domingo, 28 de agosto de 2016

Dura realidade

O Fluminense foi a Brasília exercer o seu pseudo-mando de campo contra o líder do campeonato, que contava com o retorno do campeão olímpico Gabriel Jesus. Sem o apoio da torcida, engolida pela alviverde, o Tricolor sentiu a falta do “calor” de Edson Passos, onde as suas deficiências são supridas pelo gás que a torcida dá no caldeirão da Baixada e foi uma equipe apática e totalmente envolvida por outra que, aguerrida, mostrou do primeiro ao último minuto por que é líder e almeja ser campeã.

O primeiro tempo começou com o Palmeiras acossando o Fluminense, engessando-o nas articulações ofensivas e deixando-o vulnerável na defesa. Com a sua criatividade anulada e vacilante na defesa, o Flu defendia-se como podia e nada produzia na frente. Mesmo assim, a equipe paulista também pouco criava e as principais jogadas dos dois times resumiam-se às bolas paradas decorrentes de faltas marcadas próximas às áreas. O Tricolor teve três a seu favor e não aproveitou. Na segunda para o Palmeiras, Cavalieri falhou gravemente e Dudu aproveitou para marcar quase sem ângulo.

Até então a partida caminhava equilibrada, mas o gol tratou de acrescentar nervosismo ao já bagunçado Fluminense e, cinco minutos após, sofreu o segundo, de Jean, após uma bola mal rebatida na defesa.

Somente após os dois a zero, o Flu partiu com mais efetividade para cima do Porco e perdeu a sua única grande chance na primeira etapa: Wellington driblou o goleiro e bateu para o gol, mas o arqueiro palmeirense se recuperou a tempo e fez excepcional defesa. Além desse lance, apenas o lindo chapéu de Cícero marcaram o que o Flu fez de bom no primeiro tempo.

Bem marcado (inclusive com muitas faltas), não soube marcar. À rapidez adversária, respondeu com irritante lentidão. Dessa forma o ataque quase nada produziu, menos por sua culpa do que pela inoperância do meio de campo Tricolor.

Para o segundo tempo, Levir mexeu logo duas vezes: Marquinho no lugar de Douglas e Aquino, o estreante, no lugar de Henrique Dourado.

No começo, o Flu pareceu mais ofensivo. E foi, mas sem qualquer objetividade. Lá pelos 15`, Scarpa fez uma boa cobrança de falta, que o arqueiro alviverde defendeu para córner. O problema é que as mudanças deixaram o Tricolor ainda mais vulnerável atrás. Marquinho e Aquino não entraram bem e o Palmeiras passou a explorar oc contra-ataques que foram bastante frequentes e perigosos. Num desses, logo depois da falta de Scarpa, Cavalieri e a trave nos salvaram do terceiro gol.

Levir ainda trocou Scarpa por Danilinho, mas o Flu, logo após a pressão inicial, jamais deu esperanças ao torcedor de que pelo menos brigaria pelo empate. Foi presa fácil para o Palmeiras, que desde os 30 minutos já ensaiava olé, aos 43` ainda perdeu outro gol com Dudu e apenas administrou a fácil vitória até o fim.

O jogo serviu para duas constatações: a primeira, que a distância que Palmeiras e Fluminense guardam na competição não é por acaso e demonstram claramente a diferença entre uma equipe que teve planejamento e outra que não teve, montada aos trancos e barrancos durante o campeonato; a segunda, que se ainda pode sonhar com uma vaga na Libertadores, é porque temos uma partida a menos na competição, e os números ainda nos dão esperança.


De resto, não há outras expectativas. Parece-me que não correremos riscos de rebaixamento, portanto, aguardemos as próximas eleições para que o novo presidente seja alguém empenhado não apenas em pagar as contas em dia e dar equilíbrio financeiro ao clube (o que é muito importante), mas, principalmente, enxergar o futebol como o carro-chefe do Fluminense Football Clube.

domingo, 21 de agosto de 2016

Vitória Santa

O Fluminense foi a Recife enfrentar um dos últimos colocados no campeonato brasileiro com a firme pretensão de conseguir a sua segunda vitória seguida na competição, o que não havia conseguido até então. E a conseguiu, não com brilhantismo, mas com eficiência e dedicação dentro de campo.

O Tricolor começou o jogo como costuma fazer quando joga fora de casa: cauteloso e esperando o erro do adversário para contra-atacar. Mas a falta de criatividade no meio foi um empecilho aos objetivos dos atacantes Danilinho e Henrique Dourado até os 28 minutos do primeiro tempo, quando Henrique, o zagueiro, acertou bela cobrança de falta posta para escanteio pelo arqueiro do Santa Cruz. Na cobrança do córner, a bola sobrou limpa para outro Henrique, o Ceifador, que completou sozinho para o gol vazio e fez o gol do Fluminense.

Até então, apenas um chute torto de Scarpa para fora. Muito pouco para uma equipe que tem maiores pretensões no campeonato.

O Santa Cruz até arriscou alguns chutes, finalizou mais, porém sem perigo algum para Cavalieri.

No fim da primeira etapa, Wellington Silva se contundiu, sendo substituído por Igor Julião, desfalcando uma equipe que já jogava sem Marcos Junio e Cícero.

No segundo tempo, o Flu retornou ainda mais recuado, pedindo, como se diz no jargão futebolístico, para tomar um gol. A pressão inicial do Santa Cruz foi, porém, inócua porque se trata de uma equipe fraquíssima, que nem mesmo comandada pelo estreante Doriva conseguiu se motivar.

Para corrigir a perda do domínio no meio de campo, Levir observou bem os demasiados erros de Edson e o retirou pondo em seu lugar Pierre. Não mexeu no esquema, trocou seis por meia dúzia, mas o time passou a errar menos e tornou a partida mais tranquila, com Danilinho, inclusive, aparecendo mais no jogo. O Santinha passou a ameaçar menos, e o Flu perdeu uma ótima oportunidade de ampliar num contra-ataque desperdiçado após péssima finalização de Scarpa.

O Fluminense continuou sem ameaçar, mas nada que fosse um obstáculo à sua vitória, que já estava praticamente assegurada ante o baixíssimo nível técnico do adversário.

Henrique Ceifador, pelo gol, Willian Matheus, Danilinho (especialmente no segundo tempo), Scarpa e Douglas foram os destaques de uma partida fraca tecnicamente. Wellington, retornando de contusão, não produziu o que temos nos acostumado a ver dele, mas a equipe em momento algum deixou de ser aguerrida, o que contribuiu decisivamente para o sucesso da equipe.

O Tricolor, enfim, conseguiu a sua segunda vitória seguida no campeonato e ainda disputará uma partida adiada contra o Figueirense, estando, portanto, vivas as chances de se alcançar pelo menos uma classificação para a Libertadores. Precisará, contudo, fazer mais do que tem feito, sobretudo nas partidas em que não tem o mando de campo.

De qualquer forma, foi mais uma vitória santa, a cereja no bolo de um domingo em que o tricolor já se regozijava da belíssima conquista do Ouro Olímpico do Voleibol nacional.


O torcedor tricolor despede-se das Olimpíadas e, agora, volta os seus olhos exclusivamente para um campeonato brasileiro que é um caminho, ainda que mais tormentoso do que a Copa do Brasil, para que o Fluminense retorne à disputa da competição mais importante das Américas.

sábado, 13 de agosto de 2016

O imparcial e o parcial

Enquanto Michael Phelps continua fazendo história e David Lee fazendo mais marketing que o Marketing Tricolor, o NetFlu permanece fora do Fluminense.

Sem qualquer justificativa da alta Administração Tricolor, o abuso se perpetua no tempo.

Isso tem uma explicação: não se justifica o injustificável. Mas, de fora, todos podemos imaginar os motivos. Estamos em ano de eleições no clube e notícias ruins não são bem-vindas a quem pretende emplacar um sucessor.

Mesmo que essas supostas “más notícias” sejam veiculadas por um site que tem por objeto a informação, doa a quem doer.

E informação é diferente de opinião. A informação, no jornalismo ético, é o fato noticiado tal qual ocorreu, notório ou confirmado por fontes idôneas e contraditado sempre que possível. A opinião, ao contrário, é a manifestação subjetiva do articulista acerca de determinado tema ou fato, ou seja, nem sempre é o que ocorre, mas é como o autor vê ou sente o que acontece ao seu redor.

A informação jornalística deve ser imparcial. A opinião não precisa sê-lo.

Está aí o motivo pelo qual a NetFlu continua alijada do direito de informar o torcedor tricolor: a parcialidade, segundo os olhos da Administração do Fluminense.

Dado o elevado alcance do site, evidentemente, qualquer matéria que exponha as mazelas da atual gestão tricolor pode causar prejuízos que repercutirão no pleito de novembro. Daí a represália.

Dar ao NetFlu, porém, a pecha de parcial, é também outra injustiça. A parcialidade está em todos nós, que temos sentimentos. A parcialidade só não está no estoico.

Um juiz eleitoral que julga uma causa que envolva um partido político nem sempre coaduna com os seus dogmas partidários. Provavelmente votou, escolheu seus candidatos e possui uma identidade política própria. Mas é preciso julgar com isenção, afastar seus desejos pessoais e aplicar a lei. A isso se chama imparcialidade.

Ser imparcial não é não ter vontade própria ou desejos e preferências recônditos, ser imparcial é não deixar que isso afete a sua decisão ou a sua manifestação profissional, qualquer que seja.

Não me parece, portanto, que o NetFlu, ao reportar o dia a dia do Fluminense seja parcial ou atue contra os interesses de quem quer que seja, senão contra a mesquinhez e o autoritarismo de quem põe seus objetivos pessoais acima dos do clube.


Michael Phelps é mito. David Lee é tricolor. E a NetFlu deve ser respeitada como instituição jornalística a serviço do torcedor tricolor, e de mais ninguém. Simples assim.

domingo, 31 de julho de 2016

Em busca do novo torcedor

Simone de Beauvoir afirmava que ninguém nascia mulher, tornava-se mulher. Parafraseando-a, com muito mais segurança, posso dizer que ninguém nasce torcedor, torna-se torcedor.

Normalmente essa escolha, que acompanhará os mais fiéis por toda a vida, é feita na infância, por influência do pai, da mãe, dos avós, de um padrinho, de um amigo da escola e até mesmo por vontade própria.

Eu sou tricolor por meu pai. Minha filha o é por mim. Em algum momento, porém, esse ciclo pode ser rompido, surgindo daí o desgarrado, aquele ou aquela que seguirá outras influências e torcerá por outro time ou mesmo não torcerá por time algum.

Há também aqueles ou aquelas que pela total abstinência futebolística em seus meios sociais nunca se apegaram ao futebol a ponto de torcer por qualquer clube, manifestando-se, eventualmente, nas grandes competições internacionais de que participa a seleção brasileira como torcedores sazonais que só se aproximam do futebol nesses períodos.

Está aí um filão que precisa ser melhor explorado. Não digo apenas pelo Fluminense, mas por qualquer clube que deseje criar vínculos com esse desapaixonado, esse desgarrado que, por qualquer motivo, não tem o futebol como primeiro esporte ou não o tem como esporte algum.

É certo que, diante das recorrentes falcatruas que envolvem o cenário do futebol –nacional e internacionalmente – essa aproximação torna-se cada vez mais difícil, mas, por outro lado, a tentativa é válida na medida em que agregar mais fãs ao clube significa trazer mais receitas para seu cofre.

Não digo apenas direcionar o marketing para aquele torcedor que já torce para o clube, fortalecendo-o. Isso é importante e tem sido feito pelo próprio Fluminense no projeto Tricolor em Toda Terra, mas é preciso mais: buscar a ovelha desgarrada, ou seja,  além de manter, acrescer.

Grandes clubes do futebol europeu, como Real Madrid, Barcelona e Manchester United já possuem escolinhas de futebol no país. Aqui na minha cidade, houve até pouco tempo, uma escolinha do Cruzeiro. Imagino que os primeiros, pela força transnacional que possuem, angariam pequenos torcedores em todos os cantos do planeta, mas os clubes nacionais também podem seguir esse caminho, caminho que, por sinal, trilha muito bem o Fluminense.

O Projeto “Guerreirinhos” de escolinhas de futebol do Fluminense é o melhor exemplo dessa expansão que pode gerar frutos inestimáveis para o clube: jogadores para a sua base, receita e novos pequenos torcedores. Com mais de cinquenta unidades pelo Brasil, em diversos municípios do Estado do Rio, em Brasília, Espírito Santo, Alagoas, Ceará e em breve na Paraíba, além de escolas também no exterior, em Córdoba, Santiago e com tratativas para um novo centro nos Estados Unidos, o projeto é um alento para o futuro tricolor.

O Fluminense dá um passo importante, mas outros podem ser dados. Um novo torcedor significa mais dinheiro para o clube – inclusive as importantes receitas televisivas - e o Flu tem um potencial inesgotável de valorização de sua marca e visibilidade que podem e devem ser explorados pelo seu marketing.

Lembro-me de que há algum tempo sugeri numa rede social que o clube poderia investir naquele turista que chega ao Maracanã aos borbotões trazido por guias para cumprirem o ritual de assistirem a uma partida no ex-maior do mundo. Um kit com uma revista contando a história do clube em inglês, uma flâmula, um boton...pronto, lá vai o turista de volta para o seu país de origem com o Fluminense na bagagem. Um marketing que pode ser efetivo e é barato.

Não me parece que o Projeto Guerreirinhos tenha sido criado com o objetivo principal de alavancar o crescimento da torcida tricolor, mas indiretamente, essa será uma consequência. Portanto, é preciso também pensar em outras ações que sejam específicas visando a criar no torcedor o gosto de torcer pelo Fluminense; afinal de contas, a maioria da população brasileira - 19,4%, segundo o Instituto Paraná Pesquisas - não torce por time algum e esse percentual precisa ser melhor explorado.

As eleições se avizinham e seria importante que o novo presidente pensasse preponderantemente num marketing ativo e eficiente para o Fluminense, justamente para que sejam criadas campanhas de crescimento da torcida, o que se faz com boas ideias e títulos.

Mesmo as boas ideias, contudo, não sobrevivem por muito tempo sem a formação de times competitivos e vencedores, de preferência sob a regência de um ídolo.


Assim, é preciso fomentar o gosto de se torcer para o Fluminense, manter o fã tricolor, evitando-se o esvaziamento da torcida e estimular ainda mais a parceria do torcedor fiel, porque a torcida é e sempre será a maior parceira e patrocinadora de qualquer clube.

domingo, 24 de julho de 2016

Obrigado, Panorama Tricolor

Hoje completo a centésima primeira coluna no Panorama Tricolor com um orgulho que não cabe dentro de mim. Escrever sobre o Fluminense já seria motivo suficiente de satisfação, mas escrever sobre o Fluminense num espaço tão democrático, cultural, crítico, visionário e eclético, cercado de algumas das mais distintas inteligências tricolores, é mais do que uma satisfação, é uma imensa honra.

Não imaginei, cem colunas atrás, após o convite feito pelo escritor Paulo Roberto Andel, que hoje ainda estaria escrevendo com a efusividade da primeira vez, mas o amor pelo Fluminense tem dessas coisas, renova-se diariamente, cada vez com mais intensidade.

Mesmo após as inconsoláveis derrotas, mesmo nos dias menos inspirados, o Fluminense se reinventa como uma chama que enfraquece, mas nunca morre, tornando-se sempre a maior fonte de inspiração que se possa ter. Inspiração para se escrever, inspiração para se viver.

E se nos dias ruins o Fluminense é inspirador, imaginem vocês nos dias bons.

É por isso que a cada linha contada da história do Fluminense nesta Casa imagino-me fazendo parte dessa própria história, porque não há como dissociar o Panorama Tricolor – e sua excelência literária – da trajetória recente do Fluminense Football Club.

No Panorama, vê-se o Fluminense também sob outro viés, não aquele que se percebe apenas do aspecto literal de um texto, mas literariamente, metaforicamente, uma forma diferente e, acredito, pioneira, de se produzir conteúdo sobre um clube de futebol.

E não apenas isso. Também é um bastião da defesa democrática dentro e fora do clube e um guardião de seus interesses e os de sua torcida. Quem não se lembra de 2013?

Fica aqui, portanto, o meu agradecimento ao Panorama Tricolor por tudo o que representa para o Fluminense e para o futebol nacional e, sobretudo pela oportunidade que me foi dada de cerrar fileiras com tão dignos representantes da torcida tricolor na lida diária de levar o nosso amado clube, de uma forma diferenciada, a milhares de leitores.

Aproveito a oportunidade homenagear a causa primeira, a origem de tudo, com este singelo poema:



Obrigado, Fluminense


Amo-te em silêncio e efusivamente
penso-te diariamente
como quem pensa com a razão
e com o coração.

Sou grato à tua existência
porque se não existisses
eu seria menos eu
seria menos um pouco
de cada coisa que já fui.

Seria mais, certamente,
o insuportável fruto
de um destingido
e imprestável
destino.

Agradeço, também, às lembranças
proporcionadas em cores nítidas
em três cores bem vivas
embaciadas de pó-de-arroz
ao som de gritos de guerra
que fazem vibrar
até o mais estoico dos estoicos.

Obrigado, Fluminense,
pelos dias de luz e escuridão
porque todos, sem exceção,
foram dias de paixão
porque paixão não se entende
não se mede, não se aprende
sente-se inexoravelmente
sem razão.

Obrigado, Fluminense,
por esse inefável
e inconsumível desejo
de sentir-te sempre
pulsando em meu peito,
ainda que meu tempo se esgote
mesmo que a vida passe
mesmo num outro mundo,
obrigado por tudo,
Fluminense.


Felipe Fleury

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que se passa?

Após a pífia atuação contra o Ypiranga/RS, Levir disse mais ou menos o seguinte: “A responsabilidade é minha. Eu peço uma coisa, mas eles não cumprem. Amanhã conversarei com o Presidente e resolveremos”.

Não precisou ser mais direto. Estava claro que pretendia pôr à disposição seu cargo de treinador no clube. Para a nossa sorte, Levir permanece no Fluminense.

Uma mudança no comando técnico, no atual e conturbado momento tricolor, - mais uma no ano – serviria apenas para retardar ainda mais os progressos de uma equipe que, desde o começo da temporada, mas involuiu do que evoluiu tecnicamente.

Levir não sairia por incapacidade profissional como seus antecessores, afinal todos conhecemos seus méritos, mas por uma estranha dificuldade de comunicação, de fazer-se ouvir.

Eu acreditaria nessa suposta dificuldade se Levir fosse daqueles que transmitem seus conhecimentos aos jogadores como se estivesse dando aula num curso de mestrado. A sua fala simples, seu jeito simples, porém, não indicam, minimamente, que não possa ser entendido pelos destinatários de suas determinações.

Logo após a partida contra a equipe gaúcha, ainda sob o calor da emoção, tratei o fato como uma sabotagem. Talvez tenha exagerado, mas certamente a ausência de sintonia entre comandante e comandados possui motivação subjetiva e passa necessariamente pela desmotivação do grupo.

Há a justificativa da mediocridade da equipe, mas mesmo jogadores medíocres correm e se doam dentro de campo e não é isso que se vê no Fluminense desde a conquista da Primeira Liga.

Fred faz falta como um líder e motivador, mas a Liga foi conquistada sem ele. Então, o que há?

Os jogos em Volta Redonda, as constantes mudanças na equipe, a personalidade do treinador podem ser motivos, assim como outros que desconheço, mas nada disso justifica essa espécie de motim denunciado por Levir.

Ao que parece, alguns jogadores desse grupo não perderam o ranço de tempos não tão distantes assim, quando demonstravam suas insatisfações pessoais no campo de jogo, prejudicando sobremaneira os interesses do Fluminense por questiúnculas particulares normalmente de cunho financeiro.

Essa desmotivação coletiva pode não ter a contundência de uma sabotagem, mas não deixa de ser um desrespeito ao próprio treinador, ao clube e à torcida.

Como funcionários do Fluminense, pagos em dia, a motivação deveria ser obrigatória. Mas, se o fato de vestirem a camisa de um dos maiores clubes do Brasil não serve de fator motivador, cabe ao Departamento de Futebol Tricolor identificar e coibir qualquer ação que vise ao prejuízo dos interesses do Fluminense.

Para tanto só é preciso pulso, rigor nas ações, clareza ao expor as regras: disciplina.

Levir identificou, mas não expôs publicamente o problema. Está no Flu, mas com as malas prontas.

Contra o Vitória, saberemos se a repercussão de suas declarações, a conversa com o Presidente, a pressão da torcida terão surtido algum efeito no moral dos jogadores. Se tudo continuar como está, teremos a certeza de que o que se passa dentro das quatro linhas não poderá ser mudado por nenhum treinador, pois transcende o seu poder e, quem tem atribuição para dar a solução, definitivamente não se interessa em resolver o problema.

Com a saída de Fred, Levir, é a estrela da companhia. Sem ele, o que já está ruim ficará pior. Para o bem do Fluminense, que todos entendam isso e se irmanem num único propósito: tornar o Flu novamente vencedor.


E reforços são imprescindíveis. Para ontem.

sábado, 2 de julho de 2016

Até quando...

O descompromisso do torcedor tricolor de Volta Redonda com o time parece um reflexo do descompromisso do Fluminense com o futebol. A apatia tricolor contagia o seu torcedor que, se nunca foi muito de ir ao Estádio da Cidadania assistir ao Flu, agora é que perdeu definitivamente o gosto. Os menos de mil pagantes não mereceram mais uma apática apresentação de um Fluminense que, um dia, já foi o orgulho dessa imensa torcida.

O Tricolor iniciou o primeiro tempo com três alterações em relação à partida em que perdeu para o São Paulo, com William Mateus, Dudu e Pierre nos lugares de Giovanni, Douglas e Cícero. Apesar das alterações, a equipe não parecia diferente das últimas partidas: tinha a posse de bola, mas não era eficiente no ataque.

O desejo de Levir de transformar o Flu num time que ataca e defende com eficiência em bloco ainda não se concretizou. Mesmo assim, o Tricolor foi superior na primeira parte do jogo tendo perdido boas oportunidades de abrir o marcador aos 15` com Henrique, que, de cabeça, desviou uma falta cobrada por Scarpa, no travessão. Quatro minutos depois, Dudu, aproveitando outro lance de bola parada, arrematou para excelente defesa do arqueiro coxa branca. Aos 25`, numa jogada de contra-ataque, Welington Silva perdeu na cara do gol, chutando em cima do goleiro, no primeiro lance de perigo do Flu não originado de um lance de bola parada. Aos 43` o Coritiba chegou pela primeira vez ao gol tricolor, oportunidade em que a presença de Cavalieri foi fundamental para que o adversário não marcasse seu tento. Por fim, ao 45`, Henrique, novamente de cabeça, após a cobrança de escanteio, exigiu do guarda-metas alvi-verde importante intervenção.

Como se percebe, o Flu dependeu quase que exclusivamente das bolas paradas para chegar ao gol adversário, porque a sua criação no meio praticamente inexiste. Scarpa, embora tenha se apresentado um pouco melhor do que nas últimas partidas, ainda não foi o que se espera de um jogador que deve exercer essa função.

O segundo tempo começou melhor para o Coritiba, tanto é que Levir aos 10` fez logo duas substituições: Maranhão e Richarlisson por Dudu e Magnata. Dudu não estava mal na partida e a opção de Levir talvez tenha se baseado na necessidade de o jogador ter sentido a falta de ritmo de jogo, uma vez que foi a sua primeira partida como titular.

Mas as mexidas não surtiram qualquer efeito. Somente por volta dos 25`, quando o Coxa resolveu arriscar um pouco mais e buscar a vitória, o Flu encontrou mais espaços para jogar. E aí, Richarlisson, aos 30`, fez ótima jogada pela esquerda que resultou em escanteio. Na cobrança, Edson, de cabeça, concluiu rente à trave esquerda adversária. Aos 33` Samuel perdeu outra chance e aos 36`, em jogada de Maranhão, dessa vez pela direita, o Flu quase chega ao gol não fosse a boa defesa do goleiro do Coritiba. Aos 41`, após erro conjunto de Cavalieri – na reposição de bola – e Henrique, Kleber teve a oportunidade mais clara do jogo e quase marca para o Coxa.

Daí por diante o Flu tentou inutilmente chegar ao gol do Coritiba, mas esbarrou na sua própria mediocridade. O resultado de empate acabou sendo justo pelo que fizeram em campo duas equipes que se nivelam por baixo. O resultado foi pior para o Fluminense, que jogava como mandante e tinha a obrigação da vitória.

Já disse em outras oportunidades que sem reforços, não almejaremos nada e ainda correremos o risco de lutar contra o rebaixamento. Henrique Dourado, um atacante, deve ser apresentado. Ainda é pouco. Do jeito que as coisas andam, para que haja alguma resposta dentro de campo precisamos, no mínimo, de um bom zagueiro, um lateral esquerdo e um meia armador de qualidade.

Quanto aos estreantes, esse William Matheus precisa ser melhor observado e Dudu mostrou alguma qualidade. Nada, porém, que dê muitas esperanças ao torcedor de que uma transformação imediata na forma de jogar dessa equipe possa ocorrer.

E quanto a Levir, que considero um bom treinador, também deve fazer seu mea culpa. O seu esquema de ataque e defesa em bloco ainda não vingou, o Flu é um time frouxo na marcação e pouco eficiente no ataque. Faltam peças, mas, como técnico, é responsável por dar minimamente a sua cara ao time, o que ainda não aconteceu.

Mais um resultado decepcionante num campeonato que não perdoa a incompetência. Depois, poderá ser tarde demais. Ou essa diretoria acorda, ou conseguirá o que vem perseguindo com a sua inaptidão há algum tempo: rebaixar o Fluminense.


Todos merecemos um presente e um futuro melhor. Chega de sofrimento.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Fluminense vs São Paulo

Mais uma derrota num campeonato que se apresenta ao Fluminense numa infeliz rotina cambaleante, que o torna sério candidato a disputar a parte baixa da tabela durante toda a competição.

Contra o flamengo, eu só consegui tecer um comentário: foi uma vitória importante por tudo o que representa vencer o nosso maior rival. E só.

O péssimo primeiro tempo que jogado contra os rubro-negros repetiu-se hoje, com a diferença de que o time misto do São Paulo não é flamengo e fizeram dois gols.

Em campo um time lento, sem objetividade, sem qualquer jogada ensaiada, sem opções no ataque, a defesa vacilante como sempre, o meio sem criatividade e o ataque nulo. Se houvesse uma opção para menos do que péssimo, esta seria a nota do Fluminense na primeira etapa.

A coisa foi tão ruim, tão abaixo da crítica, que o Flu só finalizou duas vezes em gol: um chute torto do Scarpa e um cabeceio do Cícero que passou rente ao travessão. No mais, toques e mais toques improdutivos de bola até que a mesma fosse invariavelmente perdida para o São Paulo armar bons contra-ataques pelo seu lado esquerdo, praticamente em ritmo de treino.

Levir não poderia compactuar com essa morosidade, essa displicência e fez logo duas mexidas no intervalo da partida: Dudu no lugar de Edson e Osvaldo no de Maranhão.

Logo no início, os paulistanos perderam mais um gol, mas conquistamos o primeiro escanteio do jogo logo em seguida. No decorrer do lance o Flu foi premiado – um prêmio pelo primeiro córner na partida - com um pênalti, que Cícero converteu.

As mudanças deram mais mobilidade e velocidade à equipe. Pior não poderia ficar e o Flu passou a jogar algo parecido com futebol. Ainda teve mais uma penalidade a seu favor, dessa vez não marcada pelo árbitro.

Mas foram apenas lampejos. O Tricolor sucumbiu mais uma vez à sua própria incompetência, à má qualidade técnica de seu elenco – não há espaço no Flu para jogadores como Henrique, Maranhão, Giovanni, Osvaldo, Jonathan, entre outros – e sobretudo à leniência de alguns jogadores.

Nem com Ganso fora de jogo, o time se mobilizou para tentar pelo menos um empate. Triste, lamentável a apresentação do Fluminense.

Sem reforços e sem uma mudança radical na forma de jogar dessa equipe, não há qualquer expectativa de almejarmos algo melhor este ano, infelizmente.

O Flu precisa de uma sequência de vitórias e, principalmente, de uma sequência de bons jogos, mas ao que parece, isso depende de uma diretoria que não está preocupada com as coisas do futebol, deixado mais uma vez em segundo plano.

O torcedor tricolor merece respeito. Não é pedir muito.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os muros tricolores

Um erro não justifica outro, ou trocando em miúdos, erros não se compensam.

A pichação do muro da sede tricolor logo após a derrota para o Santos foi um erro porque é, em primeiro lugar, um crime previsto no artigo 65, Lei 9605/98; em segundo lugar, porque quando se suja o muro do Fluminense, o único atingido é o próprio clube e não os destinatários das reclamações.

Não vale dizer que um muro se pinta e pronto, porquanto se fosse o muro da casa de quem aquiesce à sujeirada certamente sua opinião seria outra.

O outro erro é a Administração do futebol tricolor. Uma sucessão de erros que relegaram o futebol do Fluminense a um segundo plano em detrimento de um suposto acerto do seu equilíbrio financeiro.

Manter o clube com as suas contas equilibradas, reparar os abusos das administrações anteriores, evitar gastos desnecessários e gastar bem – com qualidade e bom custo-benefício – é obrigação de todo gestor. Assim como é obrigação cuidar do carro-chefe do clube, principal fonte de receitas, e motivo da paixão de uma imensa legião de torcedores: o futebol.

Numa ponderação de prioridades ou interesses, nenhum deve preponderar sobre o outro, pois caminhando juntos tem-se a máxima efetividade na gestão de um clube: contas saneadas e títulos na sala de troféus.

Assim, embora se justifique a irresignação da torcida, há outros meios de se protestar, menos sujos e lícitos. Transformar o muro da sede tricolor em muro de lamentações ou mesmo em palanque político, se foi esse o propósito do pichador, não é o melhor caminho.

Há um outro muro, etéreo, por trás do qual encastelam-se o mandatário tricolor e seu staff. É este o muro que deve ser o alvo do torcedor que deseja ter o seu Fluminense de volta, é esse o muro que precisa ser derrubado.

A inaptidão da gestão futebolística tricolor precisa ter um fim, mas não é a depredação do patrimônio do clube que transformará, da noite para o dia, o futebol em prioridade nessa Administração.

Aliás, não parece que há mais tempo para isso. Peter Siemsen será reconhecido por grandes feitos extracampo, alguns, como o CT, que dependeram muito menos dele do que da iniciativa de terceiros, mas também terá perdido a grande oportunidade de ter dado ao futebol o papel de relevância que deveria ter num clube da grandeza do Fluminense.

Para o torcedor é o que importa: um time vencedor.


O muro real será limpo e continuará guarnecendo e embelezando a centenária sede tricolor, enquanto isso, o outro, o muro da vergonha, tem prazo de validade e será derrubado em novembro, quando, espera-se, renascerá um novo Fluminense, vencedor dentro de campo e autossuficiente fora dele. 

sábado, 18 de junho de 2016

Rompendo fronteiras

O Fluminense é pioneiro mais uma vez. Até dezembro deve concretizar a compra de 77% do clube eslovaco STK Samorin, atualmente na 2ª. divisão daquele país. Será a mais ousada tentativa de integração entre um clube brasileiro e um europeu e que precisará ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do Flu.

Já há entre os clubes um acordo de cooperação em que o Fluminense cedeu cinco jogadores e um auxiliar técnico ao clube eslovaco na última temporada, quando ainda disputava a 3ª. divisão local. Esse número, no decorrer do último ano, passou para sete jogadores da base tricolor o que foi preponderante para que o STK subisse de divisão.

O STK fica na cidade de Samorin, bem próxima da fronteira com a Hungria e a apenas 17 Km de Bratislava, capital da Eslováquia. É uma cidadezinha pequena, de apenas quinze mil habitantes, cujo clube principal é o próprio STK.

O objetivo do Fluminense é claro: dar experiência a jogadores da base, valorizá-los, qualificar técnicos e inserir o clube no mercado europeu. Para tanto, a escolha do clubezinho eslovaco não foi aleatória: a cidade é pequena, receptiva, o custo de vida e os salários são baixos.

Dessa forma, aqueles jogadores da base tricolor que não forem imediatamente aproveitados no time principal terão a oportunidade única de atuarem pelo Fluminense eslovaco. Se o acordo vingar, ao concretizar a compra, o Tricolor terá que investir duzentos e cinquenta mil euros na infraestrutura do clube e este passará a se chamar STK Fluminense Samorin, utilizando o uniforme tricolor oficial do clube brasileiro nas partidas fora de casa.

Assim, o Flu, ao menos em tese, poderá valorizar e dar experiência aos seus jovens jogadores numa vitrine europeia e poderá realizar negócios com clubes médios europeus fazendo caixa para o clube. Além disso, a internacionalização da marca será efetiva: será o Fluminense, como marca, que estará se apresentando em gramados europeus, inclusive vestindo a sua própria camisa.

Outro fator positivo será a possibilidade de a base tricolor atrair os jovens mais promissores, ávidos pela possibilidade precoce de uma experiência na Europa.

No papel, portanto, tem tudo para der certo: baixo investimento e possibilidade de bom retorno financeiro, além, é claro da exposição da marca Fluminense em território europeu.

Na prática, porém, é preciso dar tempo ao tempo. Só será bom para o Fluminense se houver o retorno esperado e, sobretudo, se houver tato na condução das futuras negociações.

E se o STK, ou melhor, o STK Fluminense, alcançar a primeira divisão, certamente a visibilidade será muito maior.


De qualquer forma, tricolor, se você não possuía um clube para o qual torcer na Europa, agora já pode ter. O Fluminense eslovaco está muito próximo de se tornar uma realidade.