Uma derrota acachapante, vergonhosa e humilhante.
A vergonha só não foi maior, porque o Fluminense, milagrosamente, livrou-se de sofrer o quarto gol do modesto Horizonte.
Se o sofresse, estaria, agora, praticamente eliminado de uma importantíssima competição nacional por pura falta de vergonha na cara.
Lembrei-me do jogo contra o Botafogo. Enfrentaram um grupo de reservas com a mesma soberba que se viu hoje.
Reparei que, antes da partida, a preocupação era vencer e, por dois gols de diferença, para impedir a realização do jogo da volta. Só esqueceram de combinar isso com o fraco, mas aguerrido time cearense.
Uma equipe que sofreu três goleadas seguidas, mais de dez gols em três jogos e fez contra o Fluminense o jogo da sua vida.
Só o Fluminense não sabia disso. Diante do Horizonte, por certo, imaginavam uma goleada. Tanto é que entraram dormindo e sofreram o primeiro gol logo nos primeiros minutos de jogo, numa falha da zaga.
A partir daí a equipe esboçou acordar, o jogo ficou franco e, diga-se de passagem, um jogo franco contra o Horizonte é sinal de algo está errado, chances desperdiçadas na frente e sustos atrás. Empatou, perdeu um sem número de gols e foi para o intervalo com o empate que, até então, era um placar injusto para o Tricolor.
Mas a desgraça veio no segundo tempo. Sem Conca e Diguinho o Flu perdeu duplamente, na criação e na marcação.
Ficou ainda mais vulnerável que no primeiro tempo, com o seu lado esquerdo totalmente desguarnecido pelas subidas de Chiquinho.
Biro-Biro foi impodutivo e parece não se cansar de perder gols feitos. Wagner não chega aos pés de Conca e Jean, o mais fraco do meio de campo tricolor, foram alguns dos destaques negativos. Chiquinho, voluntarioso na frente e displicente atrás, Fred, que perdeu dois gols imperdíveis e Bruno, letárgico, foram outros.
Walter cansado, obeso ou com uma só perna, é melhor do que Biro-Biro e Kennedy juntos. Não entendi a sua substituição, nem a de Conca e Diguinho, supostamente, estes últimos, com dores musculares.
A maior prova de que um time cheio de homens de frente não significa uma equipe ofensiva, se não há um meio de campo que crie, foi dada hoje.
Uma partida para esquecer, que manchou a história do Fluminense.
Um time desonrado, foi o que eu vi hoje.
Se eu fosse presidente do Fluminense, ninguém receberia salário este mês, e uns dois ou três eu mandaria embora por justa causa.
E agora? É possível reverter no Rio, mas o estrago já foi feito. O Fluminense mostrou para todos que, fora do mundinho do campeonato carioca, as coisas são muito mais complicadas do que parecem ser, principalmente quando falta respeito, time e vontade.
Avante, Fluminense! ST
