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terça-feira, 20 de maio de 2014

Vergonha em Dose Dupla, ou Tripla!


O Corinthians ganhou um estádio novíssimo dos governos municipal e federal. O Itaquerão/Odebrecht pode ser horroroso, mal localizado, pode ser o que for, mas é do Corínthians, um estádio moderníssimo para mais de sessenta mil pessoas.
 

Sob o pretexto da realização da partida inaugural da Copa do Mundo, escolheu-se, sem critérios bem definidos camuflados numa falsa concorrência, que seria o Itaquerão a receber os investimentos públicos para que, de sonho, se transformasse em realidade.
 

De todos os estádios privados que sediarão jogos da Copa – os outros são as Arenas do Atlético Paranaense e o Beira-Rio – foi o que mais recebeu recursos. Foram cerca de R$420 milhões em créditos fiscais da Prefeitura de São Paulo, ou seja, dinheiro que o erário público municipal deixa de recolher, mas que exige que o cidadão de bem, aquele que sobrevive com seu minguado salário, recolha religiosamente, sob pena de executar-lhe sem dó nem piedade.


Além dessa dinheirama que a Prefeitura deixará de recolher, e o Corínthians de pagar, o governo federal também resolveu dar uma ajudazinha e contribuiu com mais R$400 milhões de reais, dinheiro emprestado pelo seu Banco de Desenvolvimento e que será restituído a perder de vista e a juro reduzidíssimo, verdadeiro fundo perdido.
 

Não bastasse o escárnio com a população, já ultrajada diariamente por ações ou omissões do Poder Público, o Estado dá a um clube privado um presente bilionário em detrimento de outros clubes de futebol que poderiam ser beneficiados, por exemplo, com facilidades maiores para a quitação de dívidas tributárias.
 

Para poucos, muito; para muitos, nada ou quase nada.
 

Imagine-se o quanto o Corínthians não colherá de frutos. Além do estádio em si, cujo valor ultrapassa um bilhão, ainda arrecadará com as rendas, todas para os cofres do clube. Só na partida inaugural foram cerca de três milhões de reais.
 

Não entendo como justo o aporte de dinheiro público em instituições privadas se não há interesse público envolvido. Na construção do Itaquerão, quem ganha é somente o Corínthians.
 

E parece que a imoralidade não vai parar por aí, pois o próprio Ministro da Educação acenou com a possibilidade de praticar o mesmo crime de lesa-pátria e injetar dinheiro público, sob o disfarce da Lei de Incentivo ao Esporte, para que o Flamengo também possa ganhar o seu presente.

 
Mesmo que se trate de uma bravata, daquelas comuns em períodos eleitorais, só por ter emanado de uma autoridade da República, a quem incumbe agir com parcimônia na gestão dos gastos públicos e, principalmente, observar o princípio da moralidade administrativa, é uma grande vegonha.


Enquanto há facilidades por lá e promessas por aqui, outros clubes, como o Fluminense, encontram sérias dificuldades para parcelar o pagamento de dívidas tributárias com a União. Parece absurdo, mas não é, querer pagar uma dívida e não poder ante a intransigência explícita do Poder Público em negociar seus próprios créditos!


Vegonha em dose dupla, ou tripla!

Avante, Fluminense! ST