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sexta-feira, 29 de maio de 2015

O futebol está podre

A realidade do futebol – fora das quatro linhas – é podre. Pudemos sentir o cheiro fétido que dele exala, ainda que guardadas as proporções devidas, dos recentes episódios envolvendo a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Se acreditarmos, porém, que a escória que comanda o esporte bretão se resume a Rubinhos e Euricos, estaremos muito enganados.
No âmbito regional eles são – imagino – o que de pior deve haver. Mas há muito mais escroques por aí. Desde que o futebol se tornou um grande negócio, graças a João Havelange, eles se multiplicam, ávidos por dinheiro e poder. Estão nas federações regionais, nas confederações nacionais, nas continentais e até – e principalmente – na própria FIFA.
A operação deflagrada no dia 27 de maio, e que decorre de investigação iniciada nos Estados Unidos da América, é prova disso. São 14 réus – sete foram presos, dentre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin – cujas acusações abarcam, em síntese, fraudes, extorsões e lavagem de dinheiro, além de “suborno” para a escolha do país sede da Copa do Mundo de 2010 – África do Sul.
Quem acompanha o futebol de perto, inclusive os seus bastidores, sabe que não há qualquer novidade nisso. Escândalos de corrupção da FIFA são antigos e vão desde o triste episódio das bagagens dos jogadores brasileiros recém-chegados dos Estados Unidos após a conquista do mundial de 1994 até o pagamento de propinas aos dirigentes por empresas de marketing esportivo, com o intuito de conseguirem elevados contratos para divulgarem competições futebolísticas e ainda passam pela “farra dos ingressos” para as competições mais importantes, bem como recebimento de suborno para aprovarem países ou cidades sedes dos campeonatos continentais, por exemplo.
Segundo a Procuradora Geral dos EUA, Loretta Lynch, a interveniência daquele país decorre da prática dos crimes em território norte-americano, ante a utilização do seu sistema financeiro e a burla da legislação local. Acrescentou que a investigação não parará por aí, deixando uma clara mensagem à FIFA e a outras instituições ligadas ao futebol de que, com eles “o buraco é mais embaixo”. Imagino que a fala da Procuradora americana deve ter produzido efeito imediato nos grandes tubarões do futebol.
Ricardo Teixeira, por exemplo, que já não vinha mais ao Brasil, talvez esteja articulando a venda de sua mansão na Flórida a fim de procurar outro recanto paradisíaco para dilapidar os milhões que usurpou enquanto presidente da CBF e membro do conselho executivo da FIFA.
sujeirada levantada pela operação do FBI é apenas a ponta do iceberg. O futebol é comandado por tubarões que se vendem para privilegiar interesses de grandes empresários ligados ao marketing, presidentes de países, sheiks etc. O futebol mesmo, esse que se joga nas quatro linhas, fica em segundo plano. O que importa é o tamanho das arenas, o preço dos ingressos, as receitas da exposição das marcas, o lucro das entidades futebolísticas.
Na verdade, os americanos poderiam ter economizado tempo e dinheiro promovendo uma investigação que durou cerca de três anos e que envolveu todo o aparato logístico e tecnológico que conhecemos dos filmes e séries trazidos até nós. Tudo o que era necessário saber tem sido divulgado há anos por um senhor escocês chamado Andrew Jennings. Responsável pelo portal Transparency in Sports (transparencyinsports.org), esse repórter investigativo é a pedra no sapato dos poderosos da FIFA. Todas as falcatruas, toda a imensa podridão que envolve o mundo do futebol foram por ele denunciadas, em razão do que recebeu a alcunha de “Inimigo número 1 da FIFA”.
Se desejarem conhecer um pouco mais sobre a sordidez que é o futebol, leiam “Jogo Sujo – O mundo secreto da FIFA”, de 2011 e “Um Jogo Cada Vez Mais Sujo”, de 2014, ambos de Andrew Jennings ou “Jogada Ilegal”, do português Luís Aguillar, que trata mais especificamente das falcatruas que envolveram as escolhas das sedes das Copas do Mundo do Qatar e da Rússia.
Eu li e o futebol acabou um pouco para mim. Não fosse a paixão tão arraigada que nutro pelo Fluminense, teria desistido.
José Maria Marin e alguns outros foram presos, mas há muito mais por aí. Trata-se de uma verdadeira organização criminosa que há anos desenvolve práticas nefastas envolvendo a malversação de quantias milionárias, o enriquecimento de seus dirigentes e a destruição do futebol. Agora que os EUA estão envolvidos, possivelmente alguns desses maiores bandidos serão capturados, dentre eles o próprio Blatter.
E se forem um pouco mais a fundo, a rede também trará Ricardo Teixeira e Havelange. Se o leitor, por acaso, acredita que Havelange é inocente de toda essa acusação de roubalheira, basta ler os livros acima indicados e fatalmente mudará a sua opinião.
Se as nossas autoridades constituídas tiverem um pouco de vontade política, aproveitam o ensejo e desencadeiam já uma ampla investigação – informação é o que não falta – que apure as responsabilidades dessa corja de dirigentes nefastos que apenas se locupletam do futebol. Poderiam começar pela federação deste Estado, averiguando-se os malfeitos praticados por Rubinho e seu cupincha Eurico Miranda, passar pelas demais Federações e atacar o tubarão-mor Ricardo Teixeira – uma vez que, segundo as informações da polícia norte-americana, as patifarias datam, pelo menos, desde o ano de 1991.
Vale lembrar que até mesmo uma CPI foi instalada em 2000/2001 para apurar os desvios de conduta de Ricardo Teixeira, não tendo obtido êxito, contudo. No caso, uma investigação isenta deveria partir do Ministério Público, sob pena de transformar-se em mais uma encenação para a mídia e para todos nós, amantes do futebol.
Os interesses de grandes corporações internacionais, como a Nike e os lobbys de políticos ligados à bancada da bola podem ser um empecilho e um caminho para a impunidade, mas não se pode deixar de tentar fazer história passando a limpo o futebol no Brasil.
As causas do malfadado 7 a 1 estão aí, para quem quiser ver. É preciso expurgar do comando do futebol nacional esses bandidos travestidos de dirigentes. E para ontem.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Fim da participação de terceiros nos direitos econômicos dos atletas

Desde ontem estão em vigor as as novas medidas da Fifa contra a chamada "terceira parte" nos contratos de jogadores de futebol. A entidade máxima do futebol espera acabar com a participação de empresários e fundos de investimento nos direitos econômicos de atletas.
Os contratos assinados até 31 de dezembro não serão afetados. No entanto, os acordos fechados desde ontem até abril de 2015 (com a participação de terceiros) só poderão ter um ano de duração. A partir de 1º de maio, será totalmente proibida a presença de investidores.
Alguns já sinalizam para o caos no futebol brasileiro, uma vez que a maioria das contratações envolve, em virtude da carência de recursos dos clubes, uma parceria com grupos de investimento e empresários. Não vejo dessa forma. A presença desses terceiros, na verdade, é que contribui para "inflacionar" os preços dos direitos dos atletas. Sem essa participação os clubes poderão tratar diretamente com seus pretendidos e procuradores sem o "fatiamento" dos direitos econômicos dos jogadores. Assim, de duas uma: ou se adequam à nova realidade e se enquadram na realidade financeira dos clubes de futebol brasileiros reduzindo o valor de seus direitos, ou ficam desempregados. Ainda haveria uma terceira opção, que seria a saída para o exterior, mas nem todos têm cacife para tanto. E quando o jogador tem mercado no exterior, nem mesmo a parceria, com raríssimas exceções, o segura no Brasil.

Acaba-se, assim, a farra dos empresários que atribuíam salários de craques a jogadores medíocres.
Portanto, a medida é bem-vinda. Desinflacionará o custo de atletas e impedirá a intromissão, nem sempre saudável, do empresário na vida do jogador, direcionando seu destino, às vezes contra a sua própria vontade, a fim de lucrar com as comissões decorrentes das transferências realizadas.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Conexão Gávea-Canindé: Conluio Continua a Todo Vapor

Fora do mundinho do Rio de Janeiro, onde, apoiado pela mídia imunda, faz e acontece, o flamengo sofreu mais uma derrota internacional. Dessa vez, não dentro de campo, como na vergonhosa eliminação da Libertadores, mas com reflexos nele.
 
A mulambada teve o seu pedido de efeito suspensivo da decisão da CBF, que lhe retirava os pontos pela escalação irregular de um jogador irregular na última rodada do Brasileirão 2013, negado pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte - FIFA).
 
Na prática significa que o flamengo está vulnerável a qualquer decisão que devolva os pontos à Lusa, ou seja, havendo a devolução dos pontos à Lusa, o flamengo seria invariavelmente rebaixado e de forma definitiva.
 
O curioso, para não dizer estranho, é que a Portuguesa, sua parceira de falcatruas, desistiu de buscar seus pontos perdidos na Justiça Comum. Para quem alardeou aos quatro ventos a suposta injustiça sofrida, e que buscaria a reparação na Justiça Comum, esta decisão mais parece uma nova forma de homenagear seu comparsa rubo-negro.
 
Se a Lusa buscasse e conseguisse seus pontos na Justiça Comum, o time da Gávea estaria sujeito a um rebaixamento definitivo, uma vez que seu pedido de efeito suspensivo foi negado pelo CAS.
 
Parece que a parceria criminosa Gávea-Canindé continua bem ativa e produzindo frutos. É por isso que, para esses bandidos, o que vale é o resultado de campo, é por isso que "roubado é mais gostoso".
 
Bando de canalhas!
 
Avante, Fluminense! ST