quinta-feira, 16 de junho de 2016

Fluminense versus Corinthians

Um Fluminense incisivo, rápido e envolvente ainda é um sonho de Levir Culpi. O que se pode dizer é que o Flu tem se ajustado dentro de campo dentro de suas limitações. Afinal de contas, não dá para exigir muito de uma equipe com dois laterais fracos, dois zagueiros temerários e um meio de campo pouco criativo. Alie-se a isso, agora, a ausência de uma referência no ataque.

Ainda assim, o Tricolor tem se virado. Podia ter vencido Atlético/MG, Chapecoense e Grêmio, mas reiterou em erros que o assombram desde o início da competição: falta de criatividade no meio, pouca eficiência na frente, muitos erros de passes e inúmeras oportunidades desperdiçadas, muitas delas por afobação. Contra o Grêmio uma agravante: a assombração era o Fred, que apesar de já estar longe das Laranjeiras, parecia estar em campo, tantas foram as bolas alçadas para a área em busca não se sabe de quem.

Hoje não foi muito diferente. Fez um primeiro tempo correto na marcação, mas sem qualquer criatividade no meio – Scarpa esteve muito mal – e apenas conteve o ímpeto do Corinthians, que teve as melhores - embora escassas - oportunidades da primeira etapa. Somente no fim o Flu mostrou algo mais, incomodando a equipe paulista.

O segundo tempo começou moroso para as duas equipes, e o jogo caiu de produção, até o pênalti muito bem assinalado pelo árbitro em Cícero. Mesmo batendo mal, teve sorte, pois a bola foi rebatida para seus pés e pôde então concluir pela segunda vez e marcar o gol tricolor. O autor da falta foi expulso e aí a partida ficou à feição do Fluminense.

O Corinthians saiu para o jogo e o contra-ataque foi todo do Flu. Novamente, porém, diversas chances foram desperdiçadas, seja por erros de passes, seja por afobação ou mesmo por incompetência nas finalizações. Talvez isso explique o Flu posicionar-se na última posição das equipes com 13 pontos, uma vez que possui baixo índice de gols marcados.

Vale dizer que se a pressão final do Corinthians resultasse num gol, estaríamos agora lamentando tantas oportunidades de contra-ataques novamente desperdiçadas.

Vencemos, enfim, apesar de termo feito uma partida apenas razoável. Depois de uma série incômoda de empates, uma vitória contra um dos candidatos ao título é sempre muitíssimo bem-vinda.

Agora é ajustar o time para ser mais eficiente na busca do gol, além, é claro, de não deixar de se pensar nos reforços que são imprescindíveis para que o Fluminense almeje algo mais na competição.

E que o sonho de Levir de tornar o Fluminense uma máquina que ataca e defende com rapidez e qualidade se torne logo realidade, porque também é o que todos nós desejamos ansiosamente.


Enquanto isso, curtamos essa bendita vitória.

sábado, 4 de junho de 2016

Fluminense versus Chapecoense

Pela segunda vez consecutiva o Fluminense é superior ao adversário, perde boas oportunidades, mas não consegue sair com a vitória. Uma atenuante: o adversário foi a Chapecoense – equipe havia, até então, vencido o Tricolor em todos os confrontos nos campeonatos brasileiros – que é sempre difícil de ser batida em seus domínios e que está invicta na competição.

Mas atenuante não perdoa, diminui a culpa. Assim como foi contra o Galo, o Flu perdeu outros dois pontos importantes em virtude de sua superioridade não ter sido transformada em gols.

No primeiro tempo o jogo foi igual. Grama baixa, bola veloz, o Flu tratou de se adequar ao estilo da Arena Condá e fez um jogo de bastante aplicação e pouca imaginação, dando chutões quando necessário e baseando a disputa no meio de campo.

Somente aos 34 minutos o Tricolor chegou com perigo – e foram os lances mais agudos da partida – quando Cícero fez boa jogada pela direita e Jonathan, Richarlisson e, por fim, Scarpa, respectivamente, perderam ótimas oportunidades. Demérito de Richarlisson, que tinha o gol livre à sua frente e conseguiu chutar nas pernas do zagueiro.

Talvez esse lance tenha motivado Levir a trocá-lo por Magno Alves. Dessa vez, ao contrário do último jogo quando trocou Richarlisson por Osvaldo, Levir acertou. Magnata deu mais movimentação à equipe postando-se pelo meio e abrindo espaços para os laterais subirem com mais frequência.

Com essa nova postura, o Fluminense foi o dono da segunda etapa, finalizou mais vezes, teve um gol de Cícero anulado em virtude de um impedimento milimetricamente assinalado e só não saiu vitorioso porque os erros da última partida tornaram a ocorrer: o último passe deficiente e más finalizações.

Não fosse por isso estaríamos comemorando 6 pontos contra Galo e Chape.

Agil como é a competição, será necessário um intervalo maior para que Levir foque nessas falhas e tente corrigi-las.

Dois pontos em seis fora de casa não é péssimo, mas não é o ideal. Um vitória nos daria uma condição melhor. Com esses resultados, vencer em casa o próximo confronto torna-se praticamente obrigação.

A deficiências do Flu são bem visíveis. Levir, com um pouco de tempo, as corrigirá e isso é um alento para o torcedor, porque se o Tricolor tem sido um adversário difícil de ser batido, precisa também vencer com mais frequência para manter-se nas primeiras colocações da competição.


Tenho esperança de que ainda haverá uma boa evolução dessa equipe, suficiente para, oxalá, pelo menos lutarmos para voltar à Libertadores em 2017.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Fluminense versus Atlético MG

Um empate com sabor amargo, ante as chances desperdiçadas contra um Atlético MG que errou demais, erros que foram pouco aproveitados pelo Fluminense.

Provavelmente o Tricolor tivesse saído do primeiro tempo com uma vitória parcial, não fosse o grave erro de Henrique no gol do Galo aos dois minutos de jogo. Aliás, Henrique erra reiteradamente, mas seus equívocos só chamam a atenção quando resultam em gols, como hoje.

O gol do Atlético logo no início da partida desnorteou o Fluminense. Mesmo atordoado, porém, conseguiu ser melhor do que o Galo. Scarpa perdeu duas boas chances e depois, mesmo sem goleiro, o Flu não conseguiu marcar o tento de empate.

Era visível, contudo, que aos poucos o gol tricolor amadurecia. O Atlético não ameaçava e o Flu passou a dominar o meio de campo. Após passe de Cícero, Scarpa, enfim, empatou a partida. A derrota parcial seria injustiça, mas o Flu merecia a vitória ante as chances perdidas, que não foram muitas, mas premiaria a única equipe que almejou com mais eficiência o gol adversário.

Na segunda etapa o Flu procurou manter o mesmo ritmo, pressionando a saída de bola, forçando o erro do Galo, mas o time mineiro melhorou. Não muito, mas pelo menos foi mais ofensivo e arriscou mais na frente. O jogo ficou mais equilibrado, mas com a saída de Richarlisson, a meu ver, o Atlético passou a ser melhor.

Embora não estivesse bem, Richarlisson dava muito trabalho à defesa mineira, tendo sido responsável pelos seus dois únicos cartões amarelos. Osvaldo pouco ou nada fez, senão perder um gol aos 35 e outro já nos acréscimos, após excelente chance também perdida pelo Magno Alves.

Apesar de não ter jogado bem, o Flu conseguiu ser melhor do que o Galo e merecia a vitória, mas esbarrou nos mesmos erros do jogo contra o Botafogo: desperdiçou vários contra-ataques por erros de passes e cansou no fim.

O Tricolor não soube aproveitar os erros defensivos do Atlético e aqueles que ele próprio provocou com uma marcação avançada, algo que Levir precisa tratar de corrigir.

A vitória contra o Galo hoje seria fundamental para as nossas pretensões no campeonato e não seria nenhuma excepcionalidade, pois o Fluminense foi superior a maior parte do tempo e perdeu as melhores chances de gol.


O resultado não foi ruim, mas a vitória ficou por um triz. E é esse triz que pode fazer a diferença no fim da competição, para o bem ou para o mal.

domingo, 29 de maio de 2016

Fluminense versus Botafogo

A vitória num clássico, a primeira do ano, é algo que deve ser comemorado. Os três pontos e a ascensão na tabela, também. Mas o maior valor que se deve dar a essa vitória sobre o Botafogo – magra, diga-se de passagem – foi a apresentação de Fred.

Hoje Fred fez o que dele se espera como ídolo, artilheiro e líder: foi participativo, solidário e decisivo.

Antes da partida eu havia dito que para vencer o alvinegro, o Tricolor teria que igualá-lo em disposição e superá-lo na técnica e cada jogador, inclusive Fred, precisaria dar um pouco mais de si.

E foi exatamente o que aconteceu. O Flu foi superior durante toda a partida e o placar chegou a ser enxuto, tantas foram as oportunidades perdidas e contra-ataques desperdiçados, mas em todos os momentos o que se viu foi um time dedicado e aguerrido dentro de campo.

Mas voltemos ao Fred. Talvez tenha sido sua melhor partida no ano e talvez Levir tenha encontrado a sua melhor formação para o Flu (excetuando-se Giovanni, que é o reserva imediato da lateral esquerda). Com Richarlisson e Fred abrindo espaços e Cícero chegando com intensidade. O gol foi do artilheiro, mas foi Cícero quem perdeu grandes chances no jogo, sendo efetivo e perigoso durante todo o tempo.

E Fred hoje não guardou posição. Foi atacante -  e artilheiro com seu gol – jogou de volante, zagueiro e meia armador. Aliás, nesta última posição foi quase perfeito. No meio de campo Fred tem uma qualidade muito superior à média e, não raras vezes, armou ótimas jogadas com excelentes passos e precisa visão de jogo.

Dessa forma, Fred contribui mais e o Fluminense ganha qualidade em todos os setores do campo. Levir contra o Palmeiras errou. Hoje acertou em tudo o que fez e impediu que o Botafogo gostasse do jogo.

A vitória foi justa, apesar das inúmeras chances perdidas no fim e dos sustos inevitáveis decorrentes do recuo da equipe, que pareceu cansada nos últimos minutos. Algo que opode ser considerado natural, uma vez que a equipe foi aplicada e manteve forte marcação sobre o alvinegro até o primeiro quarto do segundo tempo. Depois do gol, manteve a marcação forte, embora mais recuada.

Eu penso que essa foi a melhor formação do Flu. Dependendo do jogo, com Douglas no lugar de Pierre desde o início. Giovanni também comportou-se bem e isso dá mais tranquilidade nas eventuais ausências de W. Silva ou Jonathan.


Mantendo essa escalação, formação tática e disposição, o Flu tem tudo para encontrar o padrão perseguido por Levir. E se encontrá-lo, será difícil segurar o Fluminense na competição. Torçamos!

Vencer ou vencer

São seis clássicos no ano e nenhuma vitória: quatro derrotas e dois empates. No Brasileiro, depois de uma bom começo contra o América MG, dois maus resultados, contra Santa Cruz e Palmeiras.

Pelo histórico do ano nos clássicos e pelos últimos maus resultados, o Fluminense enfrentará o Botafogo sob pressão. E quem conhece bem o Tricolor sabe que para vencer o alvinegro é sempre preciso dar algo a mais.

O Botafogo contra o Flu parece que disputa uma verdadeira final de campeonato. Normalmente é assim, muita aplicação e marcação, sem prejuízo da violência. Time temos mais, porém é preciso igualar na disposição se pretendemos alcançar um bom resultado.

Levir que parecia ter encontrado uma fórmula para o Flu, dando-lhe agilidade, velocidade e poder de marcação, desandou. Coincidência ou não, a presença de Fred parece que embaralhou a estratégia do nosso treinador. Não que o artilheiro seja inútil ou atrapalhe a equipe - é líder, se dedica em campo e ainda é nossa principal referência no ataque – mas Levir incorre no mesmo erro de seus antecessores quando dá a Fred a prerrogativa de ser o único ponto de referência no ataque.

Contra o Palmeiras, ficou perdido no meio da marcação adversária. E quando isso acontece, torna-se absolutamente improdutivo para a equipe.

Prefiro-o movimentando-se pela frente da área, abrindo espaços para companheiros se aproximarem do gol e até voltando ao meio, onde tem qualidade bastante para organizar jogadas ofensivas com bons passes.

Fred tem lugar no time, mas é preciso que tenha pulmão para ir e vir, ser o atacante fixo, o meia armador e até o marcador quando isso for necessário.

Quando isso não acontece, o Flu torna-se presa fácil. Contra o Botafogo, repito, cada um terá que se doar um pouco mais, inclusive e principalmente Fred.

Igualar na força e superar na técnica é a receita.

Levir terá a chance de vencer o primeiro clássico no ano, afastar a pressão por bons resultados e dar ao Flu a oportunidade de ascender às primeiras posições na tabela; contudo, o mais importante será dar à equipe um padrão que ela ainda não teve sob seu comando. Esboçou-se em algumas oportunidades, mas ainda não se conseguiu mantê-lo por mais de dois jogos consecutivos.

O retorno de Edson e a presença de Richarlisson no lugar de Osvaldo indica que Levir não está satisfeito e isso é bom sinal. A solicitação de reforços também é um bom indicativo de que o nosso treinador pretende tirar mais do Fluminense.

Vencer o Botafogo será, portanto, o primeiro grande passo para mostrar que pode dar ao time um padrão de jogo e, mais do que isso, ter uma equipe que se possa chamar de titular doravante.

A vitória hoje, por tudo o que o adversário representa, também pode ser um sinal de que poderemos sonhar com um ano melhor. Uma derrota, ao contrário, aumentará a pressão e os riscos de uma insatisfação da torcida, além de significar mais uma imensa frustração no torcedor pela incapacidade do Tricolor de sobrepujar seus rivais regionais.


Portanto, é vencer ou vencer e, de preferência, com uma vitória daquelas de lavar a alma.

sábado, 21 de maio de 2016

Fluminense versus Santa Cruz

A última vez que eu vi o Fluminense contra o Santa Cruz foi no Maracanã, faz tempo, quando Magnata fez chover gols contra os pernambucanos. A última vez que Fluminense e Santa Cruz e Fluminense se enfrentaram pelo Brasileiro, há dez anos, o nosso Tricolor venceu por dois a um, em Recife.

Hoje, porém, a vitória não nos sorriu. Vale considerar, no entanto, que o Santinha de hoje é bem melhor do que o de outros tempos. Ascendeu à série A, está invicto há dezesseis jogos e foi campeão da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano. Além disso, tem uma equipe muito bem arrumada pelo seu treinador Milton Mendes, único brasileiro, é bom que se diga, habilitado a ser treinador da Europa.

Mas nada disso tiraria do Fluminense a obrigação de, em seus domínios, vencer a boa equipe pernambucana.

E por que não venceu?

O Flu fez um primeiro de tempo aplicado e combativo, teve maior posse de bola, mas não transformou isso em efetividade ofensiva. Uma bicicleta de Richarlisson e só. Claro que a equipe pernambucana teve seus méritos, pois postou-se em campo com uma ótima marcação e, mesmo com menos posse, teve chances mais perigosas.

No segundo tempo, Levir trocou Richarlisson por Gerson, e, na minha opinião, agiu mal. O jovem atacante, embora não estivesse repetindo as suas últimas atuações, tem mais disposição e ainda é um motivo a mais para a defesa adversária se preocupar.

Logo no início da segunda etapa, Grafite entrou livre por trás da zaga, na segunda trave, para completar para o gol e marcar o primeiro do Santa.

Nesse momento, diante da boa postura do Santa Cruz, imaginei que não seria possível reverter o resultado. Scarpa, contudo, numa excepcional cobrança de falta, empatou logo em seguida e, Gum, o guerreiro Gum, jogador que mais vezes vestiu a camisa tricolor em campeonatos brasileiros, cabeceou para excelente defesa do goleiro pernambucano que deu rebote para o próprio Gum completar para o gol e virar a partida.

No lance que deu início ao segundo tento tricolor, o escanteio, Fred recebeu em impedimento. Talvez não tenha sido tão claro para o bandeirinha como o foi para os comentaristas, porque o assistente tem que observar ao mesmo tempo o momento do passe e o jogador que recebe a bola.

Não houve, a partir daí, grandes riscos para o Fluminense. A vitória parecia se encaminhar e seria uma vitória bastante valorizada pela atuação do tricolor de Pernambuco.

Ocorre, porém, que o péssimo árbitro assinalou um pênalti inexistente contra o Flu. Grafite, que ainda dá um trabalho danado, preparou um chute e esticou a perna para trás, sua chuteira aparentemente resvalou na perna esquerda de W. Silva - que estava com os dois pés no chão, não fez qualquer menção de interceder na jogada adversária – e ele “furou” a bola. Na queda, o apitador marcou o pênalti que foi cobrado e convertido pelo próprio Grafite.

O erro foi crasso e talvez compense o impedimento que invalidaria a jogada que deu origem ao gol da virada tricolor. Talvez, por justiça, o empate tenha sido realmente o resultado mais adequado, mas um árbitro que para o jogo por qualquer falta, por qualquer contato e até por motivos inexistentes, só atrapalha o andamento da partida.

Justo ou não o resultado, a verdade é que apesar de todo o currículo recente do Santa Cruz, o Fluminense, repito, tinha a obrigação de vencer. O que conquistou em Minas, perdeu aqui.

Alguns reforços estão próximos, outros pretendidos. Levir já deu sua cara ao time, mas é preciso tornar o Flu mais ofensivo (leia-se: mais finalizações). Fred é a melhor opção, mas não é a única. Há Osvaldo, Scarpa e Richarlisson que precisam funcionar como alternativas, sobretudo quando é o artilheiro que atrai a maior atenção dos zagueiros adversários.

Edson é outro que não pode ser reserva do Pierre.

Ainda há muito o que fazer. Partidas como a de hoje para um treinador inteligente como Levir, servem muito mais como incentivo e como forma de corrigir erros do que para baixar o moral.

Vamos em frente. O campeonato é longo, perdemos pontos importantes, mas não seremos apenas nós. O Santa colherá pontos importantes de muita gente boa.


É hora de levantar a cabeça e vencer a próxima decisão.

domingo, 15 de maio de 2016

Começo com pé direito

Começar o dificílimo campeonato brasileiro com vitória é importante. Se essa vitória é fora de casa, o resultado ainda assume maior relevância. Agora, se o adversário batido é o atual campeão mineiro, um time que o Fluminense jamais venceu em campeonatos brasileiros, um verdadeiro pedregulho no seu caminho, aí, meus amigos, é para comemorar.

Se nos melhores dias, o Tricolor encontrava no América MG enormes dificuldades, a vitória de hoje, quando a equipe ainda se acerta, pode representar para os mais supersticiosos um bom presságio.

Levir repetiu o que havia feito contra a Ferroviária e deu certo. O ataque com Richarlisson e Fred dá ao adversário uma preocupação maior defensiva, o que permite que outros jogadores, como Osvaldo e Cícero possam aparecer com mais liberdade. Torna o time também mais ágil, pois Fred, embora não tenha velocidade, recua para ser o pivô ou armar jogadas ofensivas com qualidade de passe.

Na área, porém, Fred continua sendo imprescindível, fato que se comprova, por exemplo, com o gol perdido por Richarlisson, livre, que isolou uma bola de canela de frente para a meta. Apesar de não ter repetido a atuação anterior, o jovem tricolor teve papel fundamental no gol do veterano artilheiro Fred, o gol da vitória tricolor.

Após belo chute de Osvaldo, espalmado para o lado pelo bom goleiro do time mineiro, Richarlisson aproveitou o rebote e serviu Fred para marcar com sua habitual frieza. Vale lembrar que, em dois jogos, Richarlisson participou dos quatro gols tricolores.

A vitória pelo placar mínimo não disse o que foi o jogo, especialmente no segundo tempo. A primeira parte foi equilibrada, com os dois times mostrando muita aplicação tática e marcação, com poucas jogadas ofensivas. Tanto é que foi numa falha da saída de bola do América que o Flu marcou o seu gol. Teve posse absoluta do bola, mas não traduziu isso em ofensividade, muito porque a equipe mineira marcava muito bem.

Depois do tento tricolor, contudo, o América se abriu para buscar a vitória, e o segundo tempo foi um festival de gols perdidos pelo Fluminense. Algumas más finalizações, outras boas defesas do goleiro americano.

Vitória justa, excelente resultado. Se o Flu ainda não mostrou o futebol vistoso que dele se espera, começa a se acertar taticamente sob o comando de Levir. Com os reforços pretendidos, a qualidade poderá acrescer ao bom trabalho técnico do nosso treinador.

Com qualidade e eficiência, quem sabe, o sonho da Libertadores possa se tornar realidade? Ou, para os mais otimistas, o sonho do título? Não dá para fazer uma previsão neste momento, mas é certo que não muitas equipes que estejam “sobrando”atualmente. Se o Flu jogar de forma eficiente, com bons reforços que supram as carências da equipe, as chances de sonhar alto passam a ser maiores, uma vez que não há, ao menos no papel,  bichos papões na competição.


Portanto, comecemos desde já a sonhar e a rezar. O primeiro passo já demos, faltam 37.

domingo, 8 de maio de 2016

O bom e o mau tricolor.

Neste sábado, centenas de tricolores compareceram ao Salão Nobre do Clube a fim de contribuir para a construção do Centro de Treinamento do Fluminense. Um sonho que cada vez mais se torna próximo de transformar-se em realidade.

Penso que as contribuições podem até ser chamadas de investimento, uma vez que reverterão para o engrandecimento do patrimônio do Fluminense Football Club e, por via de consequência, ao próprio torcedor, beneficiário que será das vantagens que o novo centro trará ao clube.

Valores acima de duzentos reais ainda valem ao contribuinte uma camisa tricolor de coleção da Adidas que não chegou a ser lançada, ante o rompimento contratual assinado com a empresa alemã. Evidentemente, trata-se de uma bela iniciativa, que presenteia o torcedor duas vezes: com a camisa especial e com a possibilidade de participar efetivamente da construção do futuro de seu clube.

Essa é a postura que se enaltece, mas há outra, muito menos nobre, que se deve repudiar com todas as forças.

Segundo o jornalista Giam Amato, paira sobre um funcionário do clube e um torcedor do Fluminense a suspeita de que estejam envolvidos no roubo de mais de dez mil camisas, que seriam utilizadas também como brindes para quem investir mais de duzentos reais na construção do CT.

O crime ocorreu no sábado passado e o valor da subtração pode chegar ao patamar de dois milhões de reais.

Se as suspeitas se confirmarem – logo após o roubo as camisas começaram a ser anunciadas para venda na internet (Não basta ser idiota, tem que parecer idiota) – e identificados os autores do crime como funcionários ou torcedores do clube,  minha decepção não caberá em mim.

Evidentemente, vale repetir, são suspeitas que precisam ser confirmadas. Mas, se o forem, estaremos diante de triste um paradoxo: enquanto o bom tricolor só tem olhos para o seu clube, desloca-se de sua casa para colaborar com o futuro do Flu, outro, o mau tricolor, além de ter praticado um crime, quer que o Fluminense se exploda.

Infelizmente, não estamos livres de elementos perniciosos que jamais poderiam ser considerados torcedores do Fluminense. Felizmente, porém, trata-se de uma absoluta minoria.

Criminosos como esses – e também são criminosos aqueles que adquirem os produtos roubados quando sabedores de sua origem ilícita – merecem da Justiça o rigor da Lei e, do Fluminense, o mais profundo e completo desprezo. Se possível fosse, deveriam sofrer uma espécie de processo de excomunhão que os desvinculassem desde a origem de qualquer resquício do Fluminense em suas vidas.

Torço, sinceramente, para que as investigações apontem outros culpados. Saber que no seio de nossa torcida há quem jogue contra o futuro de seu próprio clube será uma lástima.

Torço, também, para que as camisas sejam recuperadas e utilizadas no seu propósito de arrecadar fundos para a construção de um sonho. Seria uma tremenda injustiça o Fluminense ser punido duas vezes: pela conduta criminosa de seus torcedores e pela perda dessa vultosa quantia.


Por fim, faço o alerta aos torcedores que tenham ciência de vendas dessas camisas. Adquiri-las pode caracterizar crime de receptação. Aja como um verdadeiro tricolor e denuncie esse crime às autoridades. O Fluminense sempre lhe será grato.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O que houve, Fluminense?

O Fluminense já havia feito a sua pior partida sob o comando de Levir Culpi na derrota contra o Botafogo. Hoje, porém, apesar do empate contra a modesta Ferroviária, o Tricolor se superou.

Tamanha decepção com a atuação do time tem basicamente três explicações: displicência, uma enormidade de passes errados – que pode ser atribuída em parte à displicência – e uma virada, quando vencia por dois a zero e o adversário estava com um jogador a menos dentro de campo, o que também pode ser atribuído em parte aos dois fatores anteriores.

De qualquer forna, é preciso que Levir aja para não perder o controle de um grupo que, estranhamente, nas duas últimas partidas, pareceu o Fluminense de alguns jogos passados que todos desejamos esquecer.

No dia em que Fred desencantou, marcando dois gols, talvez inspirado pela Arena da Fonte Luminosa, o iluminado artilheiro não foi capaz de, com sua liderança, impedir que a equipe passasse de pretendente a eliminar, inclusive, o jogo de volta a outra que só não protagonizou um vexame de proporções enormes porque o velho Magnata fez o gol de empate.

Contra um time com um jogador a menos e, mesmo que estivesse com onze na linha jamais estaria à altura de enfrentar o time do Fluminense de igual para igual, o empate não deixou de ser um resultado bastante aquém do esperado.

Os dez dias que Levir teve para preparar a equipe para este jogo parece que de nada serviram. Agora terá mais uma semana, talvez quatro ou cinco dias de treinos. Portanto, cabe a Levir investigar a causa da queda de rendimento, corrigir as falhas e fazer o Flu tornar a ser competitivo, como vinha sendo até a derrota para o Botafogo.

Quando Scarpa deixou o campo, por duas vezes disse que “não era o momento de explanar nada”. Isso, sinceramente, me deixou com algumas pulgas atrás das orelhas. Parece que algo houve, e se houve, que o nosso treinador tenha pulso suficiente para resolver.

Não dá mais para admitir que problemas extracampo, se existem, sejam responsáveis por interferir diretamente nos resultados dentro dele.

O Fluminense precisa espantar seus fantasmas para seguir adiante. A Copa do Brasil é a oportunidade de ouro para equipes como a nossa, que têm elenco para o gasto, nada além disso, alcançar uma vaga para a Libertadores. Se desejar algo mais no campeonato brasileiro, será preciso contratar. E as posições já foram indicadas por Levir.


Confio no nosso treinador, mas é preciso que a Diretoria lhe dê todo o respaldo para agir quando achar necessário e que contrate os reforços pedidos. Sem isso, infelizmente, será outro ano perdido.

domingo, 1 de maio de 2016

Domingo sem Fluminense

Qualquer domingo sem o Fluminense em campo é deprimente.

Pouco importa o que o Tricolor disputa, se um título, se a fuga de um rebaixamento, ou simplesmente nada. Um domingo sem o Fluminense não tem cara de domingo.

Pode ter a disputa da prova final da Fórmula 1, da decisão da principal liga de futebol europeia, pode ter até Audax e Leicester disputando títulos, mas nada disso retira do domingo sem o Fluminense a sua pecha de monotonia.

Prefiro, nesses dias, por o hino pra tocar enquanto assisto a alguma das memoráveis partidas do Tricolor, tornando o passado bem mais emocionante que o presente.

Mas nem tudo é imprestável num domingo sem Fluminense. É o dia perfeito, por exemplo, para que todos aqueles eventos inconvenientes – batizados, casamentos, festas de aniversário etc – sejam marcados, evitando-se constrangimentos desnecessários em família.

Nada pior do que aquele “Não posso, hoje tem jogo do Fluminense!” para quem nada entende da paixão pelo clube das Laranjeiras, para quem a opção soará como desfeita, desdém e parecerá absolutamente despropositada.

Domingos como o de hoje, portanto, deveriam servir para cobrir essas lacunas no calendário familiar. Há domingos suficientes sem jogos do Flu para acomodar toda a sorte de festividades, evitando-se a coincidência de datas.

Pior, porém, do que um domingo sem Fluminense para um torcedor apaixonado é um domingo sem Fluminense para um torcedor apaixonado que escreve sobre o clube.

Se você imagina que esta coluna é o retrato da falta de assunto, acertou em cheio. Outra das consequências de um domingo monótono sem o Tricolor.

A solução é transformar a melancolia em assunto, dar à monotonia uma pitada de cor e transformar uma tarde cinzenta numa tarde Tricolor. Afinal de contas, se o Fluminense não entra em campo neste domingo, isso não significa que você não possa vestir o seu manto, por o hino para tocar, assistir a alguns dos melhores jogos ou simplesmente ler um bom livro da nova literatura tricolor.


Para quem ama o Fluminense, ele está nas pequenas e nas grandes coisas, nas lembranças recentes e nas mais distantes, está até mesmo num domingo sem ele em campo. Basta evocá-lo para que ele surja e anime um dia fadado a ser apenas mais um dia sem jogo do Fluminense.