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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Tudo pode mudar em 90 minutos

Na vitória tricolor sobre o Payssandu pela Copa do Brasil, três jogadores foram protagonistas: o atacante Magno Alves, o lateral direito Renato e o goleiro Júlio César. Os dois primeiros foram os autores dos gols do Fluminense e o goleiro, um dos maiores responsáveis por garantir o resultado com ótimas defesas.

Não haveria nada de especial nisso se esses três jogadores não fossem um veterano artilheiro que, aos 39 anos de idade e de volta ao clube que o projetou, ainda não havia marcado com a camisa tricolor; um lateral direito que era questionado por parte da torcida – frise-se que lesões que o retiraram do gramado por longo período e o banco de reservas nunca permitiram que mostrasse plenamente seu futebol – e um goleiro que ainda não jogara pelo Flu, mas que chegara ao tricolor sob o estigma de fracassos anteriores, sobretudo quando vestiu a camisa do Botafogo, antes de ser vendido para a Europa.

Logo depois da partida – e é isso que torna o futebol apaixonante – diversos torcedores se manifestaram sobre a inusitada coincidência de três jogadores criticados, obscuros, da “segunda linha” do elenco tricolor terem sido os principais responsáveis pela importantíssima vitória sobre o clube nortista. Espalharam-se pelas redes sociais hashtags do tipo “#nuncacritiquei” ou “#nuncafaleimal” e ainda apaixonadas manifestações sobre a nova “muralha” tricolor que alguns, mais empolgados, já atribuíam a titularidade no gol do Fluminense.

E o que tem isso? Nada demais.

Ao torcedor é lícito “cornetar”. Somente a ele é dado o direito de ser volúvel em suas opiniões, tão volúvel e dinâmico como é o futebol. Não me espantaria se alguns daqueles que disseram que nunca criticaram Magno Alves ou Renato estivessem mentindo. Faz parte. Nem me espanto que, por uma única apresentação, pretendam trocar Cavalieri por Júlio César no gol tricolor.

Também não seria de estranhar que essas mesmas vozes, daqui a um mês, após mais dez partidas em branco do veterano artilheiro, de algumas pixotadas do esforçado Renato e uma ou duas falhas do aclamado estreante, tornem com força total às críticas que uma única partida teve o condão de arrefecer.

Tal qual a cornetagem, o entusiasmo exacerbado também está inserido no espírito do futebol. Sem essas sensações fugazes e eloquentes o esporte perderia a sua graça. Quantos heróis de 90 minutos já não vimos? Jogadores que entraram para a história numa única partida e que depois jamais reeditaram um átimo daquele encanto passageiro...Não nos fizeram felizes, mesmo que por uma única partida?

Por isso, a minha mensagem ao torcedor tricolor é para que não se tolha. Se hoje, por exemplo, você assistiu a uma atuação estupenda do zagueiro Henrique, brade a plenos pulmões: “Henrique é seleção!”. Se amanhã ele falhar bisonhamente, xingue até a quinta geração de sua mãe.

Tê-lo enaltecido ou criticado antes, não lhe retira a legitimidade de criticá-lo ou enaltecê-lo posteriormente.


Esse é um direito seu, inalienável, que ninguém pode turbar. Afinal de contas, assim como na vida, o direito de se arrepender ou mudar de opinião é o que engrandece o debate esportivo. Mude de opinião sempre que achar que deva e não dê bola para os patrulheiros de plantão. Afinal, eles também mudam de opinião, só não admitem isso para você.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Direito de Vaiar


A vaia é uma manifestação sonora de insatisfação. O aplauso, a ovação, por outro lado, é a manifestação de satisfação, contentamento com algo.
Ambos são exemplos de formas de liberdade de expressão, direito protegido por nossa Constituição da República.

São manifestações, em regra, coletivas, não se podendo tolher, a quem quer que seja, o direito de vaiar ou aplaudir. É muito mais do que um direito de quem paga ingresso para assistir a um espetáculo ou a uma partida de futebol, por exemplo; é um direito à livre expressão.
Nem sempre, o que é salutar, as percepções são idênticas. Por vezes, vaias e aplausos se misturam no seio da plateia e isso é absolutamente normal.

Vaiar nem sempre significa estar contra, é apenas a manifestação efêmera de um inconformismo. Justo ou não, é de índole puramente subjetiva e deve ser respeitado.
Fatos lamentáveis, contudo, têm ocorrido durante os jogos do Fluminense. Basta as coisas desandarem dentro de campo para que ecoem vaias pelo estádio, atitude que não agrada a outra parte da torcida, que entende como apoio incondicional apenas os cânticos e gritos de incentivo. Para estes, vaiar é proibido.

A imposição dessa mentalidade à força tem proporcionado tristes episódios de conflitos entre tricolores nas arquibancadas. Muito em breve, e não duvido disso, um desses canais televisivos dará uma ênfase maior ao assunto e um “diligente” procurador do STJD oferecerá denúncia em razão de conflitos provocados pela torcida tricolor.
Esse excesso de zelo de parte da torcida poderá provocar consequências muito mais sérias do que as vaias que teimam em abafar. Senão por uma eventual punição administrativa, por violações às integridades físicas de companheiros torcedores.

O fato de ser contra o recurso da vaia não significa que se pode submeter quem vaia à sua vontade, principalmente pela força, ou de obrigar quem incentiva, através de cânticos, a vaiar. Trata-se de uma turbação injustificável do direito alheio.
Eu sou a favor da vaia dentro de certos limites. Por exemplo: não vaio jogador que está mal, vaio jogador que não se entrega em campo; não vaio durante a partida, mas se a equipe se portou de forma desidiosa, vaio ao final do primeiro tempo ou ao final do jogo.

Acho importante que a equipe sinta a insatisfação da torcida e que, a partir dessa manifestação procure melhorar. Não vaio por uma simples derrota, mas porque a atuação foi abaixo da expectativa. Outro exemplo: vaiaria o time na recente derrota para o Botafogo, mas não o vaiaria no empate contra o Bonsucesso. Foram regras que estipulei.
Em que pese o meu ponto de vista, devo respeitar quem pensa diferente. É um exercício de democracia.

Vaias, mesmo, merece aquele torcedor que agride o colega porque canta e incentiva mesmo na derrota, ou aquele que agride o que vaia, por imaginarem que, cada um ao seu jeito, agem contra o clube.
Radicalismos são sempre nocivos, principalmente quando se sabe que todos nós estamos irmanados por um Fluminense sempre melhor.

Avante, Fluminense! ST