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domingo, 8 de maio de 2016

O bom e o mau tricolor.

Neste sábado, centenas de tricolores compareceram ao Salão Nobre do Clube a fim de contribuir para a construção do Centro de Treinamento do Fluminense. Um sonho que cada vez mais se torna próximo de transformar-se em realidade.

Penso que as contribuições podem até ser chamadas de investimento, uma vez que reverterão para o engrandecimento do patrimônio do Fluminense Football Club e, por via de consequência, ao próprio torcedor, beneficiário que será das vantagens que o novo centro trará ao clube.

Valores acima de duzentos reais ainda valem ao contribuinte uma camisa tricolor de coleção da Adidas que não chegou a ser lançada, ante o rompimento contratual assinado com a empresa alemã. Evidentemente, trata-se de uma bela iniciativa, que presenteia o torcedor duas vezes: com a camisa especial e com a possibilidade de participar efetivamente da construção do futuro de seu clube.

Essa é a postura que se enaltece, mas há outra, muito menos nobre, que se deve repudiar com todas as forças.

Segundo o jornalista Giam Amato, paira sobre um funcionário do clube e um torcedor do Fluminense a suspeita de que estejam envolvidos no roubo de mais de dez mil camisas, que seriam utilizadas também como brindes para quem investir mais de duzentos reais na construção do CT.

O crime ocorreu no sábado passado e o valor da subtração pode chegar ao patamar de dois milhões de reais.

Se as suspeitas se confirmarem – logo após o roubo as camisas começaram a ser anunciadas para venda na internet (Não basta ser idiota, tem que parecer idiota) – e identificados os autores do crime como funcionários ou torcedores do clube,  minha decepção não caberá em mim.

Evidentemente, vale repetir, são suspeitas que precisam ser confirmadas. Mas, se o forem, estaremos diante de triste um paradoxo: enquanto o bom tricolor só tem olhos para o seu clube, desloca-se de sua casa para colaborar com o futuro do Flu, outro, o mau tricolor, além de ter praticado um crime, quer que o Fluminense se exploda.

Infelizmente, não estamos livres de elementos perniciosos que jamais poderiam ser considerados torcedores do Fluminense. Felizmente, porém, trata-se de uma absoluta minoria.

Criminosos como esses – e também são criminosos aqueles que adquirem os produtos roubados quando sabedores de sua origem ilícita – merecem da Justiça o rigor da Lei e, do Fluminense, o mais profundo e completo desprezo. Se possível fosse, deveriam sofrer uma espécie de processo de excomunhão que os desvinculassem desde a origem de qualquer resquício do Fluminense em suas vidas.

Torço, sinceramente, para que as investigações apontem outros culpados. Saber que no seio de nossa torcida há quem jogue contra o futuro de seu próprio clube será uma lástima.

Torço, também, para que as camisas sejam recuperadas e utilizadas no seu propósito de arrecadar fundos para a construção de um sonho. Seria uma tremenda injustiça o Fluminense ser punido duas vezes: pela conduta criminosa de seus torcedores e pela perda dessa vultosa quantia.


Por fim, faço o alerta aos torcedores que tenham ciência de vendas dessas camisas. Adquiri-las pode caracterizar crime de receptação. Aja como um verdadeiro tricolor e denuncie esse crime às autoridades. O Fluminense sempre lhe será grato.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mãos à obra

Quando a Prefeitura do Rio de Janeiro cedeu um terreno de cerca de 40.000m2 ao Fluminense para a construção de um Centro de Treinamentos na Barra da Tijuca, a esperança de que uma das maiores deficiências estruturais do clube seria sanada recrudesceu na torcida tricolor. Era o ano de 2013, e a previsão inicial dava como provável o prazo de um ano para o apronto do centro, pelo menos quanto aos campos de treino.

As coisas, porém, não caminharam como previstas. A falta de dinheiro e as condições precárias do terreno que, para tornar-se aproveitável, precisaria perder a sua cara de pântano, - o que encareceria por demais a obra - tornaram-se óbices intransponíveis à realização de um dos sonhos da torcida e da atual Administração Tricolor. A esperança, portanto, tornou-se decepção e a ideia arrefeceu.

Arrefeceu, todavia, não para todos. Pedro Antônio Ribeiro da Silva, vice de projetos especiais do Fluminense, a manteve recôndita, à espera do momento ideal para que novamente pudesse ser posta em prática. E eis que o momento surge e, melhor, o centro de treinamento já começa a deixar sonho para pouco a pouco tornar-se realidade. Graças à iniciativa de Pedro Antônio – leia-se aporte de dinheiro – o imenso pântano de quase quarenta mil metros quadrados será aterrado para que a estrutura do centro seja erguida.

O Presidente Peter deixou claro que o dinheiro de Pedro Antônio – que financiará a primeira etapa do CT – é fundamental para o projeto e tem a natureza de um empréstimo que o Flu devolverá com juros. Nada mais justo. Sem esse vultoso aporte inicial, certamente o tão sonhado projeto seria adiado ainda por anos e anos. A segunda parte, que compreenderá as instalações que abrigarão os atletas, deverá ser financiada por recursos extraordinários oriundos de ações de marketing, não descartado o financiamento coletivo (crowdfunding) da torcida tricolor.

Não se pode deixar de dizer que esta é uma das mais relevantes ações do clube nas últimas décadas, tão importante quanto Xerém e sua posterior reforma e estará indissociavelmente vinculada à administração Peter Siemen. Alguém poderia dizer que o CT não seria viável não fosse a cessão do terreno pela Prefeitura (por 50 anos renováveis por mais 50) e a imprescindível participação de Pedro Antônio, e que o presidente pouco ou nada teria a ver com isso. Eu discordo.

Além da ampla reforma em Xerém e da democratização do processo eleitoral com a participação efetiva do sócio-torcedor, Peter tem sido responsável também por equacionar dívidas praticamente impagáveis. Se há muitos problemas no âmbito da gerência do futebol, com contratações pouco eficazes, deficiência crônica do departamento de marketing e o custo-benefício de funcionários contratados por critérios duvidosos, o presidente tem sido habilidoso, por outro lado, em dar ao Fluminense uma cara mais moderna e torná-lo viável financeiramente.

Além do amor pelo Fluminense, a confiança de Pedro Antônio no presidente certamente foi o fator preponderante para que topasse a empreitada. Sem esse requisito, apenas em nome do amor, um homem mentalmente são não investiria os milhões que pretende investir. Daí porque a credibilidade do presidente Peter conta, e conta muito, para que o vice de projetos especiais aporte tamanha quantidade de dinheiro no clube, sobretudo quando é notória a dificuldade financeira por que o Fluminense passa.

Então, se houve motivos recentes para criticar Peter Siemsen, é preciso que o torcedor também compreenda que atitudes que engrandecem o clube devem ser reconhecidas. Elogiar, para alguns, deveria ser tão simples quanto criticar.

O Centro de Treinamento que se ergue será muito mais do que uma estrutura apta a receber atletas e comissão técnica para treinos e concentração, será o marco inicial de um projeto que conduzirá o Flu rumo à modernidade fulcrado em sólido alicerce: Xerém, que já é uma realidade na formação de atletas para o Fluminense e para o mundo. Esse binômio base promissora e bem cuidada e estrutura profissional moderna e independente darão ao Fluminense a infraestrutura humana e física necessária para tornar-se referência no futebol nacional. Um clube da sua grandeza não poderia mais conviver com as precárias condições de treinamento em Álvaro Chaves, que impunham aos atletas nenhuma privacidade e conforto para bem desempenhar o seu trabalho.

E as obras do novo centro parece que empolgaram nosso presidente, que acenou com o estudo da implantação da arena tricolor nas Laranjeiras. Aí já seria demais para um velho coração tricolor, sobrecarregado por anos de emoções, paixões e frustrações. Um CT e um estádio! Bom demais para ser verdade. Quem sabe...

O certo é que, por hora, e com os pés no chão, mesmo com atraso, estamos dando um largo passo rumo a um futuro ainda mais glorioso. Portanto, mãos à obra tricolores. Que o novo centro de treinamentos seja um pouquinho de cada um de nós.