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domingo, 20 de novembro de 2016

Respeito eleitoral

Confesso que ainda não digeri os efeitos dessa campanha eleitoral para a presidência do Fluminense. Muita roupa suja lavada, ofensas, bloqueios e outras condutas pouco civilizadas dão o tom desse período pré eleições.

Talvez seja porque pela primeira vez o pleito tricolor ganhará um alcance muito maior que os anteriores, com a participação dos sócios-torcedores e, também, em razão do eficaz instrumento de propagação de ideias e, infelizmente, violências, chamado internet.

Tenho amigos que apoiam os, agora, três candidatos e nunca me indispus com qualquer deles, mas percebo, da distância que guardo de tudo isso, que são muito frequentes os casos de agressões entre partidários das candidaturas. E isso ocorre por três motivos: primeiro pela falta de argumentos; segundo, porque ainda existe a falsa crença de que por detrás de um teclado se é invisível e, terceiro, pela falta de educação.

Pode parecer um clichê, mas quando candidatos concorrem a qualquer cargo, até o de síndico, é preciso debater ideias. Todos os concorrentes à presidência do Fluminense têm suas plataformas expostas em suas páginas e sites de campanha, mas não consigo perceber, ou raramente consegui, partidários de uma ou de outra candidatura discutindo os exatos termos dessas plataformas, comparando-as e até mesmo criticando-as através de argumentos sólidos.

Basicamente, tem-se procurado desconstruir o concorrente trazendo à tona suas mazelas pessoais ou profissionais, ou seja, o lado negativo de cada um tem sido elevado à quinta potência, enquanto o que cada um tem de bom – e deve haver algo de bom – é relegado ao ostracismo.

Talvez essa seja uma tática da política, jogo que ainda não aprendi a jogar, embora reconheça a sua importância, mas de toda a sorte, para o eleitor verdadeiramente preocupado com os rumos do Fluminense, o que deveria importar são as propostas que poderão retirar o Tricolor desse mar de mediocridade em que está mergulhado há quatro anos.

Antes que digam que só vejo o lado ruim desta Administração, qualquer consulta aqui mesmo no Panorama Tricolor revelará o contrário. Há muito o que ser comemorado na gestão Peter, mas a sua preocupação com o futebol foi um ponto negativo num quesito que tem peso três.

Mas falar desta gestão não é o propósito desta coluna. Meu intuito é dizer que as eleições se aproximam e que toda essa violência virtual que descamba para o ódio e que, invariavelmente, põe em trincheiras contrárias tricolores que até bem pouco tempo estavam comemorando juntos vitórias do Fluminense, só tem uma consequência: destruir laços de afeição e amizade que poucas torcidas podem se orgulhar de ter.

Não há mais tempo para que isso seja corrigido, e, mesmo se houvesse, talvez não pudesse sê-lo, porque o ser humano é estranho quando é contrariado. Dificilmente sabe ouvir argumentos contrários e, quando não há argumentos para defender seu ponto de vista, simplesmente ataca como uma forma de defender-se de uma agressão que não houve. Um complexo de perseguição quase esquizofrênico que se transforma em ódio  por qualquer palavra mal compreendida ou qualquer argumento que não se possa refutar com outro argumento.


O que eu posso esperar, portanto, é que no dia 26 de novembro o torcedor possa fazer a sua escolha com consciência, baseado nas melhores ideias e no potencial que o candidato terá para desenvolvê-las, mas, sobretudo, que todos sejamos, em espírito, tricolores novamente.

domingo, 6 de novembro de 2016

Respeito e eleições

O Fluminense vive um momento de acirrada disputa política que antecede o pleito de 26 de novembro, data em que será escolhido o seu próximo presidente pelos próximos três anos.

O colégio eleitoral tricolor, ampliado desde que foi garantido ao sócio-torcedor o direito de voto, sem exagero, supera o de muitas cidades no interior do Brasil, o que garante uma participação mais democrática do torcedor na escolha da nova gestão do clube.

As quatro candidaturas – Cacá Cardoso, Celso Barros, Mário Bittencourt e Pedro Abad – também conferem um ar de eleições que se comparam aos pleitos a que estamos acostumados quando escolhemos nossos representantes no Executivo ou no Legislativo.

Infelizmente, contudo, toda essa grandiosidade conferida ao pleito tricolor também o aproxima das principais mazelas das eleições políticas do país: hostilidades entre candidatos e correligionários, bravatas, rancor, pouco debate de ideias e o baixo nível das campanhas.

Guardadas as devidas proporções, é claro, esse ambiente pouco saudável tem contaminado torcedores adeptos das candidaturas, cabos eleitorais e outros interessados e gerado um clima conflituoso que não combina com a disputa que deveria ser exclusivamente fulcrada no debate de ideias e argumentos.

Diferentemente dos pleitos eleitorais para cargos executivos e legislativos, onde o antagonismo exacerba-se, por vezes, ante as profundas diferenças de pensamento político e doutrinário dos candidatos, provocando raivosas contendas entre seus seguidores, a disputa eleitoral para a presidência de um clube de futebol deveria pautar-se apenas pela divergência de ideias, uma vez que todos, invariavelmente, seguem a mesma doutrina: a doutrina tricolor.

O objetivo comum dos candidatos à presidência do Fluminense Football Club é, presume-se, engrandecer o clube. Todos são torcedores apaixonados pelo Tricolor, portanto, todas as plataformas almejam o mesmo fim, mas por caminhos diferentes.

É nesse sentido que o respeito mútuo deveria nortear os debates entre os adeptos de uma ou outra chapa e as próprias manifestações dos candidatos. Não apenas o respeito entre si, mas sobretudo o respeito ao torcedor, destinatário de suas mensagens. Promessas vãs, bravatas, não devem ser lançadas irresponsavelmente somente com o objetivo de angariar votos, afinal de contas, o maior prejudicado por essas condutas será o próprio Fluminense, que não será aquele prometido na campanha eleitoral.

Todos os torcedores, e também os candidatos, desejamos um Fluminense maior, vitorioso, autossuficiente, o que naturalmente ensejaria o nascimento de uma candidatura única que reunisse os melhores quadros para compor a próximas administração.

Não foi assim, porém. Os melhores quadros estão divididos entre os quatro candidatos que pretendem, por suas próprias convicções, chegar à presidência do clube. Essa diversidade, por outro lado, pode ter um ponto positivo: dar ao torcedor a oportunidade de escolher a melhor proposta para a gerência do Flu nos próximos três anos.

De uma forma ou de outra, a campanha está aí, efervescente, com quatro candidatos que, do seu jeito, pretendem o melhor para o Fluminense.

Diante disso, aceitei todos os convites que recebi para curtir páginas de candidatos. Fui às explanações que me foram possíveis, assisti às suas entrevistas e curti, quando me agradaram, postagens de todos, indistintamente. Fiz o que achei que deveria fazer para conhecer melhor as propostas de cada um, sem rancor, sem preconceitos.

Evidentemente, já tenho o meu escolhido que, se vitorioso, seja aquele que conduzirá o Tricolor aos mais elevados patamares do futebol nacional e internacional.

Deixo aqui, então, minha sugestão para esta reta final de campanha: que os indecisos escolham com consciência, que os que já se decidiram respeitem as decisões alheias e que no dia 26 de novembro a vitória de um candidato não signifique a derrota dos demais, porque estaremos todos, sempre, do mesmo lado da arquibancada.


E, por fim, que a retidão moral e a grandeza de espírito do presidente Sylvio Kelly, cuja perda nos faz doer o coração tricolor, norteie os passos de quem assumir a gloriosa missão de conduzir os destinos do Fluminense Football Club pelos próximos três anos.

sábado, 13 de agosto de 2016

O imparcial e o parcial

Enquanto Michael Phelps continua fazendo história e David Lee fazendo mais marketing que o Marketing Tricolor, o NetFlu permanece fora do Fluminense.

Sem qualquer justificativa da alta Administração Tricolor, o abuso se perpetua no tempo.

Isso tem uma explicação: não se justifica o injustificável. Mas, de fora, todos podemos imaginar os motivos. Estamos em ano de eleições no clube e notícias ruins não são bem-vindas a quem pretende emplacar um sucessor.

Mesmo que essas supostas “más notícias” sejam veiculadas por um site que tem por objeto a informação, doa a quem doer.

E informação é diferente de opinião. A informação, no jornalismo ético, é o fato noticiado tal qual ocorreu, notório ou confirmado por fontes idôneas e contraditado sempre que possível. A opinião, ao contrário, é a manifestação subjetiva do articulista acerca de determinado tema ou fato, ou seja, nem sempre é o que ocorre, mas é como o autor vê ou sente o que acontece ao seu redor.

A informação jornalística deve ser imparcial. A opinião não precisa sê-lo.

Está aí o motivo pelo qual a NetFlu continua alijada do direito de informar o torcedor tricolor: a parcialidade, segundo os olhos da Administração do Fluminense.

Dado o elevado alcance do site, evidentemente, qualquer matéria que exponha as mazelas da atual gestão tricolor pode causar prejuízos que repercutirão no pleito de novembro. Daí a represália.

Dar ao NetFlu, porém, a pecha de parcial, é também outra injustiça. A parcialidade está em todos nós, que temos sentimentos. A parcialidade só não está no estoico.

Um juiz eleitoral que julga uma causa que envolva um partido político nem sempre coaduna com os seus dogmas partidários. Provavelmente votou, escolheu seus candidatos e possui uma identidade política própria. Mas é preciso julgar com isenção, afastar seus desejos pessoais e aplicar a lei. A isso se chama imparcialidade.

Ser imparcial não é não ter vontade própria ou desejos e preferências recônditos, ser imparcial é não deixar que isso afete a sua decisão ou a sua manifestação profissional, qualquer que seja.

Não me parece, portanto, que o NetFlu, ao reportar o dia a dia do Fluminense seja parcial ou atue contra os interesses de quem quer que seja, senão contra a mesquinhez e o autoritarismo de quem põe seus objetivos pessoais acima dos do clube.


Michael Phelps é mito. David Lee é tricolor. E a NetFlu deve ser respeitada como instituição jornalística a serviço do torcedor tricolor, e de mais ninguém. Simples assim.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os muros tricolores

Um erro não justifica outro, ou trocando em miúdos, erros não se compensam.

A pichação do muro da sede tricolor logo após a derrota para o Santos foi um erro porque é, em primeiro lugar, um crime previsto no artigo 65, Lei 9605/98; em segundo lugar, porque quando se suja o muro do Fluminense, o único atingido é o próprio clube e não os destinatários das reclamações.

Não vale dizer que um muro se pinta e pronto, porquanto se fosse o muro da casa de quem aquiesce à sujeirada certamente sua opinião seria outra.

O outro erro é a Administração do futebol tricolor. Uma sucessão de erros que relegaram o futebol do Fluminense a um segundo plano em detrimento de um suposto acerto do seu equilíbrio financeiro.

Manter o clube com as suas contas equilibradas, reparar os abusos das administrações anteriores, evitar gastos desnecessários e gastar bem – com qualidade e bom custo-benefício – é obrigação de todo gestor. Assim como é obrigação cuidar do carro-chefe do clube, principal fonte de receitas, e motivo da paixão de uma imensa legião de torcedores: o futebol.

Numa ponderação de prioridades ou interesses, nenhum deve preponderar sobre o outro, pois caminhando juntos tem-se a máxima efetividade na gestão de um clube: contas saneadas e títulos na sala de troféus.

Assim, embora se justifique a irresignação da torcida, há outros meios de se protestar, menos sujos e lícitos. Transformar o muro da sede tricolor em muro de lamentações ou mesmo em palanque político, se foi esse o propósito do pichador, não é o melhor caminho.

Há um outro muro, etéreo, por trás do qual encastelam-se o mandatário tricolor e seu staff. É este o muro que deve ser o alvo do torcedor que deseja ter o seu Fluminense de volta, é esse o muro que precisa ser derrubado.

A inaptidão da gestão futebolística tricolor precisa ter um fim, mas não é a depredação do patrimônio do clube que transformará, da noite para o dia, o futebol em prioridade nessa Administração.

Aliás, não parece que há mais tempo para isso. Peter Siemsen será reconhecido por grandes feitos extracampo, alguns, como o CT, que dependeram muito menos dele do que da iniciativa de terceiros, mas também terá perdido a grande oportunidade de ter dado ao futebol o papel de relevância que deveria ter num clube da grandeza do Fluminense.

Para o torcedor é o que importa: um time vencedor.


O muro real será limpo e continuará guarnecendo e embelezando a centenária sede tricolor, enquanto isso, o outro, o muro da vergonha, tem prazo de validade e será derrubado em novembro, quando, espera-se, renascerá um novo Fluminense, vencedor dentro de campo e autossuficiente fora dele. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O verde da esperança

O Fluminense tem pela frente uma temporada para ser melhor do que a dos últimos três anos. E as expectativas, pelo menos elas, são bem melhores do que aquelas que se apresentavam há exatamente um ano, quando, surpreendidos pela cisão Flu-Unimed, os torcedores tricolores fomos tomados por um sentimento de desalento provocado em grande parte pela massificação do pessimismo da imprensa, para quem, em sua maioria, o Fluminense não sobreviveria ao desfazimento da parceria de anos.

Não houve conquistas, mas o Tricolor sobreviveu e ainda conseguiu manter os principais nomes de seu elenco, além de, fora de campo, termos presenciado o início da construção das obras do nosso CT, graças à oportuna e feliz interveniência do tricolor Pedro Antônio Ribeiro da Silva.

Para 2016, porém, além da manutenção de seus melhores atletas, o Fluminense reforçou-se até agora com cinco nomes, garantindo, pelo menos na teoria, a competitividade de seu time – ainda precisamos de elenco mais qualificado, contudo - para o duríssimo ano que se avizinha. Diego Souza e Henrique, os mais conhecidos, prometem reforçar e dar mais qualidade ao meio de campo e zaga, respectivamente. O jovem Richarlisson pode ser uma grata surpresa no ataque se não se intimidar com a grandiosidade do Tricolor das Laranjeiras. Some-se isso a Cavalieri, Fred, Cícero, Edson e Scarpa e ninguém poderá dizer que não temos um bom time.

Ainda falta, segundo penso, todavia, um comandante à altura das tradições tricolores. Eduardo Baptista não é muito diferente de seus antecessores Cristóvão, Drubscky e Enderson, todos apostas que não deram certo. Serei seu maior entusiasta, torcerei como nunca para que seja o nome certo para dar ao Flu os títulos que lhe faltaram nesses últimos anos, mas no fundo, não acredito em sua capacidade profissional. Tanto por seu minguado currículo, quanto por seu período à frente do Fluminense em 2015, em que pouco ou nada demonstrou que pudesse credenciá-lo como capaz de comandar um clube da grandeza do Flu.

Tomara que não seja um treinador com os dias contados, até porque participou da pré-temporada, da escolha de parte do elenco e a sua saída antecipada em virtude de eventuais maus resultados, embora possa parecer ser a solução para o realinhamento provisório da equipe na competição, será por demais danosa para o planejamento do futuro tricolor na temporada.

Além das novidades de campo, fora dele também há boas novas. O Fluminense, pela primeira vez depois de quase 20 anos, não vestirá o seu uniforme confeccionado pela gigante alemã Adidas. Numa troca rápida e, aparentemente, vantajosa financeiramente para o Tricolor, o novo fornecedor oficial de uniformes será a empresa canadense DryWorld, cujos novos mantos produzidos por seus estilistas já foram, inclusive, aprovados pelo Conselho Deliberativo do Clube.

Que traga boa sorte ao Fluminense, já de há muito desamparado e relegado a segundo ou terceiro planos pela antiga fornecedora.

Por outro lado, será um ano, também, em que o torcedor, sobretudo o da capital, não terá muitas oportunidades para ver o time jogando em casa, em virtude das Olimpíadas. Além disso, o deslocamento rotineiro, mesmo na condição de mandante, será por demais desgastante para o elenco tricolor, uma vez que não se vislumbra a perspectiva real de o Flu mandar os seus jogos na cidade do Rio de Janeiro ante a ausência de opções viáveis.

Nessas horas sente-se a real necessidade de se ter um estádio próprio, pequeno que seja, mas moderno e que possa ser chamado de nosso.

Por fim, 2016 será um ano eleitoral. Eleições sempre mobilizam os candidatos, seus correligionários e o próprio eleitor.

Infelizmente, contudo, a temporada já se inicia com a notícia de que a ex-patrocinadora acionará o Fluminense na Justiça por supostas dívidas decorrentes de transações de jogadores que eram a ela vinculados. E o pior, tendo como mentor/autor, o antigo mecenas e atual candidato de oposição, Celso Barros, cuja ausência de escrúpulos parece não encontrar obstáculo no amor que diz ter pelo Flu.

Jamais poderia aceitar um presidente que é ao mesmo tempo credor do Fluminense. Seria antiético e imoral. Portanto, se Celso Barros tem suas pendências com o Clube, que as resolva de fora, nunca internamente, com poderes de gestor máximo, sobrepondo os seus interesses pessoais ao do Flu.

Ainda não me posicionei quanto ao melhor candidato para o Fluminense, mas de antemão posso afirmar que o senhor Celso Barros jamais terá o meu voto, pois jamais ajudaria a eleger um inimigo do Clube. Se um dia quis o bem do Fluminense, deve ter querido, precipuamente, muito mais o seu.


No mais, que 2016 seja o ano da redenção tricolor em campo, com os títulos que almejamos e, fora dele, com a escolha do melhor candidato para a sua presidência, com eleições limpas e pautadas pelo debate de ideias; que seja um ano de menos vaidades, menos eu próprio e mais Fluminense; que seja o ano do pavilhão verde, branco e grená tremulando imponente nos céus do Rio de Janeiro e do Brasil; que seja o ano em que o nosso verde faça vicejar a esperança de uma nova e grandiosa era para o Fluminense Football Club.

Felipe Fleury

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

É hora de renovar

No futebol, como na vida, nada é definitivo. Tudo pode mudar em questão de minutos. Por exemplo, enquanto escrevo este texto, a notícia de que Muricy Ramalho está apalavrado com Flamengo para ser o seu novo treinador, caso o seu atual presidente, Eduardo Bandeira de Mello, seja reeleito no pleito de 7 de dezembro, já pode ter sido desmentida.

Mas a questão não é se Muricy será ou não o treinador do rubro-negro, a questão é que o presidente do clube da Gávea deu um passo à frente para que tenha uma equipe que dispute títulos em 2016, ainda que a contratação seja, obviamente, uma daquelas realizadas às vésperas de um sufrágio para angariar votos.

O pleito no rival pode ter antecipado a movimentação em busca de um novo treinador, mas isso não significa que, por estarmos a menos de um ano das eleições no Fluminense, tenhamos que aceitar passivamente tudo que aí está como se fosse suficiente para um 2016 diferente do que foram os últimos anos.

Reina a tranquilidade nas Laranjeiras – ouve-se, aqui e ali, boatos sobre a saída do atual patrocinador e a chegada de outro – mas, no geral, parece que conquistamos o título de 2015 e faltam apenas pequenos ajustes para que a equipe emplaque novamente em 2016, conquistando o hexa nacional. Afinal de contas, segundo se disse, o ano foi positivo.

Assim, segundo a teoria do positivismo do vice presidente de futebol, aparentemente nada mudará para 2016, em razão do que presumo que serão mantidas a espinha dorsal de uma equipe e o seu atual treinador. Muricy deverá ir para o Flamengo, Cuca, ainda na China, parece um sonho distante, Dorival, virtual campeão da Copa do Brasil pelo Santos, deverá permanecer na equipe da baixada santista e, assim, os clubes vão escolhendo os seus novos treinadores, mantendo os que funcionaram e se preparando para a pré-temporada, enquanto o Fluminense, deitado em berço esplêndido, aguarda o ano vindouro suficientemente agradecido pelo heroísmo deste grupo e treinador em impedir o descenso do clube.

Eduardo Baptista, assim como foram Cristóvão, Drubscky e Enderson, não são treinadores para o Fluminense. Das contratações de jogadores para a temporada passada, apenas dois deram razoavelmente certo: Edson e Vinícius. O primeiro, afastado não se sabe por que e o segundo, acolhido pela torcida após suas boas atuações, esqueceu-se de quem o retirou do anonimato, dando-lhe luz, deslumbrou-se com seus quinze minutos de fama e cuspiu no prato em que comeu. Um ingrato a quem a vida saberá dar o adequado castigo.

Assim, embora tenham sido contratados cerca de sete ou oito jogadores, nenhum, exceto Edson, teria condições de permanecer para 2016. E do antigo elenco, também é chegada a hora de reciclar. Jogadores como Gum e Jean, por exemplo, já prestaram bons serviços ao Fluminense e deveriam respirar novos ares.

Resta-nos Xerém, Cavalieri, Fred, Cícero e mais um ou outro que ainda pode ser aproveitado como jogador à altura do Fluminense.

Se este é um panorama sucinto do que temos hoje, o que tem sido feito para que 2016 seja diferente? A não ser que as tratativas estejam sendo conduzidas como segredo de estado, não ouço e não vejo nada sobre o assunto.

Ouso dizer que a primeira e mais evidente mudança deveria acontecer no departamento de futebol. Para quem errou tanto não deveria haver chance para que esses erros fossem reiterados no próximo ano. Há três anos sem títulos, o Fluminense precisa novamente respirar os ares das glórias e não parece que alcançará esse objetivo com o que aí está, desde o departamento de futebol, passando pelo treinador até chegar ao elenco.

Muito precisa ser mudado e nada tem sido feito. É claro que seria prudente aguardar o término da competição para que especulações e tratativas fossem iniciadas, mas com o clube livre do descenso, cada dia a mais de inércia é uma chance a menos de sermos efetivamente vencedores em 2016.

Não acredito, me perdoem os mais otimistas – apesar de ter sido sempre deveras otimista em relação aos assuntos do Fluminense – que a manutenção de um vice de futebol que não entende bulhufas do assunto e de um treinador que não está à altura da grandeza do clube, possam credenciar o Tricolor a ser no ano vindouro diferente do que foi nos últimos anos.

O Presidente e o vice de futebol são excelentes advogados, mas entendem pouco ou nada de futebol. Falta, no comando do departamento técnico, a “malandragem” necessária para que se saiba lidar com uma das piores “raças” de funcionários: o “boleiro”. É isso o que falta ao Fluminense, gente que enxergue que para ser ter um time campeão é preciso contratar, primeiramente, um técnico campeão e que seja suficientemente capaz de peneirar, no mercado nacional e sulamericano, bons jogadores compatíveis com a realidade salarial do clube.

Falta a inteligência da “malandragem”, o que não significa que o Fluminense estaria abdicando da sua tradicional fidalguia, mas que estaria se adaptando aos tempos modernos, onde o futebol se ganha dentro de campo, mas precisa ser defendido fora dele através de uma atuação firme nos bastidores, a fim de que injustiças, como as que sofremos reiteradamente nos últimos anos, não sejam mais perpetradas.

2016 será um ano aquecido pelas eleições. Espero, sinceramente, que o torcedor tricolor saiba escolher o melhor candidato, porque o Fluminense precisa mudar e retomar o caminho das conquistas. Basta de amadorismo, basta de retrocesso, o Flu precisa de gente com sangue verde, branco e grená nas veias e com muita disposição para trabalhar.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Oposição, consciência e ética.

(Publicado no site Panorama Tricolor em 28.12.2014)

O objetivo deste texto não é o de tratar da oposição tricolor em suas especificidades, em miudezas. Ao contrário, busca traçar um panorama genérico de como deveria funcionar uma oposição ou situação consciente de que nenhum interesse particular deve suplantar o interesse maior da instituição Fluminense Football Club.

Faltam, assim, dois anos para as eleições presidenciais do Fluminense e já se apresentam, oficialmente ou não, correntes contrárias à atual gestão tricolor que, reconduzida à presidência em novembro de 2013, mostra os sinais de um desgaste natural após dois mandatos consecutivos. Até mesmo Celso Barros, presidente da ex-patrocinadora do Flu, já manifestou expressamente seu interesse em participar, não se sabe ainda se apenas através de apoio a algum grupo político de oposição, ou mesmo como candidato à própria presidência, da disputa eleitoral. De toda a sorte, Celso Barros já é oposição, ou já era há algum tempo e somente agora, com o rompimento oficial da parceria, pôde deixar isso bem claro.

Não que a formação de grupos oposicionistas decorra necessariamente da existência de um pleito próximo, mas, naturalmente, eles se robustecem à medida em que o caminho até o próximo se avizinha tormentoso para a atual administração.

Certamente, o Presidente Peter Siemsen, impossibilitado de se reeleger uma terceira vez, apoiará um candidato que encampe seus ideais e siga a sua linha política, o que desde já provoca a repulsa de tricolores decepcionados com a sua gestão. Quando digo decepcionados, entendo que este seria o termo adequado para quem quase que unanimemente o reelegeu há pouco mais de um ano. Foi um massacre nas urnas contra o candidato da oposição, Deley; uma vitória contundente e respaldada menos por seu desempenho como gestor de futebol do que por sua capacidade administrativa – afinal de contas 2013 foi um ano catastrófico dentro dos gramados para o Fluminense – e favorecido, ainda, pela vetusta corrente política que apoiava o seu adversário. Nesse sentido, preferi o termo “decepcionados” a, por exemplo, “revoltados” ou “indignados”, porque grande parte dos que hoje contestam a sua gestão, muito provavelmente, em algum momento, já o apoiou e acreditou em seus projetos.

Pois bem. O ano de 2014 também não foi bom para o Tricolor e o de 2015 insinua-se ainda mais turbulento ante a drástica redução das verbas destinadas ao futebol pela recente perda do patrocínio-master da Unimed; e, é nesse cenário fértil às críticas e cobranças, que as correntes oposicionistas tendem a proliferar. Infelizmente, é uma realidade cruel e não afeita apenas à política interna dos clubes de futebol. Muito ao contrário, trata-se de reflexo da política que se vê no dia a dia, nos gabinetes executivos e legislativos, maquiavélica, porém real, nos assuntos internos de qualquer clube.

Nenhuma crítica aqui se faz à existência da oposição política. Assim como é necessária ao recrudescimento da democracia, porque dá ao cidadão a oportunidade de escolher, dentre as propostas existentes, aquela que melhor atende aos seus anseios para substituir o sistema vigente, também é fundamental, guardadas as proporções devidas, quando se trata das correntes de pensamento internas de um clube, aptas a renovarem o quadro político dominante.

A oposição consciente, tanto quanto necessária, é saudável. Barbosa Lima Sobrinho, brilhantemente, ensinou que  "Falta de oposição é fenômeno grave, porque nunca se sabe o que vai surgir. Se não há contestação cruzam-se os braços e aceita-se o fato consumado que, muitas vezes, no íntimo se repele." A contestação é, portanto, imprescindível para se modificar aquilo que não funciona, ou funciona precariamente no ambiente social e político em que vivemos.

Mas somente a oposição consciente e ética é saudável. A crítica, por mais ferrenha que possa parecer, deve vir acompanhada de sugestões, projetos e ser precipuamente ética. O ataque pessoal e o questionamento despropositado, gratuito e fulcrado somente na rivalidade política desconstrói a imagem de uma oposição coerente e capaz de revolver os alicerces que sustentam a corrente política da situação.

Nas próximas eleições presidenciais do Fluminense haverá, pela primeira vez, a participação efetiva do sócio-torcedor associado há pelo menos dois anos da data do pleito. Esse torcedor “comum” certamente decidirá o destino do clube em 2016 e é a ele que se deve tentar convencer, tanto oposição quanto situação, acerca do que é o melhor para o Fluminense.

Uma oposição sistemática, baseada apenas em ataques à gestão atual sem levar em consideração seus pontos positivos ou projetos alternativos, estará fadada ao fracasso. É preciso entender que, antes de ser oposição ou situação, o torcedor almeja o bem do Fluminense e, para tanto, deseja conhecer propostas, opções que possam tornar o clube cada vez mais forte. Nesse ponto, o torcedor também repudia a falta de ética, as ofensas gratuitas, porque com certa frequência, quem assim age procura apenas dissimular a sua incapacidade política para contrapor as ideias da gestão no poder. E isto é sinônimo de fraqueza.

O que importa realmente para o Fluminense é que as correntes oposicionistas, algumas já em franca campanha, e as que surgirem, tanto quanto a situação, promovam um debate no campo das ideias. Dessa forma, o torcedor poderá escolher de acordo com a sua própria consciência qual a melhor linha a seguir. A contundência das intervenções, assim, deve se ater às propostas e aos questionamentos coerentes, porque a oposição consciente valoriza o debate e constroi um ambiente propício ao engrandecimento do clube mostrando-se como opção viável ao projeto vigente.

E é disso que o torcedor precisa, de uma alternativa viável, caso seja de seu interesse mudar o que aí está posto.

Serão dois anos problemáticos pelas dificuldades financeiras que o clube fatalmente enfrentará. Tudo o que o Fluminense não precisa é de que esse biênio seja transformado, também, num período de conturbada atividade política que perturbe ainda mais o seu ambiente interno. Para tanto, oposição e situação devem se conscientizar de que mais do que seus próprios interesses é o interesse do Fluminense que deve preponderar e de que o embate saudável, adstrito às ideias, tornará a campanha eleitoral apta a fornecer aos eleitores opções verdadeiramente comprometidas com o futuro tricolor.

A antecipação do debate eleitoral é aceitável e até previsível diante do quadro que se apresenta; esse largo período tanto pode ser útil à construção de um projeto político eficaz e à conscientização do eleitor, como pode ser, por outro lado, um obstáculo à caminhada do Fluminense rumo aos seus objetivos. Nessa toada, importante distinguir o homem da instituição; nem sempre se atinge o primeiro sem que sofra consequências a segunda e, portanto, toda cautela é pouca no agir.


Sejamos políticos mas, sobretudo, sejamos tricolores.