Mostrando postagens com marcador copa do mundo 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador copa do mundo 2014. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de junho de 2014

Blecaute e Derrota


A derrota por cinco a três para a seleção da Itália pode ser avaliada sob dois pontos de vista totalmente antagônicos entre si.
 
O primeiro e mais radical é o do torcedor que esperava ver um jogo para valer, como se o Flu disputasse uma competição oficial. Esse torcedor saiu do estádio frustrado, pois a equipe, para ele, jogou um futebol sofrível, sem força na marcação e sem poder ofensivo, uma vez que a ausência de Wagner praticamente aniquilou a criação tricolor que ficou a cargo apenas do sobrecarregado Conca.
 
Sob o segundo aspecto, o do torcedor que encarou a partida como uma disputa amigável contra uma seleção europeia buscando padrão de jogo às vésperas da Copa do Mundo, os oito gols, as presenças de Balotelli, Pirlo e a oportunidade de ter sido o clube escolhido, dentre tantos, para auxiliar na preparação dos italianos para a mais importante competição futebolística mundial, foram o que houve de mais importante.

Não dá para se fazer uma análise tática ou técnica de uma equipe, o Fluminense, que incorporou o termo “amistoso” desde o minuto inicial da partida, fato que se comprova pelo reduzidíssimo número de faltas no primeiro tempo. Foi um jogo de toques sem muita objetividade e que deu à Itália a oportunidade de buscar sempre as enfiadas em profundidade, quase todas anuladas por impedimentos de seus atacantes. Numa delas, porém, a linha defensiva tricolor falhou e os italianos maracaram o primeiro. Somente após o tento sofrido, o Flu entendeu por bem correr um pouquinho. E conseguiu o empate.

Logo depois, bola alçada na área brasileira, numa disputa desigual de estaturas, e novo gol da Azurra. Mais uma vez, o Flu resolve ir à frente e marca com Carlinhos, depois de falha do goleiro adversário.
 
O segundo tempo foi uma catástrofe em seus dez primeiros minutos. Blackout total e três gols sofridos. Falhas clamorosas que não se admitiriam num jogo “sério”. O Flu ainda descontou para não ficar mais feio e foi só.
 
Pela reação da torcida ao final da partida, ficou claro que a maior parte estava ali para ver Balotelli (ovacionado quando se aquecia, quando entrou em campo e após o apito final), deixando a derrota para segundo plano. Foi bem isso, um jogo em que o Flu aquiesceu à forma italiana de jogar, permitindo plena liberdade de ação aos visitantes.
 
Apesar de o jogo ter sido organizado pela Federação Italiana de Futebol, o Flu foi o anfitrião perfeito. Não duvido de que recomendações foram dadas para que o Tricolor “afrouxasse” dentro de campo.

O único problema foi que afrouxou demais. Um empate seria mais conveniente a todos e até poderia ter ocorrido se não fosse, mais uma vez, a intervenção negativa de Marcelo de Lima Henrique, que deixou de marcar pênalti em Walter.

Algo, porém, desagradou a todos: esse goleiro do Flu é fraco demais. De tudo o que se viu, a única análise fria que se pôde fazer foi essa, todo o resto foi fruto de uma partida amistosa, sem pretensões do lado de cá e de uma festa bonita que a torcida tricolor mostrou para o mundo. Pena que não mostrou para o mundo, também, um pouco mais do nosso futebol.
 
Avante, Fluminense! ST
 
Foto: Lancenet
 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dever Cívico


Assistir ao Fluminense é como um dever cívico, mais ou menos como prestar continência durante uma hora e meia ao pavilhão nacional, sem que isso importe qualquer dissabor, qualquer obrigatoriedade, apenas a honra de reverenciar o clube que amo.

 
Esse momento solene não abre brechas à concorrência dos convites inoportunos, dos programas tediosos ou dos compromissos que perdem a importância, por mais importantes que sejam. Nele, tudo o que ocorre ao derredor é irrelevante, indiferente. Ali somente existimos o Fluminense e eu, coexistindo num universo próprio e hermeticamente lacrado.
 

Digo isso, porque no dia 8 de junho o Tricolor se apresentará pela última vez no semestre, contra a seleção italiana de futebol. Logo após, a parada obrigatória para a Copa do Mundo. Abstinência forçada para todos os que entendem que futebol é sinônimo de Fluminense.
 

Por isso, nessas férias forçadas, estarei livre para todos os convites, desde o batizado da filho da amiga da esposa, passando pelo casamento do primo de 3º. grau ao baile de debutantes da filha do colega do trabalho. Convidem-se para tudo, chás de bebês, bodas, aniversários, até o dia 15 de julho, porque no dia 16 tem Fluzão e eu terei que cumprir novamente o meu dever cívico, dever do qual jamais me desincumbirei.

Avante, Fluminense! ST

Montagem: Tarcísio Burigo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Vergonha em Dose Dupla, ou Tripla!


O Corinthians ganhou um estádio novíssimo dos governos municipal e federal. O Itaquerão/Odebrecht pode ser horroroso, mal localizado, pode ser o que for, mas é do Corínthians, um estádio moderníssimo para mais de sessenta mil pessoas.
 

Sob o pretexto da realização da partida inaugural da Copa do Mundo, escolheu-se, sem critérios bem definidos camuflados numa falsa concorrência, que seria o Itaquerão a receber os investimentos públicos para que, de sonho, se transformasse em realidade.
 

De todos os estádios privados que sediarão jogos da Copa – os outros são as Arenas do Atlético Paranaense e o Beira-Rio – foi o que mais recebeu recursos. Foram cerca de R$420 milhões em créditos fiscais da Prefeitura de São Paulo, ou seja, dinheiro que o erário público municipal deixa de recolher, mas que exige que o cidadão de bem, aquele que sobrevive com seu minguado salário, recolha religiosamente, sob pena de executar-lhe sem dó nem piedade.


Além dessa dinheirama que a Prefeitura deixará de recolher, e o Corínthians de pagar, o governo federal também resolveu dar uma ajudazinha e contribuiu com mais R$400 milhões de reais, dinheiro emprestado pelo seu Banco de Desenvolvimento e que será restituído a perder de vista e a juro reduzidíssimo, verdadeiro fundo perdido.
 

Não bastasse o escárnio com a população, já ultrajada diariamente por ações ou omissões do Poder Público, o Estado dá a um clube privado um presente bilionário em detrimento de outros clubes de futebol que poderiam ser beneficiados, por exemplo, com facilidades maiores para a quitação de dívidas tributárias.
 

Para poucos, muito; para muitos, nada ou quase nada.
 

Imagine-se o quanto o Corínthians não colherá de frutos. Além do estádio em si, cujo valor ultrapassa um bilhão, ainda arrecadará com as rendas, todas para os cofres do clube. Só na partida inaugural foram cerca de três milhões de reais.
 

Não entendo como justo o aporte de dinheiro público em instituições privadas se não há interesse público envolvido. Na construção do Itaquerão, quem ganha é somente o Corínthians.
 

E parece que a imoralidade não vai parar por aí, pois o próprio Ministro da Educação acenou com a possibilidade de praticar o mesmo crime de lesa-pátria e injetar dinheiro público, sob o disfarce da Lei de Incentivo ao Esporte, para que o Flamengo também possa ganhar o seu presente.

 
Mesmo que se trate de uma bravata, daquelas comuns em períodos eleitorais, só por ter emanado de uma autoridade da República, a quem incumbe agir com parcimônia na gestão dos gastos públicos e, principalmente, observar o princípio da moralidade administrativa, é uma grande vegonha.


Enquanto há facilidades por lá e promessas por aqui, outros clubes, como o Fluminense, encontram sérias dificuldades para parcelar o pagamento de dívidas tributárias com a União. Parece absurdo, mas não é, querer pagar uma dívida e não poder ante a intransigência explícita do Poder Público em negociar seus próprios créditos!


Vegonha em dose dupla, ou tripla!

Avante, Fluminense! ST