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domingo, 14 de dezembro de 2014

Cem mil maníacos pelo Fluminense

(Publicado no site Panorama Tricolor em 14.12.2014)

Cem mil sócios-torcedores salvarão o Fluminense. Metade disso, nas condições atuais, com as verbas de patrocínios da Adidas e Viton 44, receitas de bilheterias, direito de transmissão, vendas de jogadores, exploração da marca já seria suficiente, estando as dívidas equacionadas, para dar uma tranquilidade financeira ao clube. Mas, cem mil – cerca de três milhões mensais, ou trinta e seis milhões anuais, traria a almejada autossuficiência, ou seja o Fluminense não dependeria de nenhum patrocínio-master, além do patrocínio de seu próprio torcedor, para se manter. E com sobras.

O sonho de se ter a torcida como maior investidora do clube não é uma utopia, mas é preciso que se conheça o seu perfil para que o produto seja definitivamente adquirido, uma vez que a volubilidade é a marca principal do torcedor, de qualquer torcedor brasileiro, e não apenas do tricolor.

Quem nunca ouviu alguém dizer, após alguns maus resultados da equipe, que deixaria de ser sócio? “Não vou dar dinheiro para esse clube que só faz vergonha!” talvez seja uma das exclamações mais lidas e ouvidas após uma sequência de derrotas. O torcedor é volúvel e essa volubilidade não se coaduna com a fidelidade que se exige de um sócio-torcedor, sobretudo quando o destino do clube está nas mãos do dinheiro que ele investe mensalmente.

E o que seria preciso fazer para fidelizar esse torcedor? De antemão aviso que não sou expert no assunto. Sou, como tantos outros, apenas um torcedor apaixonado pelo Fluminense que passa os dias tentando encontrar uma solução para os problemas do clube. Aliás, problemas que deveriam estar sendo pensados e discutidos pelo próprio Clube através de seu Departamento de Marketing.

Abro aqui um parêntese para repudiar a ideia, recentemente veiculada pela imprensa, de que o projeto sócio-torcedor poderá ser terceirizado. Essa transferência de responsabilidade, a meu ver, representaria o reconhecimento da inépcia do Marketing tricolor em alavancar o número de sócios-torcedores e um risco concreto de transferir a terceiros dados de torcedores aptos a participar das eleições presidenciais do clube. Sem falar, é claro, nos custos do processo, valores estes que poderiam reverter integralmente para o Fluminense e seriam fatiados com uma empresa que, por óbvio, objetiva o lucro. Lucro que, definitivamente, não combina com paixão de torcedor.

Trata-se de uma decisão polêmica e que deverá ser debatida previamente com os setores interessados do clube (sócios e conselheiros) a fim de que se dê à mesma transparência necessária, evitando-se, assim, prejuízos ao Fluminense e aos seus sócios.

Fecho o parêntese.

E o que seria preciso para fidelizar o torcedor tricolor? Digo fidelizar; não somente associar. O torcedor deve ser fiel ao projeto, porque a sua instabilidade não pode ser fator de desequilíbrio das finanças do clube. Nesse ponto é preciso distinguir dois tipos específicos de tricolores que potencialmente se associariam ao clube: o primeiro é aquele que deseja vantagens em contrapartida ao dinheiro que sai de seu bolso; o segundo é aquele que contribui somente por amor e não deseja nada em troca. Evidentemente, o primeiro grupo é exponencialmente maior e é nele que as projeções do Marketing devem focar, sem, é claro, desconsiderar o segundo grupo; o primeiro é volúvel, o segundo, consciente, não. A partir dessa fotografia inicial dos potenciais sócios-torcedores, pode-se trabalhar com eficiência na busca dos cem mil.

Os benefícios oferecidos pelo programa, como descontos em produtos, vantagens na compra de ingressos – prioridade e preços reduzidos – possibilidade de votar nas eleições presidenciais após dois anos, acesso a áreas específicas do clube etc, são, afora os reduzidos descontos em bens de consumo, relacionados ao futebol tricolor e, portanto, não vinculativos, ou seja, se o futebol vai mal não serão as benesses a ele relacionadas que  fidelizarão o torcedor como associado. Nessa toada, se o time desmorona dentro de campo, a associação fracassa fora dele.

Portanto, para fidelizar esse primeiro grupo é preciso mais, algo que o mantenha vinculado ao clube por outros motivos que não apenas o futebol. Dinheiro, leia-se sorteio de quantias mensais entre os sócios e descontos relevantes em produtos com a marca tricolor, é uma boa alternativa. O Internacional, por exemplo, possui mais de 126 mil sócios torcedores, quarenta mil a mais do que o seu rival Grêmio, e aplica diversos pacotes de associação a preços reduzidos, inversamente proporcionais à distância da residência do associado da sede do clube, no Estádio Beira-Rio. Além disso, como forma de devolver ao sócio colorado parte do que ele investe nas mensalidades, também oferece um produto denominado Fidelidade Premiada. Trata-se de uma promoção lastreada em títulos de capitalização que distribui, no mínimo, R$ 4 mil por mês entre os sócios adimplentes, R$1 mil reais por sábado.

Não seria irrazoável sugerir, também, o sorteio de um automóvel ao fim de cada temporada. São prêmios que não onerariam o clube e retribuiriam a fidelidade do torcedor, mantendo-os, por conseguinte associados independentemente das intempéries da equipe durante o ano. Não é preciso terceirizar o projeto para se pensar algo assim; é preciso pensar e trabalhar.

Por outro lado, também é necessário incutir no torcedor que ele não será um mero contribuinte. Será um investidor e a sua contribuição mensal reverterá integralmente, sem intermediários, para o pagamento de jogadores, comissão técnica e funcionários, dando-se, assim, um viés de investimento à sua contribuição. O torcedor pagará para ver o Fluminense forte e ainda terá direito às demais vantagens do projeto. Ganhará em dobro!

Hoje temos pouco mais de 23 mil sócios-torcedores, em 11º. lugar do ranking de sócios-torcedores, número bem aquém do potencial do Fluminense. Neste número estamos, em grande parte, todos aqueles que contribuem por amor; falta, contudo, abarcar o grande filão, o tricolor volúvel. Este fará a diferença e a sua fidelização será fundamental para o sucesso do empreendimento e para a autossuficiência do clube. Para tanto, será preciso dar-lhe um retorno maior em benefícios e, principalmente, mostrar-lhe que os recursos que investe serão aplicados integralmente em benefício do clube.

O Fluminense pode alcançar a autossuficiência. Não é uma quimera; é um sonho possível que se realizará quando o tricolor se conscientizar de que o seu investimento é uma ação de amor e de fé; amor incondicional pelo Fluminense e fé nos gestores que o administram – escolher o presidente do clube será, para o sócio-torcedor, estar representado no comando tricolor e acreditar na escolha realizada. Quando qualquer um dos dois faltar, nem mesmo prêmios milionários garantirão a permanência do sócio.

O Marketing sobrevive de ideias. Se pensarem um pouquinho encontrarão soluções bem melhores do que as apresentadas aqui. Basta pensar e trabalhar com afinco para o bem do Fluminense.

Avante, Fluminense! ST









terça-feira, 29 de abril de 2014

O Novo Marketing Tricolor

Os conselheiros do Fluminense votarão, na noite desta terça-feira, a homologação do nome de Marcelo Gonçalves para a vice-presidência de marketing do clube no lugar de Idel Halfen. O executivo, CEO da Travel Ace e um dos fundadores do site booking.com (portal especializado na comercialização de diárias de hotéis), foi indicado pelo presidente Peter Siemsen para suprir uma deficiência da administração tricolor, a exploração de sua marca. Peter não assume isso publicamente, mas a mudança operada reflete exatamente a sua insatisfação com os rumos dados ao marketing tricolor durante a sua gestão.
 
Mesmo após dois títulos nacionais, classificações consecutivas para a taça Libertadores da América e a presença em seu elenco de nomes como Conca e Fred, pouco ou nada foi feito para que a marca Fluminense fosse explorada com o objetivo de trazer recursos ao clube e aumentar o número de fãs no Brasil e no mundo.
 
Rodrigo Terra, diretor da Geometry Global, assumirá o cargo de diretor executivo de marketing e ambos já planejam uma reaproximação com a Unimed de Celso Barros, além, acertadamente, da vinculação do departamento de comunicação, antes autônomo, ao marketing do clube. Assim, Jackson Vasconcelos, que cuidava da comunicação institucional, passará a tratar especificamente dos assuntos relacionados ao presidente, uma vez que é seu assessor executivo.
 
O Fluminense precisa de um marketing atuante, com ideias inovadoras, que fortaleça e engrandeça a sua marca, algo bem diferente do que vinha ocorrendo até então. A relação com a patrocinadora master, e isso é um desejo dos novos executivos, precisa ser melhor trabalhada, considerando o vultoso aporte realizado no clube e os excelentes lucros perpetrados pela empresa de planos de saúde.
 
As expectativas quanto à melhoria do marketing e da comunicação institucional são grandes, e, o momento é de se apostar na nova gestão que se inicia. 
 
Uma ressalva, contudo, deve ser feita. Uma breve pesquisa realizada no Google com o nome da empresa booking.com, indica que a mesma foi alvo de denúncia ao Procon de Mato Grosso por, supostamente, ter praticado um acordo lesivo aos consumidores-turistas que planejavam se hospedar no Hotel Roari, em Cuiabá. Segundo a denúncia, os portais booking.com, decolar.com e o Hotel Roari teriam majorado os preços das diárias neste último, durante o período da copa do mundo, em cerca de 4.000%. Enquanto a diária no Hotel varia, nos dias de hoje, entre R$130,00 e 180,00, estava sendo anunciada para o período do evento FIFA por cerca de R$5.300,00. (Leia a notícia em http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/12/16/decolarcom-e-ebooking-fecham-hotel-para-copa-e-elevam-diaria-em-4000.htm).
 
A torcida tricolor só espera que a trupe que aporta ao Flu não traga outra ideia que não engrandecer o nosso clube. Basta de gestores que se locupletaram do Fluminense ao longo dos anos.
 
Que o Presidente e a torcida fiquem de olhos bem abertos, porque o Fluminense é um patrimônio de todos nós. No mais, boa sorte aos novos executivos e que tragam boas ideias ao tricolor.
 
 
Avante, Fluminense! ST

quinta-feira, 13 de março de 2014

A Necessidade de Novas Ações de Marketing.


O Fluminense é uma marca de primeira grandeza que, devidamente explorada pelo seu departamento de marketing, poderá trazer ótimo retorno financeiro ao clube, através de uma ampla visibilidade nacional e internacional, fator que alavancará a venda de produtos licenciados, com parte desses valores revertendo aos seus cofres.

Mas a divulgação positiva da sua imagem, além do retorno financeiro propriamente dito, atrai, também, novos torcedores, o que não deixa de ser uma potencial fonte de novos recursos. (projeto sócio-torcedor, aquisição de produtos licenciados, público pagante em estádios, loterias etc).

Não vejo, porém, atualmente, uma ação positiva de marketing que explore de forma efetiva todo o potencial da marca Fluminense.

E não falta oportunidade para tanto. Jogadores como Fred, Conca e, até mesmo, Walter, deveriam ser utilizados como protagonistas de campanhas publicitárias para o clube, a fim de atrair mais torcedores e mais receita.

Recentemente, também, o departamento de marketing Tricolor criou o Projeto "Tricolor em Toda a Terra", cujo objetivo seria levar o nome Fluminense aos locais por onde o time jogasse, seja no Brasil ou fora dele (por ocasião das disputas na Taça Libertadores da América), visando à sua divulgação interna e externa, oportunidade em que se pretendia a internacionalização da marca.

Trata-se de uma excelente iniciativa que, porém, para trazer resultados efetivos, deveria ser, também, manejada por outro viés, funcionando não apenas nas oportunidades em que o time viaja para outros estados ou mesmo para o exterior, mas aproveitando o inesgotável potencial turístico de nossa cidade.

Todos que frequentamos o Maracanã em dias de jogos, sabemos da enorme quantidade de turistas estrangeiros que vão conhecer o estádio, um dos maiores pontos turísticos do Rio de Janeiro.

Não seria dispendioso, nem trabalhoso, criar-se um "kit" contendo, por exemplo, uma revista que contasse a história do clube traduzida para o inglês, uma flâmula, um botton ou um adesivo, que fosse distribuído aos turistas na chegada ao estádio.

Imagine-se o efeito dessa singela ação para a internacionalização da marca tricolor.

Milhares de pessoas, todos os anos, levando os "Kits Tricolores" para seus países de origem, tornando-se, por afeição, novos torcedores do Flu nos mais diversos rincões do planeta e o melhor, repercutindo a nossa história e a nossa imagem num processo de verdadeira internacionalização da marca.

O Fluminense é um diamante bruto que precisa ser lapidado e mostrado ao Mundo; e a iniciativa está logo ali, ao alcance dos seus administradores.

Não é difícil, não é caro, basta querer.

Avante, Fluminense! ST