domingo, 29 de maio de 2016

Fluminense versus Botafogo

A vitória num clássico, a primeira do ano, é algo que deve ser comemorado. Os três pontos e a ascensão na tabela, também. Mas o maior valor que se deve dar a essa vitória sobre o Botafogo – magra, diga-se de passagem – foi a apresentação de Fred.

Hoje Fred fez o que dele se espera como ídolo, artilheiro e líder: foi participativo, solidário e decisivo.

Antes da partida eu havia dito que para vencer o alvinegro, o Tricolor teria que igualá-lo em disposição e superá-lo na técnica e cada jogador, inclusive Fred, precisaria dar um pouco mais de si.

E foi exatamente o que aconteceu. O Flu foi superior durante toda a partida e o placar chegou a ser enxuto, tantas foram as oportunidades perdidas e contra-ataques desperdiçados, mas em todos os momentos o que se viu foi um time dedicado e aguerrido dentro de campo.

Mas voltemos ao Fred. Talvez tenha sido sua melhor partida no ano e talvez Levir tenha encontrado a sua melhor formação para o Flu (excetuando-se Giovanni, que é o reserva imediato da lateral esquerda). Com Richarlisson e Fred abrindo espaços e Cícero chegando com intensidade. O gol foi do artilheiro, mas foi Cícero quem perdeu grandes chances no jogo, sendo efetivo e perigoso durante todo o tempo.

E Fred hoje não guardou posição. Foi atacante -  e artilheiro com seu gol – jogou de volante, zagueiro e meia armador. Aliás, nesta última posição foi quase perfeito. No meio de campo Fred tem uma qualidade muito superior à média e, não raras vezes, armou ótimas jogadas com excelentes passos e precisa visão de jogo.

Dessa forma, Fred contribui mais e o Fluminense ganha qualidade em todos os setores do campo. Levir contra o Palmeiras errou. Hoje acertou em tudo o que fez e impediu que o Botafogo gostasse do jogo.

A vitória foi justa, apesar das inúmeras chances perdidas no fim e dos sustos inevitáveis decorrentes do recuo da equipe, que pareceu cansada nos últimos minutos. Algo que opode ser considerado natural, uma vez que a equipe foi aplicada e manteve forte marcação sobre o alvinegro até o primeiro quarto do segundo tempo. Depois do gol, manteve a marcação forte, embora mais recuada.

Eu penso que essa foi a melhor formação do Flu. Dependendo do jogo, com Douglas no lugar de Pierre desde o início. Giovanni também comportou-se bem e isso dá mais tranquilidade nas eventuais ausências de W. Silva ou Jonathan.


Mantendo essa escalação, formação tática e disposição, o Flu tem tudo para encontrar o padrão perseguido por Levir. E se encontrá-lo, será difícil segurar o Fluminense na competição. Torçamos!

Vencer ou vencer

São seis clássicos no ano e nenhuma vitória: quatro derrotas e dois empates. No Brasileiro, depois de uma bom começo contra o América MG, dois maus resultados, contra Santa Cruz e Palmeiras.

Pelo histórico do ano nos clássicos e pelos últimos maus resultados, o Fluminense enfrentará o Botafogo sob pressão. E quem conhece bem o Tricolor sabe que para vencer o alvinegro é sempre preciso dar algo a mais.

O Botafogo contra o Flu parece que disputa uma verdadeira final de campeonato. Normalmente é assim, muita aplicação e marcação, sem prejuízo da violência. Time temos mais, porém é preciso igualar na disposição se pretendemos alcançar um bom resultado.

Levir que parecia ter encontrado uma fórmula para o Flu, dando-lhe agilidade, velocidade e poder de marcação, desandou. Coincidência ou não, a presença de Fred parece que embaralhou a estratégia do nosso treinador. Não que o artilheiro seja inútil ou atrapalhe a equipe - é líder, se dedica em campo e ainda é nossa principal referência no ataque – mas Levir incorre no mesmo erro de seus antecessores quando dá a Fred a prerrogativa de ser o único ponto de referência no ataque.

Contra o Palmeiras, ficou perdido no meio da marcação adversária. E quando isso acontece, torna-se absolutamente improdutivo para a equipe.

Prefiro-o movimentando-se pela frente da área, abrindo espaços para companheiros se aproximarem do gol e até voltando ao meio, onde tem qualidade bastante para organizar jogadas ofensivas com bons passes.

Fred tem lugar no time, mas é preciso que tenha pulmão para ir e vir, ser o atacante fixo, o meia armador e até o marcador quando isso for necessário.

Quando isso não acontece, o Flu torna-se presa fácil. Contra o Botafogo, repito, cada um terá que se doar um pouco mais, inclusive e principalmente Fred.

Igualar na força e superar na técnica é a receita.

Levir terá a chance de vencer o primeiro clássico no ano, afastar a pressão por bons resultados e dar ao Flu a oportunidade de ascender às primeiras posições na tabela; contudo, o mais importante será dar à equipe um padrão que ela ainda não teve sob seu comando. Esboçou-se em algumas oportunidades, mas ainda não se conseguiu mantê-lo por mais de dois jogos consecutivos.

O retorno de Edson e a presença de Richarlisson no lugar de Osvaldo indica que Levir não está satisfeito e isso é bom sinal. A solicitação de reforços também é um bom indicativo de que o nosso treinador pretende tirar mais do Fluminense.

Vencer o Botafogo será, portanto, o primeiro grande passo para mostrar que pode dar ao time um padrão de jogo e, mais do que isso, ter uma equipe que se possa chamar de titular doravante.

A vitória hoje, por tudo o que o adversário representa, também pode ser um sinal de que poderemos sonhar com um ano melhor. Uma derrota, ao contrário, aumentará a pressão e os riscos de uma insatisfação da torcida, além de significar mais uma imensa frustração no torcedor pela incapacidade do Tricolor de sobrepujar seus rivais regionais.


Portanto, é vencer ou vencer e, de preferência, com uma vitória daquelas de lavar a alma.

sábado, 21 de maio de 2016

Fluminense versus Santa Cruz

A última vez que eu vi o Fluminense contra o Santa Cruz foi no Maracanã, faz tempo, quando Magnata fez chover gols contra os pernambucanos. A última vez que Fluminense e Santa Cruz e Fluminense se enfrentaram pelo Brasileiro, há dez anos, o nosso Tricolor venceu por dois a um, em Recife.

Hoje, porém, a vitória não nos sorriu. Vale considerar, no entanto, que o Santinha de hoje é bem melhor do que o de outros tempos. Ascendeu à série A, está invicto há dezesseis jogos e foi campeão da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano. Além disso, tem uma equipe muito bem arrumada pelo seu treinador Milton Mendes, único brasileiro, é bom que se diga, habilitado a ser treinador da Europa.

Mas nada disso tiraria do Fluminense a obrigação de, em seus domínios, vencer a boa equipe pernambucana.

E por que não venceu?

O Flu fez um primeiro de tempo aplicado e combativo, teve maior posse de bola, mas não transformou isso em efetividade ofensiva. Uma bicicleta de Richarlisson e só. Claro que a equipe pernambucana teve seus méritos, pois postou-se em campo com uma ótima marcação e, mesmo com menos posse, teve chances mais perigosas.

No segundo tempo, Levir trocou Richarlisson por Gerson, e, na minha opinião, agiu mal. O jovem atacante, embora não estivesse repetindo as suas últimas atuações, tem mais disposição e ainda é um motivo a mais para a defesa adversária se preocupar.

Logo no início da segunda etapa, Grafite entrou livre por trás da zaga, na segunda trave, para completar para o gol e marcar o primeiro do Santa.

Nesse momento, diante da boa postura do Santa Cruz, imaginei que não seria possível reverter o resultado. Scarpa, contudo, numa excepcional cobrança de falta, empatou logo em seguida e, Gum, o guerreiro Gum, jogador que mais vezes vestiu a camisa tricolor em campeonatos brasileiros, cabeceou para excelente defesa do goleiro pernambucano que deu rebote para o próprio Gum completar para o gol e virar a partida.

No lance que deu início ao segundo tento tricolor, o escanteio, Fred recebeu em impedimento. Talvez não tenha sido tão claro para o bandeirinha como o foi para os comentaristas, porque o assistente tem que observar ao mesmo tempo o momento do passe e o jogador que recebe a bola.

Não houve, a partir daí, grandes riscos para o Fluminense. A vitória parecia se encaminhar e seria uma vitória bastante valorizada pela atuação do tricolor de Pernambuco.

Ocorre, porém, que o péssimo árbitro assinalou um pênalti inexistente contra o Flu. Grafite, que ainda dá um trabalho danado, preparou um chute e esticou a perna para trás, sua chuteira aparentemente resvalou na perna esquerda de W. Silva - que estava com os dois pés no chão, não fez qualquer menção de interceder na jogada adversária – e ele “furou” a bola. Na queda, o apitador marcou o pênalti que foi cobrado e convertido pelo próprio Grafite.

O erro foi crasso e talvez compense o impedimento que invalidaria a jogada que deu origem ao gol da virada tricolor. Talvez, por justiça, o empate tenha sido realmente o resultado mais adequado, mas um árbitro que para o jogo por qualquer falta, por qualquer contato e até por motivos inexistentes, só atrapalha o andamento da partida.

Justo ou não o resultado, a verdade é que apesar de todo o currículo recente do Santa Cruz, o Fluminense, repito, tinha a obrigação de vencer. O que conquistou em Minas, perdeu aqui.

Alguns reforços estão próximos, outros pretendidos. Levir já deu sua cara ao time, mas é preciso tornar o Flu mais ofensivo (leia-se: mais finalizações). Fred é a melhor opção, mas não é a única. Há Osvaldo, Scarpa e Richarlisson que precisam funcionar como alternativas, sobretudo quando é o artilheiro que atrai a maior atenção dos zagueiros adversários.

Edson é outro que não pode ser reserva do Pierre.

Ainda há muito o que fazer. Partidas como a de hoje para um treinador inteligente como Levir, servem muito mais como incentivo e como forma de corrigir erros do que para baixar o moral.

Vamos em frente. O campeonato é longo, perdemos pontos importantes, mas não seremos apenas nós. O Santa colherá pontos importantes de muita gente boa.


É hora de levantar a cabeça e vencer a próxima decisão.

domingo, 15 de maio de 2016

Começo com pé direito

Começar o dificílimo campeonato brasileiro com vitória é importante. Se essa vitória é fora de casa, o resultado ainda assume maior relevância. Agora, se o adversário batido é o atual campeão mineiro, um time que o Fluminense jamais venceu em campeonatos brasileiros, um verdadeiro pedregulho no seu caminho, aí, meus amigos, é para comemorar.

Se nos melhores dias, o Tricolor encontrava no América MG enormes dificuldades, a vitória de hoje, quando a equipe ainda se acerta, pode representar para os mais supersticiosos um bom presságio.

Levir repetiu o que havia feito contra a Ferroviária e deu certo. O ataque com Richarlisson e Fred dá ao adversário uma preocupação maior defensiva, o que permite que outros jogadores, como Osvaldo e Cícero possam aparecer com mais liberdade. Torna o time também mais ágil, pois Fred, embora não tenha velocidade, recua para ser o pivô ou armar jogadas ofensivas com qualidade de passe.

Na área, porém, Fred continua sendo imprescindível, fato que se comprova, por exemplo, com o gol perdido por Richarlisson, livre, que isolou uma bola de canela de frente para a meta. Apesar de não ter repetido a atuação anterior, o jovem tricolor teve papel fundamental no gol do veterano artilheiro Fred, o gol da vitória tricolor.

Após belo chute de Osvaldo, espalmado para o lado pelo bom goleiro do time mineiro, Richarlisson aproveitou o rebote e serviu Fred para marcar com sua habitual frieza. Vale lembrar que, em dois jogos, Richarlisson participou dos quatro gols tricolores.

A vitória pelo placar mínimo não disse o que foi o jogo, especialmente no segundo tempo. A primeira parte foi equilibrada, com os dois times mostrando muita aplicação tática e marcação, com poucas jogadas ofensivas. Tanto é que foi numa falha da saída de bola do América que o Flu marcou o seu gol. Teve posse absoluta do bola, mas não traduziu isso em ofensividade, muito porque a equipe mineira marcava muito bem.

Depois do tento tricolor, contudo, o América se abriu para buscar a vitória, e o segundo tempo foi um festival de gols perdidos pelo Fluminense. Algumas más finalizações, outras boas defesas do goleiro americano.

Vitória justa, excelente resultado. Se o Flu ainda não mostrou o futebol vistoso que dele se espera, começa a se acertar taticamente sob o comando de Levir. Com os reforços pretendidos, a qualidade poderá acrescer ao bom trabalho técnico do nosso treinador.

Com qualidade e eficiência, quem sabe, o sonho da Libertadores possa se tornar realidade? Ou, para os mais otimistas, o sonho do título? Não dá para fazer uma previsão neste momento, mas é certo que não muitas equipes que estejam “sobrando”atualmente. Se o Flu jogar de forma eficiente, com bons reforços que supram as carências da equipe, as chances de sonhar alto passam a ser maiores, uma vez que não há, ao menos no papel,  bichos papões na competição.


Portanto, comecemos desde já a sonhar e a rezar. O primeiro passo já demos, faltam 37.

domingo, 8 de maio de 2016

O bom e o mau tricolor.

Neste sábado, centenas de tricolores compareceram ao Salão Nobre do Clube a fim de contribuir para a construção do Centro de Treinamento do Fluminense. Um sonho que cada vez mais se torna próximo de transformar-se em realidade.

Penso que as contribuições podem até ser chamadas de investimento, uma vez que reverterão para o engrandecimento do patrimônio do Fluminense Football Club e, por via de consequência, ao próprio torcedor, beneficiário que será das vantagens que o novo centro trará ao clube.

Valores acima de duzentos reais ainda valem ao contribuinte uma camisa tricolor de coleção da Adidas que não chegou a ser lançada, ante o rompimento contratual assinado com a empresa alemã. Evidentemente, trata-se de uma bela iniciativa, que presenteia o torcedor duas vezes: com a camisa especial e com a possibilidade de participar efetivamente da construção do futuro de seu clube.

Essa é a postura que se enaltece, mas há outra, muito menos nobre, que se deve repudiar com todas as forças.

Segundo o jornalista Giam Amato, paira sobre um funcionário do clube e um torcedor do Fluminense a suspeita de que estejam envolvidos no roubo de mais de dez mil camisas, que seriam utilizadas também como brindes para quem investir mais de duzentos reais na construção do CT.

O crime ocorreu no sábado passado e o valor da subtração pode chegar ao patamar de dois milhões de reais.

Se as suspeitas se confirmarem – logo após o roubo as camisas começaram a ser anunciadas para venda na internet (Não basta ser idiota, tem que parecer idiota) – e identificados os autores do crime como funcionários ou torcedores do clube,  minha decepção não caberá em mim.

Evidentemente, vale repetir, são suspeitas que precisam ser confirmadas. Mas, se o forem, estaremos diante de triste um paradoxo: enquanto o bom tricolor só tem olhos para o seu clube, desloca-se de sua casa para colaborar com o futuro do Flu, outro, o mau tricolor, além de ter praticado um crime, quer que o Fluminense se exploda.

Infelizmente, não estamos livres de elementos perniciosos que jamais poderiam ser considerados torcedores do Fluminense. Felizmente, porém, trata-se de uma absoluta minoria.

Criminosos como esses – e também são criminosos aqueles que adquirem os produtos roubados quando sabedores de sua origem ilícita – merecem da Justiça o rigor da Lei e, do Fluminense, o mais profundo e completo desprezo. Se possível fosse, deveriam sofrer uma espécie de processo de excomunhão que os desvinculassem desde a origem de qualquer resquício do Fluminense em suas vidas.

Torço, sinceramente, para que as investigações apontem outros culpados. Saber que no seio de nossa torcida há quem jogue contra o futuro de seu próprio clube será uma lástima.

Torço, também, para que as camisas sejam recuperadas e utilizadas no seu propósito de arrecadar fundos para a construção de um sonho. Seria uma tremenda injustiça o Fluminense ser punido duas vezes: pela conduta criminosa de seus torcedores e pela perda dessa vultosa quantia.


Por fim, faço o alerta aos torcedores que tenham ciência de vendas dessas camisas. Adquiri-las pode caracterizar crime de receptação. Aja como um verdadeiro tricolor e denuncie esse crime às autoridades. O Fluminense sempre lhe será grato.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O que houve, Fluminense?

O Fluminense já havia feito a sua pior partida sob o comando de Levir Culpi na derrota contra o Botafogo. Hoje, porém, apesar do empate contra a modesta Ferroviária, o Tricolor se superou.

Tamanha decepção com a atuação do time tem basicamente três explicações: displicência, uma enormidade de passes errados – que pode ser atribuída em parte à displicência – e uma virada, quando vencia por dois a zero e o adversário estava com um jogador a menos dentro de campo, o que também pode ser atribuído em parte aos dois fatores anteriores.

De qualquer forna, é preciso que Levir aja para não perder o controle de um grupo que, estranhamente, nas duas últimas partidas, pareceu o Fluminense de alguns jogos passados que todos desejamos esquecer.

No dia em que Fred desencantou, marcando dois gols, talvez inspirado pela Arena da Fonte Luminosa, o iluminado artilheiro não foi capaz de, com sua liderança, impedir que a equipe passasse de pretendente a eliminar, inclusive, o jogo de volta a outra que só não protagonizou um vexame de proporções enormes porque o velho Magnata fez o gol de empate.

Contra um time com um jogador a menos e, mesmo que estivesse com onze na linha jamais estaria à altura de enfrentar o time do Fluminense de igual para igual, o empate não deixou de ser um resultado bastante aquém do esperado.

Os dez dias que Levir teve para preparar a equipe para este jogo parece que de nada serviram. Agora terá mais uma semana, talvez quatro ou cinco dias de treinos. Portanto, cabe a Levir investigar a causa da queda de rendimento, corrigir as falhas e fazer o Flu tornar a ser competitivo, como vinha sendo até a derrota para o Botafogo.

Quando Scarpa deixou o campo, por duas vezes disse que “não era o momento de explanar nada”. Isso, sinceramente, me deixou com algumas pulgas atrás das orelhas. Parece que algo houve, e se houve, que o nosso treinador tenha pulso suficiente para resolver.

Não dá mais para admitir que problemas extracampo, se existem, sejam responsáveis por interferir diretamente nos resultados dentro dele.

O Fluminense precisa espantar seus fantasmas para seguir adiante. A Copa do Brasil é a oportunidade de ouro para equipes como a nossa, que têm elenco para o gasto, nada além disso, alcançar uma vaga para a Libertadores. Se desejar algo mais no campeonato brasileiro, será preciso contratar. E as posições já foram indicadas por Levir.


Confio no nosso treinador, mas é preciso que a Diretoria lhe dê todo o respaldo para agir quando achar necessário e que contrate os reforços pedidos. Sem isso, infelizmente, será outro ano perdido.

domingo, 1 de maio de 2016

Domingo sem Fluminense

Qualquer domingo sem o Fluminense em campo é deprimente.

Pouco importa o que o Tricolor disputa, se um título, se a fuga de um rebaixamento, ou simplesmente nada. Um domingo sem o Fluminense não tem cara de domingo.

Pode ter a disputa da prova final da Fórmula 1, da decisão da principal liga de futebol europeia, pode ter até Audax e Leicester disputando títulos, mas nada disso retira do domingo sem o Fluminense a sua pecha de monotonia.

Prefiro, nesses dias, por o hino pra tocar enquanto assisto a alguma das memoráveis partidas do Tricolor, tornando o passado bem mais emocionante que o presente.

Mas nem tudo é imprestável num domingo sem Fluminense. É o dia perfeito, por exemplo, para que todos aqueles eventos inconvenientes – batizados, casamentos, festas de aniversário etc – sejam marcados, evitando-se constrangimentos desnecessários em família.

Nada pior do que aquele “Não posso, hoje tem jogo do Fluminense!” para quem nada entende da paixão pelo clube das Laranjeiras, para quem a opção soará como desfeita, desdém e parecerá absolutamente despropositada.

Domingos como o de hoje, portanto, deveriam servir para cobrir essas lacunas no calendário familiar. Há domingos suficientes sem jogos do Flu para acomodar toda a sorte de festividades, evitando-se a coincidência de datas.

Pior, porém, do que um domingo sem Fluminense para um torcedor apaixonado é um domingo sem Fluminense para um torcedor apaixonado que escreve sobre o clube.

Se você imagina que esta coluna é o retrato da falta de assunto, acertou em cheio. Outra das consequências de um domingo monótono sem o Tricolor.

A solução é transformar a melancolia em assunto, dar à monotonia uma pitada de cor e transformar uma tarde cinzenta numa tarde Tricolor. Afinal de contas, se o Fluminense não entra em campo neste domingo, isso não significa que você não possa vestir o seu manto, por o hino para tocar, assistir a alguns dos melhores jogos ou simplesmente ler um bom livro da nova literatura tricolor.


Para quem ama o Fluminense, ele está nas pequenas e nas grandes coisas, nas lembranças recentes e nas mais distantes, está até mesmo num domingo sem ele em campo. Basta evocá-lo para que ele surja e anime um dia fadado a ser apenas mais um dia sem jogo do Fluminense.


domingo, 24 de abril de 2016

A culpa é de Levir

O Fluminense é o campeão da Primeira Liga, torneio que ajudou a criar, o que revela um sabor ainda mais especial à conquista. O Flu, também, tem boas chances de avançar para as finais do carioca.

Se isso acontecer, poderemos levar duas taças para as Laranjeiras em cerca de dois meses.

Quem, num exercício de sã consciência, esperava que isso pudesse acontecer, sobretudo após o início caótico do time, comandado por um treinador inexperiente que jamais deu à equipe um aspecto coletivo e pouco ou nada explorou das potencialidades de cada jogador.

Vale lembrar que Gum e Henrique, sob a gestão anterior, era candidatos fáceis a piores jogadores do Fluminense. Hoje, porém, firmam-se como uma zaga que atua com sobriedade, bem menos vulnerável do que há poucos meses.

Não há mágica que faça um jogador transmudar-se do dia para a noite, senão a batuta – e a labuta - de um treinador que entenda do riscado.

Justamente por isso, sou reticente em criticar jogadores que, claramente, não estão sendo bem aproveitados, ou são expostos ante a fragilidade de um esquema de jogo mal montado.

Não dá para cobrar de um jogador se o seu treinador não explora a fundo suas qualidades. Um sistema de jogo organizado, cobertura, estratégia e inteligência fizeram, por exemplo, Gum e Henrique se acertarem em campo.

E o Fluminense, que era candidato a nada, recebeu um banho de competência com a acertada contratação do responsável por essa mudança quase milagrosa: Levir Culpi.

Enaltecer um treinador assim, ainda no começo de temporada, é arriscado, mas Levir já deu sinais de que é o homem de que o Fluminense precisava para novamente tornar ao rumo de sua história gloriosa.

É antes de tudo, um boa praça. Também é humilde e sincero. Além, é claro, de ser competente.

Logo depois da conquista em Juiz de Fora, Levir foi taxativo ao falar para a imprensa: “Sou um cara de sorte, estou há um mês e meio no clube e já conquistei um título. Só tenho a agradecer ao Peter. Vocês não imaginam como é a sala de troféus do Fluminense, poder levar mais um para lá é especial”.

Foi mais ou menos o que ele disse: que o Fluminense está acima dele, e isso se chama humildade.

Perguntado também sobre eventual favoritismo no clássico contra o Botafogo, revelou com sinceridade: “O Fluminense é favorito, porque joga por dois resultados”.

O futebol está cheio de profissionais que se preocupam demais com o que dizem, com medo de desagradar a um e a outro. Levir diz o que pensa, virtude rara hoje em dia, e talvez esse também seja um dos motivos de seu sucesso recente no Tricolor.

Nada como a verdade, doa a quem doer.

Não sei se alcançaremos os maiores objetivos em 2016, ainda é cedo para dizer, mas se isso acontecer terá nome e sobrenome: Levir Culpi.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

É campeão!

O campeão da Primeira Liga é o Fluminense! A Primeira Liga, uma competição nascida da indignação contra os abusos de uma Federação perversa, é do Fluminense! Na vanguarda, como sempre, o Fluminense!

Qualquer crônica sobre o que aconteceu ontem à noite não maculará o bom estilo literário ao citar o Fluminense mil vezes. Hoje, portanto, me perdoem, mas repetirei propositalmente Fluminense tantas vezes quantas achar necessário.

O problema maior para um torcedor resenhar um jogo de decisão de seu time in loco, é que por noventa minutos ele está temporariamente cego. Não vê, apenas sente.

E foi o que aconteceu comigo ontem em Juiz de Fora. Senti a estrada, senti a chegada ao estádio, senti a torcida tomando assento, senti a tensão, senti a festa nas arquibancadas, senti o gol, senti o título!

Senti até o lacrimogêneo, mas não permitirei que isso atrapalhe o meu sentimento neste momento.

Foi uma noite de sentimentos maravilhosos, de reencontro do Fluminense com um título depois de quase quatro anos de jejum, de reencontro da torcida com o seu verdadeiro Fluminense.

Vistoso, impetuoso, decidido, imbuído, garboso, o Fluminense foi de tudo um pouco e não podia deixar de sair da Manchester Mineira sem esse título. Os sustos fazem parte do espetáculo e de uma estratégia absolutamente ofensiva que, vez por outra, deixa espaços atrás.

Mas a sorte, em alguns momentos, e a competência da equipe comandada por Levir Culpi, não permitiram que o Fluminense sofresse um revés que seria uma enorme injustiça. Uma injustiça também com o torcedor que saiu do Rio de Janeiro, ficou preso num engarrafamento monstruoso e entrou no estádio quase no intervalo da partida. Uma injustiça com os tricolores mineiros de Miraí, Bicas, Juiz de Fora, Varginha, da Flumineiros, da E.T. Nense, da Miraí Flu, que estavam por toda a parte do Estádio Mario Helênio e não mereciam pegar a estrada de volta para casa sem esse título na bagagem.

Quiseram os deuses do futebol, porém, que a taça ficasse nas melhores mãos e que o gol do título, aguardado há quase quatro anos, nascesse de um passe de um veterano e terminasse com a nova geração do Fluminense, a geração de Xerém, o encontro do passado com o presente fazendo a história tricolor.

Festa da torcida tricolor em Juiz de Fora e em todo o Brasil, festa do pequenino Lucas, tricolor de cinco anos, de Bicas/MG, que estava com a irmã, pais e avós ao meu lado na arquibancada e a quem fiz questão de dar uma faixa de campeão. O pequeno não podia voltar para casa sem ela e eu não podia voltar para a minha sem presenteá-lo com aquele singelo troféu.

Infelizmente, não pude tirar uma foto do tricolorzinho e de sua expressão de felicidade com a sua faixa, porque em seguida começaram a pipocar as bombas de gás lacrimogêneo atiradas por uma despreparada – como sempre – polícia militar.

Mas nem ela, a polícia, ofuscou a grandiosidade do título e a festa da torcida, uma torcida que soltou o grito de campeão engasgado há anos, fazendo-o ressoar pelos corações de cada um de nós, tricolores apaixonados.

E esse título, sejamos justos, tem três donos: Levir, que deu nova vida ao Fluminense; o time, que entendeu e aquiesceu à sua estratégia; e a torcida, que é o motivo disso tudo.

Ainda ouço os gritos de campeão. Estão impregnados em mim indelevelmente. São os meus troféus, guardados eternamente na minha alma.


Enquanto isso, o Fluminense é novamente campeão, campeão da Primeira Liga, campeão de cada um de nós. O primeiro e o último, o tudo.

Comemore, tricolor, porque hoje o dia nasceu mais bonito, porque hoje você é campeão! 

domingo, 10 de abril de 2016

Levir ou Fred?

Qualquer conversa que envolva o Fluminense deve ter por respeitada uma premissa inarredável: Nada ou ninguém é maior do que Ele.

Quando Levir Culpi assumiu o Tricolor, depois de algumas apostas que não deram certo, uma das suas primeiras marcas foi mostrar que, no clube, cada um deve ter predefinida a sua função. Simples de se entender: um treinador comanda o time, um jogador treina, joga e obedece às suas determinações.

Levir, pensando em preservar o artilheiro – após um mês fora dos campos - e, sobretudo porque Fred não poderá disputar a final da primeira Liga, optou por colocá-lo em campo não mais do que 60 min, substituindo-o ainda no início da segunda etapa.

Pensei cá com meus botões: Fred não deve estar gostando disso.

E não estava.

Não foi surpresa o seu sentimento de desaprovação, mas foi surpresa que a sua manifestação – deixando de participar de dois treinos, de viajar com a equipe para Volta Redonda e anunciar: “Ou Levir ou eu!” – tenha ocorrido às vésperas de uma importante decisão para o Fluminense.

A sua atitude demonstrou nitidamente que se preocupa mais consigo do que com o Tricolor.

Fred reinou absoluto no Flu, enquanto teve um vice de futebol e alguns treinadores que lhe fizeram todas as vontades. Encontrou, contudo, em Levir, um técnico que pensa mais no conjunto, mais no interesse coletivo e mais no Fluminense do que nele.

Todos sabemos o quanto Fred foi importante para o Fluminense e o quanto o Fluminense foi importante para o Fred. Nessa ponderação de importâncias, ninguém deve nada a ninguém.

Mas se o artilheiro não consegue aceitar que se criem alternativas a si, como Levir tem feito ao tirar o Fluminense da mesmice que era a dependência exclusiva do artilheiro, demonstra unicamente egoísmo, orgulho e vaidade que não se coadunam com o sentimento de coletividade e solidariedade que deve nortear uma equipe de futebol.

Levir Culpi não barrou o artilheiro. Apenas o substituiu no decorrer dos jogos. Imagino que Fred tenha pressentido que em breve poderia perder a vaga, mas nem isso justificaria a sua conduta, praticamente impondo ao Presidente do Clube, como num ultimato, que a sua permanência dependeria da saída do treinador.

Fred é o terceiro maior artilheiro da história do clube. Foi imprescindível nas campanhas de 2009, 2010 (em certa parte) e sobretudo em 2012, mas se o seu ego não admite que seja contrariado, ainda que para o bem do Fluminense, que vá ser feliz n’outro lugar.

Será difícil ver o artilheiro vestindo outra camisa, especialmente no Brasil, mas é assim que funciona o futebol moderno. Não há romantismo, há interesses, e quando esses não se combinam mais, resta a rescisão, se possível amigável.

Hoje, Levir resolve dois problemas no Fluminense: primeiro a faz jogar futebol e, segundo, mostra que treinador de pulso não se submete a caprichos de quem quer que seja.

Ao contrário de Fred, Levir sabe que o Fluminense é muito maior do que ele.

De toda a sorte, seria muito melhor para o clube, neste momento, que o artilheiro repensasse o seu gesto, pedisse desculpas e ambos contribuíssem, cada qual com suas virtudes, para um Fluminense melhor e maior.


Seria uma atitude honrada e digna de um ídolo.