domingo, 11 de setembro de 2016

Aqui se faz, aqui se paga

“Aqui se faz, aqui se paga”, quem nunca ouviu? Ou, talvez, “não se faz” ou “faz mal feito”. Qualquer uma dessas ações ou omissão pode explicar o motivo por que o Fluminense há quatro anos não cumpre o seu papel de clube vencedor. E não será desta vez, novamente.

Realmente, é com pesar que faço essa constatação. Há possibilidade matemática de se alcançar uma vaga para a Libertadores na América, mas quem, em sã consciência, crê que o Fluminense, diante do futebol que vem apresentando, seja capaz disso.

Depois de quatro anos e sucessivos equívocos, a atual gestão tricolor não entendeu que para gerir o futebol a inteligência, o olhar aguçado, a “malandragem futebolística” são, às vezes, mais importantes que o dinheiro, sobretudo quando esse dinheiro é mal empregado.

Cristóvãos, Drubscks, Eduardos, Endersons um dia cobrarão seus preços. E aí está. Levir, com toda a sua teimosia, ainda é melhor que todos esses que elenquei, mas não é milagroso. Nenhum planejamento sério prescinde de um bom treinador desde o início da temporada, que participe da escolha do elenco e da formação técnica e física da equipe para as principais competições do ano.

Ao errar tanto na escolha de seus treinadores, o Flu jogou todo o planejamento por água abaixo. E sem planejamento não se vai a lugar algum.

O mesmo pode se dizer quanto à infindável série de contratações equivocadas. São tantas, que certamente me esquecerei de algumas: Richarlisson (10 milhões!), Osvaldo, Henrique Dourado (Ceifador?), Jonathan, Aquino etc, etc, etc...

Pior mesmo e mais dolorido é saber que entre Maranhão e Camilo, escolhemos Maranhão!

E ainda que Fred se foi e o seu melhor substituto é o longevo Magno Alves, cujo valor jamais deve ser esquecido, mas que não está à altura do que foi seu antecessor e do que o Fluminense precisa.

Imagino quanto dinheiro jogado no lixo. Quem paga essa conta? Penso que toda a ação lesiva ao clube, temerária, deveria doer no bolso de seu gestor. Assim, quem sabe, o dinheiro poderia ser mais bem valorizado.

Errar é humano, mas  há erros que têm mais cheiro de incompetência que de equívoco propriamente dito. E o Fluminense tem sido uma sucessão de atos temerários e incompetências na gestão de seu futebol.

E é por toda a falta de planejamento, pela má gestão que o Tricolor patina nas posições intermediárias da tabela e isso muito graças ao “caldeirão de Edson Passos”, porque, ouso dizer, se ainda jogássemos para 500 ou 600 em Volta Redonda, estaríamos brigando para não cair.

Infelizmente é melancólica a constatação: torcer para o ano acabar e que tenhamos para a próxima temporada, além de um presidente novo, uma mentalidade nova, voltada exclusivamente para o futebol tricolor. É preciso pensar grande para o Fluminense tornar a ser grande dentro de campo.


Enquanto isso, torçamos para que, de tanto patinar, o Flu não escorregue e caia. Atinjamos nossos parcos objetivos e sonhemos com um 2017 melhor. É o que temos por agora.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Lições para aprender

Ao ser entrevistado à beira do campo, Levir anteviu o que seria a partida: um jogo de muita força física. Normalmente, Fluminense e Botafogo fazem partidas encardidas, para o alvinegro, jogar contra o Flu é sempre uma decisão de campeonato, mas o estado do gramado em nada favoreceu a qualidade do espetáculo.

O Tricolor conteve bem o Botafogo na primeira etapa, sobretudo seus principais jogadores: Camilo e Sassá. E não se omitiu, quando teve a bola procurou ser agressivo, principalmente pelas pontas, mas sem organização e qualidade no último passe. Apesar disso, teve dois bons momentos, o primeiro com Wellington, num cruzamento que mudou de rumo e atingiu o pé da trave do boleiro botafoguense e depois noutra bola lançada na área que Henrique cabeceou livre para defesa de Cidão.

O Botafogo teve a sua principal chance com Camilo, numa das poucas vezes em que pôde criar, quando aproveitou um rebote mal dado da zaga e carimbou o travessão tricolor.

Foi um primeiro tempo amarrado, desorganizado, mas com muita disposição por parte das duas equipes. Paradoxalmente, houve belos momentos individuais de jogadores como Cícero e Wellington, que serviram para dar um pouco de alegria ao torcedor.

O Flu voltou para o segundo tempo com Douglas no lugar de Edson – Cavalieri já havia dado lugar a Júlio César por contusão -, repetindo o erro da partida contra o Figueirense, o time voltou mais frouxo na marcação, dando o meio para o Botafogo, que logo aos cinco, após já ter chegado duas vezes sem muito perigo, marcou o seu primeiro gol após, a meu ver, falha de Henrique que se deixou surpreender pelo quique da bola.

Só aos 13` o Flu deu o ar da graça e Willian Matheus acertou um chute que carimbou a trave esquerda de Cidão. O Tricolor passou a ser mais incisivo, mas dava espaço aos contra-ataques alvinegros, e Sassá e Camilo passaram a aparecer mais.

O ímpeto arrefeceu e o Botafogo, então, passou apenas a administrar um jogo que parecia à sua feição. E foi assim, sem o Fluminense saber o que fazer com a bola, até Levir novamente e pôr Magnata em campo no lugar de Pierre, dessa vez por necessidade de reverter o quadro da partida.

O Fluminense, assim, com dois atacantes, prendeu mais o Botafogo atrás e o sufocou, mais no abafa, é verdade, mas ainda assim não seria injusto um gol de empate, que esteve muito próximo de acontecer em oportunidades perdidas por Samuel e pelo próprio Magnata, já nos acréscimos.

O Botafogo, com um bom meia, um bom atacante e um treinador que não inventa consegue obter boas vitórias, apesar de seu limitadíssimo elenco. Parece, contudo, que o Flu ainda não aprendeu essa lição.


Torçamos, assim, para que contra o Galo seja tudo diferente e a vitória seja a recompensa para esse torcedor que não se cansa de sofrer pelo Fluminense. Até lá.

sábado, 3 de setembro de 2016

Ufa!

A visita da campeã olímpica, a judoca e tricolor Rafaela Silva, trouxe bons ares para o Fluminense. Levir havia dito que a equipe precisava incorporar a sua atitude, e foi isso que se viu do Tricolor, sobretudo no primeiro tempo, quando fez dois gols e poderia ter feito mais no Figueirense.

Mas não foi apenas o espírito que mudou. Levir entrou com Pierre o que, por incrível que pareça, deixou o time mais ofensivo, possibilitando ao meio de campo,  uma aproximação maior na frente, principalmente com Scarpa e Cícero, que não precisaram se preocupara tanto com a marcação. Além disso, o time jogou mais pelas pontas, com os dois Wellingtons. Aliás, foi de Wellington, o de Xerém, a jogada que originou o primeiro gol do Flu, um cruzamento da esquerda que Scarpa completou de cabeça e com perfeição para as redes alvinegras.

O jogo estava completamente à feição do Tricolor que, logo depois, após uma cobrança de escanteio, marcou o segundo com Renato Chaves, também de cabeça, aproveitando rebote do goleiro catarinense.

O destaque negativo da primeira etapa foi para o Ceifador, que perdeu duas oportunidades incríveis praticamente sem obstáculos, a não ser a si próprio.

O Flu começou o segundo tempo com Marquinho no lugar de Pierre, que havia levado um cartão amarelo. Logo as três minutos, já demonstrando que recuaria como fez contra o Corinthians, o Tricolor cedeu espaços e o time de Santa Catarina diminuiu com um belo chute de Carlos Alberto, livre, de fora da área.

A saída de Pierre deixou o Flu visivelmente vulnerável no meio, que passou a ser do Figueira, tanto é que empatou aos 15`. Erro de estratégia de Levir, que poderia ter optado por Edson. Assim, tudo o que havia feito de bom no primeiro tempo, jogou fora em poucos minutos, repetindo-se o erro da partida contra o Corinthians.

Magno Alves entrou no lugar de Henrique Dourado, o time passou a pressionar mais e Marquinho perdeu uma boa chance aos 23`, chutando em cima do goleiro. A equipe alvinegra, porém, tinha muitos espaços para puxar contra-ataques perigosos.

O treinador tricolor ainda trocou Douglas por Marco Junio, sem entender que o maior problema do Flu era o meio de campo, enfraquecido após a equivocada substituição de Pierre por Marquinho.

Por sorte, o Figueira pareceu se contentar com o empate e o Tricolor, mesmo vulnerável no meio, partiu para cima. Magnata, então, escalado pelo torcedor, aproveitou bom cruzamento de Wellington Silva e marcou o terceiro tricolor de cabeça, o gol da vitória, parecido com o que Scarpa havia feito no primeiro tempo, aos 35`.

A partir daí, o Figueirense assumiu novamente as rédeas da partida e foi para cima, perdendo boa oportunidade com uma cabeçada no travessão aos 42` e outra boa chance, também de cabeça, aos 46`.

No último minuto, porque drama não pode faltar, uma confusão na sinalização do árbitro deu entender que teria validado um gol ilegal do Figueira. Felizmente, tudo foi esclarecido.

Em resumo, o Flu fez um ótimo primeiro tempo e um péssimo segundo, graças, repito, ao erro de Levir. Saiu com a vitória, porque Magnata, o eterno Magnata, nos salvou.

Duas considerações finais: Renato Chaves, acredito, tem lugar no time titular no lugar de qualquer dos nossos dois zagueiros titulares. Se eu pudesse escolher quem sairia, escolheria Henrique; a segunda, as palavras de Carlos Alberto no fim. São graves e Levir precisa dar a sua versão, para que essa mancha não paire sobre a sua personalidade e seu trabalho como treinador de futebol.


Que venha o Botafogo, e seja o que Deus quiser!

domingo, 28 de agosto de 2016

Dura realidade

O Fluminense foi a Brasília exercer o seu pseudo-mando de campo contra o líder do campeonato, que contava com o retorno do campeão olímpico Gabriel Jesus. Sem o apoio da torcida, engolida pela alviverde, o Tricolor sentiu a falta do “calor” de Edson Passos, onde as suas deficiências são supridas pelo gás que a torcida dá no caldeirão da Baixada e foi uma equipe apática e totalmente envolvida por outra que, aguerrida, mostrou do primeiro ao último minuto por que é líder e almeja ser campeã.

O primeiro tempo começou com o Palmeiras acossando o Fluminense, engessando-o nas articulações ofensivas e deixando-o vulnerável na defesa. Com a sua criatividade anulada e vacilante na defesa, o Flu defendia-se como podia e nada produzia na frente. Mesmo assim, a equipe paulista também pouco criava e as principais jogadas dos dois times resumiam-se às bolas paradas decorrentes de faltas marcadas próximas às áreas. O Tricolor teve três a seu favor e não aproveitou. Na segunda para o Palmeiras, Cavalieri falhou gravemente e Dudu aproveitou para marcar quase sem ângulo.

Até então a partida caminhava equilibrada, mas o gol tratou de acrescentar nervosismo ao já bagunçado Fluminense e, cinco minutos após, sofreu o segundo, de Jean, após uma bola mal rebatida na defesa.

Somente após os dois a zero, o Flu partiu com mais efetividade para cima do Porco e perdeu a sua única grande chance na primeira etapa: Wellington driblou o goleiro e bateu para o gol, mas o arqueiro palmeirense se recuperou a tempo e fez excepcional defesa. Além desse lance, apenas o lindo chapéu de Cícero marcaram o que o Flu fez de bom no primeiro tempo.

Bem marcado (inclusive com muitas faltas), não soube marcar. À rapidez adversária, respondeu com irritante lentidão. Dessa forma o ataque quase nada produziu, menos por sua culpa do que pela inoperância do meio de campo Tricolor.

Para o segundo tempo, Levir mexeu logo duas vezes: Marquinho no lugar de Douglas e Aquino, o estreante, no lugar de Henrique Dourado.

No começo, o Flu pareceu mais ofensivo. E foi, mas sem qualquer objetividade. Lá pelos 15`, Scarpa fez uma boa cobrança de falta, que o arqueiro alviverde defendeu para córner. O problema é que as mudanças deixaram o Tricolor ainda mais vulnerável atrás. Marquinho e Aquino não entraram bem e o Palmeiras passou a explorar oc contra-ataques que foram bastante frequentes e perigosos. Num desses, logo depois da falta de Scarpa, Cavalieri e a trave nos salvaram do terceiro gol.

Levir ainda trocou Scarpa por Danilinho, mas o Flu, logo após a pressão inicial, jamais deu esperanças ao torcedor de que pelo menos brigaria pelo empate. Foi presa fácil para o Palmeiras, que desde os 30 minutos já ensaiava olé, aos 43` ainda perdeu outro gol com Dudu e apenas administrou a fácil vitória até o fim.

O jogo serviu para duas constatações: a primeira, que a distância que Palmeiras e Fluminense guardam na competição não é por acaso e demonstram claramente a diferença entre uma equipe que teve planejamento e outra que não teve, montada aos trancos e barrancos durante o campeonato; a segunda, que se ainda pode sonhar com uma vaga na Libertadores, é porque temos uma partida a menos na competição, e os números ainda nos dão esperança.


De resto, não há outras expectativas. Parece-me que não correremos riscos de rebaixamento, portanto, aguardemos as próximas eleições para que o novo presidente seja alguém empenhado não apenas em pagar as contas em dia e dar equilíbrio financeiro ao clube (o que é muito importante), mas, principalmente, enxergar o futebol como o carro-chefe do Fluminense Football Clube.

domingo, 21 de agosto de 2016

Vitória Santa

O Fluminense foi a Recife enfrentar um dos últimos colocados no campeonato brasileiro com a firme pretensão de conseguir a sua segunda vitória seguida na competição, o que não havia conseguido até então. E a conseguiu, não com brilhantismo, mas com eficiência e dedicação dentro de campo.

O Tricolor começou o jogo como costuma fazer quando joga fora de casa: cauteloso e esperando o erro do adversário para contra-atacar. Mas a falta de criatividade no meio foi um empecilho aos objetivos dos atacantes Danilinho e Henrique Dourado até os 28 minutos do primeiro tempo, quando Henrique, o zagueiro, acertou bela cobrança de falta posta para escanteio pelo arqueiro do Santa Cruz. Na cobrança do córner, a bola sobrou limpa para outro Henrique, o Ceifador, que completou sozinho para o gol vazio e fez o gol do Fluminense.

Até então, apenas um chute torto de Scarpa para fora. Muito pouco para uma equipe que tem maiores pretensões no campeonato.

O Santa Cruz até arriscou alguns chutes, finalizou mais, porém sem perigo algum para Cavalieri.

No fim da primeira etapa, Wellington Silva se contundiu, sendo substituído por Igor Julião, desfalcando uma equipe que já jogava sem Marcos Junio e Cícero.

No segundo tempo, o Flu retornou ainda mais recuado, pedindo, como se diz no jargão futebolístico, para tomar um gol. A pressão inicial do Santa Cruz foi, porém, inócua porque se trata de uma equipe fraquíssima, que nem mesmo comandada pelo estreante Doriva conseguiu se motivar.

Para corrigir a perda do domínio no meio de campo, Levir observou bem os demasiados erros de Edson e o retirou pondo em seu lugar Pierre. Não mexeu no esquema, trocou seis por meia dúzia, mas o time passou a errar menos e tornou a partida mais tranquila, com Danilinho, inclusive, aparecendo mais no jogo. O Santinha passou a ameaçar menos, e o Flu perdeu uma ótima oportunidade de ampliar num contra-ataque desperdiçado após péssima finalização de Scarpa.

O Fluminense continuou sem ameaçar, mas nada que fosse um obstáculo à sua vitória, que já estava praticamente assegurada ante o baixíssimo nível técnico do adversário.

Henrique Ceifador, pelo gol, Willian Matheus, Danilinho (especialmente no segundo tempo), Scarpa e Douglas foram os destaques de uma partida fraca tecnicamente. Wellington, retornando de contusão, não produziu o que temos nos acostumado a ver dele, mas a equipe em momento algum deixou de ser aguerrida, o que contribuiu decisivamente para o sucesso da equipe.

O Tricolor, enfim, conseguiu a sua segunda vitória seguida no campeonato e ainda disputará uma partida adiada contra o Figueirense, estando, portanto, vivas as chances de se alcançar pelo menos uma classificação para a Libertadores. Precisará, contudo, fazer mais do que tem feito, sobretudo nas partidas em que não tem o mando de campo.

De qualquer forma, foi mais uma vitória santa, a cereja no bolo de um domingo em que o tricolor já se regozijava da belíssima conquista do Ouro Olímpico do Voleibol nacional.


O torcedor tricolor despede-se das Olimpíadas e, agora, volta os seus olhos exclusivamente para um campeonato brasileiro que é um caminho, ainda que mais tormentoso do que a Copa do Brasil, para que o Fluminense retorne à disputa da competição mais importante das Américas.

sábado, 13 de agosto de 2016

O imparcial e o parcial

Enquanto Michael Phelps continua fazendo história e David Lee fazendo mais marketing que o Marketing Tricolor, o NetFlu permanece fora do Fluminense.

Sem qualquer justificativa da alta Administração Tricolor, o abuso se perpetua no tempo.

Isso tem uma explicação: não se justifica o injustificável. Mas, de fora, todos podemos imaginar os motivos. Estamos em ano de eleições no clube e notícias ruins não são bem-vindas a quem pretende emplacar um sucessor.

Mesmo que essas supostas “más notícias” sejam veiculadas por um site que tem por objeto a informação, doa a quem doer.

E informação é diferente de opinião. A informação, no jornalismo ético, é o fato noticiado tal qual ocorreu, notório ou confirmado por fontes idôneas e contraditado sempre que possível. A opinião, ao contrário, é a manifestação subjetiva do articulista acerca de determinado tema ou fato, ou seja, nem sempre é o que ocorre, mas é como o autor vê ou sente o que acontece ao seu redor.

A informação jornalística deve ser imparcial. A opinião não precisa sê-lo.

Está aí o motivo pelo qual a NetFlu continua alijada do direito de informar o torcedor tricolor: a parcialidade, segundo os olhos da Administração do Fluminense.

Dado o elevado alcance do site, evidentemente, qualquer matéria que exponha as mazelas da atual gestão tricolor pode causar prejuízos que repercutirão no pleito de novembro. Daí a represália.

Dar ao NetFlu, porém, a pecha de parcial, é também outra injustiça. A parcialidade está em todos nós, que temos sentimentos. A parcialidade só não está no estoico.

Um juiz eleitoral que julga uma causa que envolva um partido político nem sempre coaduna com os seus dogmas partidários. Provavelmente votou, escolheu seus candidatos e possui uma identidade política própria. Mas é preciso julgar com isenção, afastar seus desejos pessoais e aplicar a lei. A isso se chama imparcialidade.

Ser imparcial não é não ter vontade própria ou desejos e preferências recônditos, ser imparcial é não deixar que isso afete a sua decisão ou a sua manifestação profissional, qualquer que seja.

Não me parece, portanto, que o NetFlu, ao reportar o dia a dia do Fluminense seja parcial ou atue contra os interesses de quem quer que seja, senão contra a mesquinhez e o autoritarismo de quem põe seus objetivos pessoais acima dos do clube.


Michael Phelps é mito. David Lee é tricolor. E a NetFlu deve ser respeitada como instituição jornalística a serviço do torcedor tricolor, e de mais ninguém. Simples assim.

domingo, 31 de julho de 2016

Em busca do novo torcedor

Simone de Beauvoir afirmava que ninguém nascia mulher, tornava-se mulher. Parafraseando-a, com muito mais segurança, posso dizer que ninguém nasce torcedor, torna-se torcedor.

Normalmente essa escolha, que acompanhará os mais fiéis por toda a vida, é feita na infância, por influência do pai, da mãe, dos avós, de um padrinho, de um amigo da escola e até mesmo por vontade própria.

Eu sou tricolor por meu pai. Minha filha o é por mim. Em algum momento, porém, esse ciclo pode ser rompido, surgindo daí o desgarrado, aquele ou aquela que seguirá outras influências e torcerá por outro time ou mesmo não torcerá por time algum.

Há também aqueles ou aquelas que pela total abstinência futebolística em seus meios sociais nunca se apegaram ao futebol a ponto de torcer por qualquer clube, manifestando-se, eventualmente, nas grandes competições internacionais de que participa a seleção brasileira como torcedores sazonais que só se aproximam do futebol nesses períodos.

Está aí um filão que precisa ser melhor explorado. Não digo apenas pelo Fluminense, mas por qualquer clube que deseje criar vínculos com esse desapaixonado, esse desgarrado que, por qualquer motivo, não tem o futebol como primeiro esporte ou não o tem como esporte algum.

É certo que, diante das recorrentes falcatruas que envolvem o cenário do futebol –nacional e internacionalmente – essa aproximação torna-se cada vez mais difícil, mas, por outro lado, a tentativa é válida na medida em que agregar mais fãs ao clube significa trazer mais receitas para seu cofre.

Não digo apenas direcionar o marketing para aquele torcedor que já torce para o clube, fortalecendo-o. Isso é importante e tem sido feito pelo próprio Fluminense no projeto Tricolor em Toda Terra, mas é preciso mais: buscar a ovelha desgarrada, ou seja,  além de manter, acrescer.

Grandes clubes do futebol europeu, como Real Madrid, Barcelona e Manchester United já possuem escolinhas de futebol no país. Aqui na minha cidade, houve até pouco tempo, uma escolinha do Cruzeiro. Imagino que os primeiros, pela força transnacional que possuem, angariam pequenos torcedores em todos os cantos do planeta, mas os clubes nacionais também podem seguir esse caminho, caminho que, por sinal, trilha muito bem o Fluminense.

O Projeto “Guerreirinhos” de escolinhas de futebol do Fluminense é o melhor exemplo dessa expansão que pode gerar frutos inestimáveis para o clube: jogadores para a sua base, receita e novos pequenos torcedores. Com mais de cinquenta unidades pelo Brasil, em diversos municípios do Estado do Rio, em Brasília, Espírito Santo, Alagoas, Ceará e em breve na Paraíba, além de escolas também no exterior, em Córdoba, Santiago e com tratativas para um novo centro nos Estados Unidos, o projeto é um alento para o futuro tricolor.

O Fluminense dá um passo importante, mas outros podem ser dados. Um novo torcedor significa mais dinheiro para o clube – inclusive as importantes receitas televisivas - e o Flu tem um potencial inesgotável de valorização de sua marca e visibilidade que podem e devem ser explorados pelo seu marketing.

Lembro-me de que há algum tempo sugeri numa rede social que o clube poderia investir naquele turista que chega ao Maracanã aos borbotões trazido por guias para cumprirem o ritual de assistirem a uma partida no ex-maior do mundo. Um kit com uma revista contando a história do clube em inglês, uma flâmula, um boton...pronto, lá vai o turista de volta para o seu país de origem com o Fluminense na bagagem. Um marketing que pode ser efetivo e é barato.

Não me parece que o Projeto Guerreirinhos tenha sido criado com o objetivo principal de alavancar o crescimento da torcida tricolor, mas indiretamente, essa será uma consequência. Portanto, é preciso também pensar em outras ações que sejam específicas visando a criar no torcedor o gosto de torcer pelo Fluminense; afinal de contas, a maioria da população brasileira - 19,4%, segundo o Instituto Paraná Pesquisas - não torce por time algum e esse percentual precisa ser melhor explorado.

As eleições se avizinham e seria importante que o novo presidente pensasse preponderantemente num marketing ativo e eficiente para o Fluminense, justamente para que sejam criadas campanhas de crescimento da torcida, o que se faz com boas ideias e títulos.

Mesmo as boas ideias, contudo, não sobrevivem por muito tempo sem a formação de times competitivos e vencedores, de preferência sob a regência de um ídolo.


Assim, é preciso fomentar o gosto de se torcer para o Fluminense, manter o fã tricolor, evitando-se o esvaziamento da torcida e estimular ainda mais a parceria do torcedor fiel, porque a torcida é e sempre será a maior parceira e patrocinadora de qualquer clube.

domingo, 24 de julho de 2016

Obrigado, Panorama Tricolor

Hoje completo a centésima primeira coluna no Panorama Tricolor com um orgulho que não cabe dentro de mim. Escrever sobre o Fluminense já seria motivo suficiente de satisfação, mas escrever sobre o Fluminense num espaço tão democrático, cultural, crítico, visionário e eclético, cercado de algumas das mais distintas inteligências tricolores, é mais do que uma satisfação, é uma imensa honra.

Não imaginei, cem colunas atrás, após o convite feito pelo escritor Paulo Roberto Andel, que hoje ainda estaria escrevendo com a efusividade da primeira vez, mas o amor pelo Fluminense tem dessas coisas, renova-se diariamente, cada vez com mais intensidade.

Mesmo após as inconsoláveis derrotas, mesmo nos dias menos inspirados, o Fluminense se reinventa como uma chama que enfraquece, mas nunca morre, tornando-se sempre a maior fonte de inspiração que se possa ter. Inspiração para se escrever, inspiração para se viver.

E se nos dias ruins o Fluminense é inspirador, imaginem vocês nos dias bons.

É por isso que a cada linha contada da história do Fluminense nesta Casa imagino-me fazendo parte dessa própria história, porque não há como dissociar o Panorama Tricolor – e sua excelência literária – da trajetória recente do Fluminense Football Club.

No Panorama, vê-se o Fluminense também sob outro viés, não aquele que se percebe apenas do aspecto literal de um texto, mas literariamente, metaforicamente, uma forma diferente e, acredito, pioneira, de se produzir conteúdo sobre um clube de futebol.

E não apenas isso. Também é um bastião da defesa democrática dentro e fora do clube e um guardião de seus interesses e os de sua torcida. Quem não se lembra de 2013?

Fica aqui, portanto, o meu agradecimento ao Panorama Tricolor por tudo o que representa para o Fluminense e para o futebol nacional e, sobretudo pela oportunidade que me foi dada de cerrar fileiras com tão dignos representantes da torcida tricolor na lida diária de levar o nosso amado clube, de uma forma diferenciada, a milhares de leitores.

Aproveito a oportunidade homenagear a causa primeira, a origem de tudo, com este singelo poema:



Obrigado, Fluminense


Amo-te em silêncio e efusivamente
penso-te diariamente
como quem pensa com a razão
e com o coração.

Sou grato à tua existência
porque se não existisses
eu seria menos eu
seria menos um pouco
de cada coisa que já fui.

Seria mais, certamente,
o insuportável fruto
de um destingido
e imprestável
destino.

Agradeço, também, às lembranças
proporcionadas em cores nítidas
em três cores bem vivas
embaciadas de pó-de-arroz
ao som de gritos de guerra
que fazem vibrar
até o mais estoico dos estoicos.

Obrigado, Fluminense,
pelos dias de luz e escuridão
porque todos, sem exceção,
foram dias de paixão
porque paixão não se entende
não se mede, não se aprende
sente-se inexoravelmente
sem razão.

Obrigado, Fluminense,
por esse inefável
e inconsumível desejo
de sentir-te sempre
pulsando em meu peito,
ainda que meu tempo se esgote
mesmo que a vida passe
mesmo num outro mundo,
obrigado por tudo,
Fluminense.


Felipe Fleury

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que se passa?

Após a pífia atuação contra o Ypiranga/RS, Levir disse mais ou menos o seguinte: “A responsabilidade é minha. Eu peço uma coisa, mas eles não cumprem. Amanhã conversarei com o Presidente e resolveremos”.

Não precisou ser mais direto. Estava claro que pretendia pôr à disposição seu cargo de treinador no clube. Para a nossa sorte, Levir permanece no Fluminense.

Uma mudança no comando técnico, no atual e conturbado momento tricolor, - mais uma no ano – serviria apenas para retardar ainda mais os progressos de uma equipe que, desde o começo da temporada, mas involuiu do que evoluiu tecnicamente.

Levir não sairia por incapacidade profissional como seus antecessores, afinal todos conhecemos seus méritos, mas por uma estranha dificuldade de comunicação, de fazer-se ouvir.

Eu acreditaria nessa suposta dificuldade se Levir fosse daqueles que transmitem seus conhecimentos aos jogadores como se estivesse dando aula num curso de mestrado. A sua fala simples, seu jeito simples, porém, não indicam, minimamente, que não possa ser entendido pelos destinatários de suas determinações.

Logo após a partida contra a equipe gaúcha, ainda sob o calor da emoção, tratei o fato como uma sabotagem. Talvez tenha exagerado, mas certamente a ausência de sintonia entre comandante e comandados possui motivação subjetiva e passa necessariamente pela desmotivação do grupo.

Há a justificativa da mediocridade da equipe, mas mesmo jogadores medíocres correm e se doam dentro de campo e não é isso que se vê no Fluminense desde a conquista da Primeira Liga.

Fred faz falta como um líder e motivador, mas a Liga foi conquistada sem ele. Então, o que há?

Os jogos em Volta Redonda, as constantes mudanças na equipe, a personalidade do treinador podem ser motivos, assim como outros que desconheço, mas nada disso justifica essa espécie de motim denunciado por Levir.

Ao que parece, alguns jogadores desse grupo não perderam o ranço de tempos não tão distantes assim, quando demonstravam suas insatisfações pessoais no campo de jogo, prejudicando sobremaneira os interesses do Fluminense por questiúnculas particulares normalmente de cunho financeiro.

Essa desmotivação coletiva pode não ter a contundência de uma sabotagem, mas não deixa de ser um desrespeito ao próprio treinador, ao clube e à torcida.

Como funcionários do Fluminense, pagos em dia, a motivação deveria ser obrigatória. Mas, se o fato de vestirem a camisa de um dos maiores clubes do Brasil não serve de fator motivador, cabe ao Departamento de Futebol Tricolor identificar e coibir qualquer ação que vise ao prejuízo dos interesses do Fluminense.

Para tanto só é preciso pulso, rigor nas ações, clareza ao expor as regras: disciplina.

Levir identificou, mas não expôs publicamente o problema. Está no Flu, mas com as malas prontas.

Contra o Vitória, saberemos se a repercussão de suas declarações, a conversa com o Presidente, a pressão da torcida terão surtido algum efeito no moral dos jogadores. Se tudo continuar como está, teremos a certeza de que o que se passa dentro das quatro linhas não poderá ser mudado por nenhum treinador, pois transcende o seu poder e, quem tem atribuição para dar a solução, definitivamente não se interessa em resolver o problema.

Com a saída de Fred, Levir, é a estrela da companhia. Sem ele, o que já está ruim ficará pior. Para o bem do Fluminense, que todos entendam isso e se irmanem num único propósito: tornar o Flu novamente vencedor.


E reforços são imprescindíveis. Para ontem.

sábado, 2 de julho de 2016

Até quando...

O descompromisso do torcedor tricolor de Volta Redonda com o time parece um reflexo do descompromisso do Fluminense com o futebol. A apatia tricolor contagia o seu torcedor que, se nunca foi muito de ir ao Estádio da Cidadania assistir ao Flu, agora é que perdeu definitivamente o gosto. Os menos de mil pagantes não mereceram mais uma apática apresentação de um Fluminense que, um dia, já foi o orgulho dessa imensa torcida.

O Tricolor iniciou o primeiro tempo com três alterações em relação à partida em que perdeu para o São Paulo, com William Mateus, Dudu e Pierre nos lugares de Giovanni, Douglas e Cícero. Apesar das alterações, a equipe não parecia diferente das últimas partidas: tinha a posse de bola, mas não era eficiente no ataque.

O desejo de Levir de transformar o Flu num time que ataca e defende com eficiência em bloco ainda não se concretizou. Mesmo assim, o Tricolor foi superior na primeira parte do jogo tendo perdido boas oportunidades de abrir o marcador aos 15` com Henrique, que, de cabeça, desviou uma falta cobrada por Scarpa, no travessão. Quatro minutos depois, Dudu, aproveitando outro lance de bola parada, arrematou para excelente defesa do arqueiro coxa branca. Aos 25`, numa jogada de contra-ataque, Welington Silva perdeu na cara do gol, chutando em cima do goleiro, no primeiro lance de perigo do Flu não originado de um lance de bola parada. Aos 43` o Coritiba chegou pela primeira vez ao gol tricolor, oportunidade em que a presença de Cavalieri foi fundamental para que o adversário não marcasse seu tento. Por fim, ao 45`, Henrique, novamente de cabeça, após a cobrança de escanteio, exigiu do guarda-metas alvi-verde importante intervenção.

Como se percebe, o Flu dependeu quase que exclusivamente das bolas paradas para chegar ao gol adversário, porque a sua criação no meio praticamente inexiste. Scarpa, embora tenha se apresentado um pouco melhor do que nas últimas partidas, ainda não foi o que se espera de um jogador que deve exercer essa função.

O segundo tempo começou melhor para o Coritiba, tanto é que Levir aos 10` fez logo duas substituições: Maranhão e Richarlisson por Dudu e Magnata. Dudu não estava mal na partida e a opção de Levir talvez tenha se baseado na necessidade de o jogador ter sentido a falta de ritmo de jogo, uma vez que foi a sua primeira partida como titular.

Mas as mexidas não surtiram qualquer efeito. Somente por volta dos 25`, quando o Coxa resolveu arriscar um pouco mais e buscar a vitória, o Flu encontrou mais espaços para jogar. E aí, Richarlisson, aos 30`, fez ótima jogada pela esquerda que resultou em escanteio. Na cobrança, Edson, de cabeça, concluiu rente à trave esquerda adversária. Aos 33` Samuel perdeu outra chance e aos 36`, em jogada de Maranhão, dessa vez pela direita, o Flu quase chega ao gol não fosse a boa defesa do goleiro do Coritiba. Aos 41`, após erro conjunto de Cavalieri – na reposição de bola – e Henrique, Kleber teve a oportunidade mais clara do jogo e quase marca para o Coxa.

Daí por diante o Flu tentou inutilmente chegar ao gol do Coritiba, mas esbarrou na sua própria mediocridade. O resultado de empate acabou sendo justo pelo que fizeram em campo duas equipes que se nivelam por baixo. O resultado foi pior para o Fluminense, que jogava como mandante e tinha a obrigação da vitória.

Já disse em outras oportunidades que sem reforços, não almejaremos nada e ainda correremos o risco de lutar contra o rebaixamento. Henrique Dourado, um atacante, deve ser apresentado. Ainda é pouco. Do jeito que as coisas andam, para que haja alguma resposta dentro de campo precisamos, no mínimo, de um bom zagueiro, um lateral esquerdo e um meia armador de qualidade.

Quanto aos estreantes, esse William Matheus precisa ser melhor observado e Dudu mostrou alguma qualidade. Nada, porém, que dê muitas esperanças ao torcedor de que uma transformação imediata na forma de jogar dessa equipe possa ocorrer.

E quanto a Levir, que considero um bom treinador, também deve fazer seu mea culpa. O seu esquema de ataque e defesa em bloco ainda não vingou, o Flu é um time frouxo na marcação e pouco eficiente no ataque. Faltam peças, mas, como técnico, é responsável por dar minimamente a sua cara ao time, o que ainda não aconteceu.

Mais um resultado decepcionante num campeonato que não perdoa a incompetência. Depois, poderá ser tarde demais. Ou essa diretoria acorda, ou conseguirá o que vem perseguindo com a sua inaptidão há algum tempo: rebaixar o Fluminense.


Todos merecemos um presente e um futuro melhor. Chega de sofrimento.