrosamento, deficiências típicas de início de preparação.

O problema está mesmo nos conceitos do treinador. A sua filosofia de jogo foi bem absorvida pela equipe praticamente desde que a assumiu, tanto é que o Flu acertou o seu sistema defensivo com uma proteção à zaga mais eficiente, o que o tornou menos suscetível à saraivada de gols que vinha sofrendo e o que, felizmente, nos salvou do rebaixamento no campeonato brasileiro do ano passado.

Eduardo Baptista, assim, foi mantido no cargo, embora com um desempenho abaixo da média.

Ocorre que na cartilha em que estudou, alcançou somente metade das lições. Realmente, e não se pode desmerecer tal fato, Eduardo Baptista deu ao Fluminense uma concepção moderna de jogo: os jogadores sabem exatamente as suas funções dentro de campo, procuram ter o controle da partida mantendo a posse de bola e o número de “chutões” diminuiu consideravelmente. Já o vi sendo elogiado por mais de uma vez pelos pseudo-teóricos do futebol, regiamente pagos para dizerem asneiras como comentaristas de suas redes de televisão ou rádio.

Esse sentido de organização tática, porém, é uma fórmula disfarçada de retranca bem elaborada. Funciona até certo ponto, como ocorreu no Sport, se a defesa não falha.

Como, em regra, isso não ocorre no Fluminense, a tática do nosso treinador fatalmente sucumbe quando sofremos gols. Toques e mais toques, um falso domínio do jogo, a impressão de que podemos a qualquer tempo marcar...Ledo engano. Um erro e adeus à estratégia de Eduardo Baptista.

Isso, porque o Fluminense não sabe atacar. Como disse anteriormente, o nosso treinador estudou sua cartilha pela metade, é um treinador pela metade. Se dá ao time um sentido de organização tática defensiva, não tem a mesma qualidade para torná-lo ofensivo.

A produção ofensiva do tricolor sob o seu comando é risível, notando-se claramente, que o seu intuito é basicamente jogar para não perder. Contra o Atlético/PR, por exemplo, o Fluminense deu três chutes na direção do gol: um com Fred, outro com Ayrton e o pênalti perdido por Cícero.

Em 2016, perdemos do time paranaense, do Inter e só não perdemos do Shakhtar porque fomos beneficiados pela falha bisonha do zagueiro ucraniano.

Se alguém espera que produzamos algo além disso, pode tirar o cavalo da chuva. Eduardo Baptista ainda é um treinador em formação, não tem currículo à altura do Fluminense e foi contratado como mais uma aposta, outra que não deu certo. Não bastassem os lastimáveis equívocos: Cristóvão, Drubscky e Enderson.

Da sua cartola não sai outro coelho. Sua monossilábica estratégia é essa que temos visto: um conceito pela metade, onde os jogadores têm o controle aparente do jogo, mas não sabem o que fazer com a bola para dar ofensividade à equipe. E daí temos muitos empates, muitas derrotas e pouquíssimas vitórias.

Com esse minguado repertório, Baptista não levará o Fluminense a lugar algum. Uma pena, contudo, que a nossa diretoria de futebol não tenha se apercebido disso logo ao final do campeonato brasileiro de 2015. Poderíamos, agora, com um treinador experiente e vitorioso, à frente da pré-temporada tricolor, estarmos sonhando sonhos mais elevados.

Conformar-se com mais um ano de luta contra o rebaixamento, conformar-se com a mediocridade de um treinador que não está à altura da nossa história é apequenar-se.

Nosso rival contratou Muricy Ramalho que, por mais defeitos que possua, é um treinador experiente e vitorioso. Numa comparação singela, não há dúvidas de que, embora as equipes se equivalham tecnicamente, o rival sai na frente por ter um treinador mais conceituado.

Provavelmente, depois de mais alguns malogros, como costuma acontecer, alguém aceitará, tardiamente, que o Eduardo Baptista não é treinador para o Fluminense. Mas aí, como no ano passado, todo o planejamento será sacrificado pela mudança de comando no decorrer das competições.

E o pior é que, como das outras vezes – Cristóvão, Drubscky e Enderson – a emenda pode sair pior do que o soneto.

Se ainda há um pingo de bom senso em quem comanda o futebol tricolor, é bom, desde já, pensar num novo nome para substituir o atual treinador, porque este já está com seus dias contados. E que a sua competência não seja aferida por livros ou teses mirabolantes de um futebol moderno – que são bonitas na teoria, mas que na prática não funcionam -, porém, através de um currículo vitorioso e compatível com o que representa a grandiosa história do Fluminense.


O futebol é, em sua essência, simples e é na sua simplicidade que reside a sua eficiência.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Berço de craques

Desde a saída de Wellington Nem do Fluminense, Fred não esconde o desejo de ter um jogador no plantel que tivesse as suas características. Rápido, incisivo e articulado pelas pontas, W. Nem foi um garçom para o nosso artilheiro em diversas oportunidades, o parceiro ideal que deu a Fred gols e ao Fluminense inúmeras vitórias na campanha do título nacional de 2012.

Para suprir a sua ausência, nem o voluntarioso Marcos Junio, nem o fatigado Oswaldo foram verdadeiramente um Nem. Nenhum deles ou qualquer outro supriu essa carência proporcionada pela transferência da jovem revelação da base tricolor, Wellington Nem.

O pequenino deixou saudades para a torcida e, sobretudo, para Fred.

Agora surge a possibilidade do seu retorno ao Fluminense. Insatisfeito na Ucrânia, W.Nem, espiritalmente, nunca deixou o Tricolor. Sempre manifestou pelas redes sociais estar a par das notícias oriundas das Laranjeiras e, mais recentemente, deixou explícito o seu desejo de retorno ao clube que o formou.

Com a inviabilidade financeira de sua compra, surgiu a possibilidade de tê-lo de volta numa troca envolvendo algum ou alguns jogadores tricolores.

E aí nasceu o primeiro grande imbróglio do ano.

Os ucranianos não são tolos. Não querem mais WN, mas não o cederiam por qualquer bagatela. Sendo inviável a venda, a opção remanescente foi a troca. E muitos de nós nos iludimos acreditando que escolheriam um de nossos nomes dispensáveis.

Ledo engano. Ninguém é mais bobo no futebol, principalmente a partir do momento em que o futebol deixou de ser meramente um esporte para se tornar um negócio.

Assim, os olhos aguçados dos dirigentes do Shakhtar, auxiliados pela exposição proporcionada pelo Florida Cup, mostraram que poderia ser um bom negócio levar para a Europa o jovem e promissor Danielzinho.

Por que escolheram Danielzinho? Porque para quem entende um pouquinho de futebol, descobre-se o talento quando o encontro entre o jogador e a bola não é apenas uma mera formalidade, mas uma relação de amor à primeira vista.

Quem acompanhou jogos do Flu sub-20, sabe do que estou falando. E o garoto não se inibiu quando chamado a integrar o profissional no recente torneio em terras estadunidenses. Mostrou que sabe, sabe muito, e que poderá ser utilíssimo como meia de criação ao Fluminense.

Foi do tricolor de coração e jovem fã de Deco e Iniesta, uma das jogadas mais espetaculares a que já assisti recentemente, um festival de “canetas” em vascaínos pelo campeonato brasileiro sub-20 de 2015, jogada que levou Falcão, o bicampeão mundial de futsal, a postar o seguinte comentário em seu Instagram: "Caraca, que coisa linda! Que caneta!".

As opções postas, portanto, tornam ainda mais cruel a decisão. Dói menos saber que se trata de uma proposta de troca por empréstimo de um ano, com opção prioritária de compra para ambos os clubes ao final do prazo.

Pensando friamente, o que não é muito comum no futebol, campo das paixões, eu seria favorável ao negócio. W. Nem poderia reviver no seu clube formador o desempenho de de 2012, oportunizando a Fred novamente o protagonismo que há algum tempo o abandonara. Seria formidável ver essa dupla novamente, embora seja evidente que o tempo é cruel, sobretudo no desempenho de atletas de futebol. Assim, mesmo com a vinda de Nem, 2012 pode ser apenas um sonho distante.

De qualquer forma, se o Flu optar pela troca, minha intuição diz que muito se deverá ao desejo de Fred. Para o artilheiro, Nem é a oportunidade que aguardou por quase quatro anos de tornar a ser aquele Fred do último título brasileiro.

Além disso, W. Nem viria para ser titular, enquanto Daniel, se muito, disputaria posição na armação do time, onde nomes como Scarpa, Diego Souza e Cícero, embora este último sob o comando de Baptista esteja atuando mais recuado, já têm praticamente posições garantidas.

Por outro lado, quando permito ao meu coração pensar mais alto, sou refratário à transação.

Gostaria de ver o talento que o garoto demonstrou na base encantar também nos profissionais, acompanhar o seu desenvolvimento dentro de campo e descobrir o quanto poderia ser útil para o crescimento técnico da equipe. Nesse momento, sou imediatista. Aguardar um ano – se não for vendido – para tê-lo de volta seria, para dizer o menos, angustiante.

Essa possibilidade de não repatriá-lo também me preocupa. Se não for fixado um valor que leve em consideração o que é e o que pode vir a ser essa joia tricolor, o Shakhtar, utilizando-se da prerrogativa da opção de compra, poderá tirá-lo sem maiores esforços das Laranjeiras.

Portanto, a diretoria tricolor está numa encruzilhada. Se optar pela troca, deverá, minimamente, garantir contratualmente um preço muito além do justo para evitar a perda definitiva do jovem Daniel.

E aí, o que fazer? A batata quente está nas mãos da diretoria tricolor que, espero, seja iluminada o suficiente para decidir o melhor para o Fluminense.


De toda a sorte, uma constatação: discutimos se é viável ou não a troca de dois jogadores formados na base tricolor. Uma promessa, outro feito. Uma prova irrefutável de que temos um berço de ouro chamado Xerém. Isso é o que vale.