quinta-feira, 21 de abril de 2016

É campeão!

O campeão da Primeira Liga é o Fluminense! A Primeira Liga, uma competição nascida da indignação contra os abusos de uma Federação perversa, é do Fluminense! Na vanguarda, como sempre, o Fluminense!

Qualquer crônica sobre o que aconteceu ontem à noite não maculará o bom estilo literário ao citar o Fluminense mil vezes. Hoje, portanto, me perdoem, mas repetirei propositalmente Fluminense tantas vezes quantas achar necessário.

O problema maior para um torcedor resenhar um jogo de decisão de seu time in loco, é que por noventa minutos ele está temporariamente cego. Não vê, apenas sente.

E foi o que aconteceu comigo ontem em Juiz de Fora. Senti a estrada, senti a chegada ao estádio, senti a torcida tomando assento, senti a tensão, senti a festa nas arquibancadas, senti o gol, senti o título!

Senti até o lacrimogêneo, mas não permitirei que isso atrapalhe o meu sentimento neste momento.

Foi uma noite de sentimentos maravilhosos, de reencontro do Fluminense com um título depois de quase quatro anos de jejum, de reencontro da torcida com o seu verdadeiro Fluminense.

Vistoso, impetuoso, decidido, imbuído, garboso, o Fluminense foi de tudo um pouco e não podia deixar de sair da Manchester Mineira sem esse título. Os sustos fazem parte do espetáculo e de uma estratégia absolutamente ofensiva que, vez por outra, deixa espaços atrás.

Mas a sorte, em alguns momentos, e a competência da equipe comandada por Levir Culpi, não permitiram que o Fluminense sofresse um revés que seria uma enorme injustiça. Uma injustiça também com o torcedor que saiu do Rio de Janeiro, ficou preso num engarrafamento monstruoso e entrou no estádio quase no intervalo da partida. Uma injustiça com os tricolores mineiros de Miraí, Bicas, Juiz de Fora, Varginha, da Flumineiros, da E.T. Nense, da Miraí Flu, que estavam por toda a parte do Estádio Mario Helênio e não mereciam pegar a estrada de volta para casa sem esse título na bagagem.

Quiseram os deuses do futebol, porém, que a taça ficasse nas melhores mãos e que o gol do título, aguardado há quase quatro anos, nascesse de um passe de um veterano e terminasse com a nova geração do Fluminense, a geração de Xerém, o encontro do passado com o presente fazendo a história tricolor.

Festa da torcida tricolor em Juiz de Fora e em todo o Brasil, festa do pequenino Lucas, tricolor de cinco anos, de Bicas/MG, que estava com a irmã, pais e avós ao meu lado na arquibancada e a quem fiz questão de dar uma faixa de campeão. O pequeno não podia voltar para casa sem ela e eu não podia voltar para a minha sem presenteá-lo com aquele singelo troféu.

Infelizmente, não pude tirar uma foto do tricolorzinho e de sua expressão de felicidade com a sua faixa, porque em seguida começaram a pipocar as bombas de gás lacrimogêneo atiradas por uma despreparada – como sempre – polícia militar.

Mas nem ela, a polícia, ofuscou a grandiosidade do título e a festa da torcida, uma torcida que soltou o grito de campeão engasgado há anos, fazendo-o ressoar pelos corações de cada um de nós, tricolores apaixonados.

E esse título, sejamos justos, tem três donos: Levir, que deu nova vida ao Fluminense; o time, que entendeu e aquiesceu à sua estratégia; e a torcida, que é o motivo disso tudo.

Ainda ouço os gritos de campeão. Estão impregnados em mim indelevelmente. São os meus troféus, guardados eternamente na minha alma.


Enquanto isso, o Fluminense é novamente campeão, campeão da Primeira Liga, campeão de cada um de nós. O primeiro e o último, o tudo.

Comemore, tricolor, porque hoje o dia nasceu mais bonito, porque hoje você é campeão! 

domingo, 10 de abril de 2016

Levir ou Fred?

Qualquer conversa que envolva o Fluminense deve ter por respeitada uma premissa inarredável: Nada ou ninguém é maior do que Ele.

Quando Levir Culpi assumiu o Tricolor, depois de algumas apostas que não deram certo, uma das suas primeiras marcas foi mostrar que, no clube, cada um deve ter predefinida a sua função. Simples de se entender: um treinador comanda o time, um jogador treina, joga e obedece às suas determinações.

Levir, pensando em preservar o artilheiro – após um mês fora dos campos - e, sobretudo porque Fred não poderá disputar a final da primeira Liga, optou por colocá-lo em campo não mais do que 60 min, substituindo-o ainda no início da segunda etapa.

Pensei cá com meus botões: Fred não deve estar gostando disso.

E não estava.

Não foi surpresa o seu sentimento de desaprovação, mas foi surpresa que a sua manifestação – deixando de participar de dois treinos, de viajar com a equipe para Volta Redonda e anunciar: “Ou Levir ou eu!” – tenha ocorrido às vésperas de uma importante decisão para o Fluminense.

A sua atitude demonstrou nitidamente que se preocupa mais consigo do que com o Tricolor.

Fred reinou absoluto no Flu, enquanto teve um vice de futebol e alguns treinadores que lhe fizeram todas as vontades. Encontrou, contudo, em Levir, um técnico que pensa mais no conjunto, mais no interesse coletivo e mais no Fluminense do que nele.

Todos sabemos o quanto Fred foi importante para o Fluminense e o quanto o Fluminense foi importante para o Fred. Nessa ponderação de importâncias, ninguém deve nada a ninguém.

Mas se o artilheiro não consegue aceitar que se criem alternativas a si, como Levir tem feito ao tirar o Fluminense da mesmice que era a dependência exclusiva do artilheiro, demonstra unicamente egoísmo, orgulho e vaidade que não se coadunam com o sentimento de coletividade e solidariedade que deve nortear uma equipe de futebol.

Levir Culpi não barrou o artilheiro. Apenas o substituiu no decorrer dos jogos. Imagino que Fred tenha pressentido que em breve poderia perder a vaga, mas nem isso justificaria a sua conduta, praticamente impondo ao Presidente do Clube, como num ultimato, que a sua permanência dependeria da saída do treinador.

Fred é o terceiro maior artilheiro da história do clube. Foi imprescindível nas campanhas de 2009, 2010 (em certa parte) e sobretudo em 2012, mas se o seu ego não admite que seja contrariado, ainda que para o bem do Fluminense, que vá ser feliz n’outro lugar.

Será difícil ver o artilheiro vestindo outra camisa, especialmente no Brasil, mas é assim que funciona o futebol moderno. Não há romantismo, há interesses, e quando esses não se combinam mais, resta a rescisão, se possível amigável.

Hoje, Levir resolve dois problemas no Fluminense: primeiro a faz jogar futebol e, segundo, mostra que treinador de pulso não se submete a caprichos de quem quer que seja.

Ao contrário de Fred, Levir sabe que o Fluminense é muito maior do que ele.

De toda a sorte, seria muito melhor para o clube, neste momento, que o artilheiro repensasse o seu gesto, pedisse desculpas e ambos contribuíssem, cada qual com suas virtudes, para um Fluminense melhor e maior.


Seria uma atitude honrada e digna de um ídolo.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Fluminense vs Tombense

A Copa do Brasil é uma competição única, especial em relação às demais. Não apenas porque é o caminho mais curto para a Libertadores da América, mas porque é democrática no sentido de proporcionar aos clubes modestos do interior deste imenso Brasil, como o Tombense, a chance de enfrentarem os maiores clubes nacionais.

E isso me traz um prazer especial, que é saber que aquele torcedor tricolor que talvez nunca tenha assistido ao seu clube do coração in loco, tem a chance de sentir de perto essa inefável emoção. É isso o que sinto quando a câmera percorre a arquibancada e estampa aqueles rostos que não escondem a alegria de estar vivenciando essa paixão.

Hoje foi a torcida tricolor de Muriaé e de outras cidades da Zona da Mata mineira que teve essa feliz experiência, a oportunidade de voltar para casa com o Fluminense ainda mais impregnado em seu coração.

O time, que a cada jogo conquista mais a confiança do treinador e da torcida, vai se consolidando numa formação definitiva. Com uma ou outra alteração, parece que essa vai ser a equipe que se encarregará de ser a base que nos dará as sonhadas alegrias em 2016. Levir, é claro, é o maior responsável por essa renovação tricolor.

Apesar disso, o Flu começou o jogo contra a modesta Tombense sofrendo sustos. De um erro de passe de Pierre, surgiram as melhores oportunidades da equipe mineira no primeiro tempo. Logo após, porém, o Tricolor se assentou em campo e passou a dominar as ações ofensivas, mesmo sem ser brilhante.

Por falar em brilhante, se o time não o foi como um todo, Scarpa e Cícero, pode-se dizer, chegaram perto disso. Cícero deu um chapéu fantástico num adversário em jogada que terminou com um gol de Scarpa bem anulado. Logo depois, com o lado de fora do pé, de um passe perfeito para Gerson fazer o primeiro gol tricolor.

Scarpa, por sua vez, foi onipresente dentro de campo. Fez de tudo e com muita qualidade, constituindo-se figura imprescindível para esse novo Fluminense.

Marcos Junio deu números finais ao primeiro tempo após belo cruzamento de Jonatham que aproveitou, em total liberdade, para marcar de cabeça.

O Tricolor reduziu o ímpeto na segunda etapa, dando campo ao adversário com o nítido propósito de explorar os contra-ataques e os erros do adversário.

Edson e Magno Alves substituíram Gerson e Fred e o time ganhou mais velocidade. Aliás, o Fluminense tem agora um treinador que não teme sacar o artilheiro quando é necessário, porque Levir deu ao time alternativas à única jogada ofensiva tricolor vigente nas últimas temporadas.

Marcos Junio fez o terceiro tricolor, o seu segundo, após belo passe de Scarpa, e foi outro que se destacou positivamente na partida, aproveitando a oportunidade proporcionada pela ausência forçada de Osvaldo.

O Flu foi a Muriaé, não foi espetacular, mas cumpriu seu objetivo: evitou a partida de volta, que ocorreria em 25 de abril, justamente no período entre as semifinais e finais do carioca. Além disso, mostrou mais uma vez que está se consolidando como equipe competitiva: está na final da primeira liga, disputará as finais do carioca e já avançou de fase na Copa do Brasil.

Ótimas perspectivas para quem não tinha nenhuma no início da temporada.

São Levir! Campeão da Copa do Brasil com Cruzeiro e Atlético, quem sabe com o Flu?

Psicologicamente, o Fluminense já é um time renovado. Gradativamente vai também evoluindo tecnicamente. As perspectivas são outras. Tudo muda quando se trabalha com gente competente.


Sorte nossa, sorte daquela torcida mineira que voltou para casa feliz com a vitória de seu time do coração.

domingo, 27 de março de 2016

O Fluminense e Cruyff

O mundo deu adeus a Johan Cruyff, um dos maiores jogadores do futebol mundial, ícone do carrossel holandês de 1974 e ídolo como atleta e treinador no Ajax e no Barcelona. Sem dúvida, um dos maiores pensadores do futebol moderno.

Com a morte de Cruyff, morre também um pouco do futebol, daquele futebol romântico que já vem morrendo aos poucos ao longo dos últimos anos.

Mas o que tem Johan Cruyff com o Fluminense?

Segundo o blog de Mário Magalhães, no UOL, o craque holandês, que era comentarista esportivo durante a Copa de 1982, entrevistou Telê Santana, oportunidade em que o mestre tricolor ouviu do holandês queixas sobre o exercício da profissão de treinador em seu país, que exigia diplomas e certificados. Era desejo de Cruyff, após pendurar as chuteiras, exercer a profissão de treinador.

Telê, que sempre teve em seu coração o Fluminense, diante daquela pérola em busca de emprego, tratou de providenciar que o craque iniciasse no Clube das Laranjeiras a nova profissão.

Algumas tratativas foram feitas com os cartolas tricolores de então, mas não houve acordo quanto às bases salariais, inferiores ao que pretendia Cruyff. Soube-se, posteriormente, que por detalhes o acordo não foi fechado, mas e se tivesse sido?

Imagino o quanto poderia ter sido importante para o futebol brasileiro – e nesse momento é preciso pensar mais do que no próprio Fluminense – se o holandês tivesse aportado em terras brasileiras para comandar o escrete tricolor.

Provavelmente seu conceito tático de jogo ofensivo, incisivo, vistoso e eficiente, que pregava a polivalência dos jogadores dentro de campo, posse de bola e domínio avassalador sobre os adversários e que mais tarde foi aplicado com sucesso no Barcelona, pudesse ter revolucionado o futebol brasileiro.

Talvez o 7 a 1 pudesse ter sido evitado, talvez seus conceitos influenciassem gerações de treinadores, talvez não tivéssemos que conviver com Drubscks, Endersons, Baptistas, Cristóvãos e muitos outros impostores.

Infelizmente Cruyff não veio. Foi ser treinador do Ajax em 1986 e depois no Barcelona de 1988 a 1986, criou a filosofia que nos encanta até hoje e que tornou o time catalão um dos mais vitoriosos do mundo.

O Fluminense não foi o laboratório da sua arte por pouco. Perdemos todos os brasileiros amantes do futebol.

Mas a vida por aqui seguiu sem o holandês e o sonho da laranja mecânica tupiniquim morreu naquela já distante década de 1980. De lá para cá temos assistido de camarote ao futebol europeu sobrepujar o nosso, preço que se paga pela acomodação de quem um dia já teve o status de melhor futebol do mundo, mas jamais buscou a evolução.

O futebol brasileiro estagnou-se no tempo e perdeu-se na vaidade, orgulho e corrupção de seus dirigentes.

O Fluminense não formou seu carrossel, mas sobreviveu às intempéries do futebol, inclusive com cinco títulos nacionais, e à sua própria incompetência que, em certos momentos, quase o levou à ruína.

Águas passadas, porém, não movem moinhos.

Hoje temos Levir, a quem minimamente devemos um sentido de organização numa equipe vilipendiada por tanto tempo de descaso e a classificação para a disputa da final da primeira liga Rio-Sul-Minas. Muito ainda será feito. O caos leva tempo para ser corrigido e Levir, paulatinamente, encontrará um padrão para o Flu.


Uma nova história precisa ser contada e o ano, que parecia fadado ao insucesso, nos concede a esperança de sonhar com dias melhores. Então sonhemos.

domingo, 20 de março de 2016

Pondo ordem na casa

Levir Culpi chegou ao Flu para ser a esperança por dias melhores depois de sucessivos equívocos praticados pelo Departamento de Futebol Tricolor. Foram tantos equívocos nas escolhas de seus antecessores, e tão graves, que o próprio Levir, há doze dias no comando do Fluminense, admitiu que ainda levará tempo para encontrar uma identidade para a equipe.

Quando Levir diz que levará tempo para encontrar uma identidade para o time, utiliza-se de um eufemismo para dizer que encontrou uma verdadeira bagunça e precisará reorganizar a casa.

Essa avaliação do nosso treinador revela que todo o planejamento do ano foi desperdiçado com a equivocada manutenção de Eduardo Baptista para a temporada de 2016. Foi ele quem participou da pré-temporada e auxiliou na escolha de nomes para compor o elenco tricolor. A sua saída, que já era esperada em virtude da sua inaptidão para a função que exercia, corrigiu, ainda que tardiamente o equívoco, mas trouxe um enorme prejuízo para o ano tricolor.

E o prejuízo se nota bem claramente agora, quando Levir, na segunda quinzena de março, reconhece que precisará de mais tempo para reorganizar o time, dando-lhe a sua própria identidade. Praticamente nada do que foi feito pelo antigo treinador poderá ser aproveitado, senão seus muitos erros que devem servir para que Levir siga por outros caminhos.

Esse atraso, ou melhor, retrocesso, só teve uma consequência prática: impedir que o Fluminense largasse para a temporada em condições de igualdade com as demais equipes do futebol brasileiro.

Hoje, no Fla x Flu, Levir fará a sua terceira partida à frente do Tricolor e terá a oportunidade de sentir a equipe com a presença de Fred. Ele já sinalizou que há carências e que fará mudanças, algumas já percebidas hoje, mas a principal será dar ao Fluminense alternativas ofensivas fugindo das monossilábicas estratégias de seus antecessores, que tinham em Fred a opção única e inalterável de ataque.

O novo treinador, que de bobo não tem nada, sabe que os passes longos e os chuveirinhos para Fred podem funcionar em algumas oportunidades, mas não funcionam sempre, sobretudo quando a equipe é marcada sob pressão e o artilheiro sofre vigilância individual. Criar alternativas a essa estratégia frágil passa então a ser uma necessidade, mesmo e principalmente com a presença de Fred em campo.

Surpreender o adversário com o avanço dos meias e retirar do Flu aquela pecha de previsibilidade não será uma tarefa das mais fáceis, pois a equipe está acostumada a jogar para Fred, que é, há muito tempo, a única referência na frente.

Se não houver entraves, creio que Levir encontrará a melhor solução. Mas é preciso de tempo para por ordem na casa e em todos os setores da equipe, porque uma estrutura que foi relegada a segundo plano nesses últimos dois anos não será reorganizada em poucos dias. Este será o seu terceiro teste (o segundo com a equipe principal) para encontrar um padrão tático definido e reconstruir o Fluminense como equipe, reagrupando peças, formulando novas estratégias e injetando moral no grupo.


E eu acredito que este Fla X Flu na terra da garoa será o marco inicial para que o Fluminense torne a ter novamente a cara de um time vencedor. Temos um treinador, temos um time, falta voltar a vencer um clássico e, principalmente, mostrar ao torcedor que a equipe pode se renovar em espírito sob o comando de Levir Culpi. Se vencer o Flamengo hoje, e com bom futebol, o Fluminense dará um importante passo para recuperar sua autoestima e realinhar-se na busca de melhores dias, sendo protagonista e não mero coadjuvante das principais competições nacionais.

domingo, 13 de março de 2016

Fla-Flu na pauliceia

Aleluia! Depois de tanta insensatez, a nossa vetusta FERJ agiu com bom-senso. O Fla-Flu na terra da garoa é uma bola dentro.

Sem estádios próprios para disputar jogos oficiais, sem o Maracanã e o Engenhão, sobram as alternativas de sempre para que a dupla mande seus jogos: Moacyrzão, Estádio da Cidadania, Giulite Coutinho. Nenhum desses, porém, apto a suportar a grandeza do clássico.

Fora do Rio, as opções de Juiz de Fora e Vitória seriam viáveis. Mas, São Paulo é São Paulo. Um Fla-Flu na Terra da Garoa seria uma atração e tanto para o povo paulistano, para os tricolores e rubro-negros que moram por lá e para os turistas. Nesse combalido campeonato carioca, talvez seja o jogo mais interessante de se assistir, justamente por ser sediado na capital paulista.

O Pacaembu é um estádio tradicional, bem localizado e seu gramado é um tapete. Imagino o paulistano que deseje um programa diferente após aquela bela macarronada de domingo. Nada melhor do que assistir ao clássico mais tradicional do Brasil em sua própria casa. Assim, quem sabe, não angariamos alguns simpatizantes por lá.

O Santos já fez muito disso aqui no Rio na década de 1960. O Corinthians já mandou jogos no Maracanã mais recentemente. Essa interação, independentemente da rixa futebolística entre paulistas e cariocas, é salutar para o futebol brasileiro. O meu saudoso pai, tricolor de quatro costados, tinha o Santos como o seu segundo time e me contava que o Maraca lotava para assistir ao escrete da Vila Belmiro de Pelé e cia.

São outros tempos, sem o glamour de outrora, mas parece de bom alvitre que, vez por outra, essa conexão possa ser realizada entre as cidades irmãs.

Sem estádios, porque com o Maracanã nunca se sabe quando se poderá contar, o Pacaembu poderá ser mais uma opção de mando de campo de tricolores e rubro-negros futuramente.

São Paulo fica a um pulo daqui na ponte-aérea, o que significa menos desgaste para os jogadores do que se a partida fosse disputada em Volta Redonda ou Macaé, por exemplo.

Há a questão da torcida. Mas qual a diferença entre a quantidade de público que vai aos jogos do Flu nesta malfadada competição e a que irá em São Paulo? E, num clássico como esse, as famílias se ausentam temendo a violência, sobretudo quando o jogo não é no Maracanã. Além disso, tem muito tricolor que trabalha por lá que poderá antecipar o seu retorno no domingo para prestigiar o Fluminense.

São Paulo, por sua importância e grandiosidade, merece receber o maior clássico brasileiro pela segunda vez na história – a primeira foi em 1942, quando ocorreu um empate sem gols.

São Paulo merece sentir o cheiro de um Fla-Flu, viver um pouco dessa história, embriagar-se dessas cores. Certamente, o domingo, 20 de março de 2016, acrescentará a todas as virtudes paulistanas mais uma: a honra de sediar o mais importante clássico do futebol nacional.


A pauliceia desvairada de Mario de Andrade merece, e o poeta, maior amante de São Paulo, de onde estiver, sorrirá.

domingo, 6 de março de 2016

Vida nova

Acabaram as especulações. Temos um treinador: Levir Culpi. Não digo “novo” treinador, porque os seus últimos antecessores no cargo eram aprendizes, estudiosos, amadores, curiosos, qualquer coisa menos treinador de futebol. Depois de um longo e tenebroso inverno, poderemos olhar para o banco de reservas e ver alguém que tenha minimamente a capacidade de comandar a equipe. Aliás, mais do que minimamente, porque se Levir não era o sonho de consumo da torcida – e nem o meu – pelo menos tem história no futebol.
                   
Não que seja uma história de grandes conquistas, mas é incontestável que entende do que faz. O seu currículo, embora restrito a conquistas regionais, duas copas do Brasil, duas Recopas e dois campeonatos brasileiros da série B, é um currículo:

Inter de Limeira - Campeonato Brasileiro - Série B1988;
São Paulo - Campeonato Paulista2000;

E se é para apostar, que se aposte com um Levir, não com um Drubscky.

Não quero especular como será a sua relação com Fred. Para ter autonomia e desenvolver o seu trabalho, inexoravelmente, em algum momento, eles entrarão em rota de colisão. Se quiser dar à equipe uma nova forma, precisará criar alternativas ao artilheiro, mesmo quando ele estiver dentro de campo, e isso poderá desagradar o artilheiro, que tinha sobre Cristóvão, Drubscky, Enderson e Eduardo controle absoluto. Esse será um dos seus maiores problemas. O outro será acertar essa defesa.

Provavelmente indicará algum nome para o elenco, tentará inicialmente mexer pouco na equipe, mas com o tempo será necessário implementar o seu próprio estilo, o que esperamos, seja suficiente para dar ao Fluminense uma cara nova, diferente daquela cara que nunca foi a do verdadeiro Fluminense.

O tempo já foi perdido. Quando o  Fluminense optou por contratar amadores, agiu ele próprio com amadorismo. Um comandante tem que ser o líder, o estrategista e nunca deveria ter sido relegado a segundo plano. Foi um erro crasso que foi corrigido com a contratação de Levir. Se vai dar certo ou não, são outros quinhentos. Pelo menos tem nome e história para ser um treinador de uma equipe da grandeza do Tricolor.

E se temos treinador, temos também novo uniforme – enquanto escrevo esta coluna a festa de lançamento ocorre e, por isso, não posso opinar sobre o manto tricolor. A DryWorld apostou no Fluminense e o Fluminense na empresa canadense. Depois de quase vinte anos com a Adidas, o Tricolor espera ser mais valorizado. E já está sendo, pois o contrato é mais vantajoso financeiramente para o Flu. Mas também é preciso atender o varejista com presteza e quantidade suficiente para a demanda. E o principal: a a qualidade do material. É uma parceria que tem tudo para dar certo.

As esperanças renascem nos tricolores. Um treinador de verdade, novo uniforme e a expectativa de que o Fluminense torne a ser o time guerreiro de outrora. O torcedor tem saudades do time brioso e competitivo que se apresentou pela última vez já no distante ano de 2012. Levir terá a missão de resgatar o espírito daquela conquista e precisará de paz para trabalhar. Sejamos pacientes, portanto. O Fluminense agradece.





[1] Fonte: Wikipédia.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Quem paga a conta?

Mário Bittencourt, Fernando de Simone e Eduardo Baptista já são parte do passado. Após a queda de todo o departamento de futebol do Fluminense, é preciso, porém, apontar algumas responsabilidades.

Qualquer tricolor afeito às coisas do futebol sabia que Eduardo Baptista era um treinador com prazo de validade. Não apenas ele, mas Cristóvão, Drubscky e Enderson também. Alguns lhe davam um prazo mais dilatado, outros menos. Eu, por exemplo, imaginava que fosse demitido ao fim do campeonato brasileiro de 2015. Estava claro que Eduardo Baptista era uma aposta, mais uma daquelas que não deu certo, e que não havia a mínima condição técnica para se manter no comando de um clube da grandeza do Fluminense.

Eduardo Baptista foi, enfim, demitido, mas a sua demissão, embora constitua um alento, mostra também o último dos equívocos de um departamento de futebol inepto. Vale lembrar que foi ele quem participou da pré-temporada e da escolha de alguns dos nomes do atual elenco tricolor. Mantê-lo, portanto, para a temporada de 2016, além de um grave erro técnico foi também uma terrível falha de planejamento, o que pode por em risco o trabalho de um ano inteiro.

E assim também foi com os outros três citados, equívocos crassos, gastos desnecessários, planejamentos desfeitos, três anos jogados no lixo.

Contratações caras e equivocadas de jogadores também fizeram parte do rol de malfeitos ao clube. Muito dinheiro desperdiçado de forma inconsequente que ajudaram a esvaziar ainda mais os já combalidos cofres tricolores.

E de quem é a responsabilidade?

O próprio presidente Peter justificou a saída de Mario Bittencourt da vice-presidência de futebol, aduzindo que o seu projeto pessoal não poderia ser maior do que o do Fluminense. O presidente reconheceu, assim, que tudo o que Mario Bittencourt fez desde que assumiu o futebol do clube foi pensando nele, na sua candidatura a presidência e não no Fluminense. Parece que a megalomania do ex-vice de futebol teve o seu ápice no episódio Ronaldinho Gaúcho e o festival de incompetência deu ao Fluminense, nesses últimos anos, ares de uma verdadeira “casa da mãe Joana”.

R10, certamente, foi o mais emblemático dos caríssimos equívocos. Houve outros: Breno Lopes, W. Paulista, Magno Alves, Jonathan etc, etc e etc...

Dinheiro do clube que custeou o seu projeto pessoal de se candidatar com chances de vencer as eleições para presidente do Flu. Não contava, contudo, com a sua própria incompetência nos assuntos do futebol. Tanta incompetência que resolveu dar às suas estrelas treinadores de quinta categoria, porque o que importava, na sua concepção primária de conhecedor de futebol, era que dentro de campo Fred comandasse a festa rodeado de medalhões aposentados e outras barangas que trouxe para o Fluminense.

Mas a incompetência tem limite. E o limite foi a sucessão de vexames, desmandos, equívocos a que foi submetido o futebol do clube. Ultrajes e acintes à torcida em nome de um projeto pessoal.

Mas Mario já está fora e é bom lembrar também que o presidente que hoje lava as mãos foi quem encampou esse “projeto pessoal”, durante todo esse período cinzento da história tricolor. Aliás, Mário era também um projeto de Peter para a sucessão do Fluminense. Foi assim pelo menos no início, quando deu ao advogado o cargo de vice de futebol do clube, contribuindo, assim, para tudo o que de ruim foi feito desde então.

A insustentabilidade da situação nos gramados, a pressão da Flu Sócio e da torcida certamente influíram no ânimo do presidente Peter que, apesar da sua enorme parcela de responsabilidade e, embora tardiamente, agiu.

E quem paga a conta desses despropósitos? Peter, Mario? Certamente, não. Quem paga a conta como sempre, somos nós, os que sofrem pelos achincalhes a que o nosso Fluminense tem sido submetido há anos. Quem paga também são os cofres do clube pela malversação do dinheiro tricolor.

Seria de bom alvitre que os dirigentes se responsabilizassem efetivamente pelos seus malfeitos administrativos. A lei que os pune, por enquanto, é letra morta, apesar de estar em vigor desde agosto de 2015 (Lei 13155/2015, Capítulo III, que trata da gestão temerária) e a moralização do futebol ainda está longe de ser alcançada.

Não é justo que esse legado seja absorvido pelo clube. Também não é justo que seja o torcedor sempre o destinatário das consequências das irresponsabilidades dos dirigentes de seus clubes e de suas gestões temerárias. É preciso moralizar o futebol a partir de uma administração clubística eficiente, responsável e comprometida com os estatutos sociais e com os anseios do torcedor. Vale dizer: é preciso profissionalismo para se remunerar bem os melhores, os que atinjam os objetivos e cobrar daqueles que, por incompetência ou má fé proporcionem prejuízos.

O presidente Peter, pressionado, corrigiu um erro que deveria ter evitado. Poderia – após duas vitórias consagradoras nas urnas e com o apoio maciço do conselho - ter sido um dos maiores presidentes da história do Fluminense, mas terminará seu mandato melancolicamente, como um administrador que embora tenha contribuído para a solução de diversos problemas financeiros do clube e reinventado Xerém, mostrou-se pusilânime na condução dos assuntos relacionados ao futebol delegando-o a pessoas de seu círculo de amizades, muitas delas sem a capacidade profissional necessária para dar um bom rumo ao mais importante departamento do Fluminense.

Mario Bittencourt, por vaidade, levará a cabo o seu projeto de ser presidente do clube, mas sem a máquina administrativa de que se serviu até ser exonerado e com um histórico de incompetência no comando do futebol tricolor. Receberá a pronta resposta do torcedor nas urnas.

Enquanto isso, livre provisoriamente da vaidade e inépcia do seu departamento de futebol, sobrevive o Fluminense à espera de novos tempos, como aqueles que se encerraram naquela tarde quente de dezembro de 2012.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Emmanuel Coelho Netto, um herói tricolor

Emmanuel Coelho Netto, o “Mano”, morreu em 1922. O Brasil alcançava o período do modernismo cultural, quando “Mano”, ponta direita do Fluminense, entrava em campo contra o São Cristóvão e recebia uma forte pancada no abdome. Foi retirado de campo e massageado, mas como naquela época ainda não havia as substituições, mesmo sem condições físicas, tornou ao campo de jogo, agravando seu quadro, apenas para não prejudicar o seu clube do coração, permanecendo até o final da partida. Morreria 48 horas depois, no dia 30 de setembro de 1922, de infecção generalizada em decorrência do golpe sofrido. [1]

O “Mano” era o irmão mais velho  - de um total de doze – de João Coelho Netto, o “Preguinho”. Este, justamente aclamado como um dos maiores ídolos da história do Fluminense Football Club, multiatleta, campeão em oito modalidades esportivas e que, em 1925, após sagrar-se campeão de natação ajudou o seu clube a conquistar uma vitória no futebol, um verdadeiro campeão de terra e mar.

Mas a história de “Preguinho”, morto em 1979, após mais de seis décadas dedicadas ao seu clube do coração, é bem mais conhecida e reverenciada pelos torcedores, um mito que será lembrado pela eternidade como um dos maiores, senão o maior nome que já envergou a camisa tricolor em todos os tempos.

Por isso faço aqui uma exceção para falar de “Mano”, cujo sangue dos Coelho Netto honrou com galhardia, desfilando seu talento pela equipe amadora do Fluminense desde o ano de 1915 até a sua morte sete anos depois. Praticamente um desconhecido por grande parte da torcida, embora seu gesto de sacrifício supremo tenha o condão de elevá-lo ao patamar dos maiores ídolos tricolores, “Mano” é um herói que o Fluminense não pode esquecer.

Emmanuel Coelho Netto foi um desportista tricolor que honrou a camisa de seu clube e, literalmente, morreu por ele. Era outra época, por certo, uma época romântica, onde o amadorismo era a fiel expressão de que os atletas competiam por amor aos seus clubes.

Impensável hoje em dia, afinal de contas o profissionalismo, que tanto impulso deu ao futebol, também foi o responsável pelo sepultamento do “amor à camisa”. Apesar de saudosista, não prego um retorno do futebol àquela época. São outros tempos e o profissionalismo, para o bem ou para o mal, está fincado em raízes tão profundas que jamais poderia ser arrancadas.

Quando penso em “Mano”, porém, assim como quando penso em “Preguinho”, Castilho, Telê, por exemplo, penso em heróis. Heróis de carne e osso, gente que deu o suor, deu o sangue, deu a vida pelo Fluminense sem esperar nada em troca, senão a vitória dentro de campo. Penso no exemplo desses homens para as gerações futuras, penso que suas histórias deveriam ser transmitidas de pai para filho, penso que o clube deveria fomentar a divulgação desses belos exemplos de amor incondicional ao clube do coração entre seus atletas.

O exemplo arrasta, já se disse. E, conquanto os grandes ídolos tricolores já não estejam mais entre nós para contar suas histórias de amor ao Fluminense, seus exemplos permanecem vivos, como o do dedo amputado de Castilho, do contrato de “um tostão” firmado por “Preguinho” para se profissionalizar – profissionalismo que se negou a aceitar por toda a sua vida como  jogador do Fluminense, porque para ele era impensável receber para defender as cores do clube amado – e, sobretudo, o da própria existência de “Mano”, sacrificada por seu desejo incontido de defender o Fluminense, mesmo após grave lesão sofrida em campo de jogo.

São os exemplos desses heróis que devem ser contados todos os dias. Há muitos dentro do Fluminense que precisam conhecê-los. Gente que se locupleta do clube, que pratica malfeitos e de outros, ainda, que se arvoram maiores do que a instituição.

Voltar no tempo é uma quimera, mas trazer os bons exemplos de volta é uma medida que pode não curar os males do Fluminense atual, mas fará aqueles que ainda têm um pingo de consciência repensarem suas atitudes: funcionários, dirigentes e jogadores, além de dar ao torcedor um paradigma a seguir a fim de que possa reconhecer quem serve ao clube e quem se serve dele.

“Mano”, por ocasião dos cinquenta anos de sua passagem, em 1972, teve uma placa de bronze oferecida pelo clube em sua homenagem. A placa eternizou o herói. Que o eternizemos, também, não deixando que o seu exemplo morra em nossas lembranças e corações.



[1] BARBOSA JR. WALDIR, Preguinho – Confissões de um Gigante – Depoimentos do atleta João Coelho Netto ao Jornalista Waldir Barbosa, Edição do autor, Rio de Janeiro, 2013.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Treinadores ou fantoches?

O comando do departamento de futebol do Fluminense, leiam-se Mario Bittencourt e Fernando Simone, mantém, reiteradamente, a estratégia de investir em treinadores de baixo custo para o clube e qualidade pra lá de duvidosa.

No começo, a desculpa foi a saída da Unimed, a perda do poder econômico e a aposta no “bom, bonito e barato”.

Para ser sincero, nunca acreditei nesse pretexto. As milionárias renovações dos contratos de Fred, Wagner, Jean e Cavalieri, por exemplo, não permitiram. Havia dinheiro, certamente não oriundo de uma torneira que o despejava de forma tão profusa nas Laranjeiras, mas ele existia.

E ainda houve a contratação estapafúrdia de Ronaldinho Gaúcho, outro desbarato da atual administração.

Para a atual temporada, nomes como Diego Souza e Henrique, cujos salários atingem somas elevadas, além de outros tantos que, mesmo imerecedores das vultosas quantias que recebem, continuam onerando os cofres do clube e oferecendo muito pouco ou nenhum retorno, são a prova cabal de que o Fluminense, em regra, gasta muito e gasta mal nas suas contratações.

Não questiono, evidentemente, as acertadas renovações de contrato ao fim da parceria com a Unimed, as quais deram fôlego suficiente para que o Fluminense suportasse o complicado ano que se avizinhava.

Nem é meu propósito avaliar o acerto e desacerto de cada contratação posterior. Via de regra, foram apostas que, diante da nova realidade financeira do clube, deveriam ter sido feitas.

A questão que se põe é: se havia dinheiro para contratar jogadores, por que não se considerou a hipótese de trazer um nome experimentado e vitorioso para treinador da equipe? Um técnico à altura do Fluminense não seria garantia de que desse certo. Muitos não deram, aqui e em outros clubes, mas daria ao torcedor a certeza de que haveria independência no comando técnico da equipe.

Talvez seja essa a palavra chave: independência. Cristóvão, Drubscky, Enderson e Eduardo Baptista são treinadores pouco experimentados, sem currículo e que têm, no comando do Flu, a oportunidade de ouro de suas vidas. Garantir seus empregos, portanto, deve ter sido a primeira meta que traçaram ao aceitarem trabalhar no Tricolor.

Devo imaginar, porém, que na mente desses desprestigiados treinadores, a garantia de emprego passa invariavelmente pela subserviência.

Talvez tenha sido essa subserviência, essa dependência, que os trouxe e os manteve no Fluminense, mesmo após pífios resultados. Talvez tenha sido esse critério reiteradamente repetido, num equívoco atrás do outro, desde Cristóvão até Eduardo, não se sabendo se essa cadeia irá mais longe.

Diante da cúpula do futebol tricolor, o acatamento irrestrito às suas ordens, mesmo inúmeras vezes equivocadas, além, é claro, do respeito às ponderações do líder da equipe, Fred, tenha sido preponderante para se criar um perfil adequado de treinador para o Fluminense atual.

Um perfil adequado à diretoria e ultrajante a todos nós torcedores.

Um clube da grandeza do Fluminense não pode se submeter a títeres travestidos de treinadores que aceitam a interferência de terceiros nas suas funções. Não há outra explicação, senão a de se ter no cargo um manipulável, as contratações dos nomes anteriormente citados.

Todos têm exatamente o mesmo perfil: pouca experiência, pouco currículo e bastante docilidade.

Eduardo Baptista é o fantoche atual. O Fluminense, sob o seu comando, tem um desempenho risível de mais de vinte jogos e apenas seis vitórias, sendo uma na atual temporada. Um desempenho que não se coaduna nem mesmo com treinador de Bacaxás da vida.

Mesmo assim, contudo, continua firme a forte à frente do time, garantido pela soberba daquele para quem o ano de 2015 foi positivo.

Já disse em outros momentos que o senhor Eduardo Baptista não deveria nem mesmo ter pisado nas Laranjeiras para a temporada 2016. Foi um erro crasso de planejamento, um erro que ainda não foi corrigido porque a vaidade e a soberba de quem manda no clube não permitem, porque “dar o braço a torcer” seria o reconhecimento da incapacidade profissional desses gestores.

Será demitido em breve, logo após o próximo vexame que, espero, não ocorra contra o arquirrival em 21 de fevereiro. Que vá antes e nos poupe da galhofa e que vão também, se ainda houver hombridade, os administradores que tantos malfeitos causaram ao Fluminense nos últimos anos.

Assim, ainda poderemos sonhar com um departamento técnico profissional, eficiente e dedicado ao Fluminense, que contrate um treinador à altura do clube e não mais um fantoche. Dessa forma, quem sabe, o ano que se vislumbra sombrio possa ser iluminado pelas mentes e corações de verdadeiros tricolores, proporcionando a todos nós a esperança em dias melhores.


É preciso recuperar a dignidade perdida em algum lugar desses últimos três anos, medida que passa pela reformulação imediata e integral do departamento de futebol, antes que seja tarde demais.